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orgulho de ser biscate

Quarenta anos atrás, moça de família deveria apresentar o namorado, que "pedia a mão". O controle dos pais sobre as filhas era rigoroso, pois ai se a filha "caísse na boca da vizinhança". Se era uma moral excessiva, hoje a palavra moral tem um peso retrógrado e que cheira a hipocrisia. Afinal, sempre existiu o "faça o que eu digo mas não faça o que eu faço". A geração X fala com conhecimento de causa que "seus pais não eram santos". E isso não corresponde somente a vida sexual, mas vida profissional e social. O movimento "woman lib", a geração discoteca, o fim da ditadura, o movimento hippie, tudo comungou a favor do fim da rigidez moral e dos tabus. Mas da mesma forma que a democracia foi mal conduzida pelos governantes, o povo não soube conduzir a liberdade de ser e agir. Foi de um extremo ao outro. O movimento feminista surgiu como resposta à altura do machismo, não ajudou em nada, somente acirrou uma guerra ridícula, comparada às modinhas bregas que vemos na internet: "orgulho de ser gay", "orgulho de ser hetero" e outras baboseiras. Mas o orgulho está aí, incitando privilégios e exclusividades quando bastava apenas o respeito ao direito de ser. E diante dos privilégios vêm as conveniências e a hipocrisia. As pessoas praticam mas não assumem a prática. Homens heterossexuais criticam a homossexualidade mas praticam-na nos bastidores. Mulheres heterossexuais criticam as denominadas "putas" - colocam o mesmo rótulo em todas - mas nos bastidores não se dão ao valor. Tudo em nome de uma suposta igualdade de ser e agir. Se os homens no fundo continuam machistas, as mulheres se colocam à altura embora não admitam que estejam praticando a cartilha do feminismo. É uma batalha psicológica dentro do reino da hipocrisia.

Afinal, onde acaba o conservadorismo e começa a verdadeira liberdade e o direito de ser respeitando os valores de si próprio e do outro? Onde acaba a liberdade e começa a libertinagem? Para descobrir esse enigma, primeiramente é necessário conhecer a si mesmo. Por que busco tal relacionamento? É para me complementar no quê? Preencher um vazio temporariamente ou definitivamente? Essa pergunta é necessária, pois tendo a resposta, já será possível identificar se o que tem mais peso é a necessidade íntima do indivíduo ou sua satisfação perante a sociedade, os amigos, as amigas. A corrente maldita que prende o ser humano é a impressão que passa aos outros. Todos estão sempre preocupados com o que os vizinhos, parentes e amigos estão falando. Certa vez ouvi de uma parceira de trabalho, sua preocupação com o fim do relacionamento porque não queria ouvir suas amigas dizendo que ela estaria sozinha. "Arrumar um namorado era prioridade para não dar comentários". É justamente essa pressão sutil que impulsiona as pessoas a uma relação sem medir as consequências. A expressão namoro nem sempre é verdadeira, pois os casais, sobretudo entre jovens e adolescentes, é de "ficantes". "Fiquei uma duas semanas, um mês". Tudo para ser "bem falado". O orgulho machista está nas alturas. Na verdade, uma nova modalidade de machismo, diferente do rude e cafajeste de quarenta, cinquenta anos atrás. Mesma coisa no caso das mulheres. Não trazem a bagagem daquele feminismo antiquado, é um feminismo adequado aos jogos da sociedade atual, da competição de igual para igual pela fama. Ontem, escondiam-se os jogos. Hoje quanto mais abertos forem os jogos, mais aplausos dos amigos. Neste meio podemos identificar o que seria "orgulho de ser biscate", embora jamais assumam esta postura. Os homens da nova geração não possuem a preocupação dos homens da velha geração, em proteger seus "patrimônios". Brigam se necessário, mas estão bem mais sossegados do que as mulheres, que após a conquista da igualdade, não pensam duas vezes em agredir as rivais. Nunca foi feita uma estatística desta, mas se fosse feita nas escolas uma pesquisa para saber quantas brigas ocorrem envolvendo rapazes em disputa por menina, e entre meninas por rapazes, a das meninas ganharia disparado. Para quem já ouviu a expressão "a periquita é minha é dou para quem eu quiser", dita com autoridade e orgulho, não é exagero afirmar de que os valores foram perdidos para o orgulho. Jamais afirmarão serem biscates, mas a postura é de biscate.

Vamos então analisar o que é ser biscate dentro dos padrões libertários de hoje. As mulheres estão no direito de namorar e ficar. Mais que direito, a liberdade de relacionamento é sagrada. A questão é: saber fazer uso da liberdade. A partir do momento que interfere na liberdade do outro, existe má intenção. Se um casal está feliz, o intruso, disposto a destruir aquela relação, raramente estará fazendo para conquistar o (a) parceiro (a) do outro. O que difere o homem do animal é a consciência de encontrar no parceiro alguém que o complemente emocionalmente e espiritualmente. E isso não se faz na disputa de força ou na chantagem emocional. Quem utiliza estes instrumentos, está agindo de forma errada. Logo, quem se rende a esse tipo de chantagem, não sabe também o que quer. O maior risco nesta fase que a sociedade atravessa, é a adesão em massa ao conceito de que o amor não existe, e de que todas as relações são interesseiras. Admitindo isso, aflora o instinto animal, do homem que é aplaudido por ter ficado (e se relacionado) com várias mulheres, e as mulheres que ficaram com vários homens, inclusive que destruíram relacionamentos de supostas rivais.

Neste tipo de confronto e disputa sexual, o homem permanece na mentalidade antiquada, da fama de garanhão, enquanto as mulheres, por mais que se coloquem no altar da igualdade perante o homem, estarão em desvantagem. É muito pequeno o espaço que separa a liberdade de relacionamento da mulher com seus parceiros daquilo que se caracteriza como vulgaridade. A mulher que mantem relacionamentos conscientes, sem rivalizar e chantagear, está em pleno gozo de sua liberdade sexual e não se enquadra no termo biscate. A biscate é a intrusa, a destruidora tanto do bom relacionamento de um casal como de seu próprio caráter. É aquela que não mede as consequências e engana a si mesma. Diferente da prostituta, que só mantem relações diante de um pagamento previamente combinado, a biscate faz gratuitamente para destruir alguém, satisfazer traumas não superados ou mediante interesses e acertos obscuros.

Existem biscates em todas as camadas sociais. As da periferia, acostumadas a levar a vida com pensões de quatro, cinco caras diferentes, e as de classe média e alta, que frustradas emocionalmente e profissionalmente, não admitem ver a felicidade das amigas bem casadas e estabilizadas. Sonham em dominar seus companheiros, mas como nunca conseguiram, pulam aqui e acolá. São "as outras" na boa linguagem popular. E isso dá a sensação de satisfação, de orgulho. O orgulho de ser aquilo que não admitem. São as "espertas", pois não possuem compromisso com maridos. Não precisam lavar cueca quando a empregada falta. Argumentos jamais faltarão. Mas o adjetivo é justo.


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