Boa noite!

CRÍTICA E AUTOCRÍTICA

CRÍTICA E AUTOCRÍTICA

 

 

     “A régua com que medimos será usada para nos medir”.

     Refletindo sobre isso, temos que saber como, quando e o que criticar.

     Crítica, palavra feia, sinônimo de coisa antipática. Críticos são vistos como antipáticos, inconvenientes ou “doutores da verdade”.

     Sem generalismos. Críticas são importantes se possuem fundamento e trazem a amiga “construtiva”. Críticas devem ser construtivas, pois críticas destrutivas normalmente são emitidas por invejosos, concorrentes desleais. Logo, quem não deve, não teme críticas, e quem critica também não deve temer investigações.

     Melhor será trocarmos a antipática crítica por questionamento. E nisso sou doutor. Questiono porque faz parte da evolução. O mundo não evoluiria se todos fossem conformados com a situação. Se houve evolução, foi graças aos questionamentos. Se evoluiu por um lado e decaiu de outro, cabe continuar os questionamentos. Por quê? Por que concordo com isto e discordo daquilo? Eis a saudável troca de experiências, que só será quebrada se chegar um “dono da verdade”.

     Nos anos 80, atravessei um período conturbado, de vitórias e derrotas, momentos de alegria extrema e revolta extrema. Usava o jornal manual para desabafar, colocar minha visão de mundo. Dividia o periódico com assuntos culturais, notícias e muito ponto de vista. Nesses pontos de vista, algumas vezes ia ao extremo na cobrança das pessoas. Até que uma de minhas leitoras, mãe de um colega, criou coragem para me chamar atenção. E disse: “você transmite um pouco de arrogância, autoritarismo em certas coisas que fala, e isso é ruim para você, pois as pessoas vão virar as costas...podem até te tratar bem na frente, mas no fundo ninguém gostará de você. Sei que é duro te falar isso, mas alguém precisava falar, te alertar”.

     Agradeci e senti na hora que a atitude dela foi uma atitude nobre. Nos dias seguintes, passei a fazer autorreflexão sobre minha vida e atitudes. Fiz o que todos precisam fazer ao menos uma vez na vida: autocrítica. Desde então, mudei totalmente a forma de ser e escrever. Sim, continuo crítico, questionador. Mas não pratico o “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”. Se cobro reciclagem dos outros, é porque eu faço reciclagem, e não para inglês ver, como certos “ambientalistas” que conheço. Se cobro que todos os devedores devem pagar suas dívidas, é porque não tenho dívidas com ninguém. Se digo que tal coisa é possível fazer, é porque já fiz ou trago uma experiência de determinado lugar. Não nego que errei. Na adolescência, a baixa autoestima em alguns momentos me induziam a apontar defeitos alheios. Mas não adianta buscar justificativas para erros, o importante é que superei. Não busquei a perfeição, e sim o equilíbrio, a forma de ser que me leva a poder fazer algo pelo próximo, ser exemplo. Ser exemplo para não precisar cobrar. Infelizmente, “ser não é escola”. A sociedade chegou num ponto de cegueira para a bondade e o equilíbrio. Se abaixo para pegar um saco plástico na rua e colocar na lixeira, muita gente vê, comenta, mas não tem a mesma atitude. E assim é, centenas de vezes pior na política. Conheço muitas pessoas da vida política de minha cidade. São apenas conhecidos, e não amigos. Não que eu não queira. Se tenho amigos são-paulinos, palmeirenses e corinthianos, por que não posso ter amigos de partido “x” ou “y”? De minha parte poderia sim ter amizade. Mas eles se afastam, fogem. Porque cobro, questiono. Amigo que é amigo sabe ouvir sim e sabe ouvir não. E da mesma forma que a mãe de meu colega agiu comigo (e me corrigi), eu mostro “na cara dura” que “não é dessa forma, da outra é melhor; você está errado, essa atitude não está de acordo”. Há anos venho cobrando certas melhorias em minha cidade, mas aqueles que se consideram os donos da verdade jamais vão admitir que um simples cidadão, alguém do povo, esteja certo. E isso ocorre porque até entre eles a inveja é doentia. É uma guerra silenciosa, discreta para conquistar a confiança do chefe do executivo e assim se perpetuar na administração. Ou seja, o interesse maior é pessoal, e não para a cidade. Muitos servidores estão lá para se servirem, e não servir o cidadão morador da cidade.

     Recentemente li um livro de autor evangélico que propõe uma autorreflexão, uma autocrítica sobre o próprio segmento evangélico. Segundo o autor, os rumos tomados pelas igrejas nas últimas décadas desviaram do objetivo real de uma religião, que é conscientizar o homem a respeito dos propósitos de Deus. As igrejas estão virando empresas e comercializando a fé. “A grandeza de uma causa não é determinada pelo que seus seguidores ganham ao segui-la, mas pelo preço que estão dispostos a pagar por ela”. Assim é na política. Podemos ver partidos ricos e com numerosos filiados defendendo suas legendas de olho no que podem ganhar, e não no que podem fazer pela cidade, pelo país.

     Por falar a verdade, o autor do livro é combatido por muitos irmãos de seu próprio meio evangélico. Se Jesus nunca encobriu a verdade, por que o homem busca durante toda sua vida viver de maquiagens, aparência? O autor não é o dono da verdade, mas alguém precisa tomar atitude de colocar a verdade – “não é por esse caminho, é pelo outro”. Se não existir pessoas com essa coragem, toda a sociedade continuará caminhando para o fundo do poço, e quando digo isso, estou me referindo também a mim e a você leitor. Estamos todos no mesmo barco, sujeitos a essa violência urbana que pode vitimar qualquer um de nós quando menos esperarmos.

     Em todos os setores da sociedade, encontraremos uma maioria querendo tirar proveito em cima dos outros e uma minoria autêntica, lutando por qualidade de vida e igualdade para todos. Por isso, todos os setores, sejam partidos políticos, igrejas, empresas, instituições de todas as áreas, devem fazer autocrítica. Este é o momento para fazer o que eu fiz lá atrás, nos anos 80. Autorreflexão e autocrítica. Olhar no espelho. Enquanto não fizermos autocrítica, não estaremos prontos para sair a campo para recrutarmos pessoas. E nem poderemos fazer críticas ou questionamentos.

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