Boa noite!

OS SINAIS QUE VEM DA NATUREZA

ASSISTÊNCIA SOCIAL NO BRASIL

     Não podemos negar que o Brasil, durante sua história, resolveu alguns entraves sociais desde o período colonial. O que não pode continuar ocorrendo, é a velha justificativa de “questão cultural...resquícios do colonialismo que ainda persistem na cultura do brasileiro...” Ora, todo o poderio econômico, todo o dinheiro de um país está nas mãos de uma classe: política. São presidentes, governadores e deputados que podem alavancar ou destruir uma nação. Até mesmo os empresários, dependem – de uma certa forma – da maneira que o dinheiro é conduzido pelos políticos. Portanto, se uma nação, um Estado, uma cidade, demonstram inércia na questão social, não é problema de verba ou “questão cultural”. É prova de interesses pessoais prevalecendo acima do interesse da nação, do Estado, da cidade.
     É inadmissível que com tanta tecnologia a serviço da humanidade, facilidade de comunicação e educação ao alcance da maioria, amarguemos a realidade da mendicância, da proliferação das favelas e do consumo de drogas. Dirão os políticos: “criticar é fácil, nós também enxergamos os problemas, mas não é fácil resolver problemas que vem de décadas... qual país não tem seus pobres e dependentes químicos...?”
     É questão de formular a seguinte pergunta: “para que o senhor entrou na política? Para tentar resolver, mudar, ou dar continuidade a um método que não está levando a nada?”
     Enquanto se discute ideologias e doutrinas, a caravana da evolução humana prossegue sua marcha. Independente de ser autodestruição, a marcha da vida prossegue. Se tivéssemos homens que entram na política com consciência dessa marcha, começaríamos a ver resultados aqui e acolá, principalmente no que se refere a questão social.
     Toda cidade possui prefeitura, e toda prefeitura pelo menos diz que tem serviço social. E daí? Quem está a frente de tais serviços? Qual a bagagem dessas pessoas? Estão lá para remediar ou buscar a cura? Ousar ou manter métodos de vinte, trinta anos atrás?
     Se abundam seminários e work-shops sobre empresas, negócios, mídia e marketing, precisaríamos da mesma quantidade abordando de forma séria a questão social de nosso povo. Não adianta falar sobre crescimento econômico, expansão da tecnologia e superávits se o dinheiro lavado pelas máfias continuam na casa dos milhões e bilhões. Os senhores sabem disso? Admitem que não há jeito? Jeito há para tudo, até para aquilo que parece impossível. Um exemplo; se o dinheiro desviado no esquema do hospital regional de Sorocaba tivesse sido investido na área social da região, teríamos amanhã, menos pessoas precisando do hospital. Quando se investe da forma correta na área social, menos pessoas estarão dependendo dos serviços públicos. Programa social que falo, é ensinar a pessoa a pescar. Cuidar de sua saúde física e mental. Os governos precisam abolir o velho e nefasto método de criar (de forma sutil), dependentes dos órgãos públicos para manter o povo atrelado a empresas, laboratórios e partidos. Hospitais devem ser para acidentados, e não vítimas da ignorância e da falta de informação! Da mesma forma a assistência social. Não pode ser assistencialismo ou caridade que sustenta a pobreza. Antes de tudo, precisamos de sociólogos e psicólogos que exerçam a profissão por amor ao próximo atuando nessa área da assistência social. Eles estarão aptos a encontrar o caminho para o trabalho, eis alguns passos:

