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CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011

 

 

     Cresci em berço católico, portanto conheço (e acompanho) a trajetória da maior dentre as igrejas cristãs. Atualmente não digo que sou seguidor da doutrina católica, pois quando meus olhos se abriram para a realidade do mundo, não confio 100% em nada a minha volta, a única coisa em que confio é em meu espírito e num ser superior (Deus). Placas de igreja pouco me dizem, mesma coisa com partidos políticos. Tenho um pé atrás com todos.

     Apesar de ter pesquisado muitas denominações, frequento a “igreja de Pedro” por uma questão de bem estar e por 60% das pessoas de meu convívio pertencer a ela. Frequentei comunidades de jovens por longos anos e cheguei a ministrar palestras. Vejo com bons olhos o futuro dos jovens que frequentam esta e outras igrejas com uma visão progressista e crítica. Se o mundo está em constante transformação, as transformações também devem ocorrer dentro das igrejas.

     A Campanha da Fraternidade já virou tradição na igreja, e leva o povo a refletir e iniciar ações que raramente o poder público propõe ao povo que os elegeu. Diante disso, vejo como uma atividade extremamente importante, além de demonstrar, nos últimos anos, que a igreja está cada vez mais ciente da situação crítica da sociedade brasileira. Arrisco até a dizer que existem alas dentro da igreja dispostas a ousar, nadar contra a correnteza...e que ganha cada vez mais adeptos. Que continue assim, inclusive por questão de sobrevivência.

     Na década de 90, quando produzia o jornal circular entre comunidades de Jundiaí e Franco da Rocha, nunca deixava de opinar e fazer uma avaliação das CF. Uma que recebeu destaque especial e não me esqueço foi a dos encarcerados. E é a que ainda hoje levanto a questão: de lá para cá o que mudou na realidade entre o povo aqui fora e os encarcerados? Diminuiu o preconceito? O mercado de trabalho está aberto aos ex presidiários?

     Tai o maior dos desafios desse trabalho realizado pela igreja. A continuidade. Até que ponto todas as CF transformaram a vida dos católicos? Fica a reflexão para cada um que está lendo este artigo.

     A CF 2011 aborda o meio ambiente de forma ampla: a vida no planeta. Uma questão que chega com décadas de atraso. Se nos anos 80 a questão tivesse sido debatida energicamente, poderíamos ter uma realidade um pouco diferente hoje, mesmo que fosse 2%, mas ajudaria muito. Lamentavelmente, a década de 80 foi a década das grandes migrações, e a visão de mão de obra barata e o “progresso” a qualquer custo, calava a boca de quem ousasse se pronunciar contra as expansões agrícola e imobiliárias, contra o desmatamento e a favor do controle da poluição. Como diziam as prefeituras naquela época, “os ecoloucos”. Os bispos, amigos dos políticos, ficavam entre a cruz e a espada para entrar na questão. Os padres, que sempre almoçavam nas residências das famílias tradicionais e abastadas, “chateariam” as famílias se tocasse no assunto. Então predominava o silêncio. O silêncio que custou caro a todos nós. Favelas subiram os morros e os condomínios idem. Barracos foram sendo construídos na beira dos córregos e os condomínios passaram por cima das nascentes. A igreja preferiu usar palavras mansas para não perder fiéis, e por conta disso hoje corre contra o tempo para tentar enxugar o leite derramado. Engrossa o cordão dos que remediam os males, como faz o poder público. Enquanto políticos tradicionais perdem nas urnas, a igreja perde fiéis. Como diz o sábio ditado, a emenda saiu pior que o soneto.

     O tema da CF é válido. Antes tarde que nunca. Mas corre o risco de terminar como todos os demais: o povo se conscientiza no ano, elabora trabalhos, mas a maior parte não dá continuidade. No ano seguinte todos se empenham no novo tema e o outro...simplesmente passou. “Cumpriu a obrigação” e parte para a nova.

     Questões sociais não terminam. Questões sociais são contínuas. A questão dos encarcerados por exemplo. O crime se tornou organizado (quando o estado, a sociedade deveriam ser organizados). Os números são cada vez maiores, e não há como abrir vagas para essa população que não para de crescer. Por quê? Porque os trabalhos de prevenção são tímidos, ineficazes. E dependem de mudanças na estrutura social e política, mudanças que não vem porque incomodam figurões que se beneficiam desse sistema. E assim é na questão ambiental. A igreja, por toda força e influência que exerce, não chegará ao ponto de mobilizar e conscientizar os donos do poder, aqueles que estão no pódium. Só para citar um exemplo: Irmã Dorothy, foi feita justiça? Que legado deixou? A região que a missionária atuava, passou apenas por um período de bonança, até a poeira baixar. Agora Anapu já está como todas as demais cidades da região amazônica – um faroeste sem lei.

     Se a CF é sobre uma questão de vida, sobrevivência, seria bom que fizesse uma super reflexão sobre a atuação dessa missionária e o trabalho de vários outros padres que perderam suas vidas defendendo a agricultura sustentável e familiar naquelas regiões largadas pelo poder público. Padres e freiras que lutaram e deram o sangue denunciando prostituição infantil, trabalho escravo nos latifúndios e o desmatamento sem critérios. Estes são mártires, e não precisam de beatificação ou canonização; precisam apenas ser reconhecidos e seguidos pelos que batem no peito afirmando ser cristãos. Ser cristão não é ficar só na teoria, fazendo belas palestras e sermões. Ser cristão é ir para a prática. Defender a vida no planeta com unhas e dentes, ainda que isso incomode muita gente. É preferível incomodar meia dúzia e salvar milhões. Que padres, bispos e fiéis se conscientizem de que o trabalho não pode parar. Se os anteriores pararam, não adianta tentar levar adiante este, pois tudo é interligado. Inclusive com outras denominações religiosas. O tema abrange a vida de todos nós, cristãos, budistas, muçulmanos, ateus...a vida no planeta depende de todos nós estarmos agindo em defesa da vida, sem preconceitos, sem demagogias, sem interesses particulares.

    

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