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os muitos deuses da autoajuda

A literatura de autoajuda normalmente é vista com desconfiança pelos religiosos mais conservadores. Por isso, surgiram também os “gurus” dos segmentos católicos e evangélicos, que moldaram tal literatura para atender esses filões.

O próprio nome já diz tudo: “autoajuda” – o homem conhecendo a si mesmo, encontrando suas forças e aprendendo a usá-las em seu benefício próprio. Pesquisando as raízes desse conceito, chegaremos às seculares crenças orientais, revestidas hoje pelo padrão de vida do homem do século XXI, a euforia pela “era de aquário”. Resumiríamos da seguinte forma: “um novo homem renascido pelo aperfeiçoamento de velhas fórmulas”. Por isso, Deus é visto por diferentes ângulos pelos adeptos da autoajuda e sua literatura. Para ajudar os leitores a compreenderem, eis um resumo prático:

DEUS PAI – É o Deus dos cristãos, que orienta seus filhos. O bom filho obedece ao pai, mas dentro das igrejas cristãs existe ainda olhares diferentes para o pai. O primeiro é o olhar de temor, voltado para o Deus do Antigo Testamento, aquele Deus que se ira com os filhos e castiga, por isso, os filhos são totalmente submissos, servos no sentido amplo da palavra. O segundo é o olhar mais próximo, que leva em conta que não são servos, e sim amigos. É o filho amigo do pai, que estabelece um diálogo. Existe a obediência mas é uma obediência consciente, e não cega. Em ambos os casos, Deus aqui é visto como o pai orientador, pois não somos nada sem Ele como modelo.

DEUS É JOIA – Aqui já é um deus de transição, mais que amigo, é um parceiro, camarada. Normalmente a camaradagem é para o objetivo social do homem capitalista, sua ascensão profissional. “Deus é fiel” é a nova moda. “Que Deus é aquele (referindo-se ao primeiro) que prega vida simples, modesta, pobreza”? Por isso este é o da transição, entre o primeiro e o terceiro.

DEUS DE MIM – Eis o terceiro, que até há pouco tempo atrás era visto somente pelos estudiosos do chamado “ocultismo”. Para compreendê-lo, é preciso ter conhecimento do básico, embora quem adere ao “deus de mim”, está manipulando as leis universais ao seu próprio benefício, ou seja, corrompe tudo o que aprendeu lá atrás, com o Deus Pai. É aqui onde a autoajuda pode atrapalhar, levar as pessoas ao engano.

Antes de dar os primeiros passos neste estilo literário, fiz um bom preparo. Nunca tive afinidade com literatura de autoajuda justamente por essa linha de raciocínio, direcionada ao “deus de mim”. Como cristão, não poderia comungar com uma ajuda na direção oposta, e também não poderia escrever uma literatura tendenciosa, direcionada a igreja x ou y. Por isso, criei algo baseado em meus estudos e experiências práticas no convívio social. Como servidor, devo servir aos outros aquilo que tenho de bom, e não de caótico ou egoísta. Dessa forma, esta seção intitulada autoajuda ou superação (prefiro este último), tem como meta servir acima de tudo. “Não existe autoajuda sem antes servir, ajudar ao próximo”. Pode soar estranho, pois “autoajuda” supõe que a pessoa não precisa de ninguém para crescer, a não ser dela mesma. Os gurus da autoajuda seriam os professores que ensinam o indivíduo a proclamar sua independência (independência dos outros e de...Deus!)

O assunto é extenso para ser colocado apenas num artigo. Por isso resumo da seguinte forma; é um espaço mínimo que separa uma coisa da outra, o bem do mal, o preto do branco, o bom do bobo, a ajuda do paternalismo, o equilíbrio do caos, a sanidade da psicose, o Deus Pai do panteísmo, e o próprio homem de Deus. Num passo apenas você pode ir de um extremo ao outro. E o que se coloca comercialmente neste mundo, leva aos extremos intolerantes. Quem se coloca num desses extremos, não consegue compreender os porquês e foge dos questionamentos, pois tais extremos surgem como abrigo para as pessoas, refúgio. A carência espiritual do ser humano na sociedade que vivemos propicia essas fugas, esse desejo de se abrigar sobre as asas de “anjos protetores”. Uma vez abrigada, a pessoa teme questionamentos porque não quer admitir a possibilidade de ter feito a escolha errada. A ausência de humildade é um dos piores defeitos do ser humano. Admitir que esteve todo esse tempo enganado. E isso é motivado pelo pensamento nos outros...todos querem passar a melhor imagem possível para o vizinho; a imagem do forte.

