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QUANDO OS CASTIGOS SÃO MERECIDOS

QUANDO OS CASTIGOS SÃO MERECIDOS

 

     “Deus castigou”. A velha expressão ainda pode ser ouvida aqui ou acolá. “Castigos divinos”. “Não provoque a ira do Senhor”. Na Bíblia, sobretudo no Antigo Testamento, podemos interpretar muitas passagens por esse ângulo. Porém esquecemos do principal: muito do que está escrito, é num sentido figurado. Logo, é perigoso levar ao pé da letra. Ora, se Deus é amor, o Pai não pode trazer sentimentos característicos destes seres humanos ainda tão distantes de um estágio razoável da evolução espiritual. Raiva, ira, castigo, são coisas próprias do homem de carne e osso. Portanto, somos nós que nos castigamos. Tudo aquilo que fazemos traz consequências a nós mesmos.

     Deus, o Todo Poderoso, não perderia tempo com nossas mediocridades, castigos para o “malcriado”. Dentro da natureza humana, que é interligada à natureza do ambiente terreno, as coisas acontecem de forma automática. Se maltratou o corpo, o corpo adoecerá. Fez mal ao próximo, o mal voltará em dobro mais cedo ou mais tarde.

     A reflexão deste artigo é sobre o sofrimento das pessoas. Todos sofrem injustamente? A resposta, na maioria dos casos, é negativa. Lembro-me de uma amiga, já falecida, que escreveu em meu questionário que circulava na classe, na época escolar; “viver é mais sofrer que ter prazeres”. É a realidade. Cada ser humano que vem ao mundo, é para acender uma pequena luz. Plantar e colher amor. Deixar uma semente germinando. Mas essas belas palavras ficam apenas guardadas, raramente são colocadas em prática. Por quê? Porque somos bloqueados por sentimentos de inveja, vaidade e materialismo. Estamos o tempo todo pensando no que o outro pode estar pensando ao nosso respeito. Vivemos mais para manter a aparência do que viver com plenitude nossa própria vida. Nisso, nos deparamos com os tais castigos. Assim, vem consequentemente as práticas do perdão, da caridade, da misericórdia, da compaixão...formando aquelas correntes muito bonitas de se ver mas inúteis do ponto de vista evolutivo. Não estou dizendo que não se deva fazer. É como a política social. Os governos não investem na raiz, na prevenção precoce. Investem no conserto dos estragos feitos. É o mesmo caso. A caridade praticada é, em 98 ou 99% dos casos, chover no molhado. Alivia mas não conserta. Vivemos socorrendo milhões de seres humanos que poderiam não estar vivendo aquela situação se houvesse empenho dos dois lados.

     Muitos são os exemplos que posso citar, escolhi um que não é debatido com frequência; o caso dos motociclistas. As infrações cometidas por estes são perfeitamente visíveis a todo o momento, principalmente a noite quando a fiscalização é rara. O próprio conceito de moto leva o condutor a fazer coisas que não são possíveis com o carro. E o resultado desses abusos podem ser conferidos nas estatísticas de acidentes. Claro que nesse meio, estão aqueles que sempre andaram corretamente e foram vítimas dos outros. Mas o número maior é referente àqueles que fazem da moto um instrumento para demonstrar poder e extravasar seu desequilíbrio mental. Adrenalina é bom e todo mundo gosta, mas sem colocar em risco sua própria vida e principalmente a dos outros. Poderíamos dizer; emoção consciente das responsabilidades. Veículos são armas, por isso precisam estar nas mãos de pessoas responsáveis. Se o irresponsável se acidentou e ficou paraplégico, tetraplégico, tarde demais para se conscientizar. Ficamos sensibilizados com a situação do acidentado, mas foi algo que ele mesmo buscou. Sabia dos riscos. Outra situação, o barulho. Motos com escapamentos adulterados para fazer mais barulho. Justificam que é para chamar atenção dos condutores de carros. Não é justificativa! O barulho é prejudicial a ele próprio, ninguém tem ouvidos biônicos. Quando o sujeito chegar aos quarenta, cinquenta anos (se chegar), estará com significativa perda de audição. Coitado? De forma alguma. Cada um colhe o que planta, o problema maior é que prejudica os outros, que nada tem a ver. Todos nós somos vítimas do desequilíbrio social, dos modismos, de uma maioria que se autodestrói e leva junto aqueles que estão próximos. O ser humano se castiga. Parem de colocar Deus no meio. Tais problemas são nossos, responsabilidade social. Não emitamos julgamentos sem ter certeza. Uma vítima pode ter sido vítima dela mesma ou de outrem. Se foi vítima de outra pessoa, não a isenta totalmente de culpa. Uma parcela cabe, pois se cada um de nós agisse para chegar antes do problema se instalar, não seríamos vítimas com tanta frequência por causa dos outros. “Eu não fumo, mas tolero o fumante ao meu lado; sou um fumante passivo, com o tempo serei tão prejudicado como ele”. Por isso, o conceito de salvação exclusiva de si próprio é equivocado. Estamos no mundo para salvarmos outras pessoas. Se ela não quer ser salva, que se afaste de nós para não nos prejudicarem. Mas cuidado! Não podemos fazer como na Suíça, onde existe um lugar que é o ponto dos excluídos, que se drogam compulsivamente até a morte. Não podemos comungar com a formação de guetos ou criar sectarismos.

     O segredo disso tudo é a vigilância. Não podemos permitir que o joio penetre no terreno cheio de trigo, nem por isso devemos construir uma muralha para que o trigal não enxergue o outro lado. Se existe vigilância, não há com o que se preocupar. Se existe empenho e responsabilidade, não há o que temer. Lembremos que o castigo pode ser pior para o omisso do que para o pecador, aqueles que chamamos de “impuros”. Aqueles que têm a plena consciência e o equilíbrio, são os mais cobrados. Não podem obrigar ninguém a segui-los, mas devem criar meios para despertar a consciência nessa multidão que se autodestrói. Se os castigos são merecidos, não basta. Temos a faca e o queijo nas mãos para evitar chegar a esse ponto.

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