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AMIZADE

AMIZADE: MUITOS SÃO CHAMADOS...

 

     Cristo já dizia; muitos são chamados, poucos são escolhidos. O chamado para uma nova vida. O chamado para a responsabilidade, pois viver não é fazer o que bem entende. Todos têm uma missão a cumprir, e a missão não é individual, é coletiva.

     Em toda a história da humanidade, os bons sempre sofreram mais. Incompreendidos, zombados, feito de “bobos”. Os bons sempre buscaram espalhar a bondade, estendendo a mão para socorrer e fazer aliados da bondade. Assim, muitos foram chamados desde que Cristo, dois mil anos atrás, chamou. Muitos seguidores do Mestre chamaram para a Obra, para a salvação planetária. Poucos ouviram e poucos foram escolhidos.

     Durante minha vida, não fui “colecionador de amizades”, mas a primeira vista é essa a impressão que dá. Em meu jornal “virtual” enviado por e-mail aos meus contatos cadastrados, falei sobre esse assunto e citei exemplos. Algumas pessoas que conheci, durante o decorrer de suas vidas, tomaram atitudes extremas. Desde a professora que se isolou do mundo e seus únicos amigos são o marido e a filha, aos que escolheram como companheiros fiéis um gato ou cachorro. “Animal não trai” – é o argumento.

     Na década de 80 tive um clube cultural de intercâmbio, que promovia o valor às amizades. A marca registrada desse clube é meu velho caderno onde tenho registrado nomes e endereços dos contatos, com fotos 3x4 de cada pessoa. Parece até um livro de registro de funcionários de uma empresa. Mas parece apenas. Amigos ou colegas não são funcionários, e embora cada um tenha números sequenciais e o ano do nascimento da amizade, eles não são meros números. Seres humanos possuem valor incalculável, embora muitos não deem valor e nem se deem ao próprio valor. Conforme os anos se passaram fui descobrindo a face do ser humano manipulado pela sociedade, por uma “ordem mundial”, e hoje por uma suspeita “nova ordem mundial”. Tudo é dinheiro, tudo gira em torno do dinheiro. É bonito falar que amigo não se compra, que amizades estão acima do interesse financeiro e que dinheiro não compra o céu. Mas na prática...

     Já no final dos anos 80, passei por uma fase de questionamentos acerca deamizade, o que é um verdadeiro amigo. Cheguei à conclusão de que dentro de meu grande rol de quinhentas e tantas amizades, poderia selecionar cinco ou seis amigos de verdade. Uns 15 ou 20% eram pessoas que tinham por mim a chamada amizade convencional, ou seja, colegas que te procuram quando precisam, lembram de seu aniversário ou no período natalino. Alguns dentre estes, podem até vir a ser um verdadeiro amigo durante a marcha incerta da vida. São os básicos para formar um grupinho, uma roda de amigos. Parte te compreende, outra parte quer estar por perto por curiosidade, para matar a curiosidade. Te vê como um concorrente, e nesse caso ele luta para estar sempre acima.

O restante, se deixasse de considerar a amizade, não faria diferença. São os chamados “conhecidos”.

