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O BRASIL E A HOMENAGEM AOS VELHO

O BRASIL E A HOMENAGEM AOS VELHOS MILITARES E DITADORES

 

     De tão acostumado, a maioria do povo não sabe que a primeira “free way” paulista homenageia o primeiro presidente militar do país, Humberto de Alencar Castello Branco. Todo mundo na região de Itu, Sorocaba, fala “na Castelo”. Mas a que exatamente se refere? Faça-se uma pesquisa nas escolas das cidades próximas a rodovia, nas séries correspondentes a sexta, sétima, oitava. Depois, ouçam os pais desses alunos.

     O assunto deste artigo é bastante oportuno, pois existe nos bastidores políticos uma “onda” para a retirada das homenagens aos antigos militares e demais políticos da época da ditadura. A “nova” democracia que vivemos já não tolera tais homenagens, afinal, vasculhando os arquivos dessas velhas autoridades, vem a tona cada vez mais aberrações contra os direitos humanos e esquemas de corrupção guardados a sete chaves. Casos pontuais de retirada de homenagens são vistos aqui e acolá. O general Milton Tavares de Souza, com uma extensa homenagem na velha rodovia que ligava São Paulo a Campinas e Paulínia, já nos anos 80 perdeu todo o trecho de São Paulo a Jundiaí para o primeiro presidente democrático, Tancredo Neves; posteriormente, o trecho de Jundiaí a Campinas, ficando restrito somente de Campinas a Paulínia. Recentemente, sucumbiu de vez, dando espaço para homenagem a um professor. Castello Branco está na mira, o PSOL já tem projeto para trocar o nome.

     Vejo o assunto como uma questão de ética e bom senso. Não concordo com homenagens a tais pessoas, mas até onde fulano ou sicrano não merece ser homenageado? Somente os figurões da ditadura militar? José Sarney estava nos bastidores políticos no período militar e “sobreviveu” durante a democracia, sendo inclusive presidente da república. Sarney e ACM são casos de amor e ódio, perguntas sem respostas, investigações eternas. Fernando Sarney criou atrito com um dos maiores jornais do país, O Estado de São Paulo. José Sarney está bem vivo e é homenageado na maior ponte da capital maranhense, e Sarney Filho é bairro da mesma capital. Maluf em São Paulo também é caso de amor e ódio. Seu nome está em inúmeras obras de porte na capital paulista, e também em vários inquéritos e investigações. Chegou a ser preso. Mas com certeza será homenageado após sua morte, e não será em “qualquer rua”. Mário Covas ganhou o rodoanel metropolitano, Maluf com certeza não ficará muito atrás.

     A pergunta que não quer calar: se hoje a preocupação é retirar homenagens aos militares, amanhã não teremos que retirar as homenagens a estes “democratas?” Ora, obras todo político faz, inclusive os militares fizeram. Mas e a ética? A repressão nos anos 60 e 70 era visível. Hoje a repressão age de forma mais sutil e pontual. O desvio de dinheiro público é muito bem feito, sem deixar pistas. Veículos de comunicaçãocomprados enobrecem político x e queimam político y. Então, quem realmente é digno de receber tais homenagens? Se formos retirar todos que possuem ficha suja, a coisa se espalhará de uma forma tão ampla que seriam milhares de projetos a ocupar o tempo de nossos dignos representantes, que tem obrigações maiores e urgentes para colocar em prática. Até mesmo a Rodovia dos Bandeirantes deveria mudar de nome, pois os bandeirantes, ao mesmo tempo em que abriram as portas para o surgimento das cidades interioranas, cometeram atrocidades contra os indígenas. Os índios são seres humanos como nós e quase ninguém fala sobre isso.

     A outra questão para debate é a adaptação a um novo nome. Presidente Dutra e Castello Branco são nomes enraizados na cabeça do paulista, pois denominam importantes rodovias. Qual seria a abrangência desses projetos? A nível estadual ou federal? Existem cidades com nomes de militares, Castelo Branco é cidade paranaense. Costa e Silva denomina a famosa Ponte Rio-Niterói. Creio que o caminho para tais mudanças seja o plebiscito, mas para isso, é fundamental que a população conheça quem foram essas pessoas. Deveria ser lei, antes de denominar qualquer logradouro, haver plebiscito. A população aprovar ou não o nome, pois vereadores representam mais a força e o interesse do partido que o interesse da população (deveria ser o contrário, mas nem sempre é).

     O debate está aberto. O que e por que mudar. E quais nomes devem ser homenageados daqui para frente. Plebiscito para escolha.

 

 

 

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