Boa noite!

Untitled Document
apenas mais um grupo

Citei em outro artigo deste início de ano o interesse das pessoas em montar ou estar associado a grupos. Se você não pertence a nenhum grupo, corre sério risco de ficar entre meia dúzia de amigos ou sozinho.

Já cheguei a debater ferozmente com algumas pessoas quando questionei a real utilidade dos grupos; coloquei "grupo x" na mesma panela dos demais. É normal a reação, quem engaja em um grupo e se sente protegido, defenderá com unhas e dentes.

Nos anos 80 fundei um grupo, portanto, sei como é. Encerrei quando vi que caminhava para ser "apenas mais um grupo como todos os demais". Esse é o problema comum a todos, embora nem todos admitam. Algumas pessoas afirmaram que "seus grupos são diferentes." E eu afirmo que não são diferentes dos demais! É óbvio. Se existe um grupo que realmente faz a diferença, esse grupo chama a atenção. Já teria sido destacado na mídia, questionado pelos mandatários do sistema, vigiado por espiões e transformado uma comunidade por menor que seja. Chico Mendes fazia a diferença no estado do Acre, por isso foi morto. Martin Luther King fez a diferença. Quem faz a diferença, muda a história, incomoda. Acredito até que algumas pessoas tenham intenções de criar grupos realmente diferentes, com o objetivo de transformar esta realidade. Se tais grupos existem, ainda estão germinando. Mas não podem ficar na fase de germinação por muito tempo, pois as coisas estão acontecendo.

Existem milhares de grupos cujo objetivo é apenas dar segurança aos seus membros. Para esses, "convencionais", não há nada que inspire mudar algo. O objetivo é apenas manter seus membros ali, sobrevivendo aos trancos e barrancos, quando muito com apoio de um advogado quando precisar. Estratégia de sobrevivência em meio ao mar revolto. Outros grupos, "diferenciados", normalmente de cunho ocultista, comungam estudos avançados a respeito da vida, espiritualidade e, claro, estratégias de mercado. Como falei em outro artigo, todos precisam de dinheiro. E grupos "diferenciados", com raras exceções, visam o comando. Em suma, também não pretendem mudar nada, apenas garantir a continuidade do que aí está, numa posição confortável. Diria, portanto, que a quase totalidade dos grupos existentes pode ser dividida em duas: a dos grupos "populares", que remediam a legião de homens e mulheres em busca de sobrevivência e proteção, e a dos grupos de pessoas "diferenciadas", com diferencial no estudo, na finança familiar e até no aspecto espiritual. Nestes, além do objetivo em comum com o anterior – segurança – existe o objetivo maior, que é justamente disputar um bom espaço no controle das massas. Globalização é isso, controle das massas.

Afinal, para que tudo isto? Qual o motivo do artigo? Chamar a atenção dos dois lados. Todos os grupos podem existir, desde que enxerguem que sucumbirão igualmente com o passar dos anos se não mudarem a postura egocêntrica de trabalho.

Séculos entraram, séculos saíram. Veio a tecnologia mas toda a tecnologia não conseguiu promover o bem estar mundial. Falta ao mundo o princípio básico, que é a integração e a comunhão com os povos. Isso não é tarefa única de uma instituição chamada ONU, que se não consegue intermediar muitos conflitos, é porque existe suspeita de certos governos de que alguma nação esteja por trás. A união dos povos e a salvação planetária dependem da atividade de grupos ou instituições totalmente transparentes e isentas de ideologia política ou doutrinária. Não devem levantar bandeiras de países. E muito menos manter a separação dos povos por castas.

Cem, duzentos anos atrás, não havia como pessoas que estão no primário acompanharem passo a passo aqueles que estão na faculdade (essa questão é citada num de meus livros). O mundo mudou. Por menos escolaridade que as pessoas tenham, já não são ignorantes. E o responsável por isso é justamente o avanço tecnológico. Temos sim uma legião de alienados. É uma ignorância diferente da ignorância dos séculos 19 e 20. Não temos como fugir da violência proporcionada pela desigualdade social, e se não há capacidade (ou vontade) política dos governos em acabar com a desigualdade, precisamos pensar numa forma de estabelecer diálogo com as diferenças. Eis o motivo de colocar os grupos na mesma panela. Não adianta você se associar a um grupo que vai te dar a sensação de proteção, que vai continuar remediando sua vida como os governos têm remediado. Se o grupo tem cunho espiritual, pior ainda se não fizer a diferença. A espiritualidade universal desde sempre propõe a superação das diferenças criadas na sociedade; cultura, condição financeira, raça, etc. Espiritualidade não possui pólo negativo; o negativo é o uso que o indivíduo faz da espiritualidade. Quem reverte a força criadora é o homem, pois no universo tudo está em expansão. Da "destruição" de um planeta por um cometa ou se engolido pelo próprio sol, algo novo surgirá. Catástrofes naturais têm o poder de transformação, enquanto que catástrofes produzidas pela mente humana podem ser irreversíveis.

Repudio grupos de "pessoas seletas", que estão a frente das demais. São tolas, porque se sobem um degrau, a cobrança com a transformação do meio (seja social e ambiental) é maior, no entanto fazem justamente o contrário; se afastam do meio. O que o comando desses grupos pretende, formando pessoas supostamente evoluídas, "capacitadas", se não colocam as mãos na massa? Não transforma seu bairro, sua cidade? O que adianta tanto poder se o poder é usado somente para benefício próprio? Que adianta adquirir força para se proteger, se esconder cada vez mais? Os fortes não fogem nem se omitem. Lutam por um mundo melhor.

Seu grupo está consciente disso? Se não estiver, sinto dizer, mas não passa de "apenas mais um grupo".



Parceiros













Eu Apoio


Juliano Gaitero


Sebo O Barato da Cultura


Aloysio Roberto Letra
Escritor e Roteirista


Rock Nacional
e Internacional



Soul, Funk, Samba
Rock e Derivados


Em Defesa do Meio
Ambiente e Cidadania