Boa noite!

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A ARQUIBANCADA E OS MILHÕES

     A única vez que sentei numa arquibancada de estádio foi para assistir a um evento religioso. Futebol nunca foi “minha praia”, mesmo assim já tive vontade de ir a um estádio assistir a um clássico. Como escritor e eclético, não descarto a possibilidade de algum dia fazer a experiência. Juntar-me a multidão de pagantes que enriquecem o futebol nacional, clubes que formam astros, ídolos que competem a mesma altura dos astros de Hollywood.
     O maior esporte nacional é privilegiado pelos números. Não é a realidade de produtores, que para venderem seus produtos precisam investir maciçamente em propaganda e qualidade para conquistar consumidores. O futebol fala por si só. O moleque, seja da classe social que for, descobre o dom em manusear a bola e a partir daí é só torcer para ser descoberto. Clubes também não precisam fazer propaganda para conquistarem torcedores (consumidores). Basta apenas sua existência. A criança em idade escolar nem sempre sabe o nome da rua em que mora ou o nome do prefeito da cidade, mas conhece e muito bem “seu” time e o nome dos jogadores. Veste a camisa do clube. Mas nós, adultos, que incentivamos nossos filhos a dar continuidade a tradição futebolística, recebemos algum retorno desse “investimento?” Podemos não ir aos estádios com frequência, mas compramos produtos relacionados, e fazemos propaganda gratuita. A pergunta que não quer calar: o que os clubes fazem com os milhões arrecadados com a indústria do futebol? “Nós”, torcedores, sabemos onde “nosso” clube investe tanta fortuna? Qual o retorno para nós como sociedade, cidadãos? O país do futebol recebe uma porcentagem desse dinheiro para ser transformado em obras sociais ou culturais? Ou é dividido entre políticos e lavado em algum paraíso fiscal? Cadê a transparência?
     Quando era criança, não via tantos campeonatos. Todo final de semana, quando o cidadão quer descansar do trabalho, e muitas vezes é o único dia para exercer alguma atividade cultural ou cidadã, tem um jogo para roubar-lhe a atenção. Certo dia eu estava num bairro de Campo Limpo Paulista realizando a pesquisa. Muitas pessoas estavam na rua, a abordagem estava uma beleza. Até que chegou a hora do jogo. Cadê o povo na rua? Num piscar de olhos, o bairro de classe média-baixa “virou” bairro de elite, que não se vê uma alma na rua. E não era jogo da seleção brasileira, apenas um campeonato estadual.
     O esporte é fundamental para a saúde do ser humano, da mesma forma que é a dedicação espiritual. Quando a dedicação extrapola o equilíbrio, vira fanatismo, é como o ópio.
     Política, religião e futebol “não se discutem”. Quem não deve, não teme. O dia em que alguém quiser discutir e botar em pratos limpos o que é feito com o dinheiro das três coisas “que não se discutem”, muita gente vai sair envergonhada e até se arrepender por ter investido tanto de seu tempo e de seus recursos financeiros. A menos que a transparência prove que esses milhões estão sendo investidos em algo bom para nós
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