      Escrevi inúmeros artigos sobre este assunto, publicados em meus jornais ou na imprensa do município. Escrevi em jornais murais de escolas e até na empresa onde trabalhei. Falei sobre o assunto nas palestras que ministrei. Enfim, durante todos esses anos, fui aprendendo e ensinando o que são as amizades neste mundo globalizado. Hoje, posso afirmar que a palavra bonita amizade é como um vaso de enfeite em cima da mesa. É algo que a sociedade olha, elogia e dá as costas. Ninguém quer tocar no vaso, analisá-lo, pensar como ele foi feito e muito menos para que ele serve, qual sua função. Nos anos 90 teve um período que deixei o caderno de lado e cheguei a retirar alguns nomes. Analisei friamente cada pessoa. E descobri a enfermidade. Boa parte daquelas pessoas eram carentes mas não admitiam ajuda. Colocavam-se no altar da aparência e nem imaginavam o que seria o espírito de uma verdadeira amizade. Passavam a quilômetros de distância. Logo, poderia ser perda de tempo malhar em ferro frio, ou seja, me dedicar a pessoas que mal davam importância para você como ser humano. Levando por esse lado, na ausência de sentimentos humanos, poderia jogar mais de 60% na lata de lixo. É neste ponto que podemos fazer a ponte de ligação com as palavras de Cristo: “muitos são chamados, poucos são escolhidos”. Chamei muitos para a verdadeira amizade, poucos entenderam o chamado e assumiram a verdadeira amizade. Mais ainda quando utilizo as ferramentas amargas que são necessárias a uma verdadeira amizade, como dizer sempre a verdade mesmo que essa verdade doa e chamá-los para funções nem sempre divertidas. Ora, é fácil ter amigos quando você vive chamando para uma churrascada na laje ou no “puxadinho”. Quando você seleciona as meninas mais bonitas para oferecer aos seus amigos. E mais ainda quando você ostenta um bom nome de família e é fisicamente bonito. É por isso que não escolho fazer amizade. Escolher, selecionar, envolve critérios interesseiros. Cai no defeito social do ser humano, que é escolher o que lhe é conveniente, interessante. A amizade surge espontaneamente e é o tempo que vai lhe afirmar quem são os verdadeiros amigos. Foi assim que não descartei os mais de 60%, apenas uns 5% que realmente era caso perdido de caráter. Ou que haviam sumido de vez. Muitas foram as lições de lá para cá. Amizades que estavam por um fio pela mesma precariedade de caráter, mas o fulano “caiu na real” em tempo e deu a volta por cima. Outros que ainda vivem na ilusão do altar egocêntrico, mas me proporcionaram experiências de vida marcantes. Não esqueço o colega que debochou de outro colega meu que, por possuir pouco estudo, escrevia tão errado que errou ao assinar seu próprio nome. Certo dia, o colega que se colocava no altar da inteligência, por pura distração, “comeu” duas letras de seu sobrenome ao assinar meu jornal. Quando chamei-o para ver o que havia feito, ficou tão envergonhado que nada disse e foi embora. Sem dúvida, este foi um dos maiores exemplos que tive na vida para ser cuidadoso ao criticar algo e principalmente alguém. Aquele que zomba da ignorância do outro, comete o mesmo erro ou até pior. Hoje, vejo isso com muita frequência na política, principalmente nos dois partidos que mais se digladiam no país. A comparação que pode ser feita da política com esse caso citado agora, refere-se ao assunto que gosto e entendo – ônibus. No início dos anos 90, certa administração petista na capital paulista resolveu padronizar o visual dos dez mil ônibus da cidade. Uma “estupidez técnica”, pois atrapalha a vida do usuário mas deixa a marca registrada de uma prefeitura, ou seja, para merchandising é ótimo, para quem precisa do ônibus é péssimo. Passado pouco mais de dez anos, certo partido opositor do “petismo”, comete a mesma “estupidez técnica” cá em minha terra, com argumentos igualmente estúpidos tipo “facilita a flexibilidade da frota”. Quer dizer que o poder público não quer facilitar para o usuário, para o povo, que paga passagem, e sim para o empresário.

     A lição que se tira disto é: quem vive criticando, acaba cometendo o mesmo erro do “adversário”, erro até pior. Vi o exemplo do pobre colega culto ao criticar o de pouco estudo, os partidos adversários jogando merda no ventilador...e muitos outros durante minha vida. Foi assim que aprendi a me policiar, ser cuidadoso ao fazer críticas, e fazê-las sempre de forma construtiva, pois se não houver quem critique, quem aponte os erros, nada muda. O conformista é muito pior que o crítico, pois na história mundial não haveria evolução planetária se não fosse a atitude dos críticos, dos insatisfeitos, dos reformistas e revolucionários. Abençoados os não conformados, os que lutam, os que dizem “desta forma pode ser melhor”. O que bloqueia as ações é uma maldição chamada inveja. Você sugere, mostra, aponta o caminho, mas quem possui a faca e o queijo nas mãos não admite inovações, ideias vindas do povo ou de alguém de outra religião, de outra ideologia política. E é por isso que a maioria das amizades nos altos escalões da sociedade, nas esferas dos três poderes (ou quatro), é FALSA. Amizades convenientes, interesseiras. Isso explica (em parte) porque é a elite que sustenta o narcotráfico. A elite busca uma fuga momentânea da realidade, pois não conseguem (os membros da elite) ser diferentes no meio em que vivem. São “obrigados” a fazer parte do jogo para não ficar com imagem de ovelha negra, estranho no ninho. Ou assumem ou somem. Em outro trecho bíblico, Jesus diz ao rico o que ele precisa fazer para seguir o Mestre. O rico deu as costas e foi embora, triste, porque não conseguia “sair de seu mundo”.

