Boa noite!

LEITORES QUE SE VESTEM DE ARISTO

LEITORES QUE SE VESTEM DE ARISTOCRATAS

 

     Se você quiser conhecer realmente uma pessoa, deverá ter contato com ela nos mais variados ambientes: nos bairros, ambiente de trabalho, no lazer, na igreja...observe se as atitudes da pessoa mudam conforme o ambiente. Não se trata de investigação, mas de aprendizado. Tirar lições de vida para não sermos igualmente hipócritas e soberbos, pois sempre foi mais fácil, cômodo e oportuno viver de aparência.

     Em minha carreira de escritor, circulando pelos bastidores da elite e das margens da sociedade, sempre capto pequenos detalhes. A timidez, que no início era um obstáculo para mim, alguns resquícios dela vez ou outra até contribuem para que as pessoas à minha volta revelem suas verdadeiras faces. Recentemente vivi um caso semelhante, certo camarada achou que de tão bom, eu era bobo. E aplicou o golpe. Ele só não esperava que minha atitude ousada logo após desse uma reviravolta no caso. Pela amizade estabelecida no início, eu já havia prevenido o cara: “seja sincero, porque não sou vingativo mas existem pessoas por trás de mim que me dão uma força extra se eu precisar”. Talvez ele tenha duvidado, e pagou pra ver. Pagou caro.

     O “escritor amador” aqui não tem nada de bobo, só a aparência. E o sentimentalismo. Não tenho transtorno bipolar, mas dependendo da situação, meu amor não vira ódio, mas punição. Eu creio plenamente na lei do retorno, e se determinada arma estiver em minhas mãos, eu faço valer a justiça. É preferível a dureza da justiça (justiça universal, não a dos homens), do que o “banho maria” da falsidade. Portanto, cuidado com a suposta fragilidade. As aparências enganam, sempre foi assim durante a história da humanidade.

     Entrei neste assunto porque tenho presenciado que muitas pessoas não se escondem apenas atrás de igrejas ou repartições públicas. Também se escondem atrás do status da intelectualidade. Nada contra grandes obras e seus autores que subiram ao pódio. Ser reconhecido é algo imprevisível. O autor faz a sua parte, transmite seu recado. Se ele será idolatrado ou assassinado por um “fã”, não é de sua alçada. Se até a Bíblia tem interpretações distorcidas por grupos, o que dizer dos escritores de obras paradidáticas?

     A fama é um anjo maldito para a humanidade. As glórias vêm nas mesmas proporções do ódio. E tanto o amor como o ódio, não fazem diferença diante do povo. Todos bebem o cálice, que pode conter veneno ou o vinho da salvação...não importa, pois o cálice daquilo que está em evidência traz o status. Assim, tenho me deparado com leitores exclusivos de Best-seller. Pessoas que não possuem um perfil literário, são apenas consumistas daquilo que está em alta no momento. Isso mesmo! Existem pessoas que além de levarem uma vida como escravos da moda, de marcas e grifes, também gostam de ostentar um “bom livro” em baixo do braço. É como a menininha que carrega bottons de símbolos ocultistas e não sabe o significado de nenhum deles, usa somente porque viu tal artista usar e virou moda. Na literatura essa realidade está presente na mesma intensidade, e um exemplo clássico pode ser dado dentro da literatura espírita, muito lida em determinados segmentos sociais como comprova minha pesquisa sobre hábito da leitura. O pilar do espiritismo, caridade e humildade, parece não fazer parte da personalidade de algumas pessoas que conheci durante a pesquisa, dentre essas pessoas, uma funcionária pública (se concursada ou não, não sei). A dita cuja colocou a literatura espírita acima de tudo, como se os outros estilos fossem “lixo”. E o pior de tudo: a indiferença diante de minha presença. Se Chico Xavier, de onde estiver, soube a quantidade de pessoas que o veneram e fazem tudo ao contrário dos seus ensinamentos, terá sido uma grande decepção. É a prática do faça o que eu digo mas não faça o que eu faço.

     Seja a religião que for. Se você levanta a Bíblia, seus atos são uma responsabilidade. Se levanta o evangelho espírita, outra responsabilidade. Aquele que usa livros, sagrados ou não, para se evidenciar diante dos irmãos, é digno de pena, pois pagará caro pelo ato. Não é um ato ingênuo, é um ato consciente, por isso o pagamento será caro.