Quero que fique claro a todos minha posição diante de Deus ao escrever este tipo de literatura. Autoajuda, quer queira, quer não, vai envolver conceitos de Deus. Isso é transmitido normalmente a partir do ponto de vista que o autor tem de Deus, e esse ponto de vista comunga ora com o deus do ego, ora com o panteísmo. Eu não concordo com o panteísmo porque:

A natureza não é perfeita, é equilibrada. Por não ser perfeita, não pode ser Deus. Deus sim é perfeito porque tudo o que existe no mundo, no decorrer de sua formação, entrou em sintonia equilibrada. Se entrou em sintonia equilibrada, foi a partir de uma força maior e perfeita, que emanou de um Deus. Logo, Deus, perfeito, não criaria seres perfeitos, pois seriam então deuses. Na sabedoria universal, o perfeito cria o equilibrado. Portanto, a natureza não pode ser perfeita, como o homem não é, e sendo criação como a natureza, deve ser equilibrado (o que não é). Da mesma forma que o panteísmo é uma concepção deturpada, o “deus interior” também é uma deturpação. A confusão ocorre por serem coisas muito próximas uma da outra (como falei anteriormente, do espaço mínimo). É diferente falar “Deus em mim” de “Deus de mim”. A natureza possui fragmentos da criação (Deus), nem por isso é Deus. O homem tem essência divina, mas não é Deus. E nem deve almejar tal “cargo”, porque está preso a um círculo social que vai totalmente contra os princípios estabelecidos pelo criador ao mundo. “Quem quiser ser o primeiro, que seja o último”, assim está numa das passagens da Bíblia. Isso não quer dizer que todos devam dar a cara a tapa, serem escravos de Deus ou dos “senhores” deste mundo, aquela obediência cega, submissa. A passagem enfatiza a necessidade de ser servidor; servir antes ao mundo (o respeito à natureza) e ao próximo (aquele que está hierarquicamente abaixo de você) para então receber o que você merece. É a reciprocidade natural, é dando que se recebe. Aquele que dá, é o último, deu e receberá, recebendo, será o primeiro. Ser servidor não é ser escravo, embora, aos olhos mundanos, pareça. Na própria literatura de autoajuda, é estimulado o cérebro do leitor ao sucesso espiritual e profissional. Isso porque a autoajuda expandiu no mundo como ferramenta para as pessoas que não estavam mais compreendendo a mensagem espiritual transmitida em suas igrejas. Na carência espiritual e material, foi aberta a porta para a injeção de ânimo: “você pode, você consegue, pois a força (Deus) está dentro de você”. Assim como a “New Age” cresceu no mundo devido aos erros das igrejas tradicionais, que se transformaram em “mercados da fé” e esqueceram do lado cidadão das pessoas, a autoajuda encontrou seu nicho.

Por tudo isso, a literatura de autoajuda que escrevo foge totalmente da tradicional. Venho colocar aquilo que deve ser a autoajuda, um comprometimento em servir ao próximo, ao mundo, para só então saber manusear corretamente ao que se chama de autoajuda. Você precisa crescer? Alcançar a fé? Melhorar sua qualidade de vida? Eu ensino. Mas não da forma egoísta como a maior parte dos “gurus” ensina. Se está disposto a admitir humildemente que se enganou por outros caminhos e quer acertar o passo, acompanhe esta seção. Participe, pergunte, discuta. Não sou melhor que os outros escritores, sou apenas diferente. Quem vai dizer se sou melhor ou não, é o leitor. Reconheço que existem bons escritores neste segmento, como Augusto Cury, que não pode ser considerado escritor de autoajuda, mas de superação. Independente de linha doutrinária, ele coloca exemplos de superação em seus livros. É isto que pretendo também. Levar o leitor a superar seus traumas e problemas, da forma que não prejudique o mundo e as pessoas em volta. Chega de narcisos e egocêntricos. Precisamos de cooperadores. Pessoas que cresçam na forma cooperativa. Para tal, o Deus neste tipo de literatura deve estar bem claro. Não é o meu deus nem o seu. Mas o nosso, que estabeleceu o critério do equilíbrio. Basta agora sabermos manusear a ferramenta do equilíbrio.

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