     Muitos são chamados. Poucos são escolhidos e sobrevivem. Muitos eu chamei para fazer parte de um clube cultural, de um círculo de amizade suprapartidário e sem divisões religiosas. Poucos sobreviveram ao meu lado, a maioria não aguentou o baque. Preferiram ser “iguais” à maioria. E nessa de iguais, alguns sucumbiram na vida de álcool e outras drogas. Casaram e descasaram. Um colega que demonstrava ser “mui amigo” de 1988 a 1995, revelou a verdadeira face quando publiquei meu primeiro livro em 1996. Ao invés de demonstrar contentamento com minha vitória na literatura, ficou com inveja e se afastou. Deixei. Hoje ele é morador de rua. Seu casamento ruiu e ele foi parar na rua. Não desejei mal a ele, simplesmente ele colheu o que plantou. Sou uma pessoa boa, mas tenho sede de justiça. Quem faz mal a mim, cai na lei do retorno. Cedo ou tarde colhe o que plantou, pois minha fé é na justiça maior, na justiça universal. Trago comigo a bondade, e sendo bom, não admito trairagem, sacanagem. Não prejudico ninguém e não admito que me prejudiquem. E minha boca ninguém cala. Não sou dono da verdade mas falo a verdade, porque a vida me ensinou, arduamente, o que é o bem e o mal, o que é a religião dos homens, o que é a política dos homens, a verdadeira cara da sociedade. Antes de buscar amigos, lutei para ser amigo. O amigo ideal. Tanto que um número significativo de amigos e colegas confia em mim. Segredos, intimidades, dúvidas, problemas...para chegar nessa posição, superei maus hábitos, superei meus defeitos, admiti meus erros, que pertencem ao passado. Não cheguei à perfeição, mas permaneci naquilo que chamo de ponto de equilíbrio. Nesse ponto de equilíbrio, continuo chamando. Chamando novas amizades, contatos com pessoas de atitude, que não são conformadas, que buscam a evolução espiritual e também a evolução do mundo, do planeta Terra que é belo e não merece estar condenado da forma que está. Como poucos abraçam a responsabilidade, meu trabalho é gigante, sem fronteiras. Minha lista de contatos é extensa, porque de cada cem, um entende o recado. Um abraça a verdadeira amizade e a responsabilidade. O restante, infelizmente, apenas faz volume no que se chama “amizade convencional”. São pessoas que acordam tarde para a realidade porque não querem riscos, responsabilidades, inovações. Alguns acordam ainda em tempo, por isso mantenho contato. Acordam cedo, tarde...o importante é acordar em tempo de fazer algo.

     Para mim, de nada vale uma legião de amigos só para fazer volume nas festinhas. Para exibir no Orkut. Se tenho amigos, é preciso fazer algo por eles. Entenda-se que eles também devem fazer pelo próximo, que inclui eu e seus demais amigos. Amigos não são para fazer fofocas, transar ou simplesmente para ter companhia. A função da verdadeira amizade é a proposta por Cristo, Maomé ou aquele que você segue: fazer o bem pelo próximo e pelo mundo. Todos os grandes líderes mundiais (do bem) ensinaram este caminho: união.  O verdadeiro amigo quer o bem desse amigo, e não sua ruína. O verdadeiro amigo arrisca sua vida pelo amigo. Pela família e pelos amigos, pois arriscar-se apenas pela família é algo óbvio, fácil. Os escolhidos são aqueles que se superam, e arriscar-se pelo amigo, aquele que não é seu parente, é uma grande prova de superação do orgulho, característico ainda em muitas famílias.

     Muitos são chamados. Você aceitou e passou no teste?

 

 

 

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