     Estes “pseudointelectuais” são os leitores que se vestem de aristocratas. Muitos deles até compreendem o que leem. Mas não é conveniente praticar o que lê (quando a obra é boa, pois existem escritores de sucesso cuja literatura é um lixo). Aqui retorno ao assunto dos funcionários públicos, cuja competição para ver quem é o melhor é idêntica à do futebol. A vaidade e a conveniência são apenas detalhes, o consumo de livros dos mestres da literatura passa pela impressão popular (gente importante consome produto de gente importante) e vai em busca das bases de concreto para se defender de tudo, pois existe uma tal “fé pública” que lhe dá amparo. Se já existe esse amparo, falta pouco para ser o “dono da verdade”. Quando chega lá, já é o “deus”. E assim, ele corteja os escritores de sua cidade que são do mesmo poder aquisitivo, porque participar de coquetéis e festas é regra nesse meio. Participa mas mal conhece o que esses mesmos escritores escrevem. Se nos mais altos degraus já são assim, imaginem com os escritores que estão começando a subir os degraus.

     Neste ponto já podemos visualizar o que é consumir e ser consumista. Consumir é necessário, todos precisam consumir alimentos, se vestir, etc. Por mais “comunista” que alguém seja, ele vai precisar consumir. Mas na sociedade neoliberal, apenas consumir é pobre, a “lei” é ser consumista. E “pseudointelectuais” são consumistas de marcas, grifes, literatura chique. Se o pseudointelectual estiver no exterior, lá ele vai citar Jorge Amado, Paulo Coelho, Zibia Gasparetto...ainda que não entenda direito o que eles escreveram. E não saberão citar sequer um escritor de sua cidade, seja Jundiaí, Campinas ou Bauru. Se lembrarem de um nome de sua cidade ou região, não valerá a pena citar. Isto porque quando o ser humano pisa nos altares da vanglória, ele esquece de seu passado difícil e passa a ser diferente dos demais. Seres humanos como o jogador de futebol que levantou um cartaz com o nome do bairro paulistano Jardim Irene na conquista brasileira da Copa do Mundo de Futebol, são raros.

     É inevitável que grandes escritores não sejam lembrados, afinal, os escritores são imortais. Longe da dor de cotovelo. Como citei no início, toda fama tem seu lado positivo e o negativo. A fama também é imprevisível, algumas pessoas arriscam a própria vida por ela, e não alcançam. Outras, em seus mundinhos rotineiros e discretos, de repente são arrebatadas pela fama. Assim como não existiria o tráfico de drogas se não existissem os consumidores, não existiria o artista famoso se não houvesse público a cortejá-lo. A mídia é uma arma poderosa. Ela abraça quem se destaca, não importa quem seja. O povo critica a mídia mas é refém dela. Ninguém resiste às tentações de “big brother”, Crepúsculo nem o bruxinho inglês. Tropa de Elite superou as expectativas porque mostrou a realidade brasileira que boa parte da nova geração da classe média aderiu. Desde os anos 90, do lançamento de meu livro Marvin, essa nova geração mostra flexibilidade na relação entre classes sociais. De amizade a casamento.

     Enfim, o consumista não sabe o que consome. Ele consome algo porque os demais à sua volta estão consumindo. Ele não quer saber se será bom para ele ou se lhe dará alguma contribuição espiritual. Simplesmente julga pela capa e pelo nome, afinal, estes não possuem “livros artesanais” como eu e alguns outros escritores desta Terra. Se o reconhecimento e a fama me pegarem, continuarei sendo o que sou: o escritor em contato com seus leitores, porque não me interessa possuir leitores com meu livro debaixo do braço para se mostrar. O que escrevo é para transformar, e não manter um estilo de vida medíocre. Não faço questão de ser lembrado pela minha imagem, meu nome ou sobrenome. Mas pelas palavras de alerta que tenho colocado, tanto nos livros como nos artigos. Não sou escritor aristocrata, por isso alertei aqueles leitores que se vestem de aristocratas, como se a sociedade e o mundo fossem um mero conto de fadas.

 

Para refletir:

O Brasil não se resume somente a literatura de Paulo Coelho

O Brasil não se resume somente ao futebol de Pelé, Kaká ou Ronaldo

A cultura brasileira não se resume somente ao carnaval

A política brasileira não se resume somente a PT e PSDB

A comunicação brasileira não se resume somente a Globo e Veja

 

 

O Brasil é berço de inúmeros artistas e profissionais. Muitos são excelentes mas não são conhecidos ou não conseguem produzir e servir à sociedade porque não possuem o poder financeiro que abre todas as portas; não possuem sobrenome de peso, e não possuem rabo preso com políticos ou igrejas. Muitos que se projetaram, tiveram como alavanca um padrinho político ou uma igreja.

 

 

Todo mundo lê a Bíblia. Todos sabem que Cristo nasceu no lugar de menor importância de todo o Oriente Médio na época (Belém). E mesmo depois de todo o exemplo desse Homem que fez história, a humanidade ainda insiste nos mesmos erros.

 

“Nem tudo que reluz é ouro”

 

 

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