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SolidÃo, um aprendizado

A palavra solidão assusta, e não deveria. Solidão é combinada erroneamente com pessoas fracassadas, loucas. Nada disso. Primeiro, porque ninguém está só. E em segundo, estar sem outras pessoas por perto é a maior prova de coragem e o único momento em que você consegue estar sintonizado com o mundo imaterial. Coisas ao nosso redor, pessoas, animais, música ou o barulho que seja, dificultam e até mesmo bloqueiam a concentração e a sintonia.

O homem é um animal social, como a maioria dos demais. Na corrente social, há compromissos, e compromissos são com outras pessoas, embora o homem não saiba viver socialmente da forma correta. Numa classe social, a rotina da sobrevivência e da aparência. Na outra, a rotina do controle a qualquer custo para não perder a mordomia e o status. Nesta classe social, algumas pessoas possuem a consciência da importância do silêncio, da solidão. Mas se por um lado buscam tal equilíbrio, do outro fracassam. Toda energia e força adquirida no mundo possui um propósito, que é sua disseminação. E isso não é feito; ou quando é feito, é de forma seletiva.
No geral, as relações humanas são formadas por uma competição predatória e invejosa. Quem tem muito, vive cercado de pessoas, mas não confia em ninguém porque “o melhor amigo pode ser o pior inimigo”. Quem tem razoável, “compra amizades” para dar a aparência de importante. E quem nada tem, está sempre em busca de companhia que lhe preencha materialmente (em raras situações, espiritualmente). Se a cabeça está feita com essa rotina, isolar-se pode ser a mais difícil das tarefas. Primeiro porque é um desafio a si mesmo, segundo porque outras pessoas estranharão. Ora, ninguém é dono da sua vida para ter que dar satisfações! A vida é para superar obstáculos, não somente obstáculos sociais, financeiros, mas principalmente os obstáculos criados por vícios, manias e preconceitos.

Este artigo complementa o que fala do “silêncio necessário”. Pessoas que se enquadram como “muito sociáveis”, admitem que não conseguem parar. Sempre estão em reuniões, festas, no convívio familiar e quando se isolam por alguns instantes, é o celular que entra na jogada. Em que momento esta criatura consegue realmente se afastar de todos e pensar em si, em sua vida? Se demorar muito, poderá ser tarde.

Espiritualmente falando, somos seres solitários. Dependemos do semelhante para nascer, mas não dependemos desse mesmo semelhante para morrer. A morte é uma passagem, só não sabemos para onde. Seja qual for a realidade do lado de lá, já não estamos conectados com aqueles que vivíamos grudados. Por isso é importante compreendermos nossas vidas totalmente desligadas de parentes e amigos por alguns instantes diários. Pessoas acostumadas com o agito familiar 24 horas por dia, festas, churrascadas, baladas, celular, redes sociais, etc., estranham quando por algum momento se veem sozinhas. A vida social é importante, a relação interpessoal é fundamental no emprego, nos estudos, nas amizades. Por outro lado, viver somente dessa forma é alimentar prazeres do ego, ignorando o eu, que é a verdadeira essência de nossas vidas. A corrente social é uma corrente mecânica, nossos prazeres passam a ser mecânicos, não conseguimos raciocinar sobre o porquê fazemos determinadas coisas. A falta da pausa, do momento de solidão e silêncio, é como um caminhão que fica ligado ininterruptamente num poço petrolífero. Ele só vai parar quando quebrar; li isso numa revista do gênero, e o exemplo serve para nossa vida: se não fizermos pausa, um dia a rotina é quebrada, e essa quebra pode ser traumatizante.

Pessoas habituadas a viverem sozinhas, ou que disciplinam a forma de relação com parentes e amigos, apresentam maior equilíbrio emocional, tomam decisões corajosas e erram menos, ao contrário daquelas que vivem no barulho, controlando os outros e sendo controladas. E o melhor de tudo: percebem fatos que os demais demoram a perceber. Se duvidar, faça uma pesquisa. Na hora da provação, pessoas acostumadas com ambiente agitados, de muito barulho e controle de terceiros, “perdem a cabeça”, gritam, choram, chegam até a partir para a violência. Isso ocorre porque o barulho e a agitação não permitem que a pessoa raciocine rápido. Já aqueles que se situam num ponto de equilíbrio, agem sem escândalos, com critério e consciência. Conseguem resolver uma situação sozinhos, ao contrário dos outros, que vão precisar de “apoio” por não terem capacidade de tomar atitude por conta própria.

É importante não generalizar e nem levar aos extremos. A pessoa excessivamente isolada, que admite não gostar da convivência com amigos, aquele que troca uma companhia humana por animal, indica que algo está errado. Sim, somos livres para optar. Há pessoas que escolhem viver uma vida sem casar, sem ter filhos, com um grupo restrito de amigos. É normal, cada um possui um dom, uma visão diferente de enxergar o mundo. É normal levar uma vida assim desde que essa pessoa saiba se relacionar com os outros quando sair do mundinho dela. O problema existe quando a pessoa não sabe ou não consegue se relacionar com o próximo. Pode ser um perigo. Os antissociais, o Wellington de Realengo, são casos extremos. Eu, Escritor Piloto, possuo cerca de 800 pessoas em minha lista de contatos; amigos, colegas...amizades que em nenhum momento foram compradas por dinheiro ou festas. Amizades sem interesse. Mantenho o equilíbrio. 70% de meus momentos diários são sozinho, por isso consigo escrever e me equilibrar emocionalmente. Os outros 30% divido com a companhia desses amigos. Um pouco de cada, não tenho preferência por este ou aquele, não faço distinções. Um dia estou com os amigos de um bairro, no outro dia com amigos de uma cidade vizinha, outro bairro, e assim vai. Sem virar rotina. Sem controles. Sem falsidade e sobretudo sem exibicionismo.

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