Tratar sem jogar “pérolas aos porcos”.
Para entender essa questão, basta observarem que em muitas cidades assistentes sociais acabam virando vítimas de um ou outro cidadão, principalmente usuários de drogas. Isso porque os (as) assistentes são como os oficiais de justiça ou professores, precisam enfrentar cara a cara o problema que não foi criado por eles, mas criado nos altos escalões sociais que reflete diretamente nas margens da sociedade. Ficam entre a cruz e a espada, pois se negam orientação ou auxílio, são “ruins” e ficam visados, se atendem com amor e carinho, podem estar alimentando a sem-vergonhice. Muitos usam o famoso “jogo de cintura” nessa hora, mas jogo de cintura não resolve a questão, é um paliativo temporário. Por isso é necessária a presença de profissionais da área, como sociólogos e demais estudiosos da realidade brasileira. A identificação daqueles que são passíveis de cura a curto ou médio prazo é imprescindível. Aqueles que já estão num estágio avançado, “terminal” de vício ou prática de delitos, não devem ser descartados como normalmente ocorre. O poder público não admite, mas sua omissão frente a essa questão alimenta o falido sistema carcerário. Quem já não ouviu “deixa o cara, se ele aprontar, vai pra cadeia”. É fácil, não? Quem fala isso não raciocina que a vítima do “cara” pode ser ele ou alguém da família dele. Quem ajuda a fábrica da delinquência é o próprio cidadão “de bem” com seu pensamento omisso e egoísta. Mas o que fazer com o cidadão difícil, na mendicância, usuário de droga, que não quer se tratar, se internar? Esperar ele se matar? E se ele matar outra pessoa antes? Nossa legislação é igualmente falha nessa questão, e o pontapé inicial para começar a resolver seria cada município ser responsável pelo seu cidadão, seu morador. O cara pode morar lá em Parauapebas; se veio para Jundiaí e aqui aprontou, quem arca com a responsabilidade é o município de onde ele veio. Simples? Simples! Ministério Público e Polícia Federal se o município lavar as mãos. Se isso vira lei, os senhores leitores verão como cada cidade vai começar a levar a sério a qualidade de vida de seus moradores. Acaba esse negócio de jogar o problema para o vizinho, pois o problema social do Brasil é justamente esse. Ainda existe, na calada da noite, peruas ou vans levando “personas non gratas” para outros municípios. Como tratar as pessoas e não jogar pérolas aos porcos, que parece ser “coisa de outro mundo”, de repente cada cidade começa a encontrar sua solução. As soluções não vêm justamente porque é mais fácil “deixar rolar”. O que está faltando no Brasil é disciplina, rigor. Leis rigorosas não são antidemocráticas, pelo contrário. É apenas questão de ordem, a começar pelo rigor com os próprios governantes.

Prefeituras interligadas
A internet ainda não é usada para unir os municípios. Duvido uma prefeitura que não se utilize da internet. Falta só diálogo, e o entrave para o diálogo se chama rixa partidária. Questão social está acima de ideologias. Se as prefeituras possuírem em seus sites um padrão de serviço social para intercambiar, independente do partido que o prefeito seja, tudo fica mais fácil. A ferramenta está nas mãos. Só basta boa vontade política e deixar a ciumeira estúpida de lado.

Mudança no sistema penitenciário
Acompanhada de mudanças no judiciário, porque os processos e julgamentos não devem atrasar. Penitenciária não é para fabricar ociosidade, pois a ociosidade alimenta o crime. Todo detento deve trabalhar para se sustentar. Dinheiro público não deve sustentar sistema penitenciário. O ex-presidiário deve sair do sistema com diplomas na mão e com emprego garantido, para evitar novos capítulos de uma novela que está se tornando comum: “saí, não consegui emprego, então preferi aprontar para voltar pro sistema, pois lá tenho cama e comida garantidos”.

Fazendas ou cooperativas no lugar de clínicas
O nome “clínica” já soa como algo que não funciona e que desagrada muita gente que precisa de tratamento, pois aquele que passou por várias clínicas e saiu pior, leva isso adiante, para outras pessoas. Clínica também não dever ser “negócio”, como muitas são, como microempresas e muitas vezes a serviço desta ou daquela igreja. Clínicas particulares são pontuais, resolvem parcialmente o problema de um determinado lugar. No país todo temos antigas fábricas desativadas, abandonadas, fazendas, propriedades imensas embargadas, penhoradas, com problemas que se arrastam por anos na justiça. Esses espaços inúteis podem ser transformados em cooperativas e abrigar muitas pessoas que estão perambulando pelas ruas, em situação de risco. O poder público, em parceria com empresas e ONGs, pode criar tais espaços. Trabalhar na terra é a melhor das terapias para quem possui vícios ou transtornos. Basta que o local seja bem administrado, com os profissionais adequados. Se o sistema penitenciário for sustentado pelo trabalho dos próprios detentos, o dinheiro público hoje investido no sistema pode ser aplicado para desapropriação e formação de tais espaços de tratamento.
     Se alguém achou absurdo tudo isto, saiba que nada muda se não ousar, arriscar o que parece ser absurdo. O perfil do morador de rua de hoje é diferente do de ontem. O perfil do usuário de droga de hoje é diferente do de ontem. Por isso, é preciso criar, fazer algo fora do convencional. Se os profissionais não estiverem um passo a frente das mudanças constantes no perfil dos moradores de rua, de nada adiantará o trabalho social.

 

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