Boa noite!

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ANDREZINHO E O PÉ DE FEIJÃO

     Andrezinho gostava de colocar um grão de feijão sobre o algodão. Todos os dias molhava e acompanhava o germinar da planta. Quando saiam as primeiras folhas, transferia para uma lata com terra. Assim, foi “colecionando” várias latas com pés de feijões. Levava para o sol pela manhã e quando o sol das dez começava a ficar muito forte, retirava-as e levava para a sombra. As folhas dos pés de feijão ficavam “em pé”, inclinavam-se para o alto quando estavam no sol. A noite, as folhas inclinavam-se para baixo, como se a planta realmente estivesse dormindo. André acostumou-se a essa biologia, até que um determinado pé, nascido tempos depois, mostrou ser diferente dos demais. No sol, as folhas inclinavam-se para baixo, e a noite, levantavam. Aquilo “mexeu” com Andrezinho, uma criança com oito anos de idade. O fato dela ser diferente, não provocou o desprezo de Andrezinho. Algumas pessoas poderiam achar que aquela planta era doente, motivo para exterminá-la. Já o pequeno plantador de pés de feijões não viu motivo para alarde. Tratou da mesma forma como as demais. Logicamente ela despertou atenção. Andrezinho toda noite ia olhar aquelas folhas que insistiam em fazer o contrário das outras. Se encantava com aquilo. E durante toda a vida daquele pé, aceitou aquela “diferente realidade”. O tratamento dado foi igual ao das outras.
     Essa criança de oito anos chamada Andrezinho, era eu. Meus parentes costumavam me chamar pelos dois nomes; George André. O Andrezinho “pegou” somente num momento, quando trabalhei numa empresa de ônibus. Hoje, sou apenas George ou apenas André.
     Esse fato da infância nunca mais esqueci, lembro como se fosse hoje. O pé de feijão “diferente” é para mim o maior exemplo de que a natureza não é perfeita mas tudo nela se encaixa. E faço a comparação com o que ocorre na sociedade. Pessoas “diferentes” muitas vezes ficam jogadas para escanteio. São taxadas como “loucas”. Devido ao preconceito dos adultos, existem crianças que crescem com medo de alguém que tenha um olho castanho e outro azul. Quem tenha seis dedos numa das mãos. Ou alguém que não tenha sequer um pelo no corpo. O diferente causa medo. Um medo ignorante. Para mim, o diferente é igual a todos os demais e merece o mesmo tratamento. Não aceito discriminação, pois desde a infância trago isso comigo. Tudo aquilo que uma criança traz de bom, deve ser levado para a vida toda. É bíblico. Reflitam sobre isso
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