Boa noite!

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CATACLISMO NA SAÚDE PÚBLICA

     Muitos fogem quando leem títulos assim. “Pô, só se fala em tragédia, problema...estou ‘careca’ de saber dos problemas do mundo”. Pois bem, está careca de saber e está fazendo o que para mudar a situação? O egoísta só está pensando em “sobreviver?” Se pensa assim, não está pensando nos próprios descendentes. Filhos e netos não precisam só de uma boa herança, princípios morais ou investimento em estudo. Precisam de uma consciência do coletivo, de que por mais independente que sejam, vão precisar receber atendimento de outras pessoas. Por exemplo, se seu filho é um excelente engenheiro, ele vai precisar de um excelente profissional médico. O bom profissional médico não nasceu necessariamente num berço de ouro, e também não está somente na rede particular de saúde. Mais uma vez, precisamos criar a consciência de que a sociedade, embora dividida em classes, está interligada como numa teia.
     A saúde pública, sem querer parecer profeta maldito, está mergulhada num cenário macabro num futuro próximo. Ciência a serviço da medicina, descoberta de novas fórmulas para vacinas, cura para o câncer, sida, operações a laser...diante de todo esse avanço científico, é irônico visualizar tal cenário. Mas ele é bem real, e não é toda essa maravilha científica que evitará o choro e o ranger de dentes que virão daqui duas ou três gerações.
     Já falei em outros artigos que deixar passar pequenos erros, pequenos vícios, é brecha para começar a escalada a um problema gigantesco. Tudo começa pequenino. Vai deixando passar porque é “banal”, “inofensivo”, quando estiver num porte médio já será tarde para agir.
     No mundo urbano de hoje, onde tudo é rápido e tempo significa dinheiro, cuidamos demasiadamente da aparência (roupas, cabelos) e deixamos o corpo para segundo plano. Não adianta academia! Falo de alimentação, e alimentação não é somente escolher determinados alimentos, é saber como foram produzidos esses alimentos. Lembram do escândalo do leite algum tempo atrás? Difícil encontrar quem não tome leite. Na época, quem goza de poder financeiro trocou o leite de origem animal por leite de soja, encontrou alternativas. O tempo passou, e depois da “punição” (qual foi mesmo a punição?) àqueles que adulteravam o leite, tudo está como antes. Alguém de nós deu uma cutucada nos órgãos responsáveis pela fiscalização? Algum fiscal dos fiscais foi constatar para ver se o órgão fiscalizador não recebeu alguma propina para ficar quieto? E os demais alimentos? E a carne nos frigoríficos? No supermercado, temos tempo para verificar embalagens (que não são 100% confiáveis) e analisar o aspecto, a cor dos alimentos. Mas e na rua, quando almoçamos em restaurantes? Quantos jovens almoçam nas escolas, no serviço? Enquanto nós, adultos, pensamos só no dinheiro, nos bens materiais para garantir a sobrevivência de nossa família, nossos jovens seguem o mesmo caminho, e o pior; o tempo que poderiam utilizar para criar consciência disso tudo, gastam com moda! Moda não é só roupa. Moda de jogos virtuais. Moda de redes sociais para azaração (as redes sociais podem ter uma boa finalidade, mas raramente são bem utilizadas). As gerações y e z possuem uma capacidade imensa de aprendizado, inclusive a maioria tem mais consciência ambiental que as gerações anteriores. Estão preocupados com o bem viver entre gregos e troianos, possuem menos preconceito e não aceitam submissão. Mas estão sendo seduzidos rapidamente pelo estilo consumista de vida, que traz a tiracolo a questão da aparência. A anorexia é apenas um detalhe das consequências. Se querem independência a qualquer custo, farão qualquer coisa para possuírem dinheiro para serem servidos. É a geração que não quer fazer serviços domésticos, precisam ter dinheiro para pagar alguém que faça o serviço. Pagar alguém que prepare a comida. E finalmente, pagar alguém que cuide deles. Eis onde queria chegar. Se todos querem ser servidos, quem cuidará dos outros? A nova geração prefere que alguém trabalhe por eles, inclusive brigue por eles, pela qualidade de vida deles. Portanto, existe uma visão aberta, consciente, mas não é ampla porque a correnteza bloqueia quando começa a expandir demais. Por exemplo, o jovem pode protestar, mas até um certo ponto. Pode cobrar, questionar...enquanto não incomodar o pai, o tio que possui rabo preso com certas autoridades. Para não estender muito o assunto, peguemos apenas como exemplo a área médica. Por que tantos jovens precisam recorrer às faculdades em países vizinhos? Por que o escândalo no hospital regional levou tanto tempo para ser desmascarado? Por sinal, precisou a televisão começar a fazer as reportagens para chegar ao desfecho. Não adiantava o povo denunciar aos jornais e rádios locais? Por que tantas pessoas vão para os hospitais? Onde estão os programas sociais que orientam o povo na questão da alimentação, higiene e meio ambiente? Onde estão as igrejas que ensinem essa questão ao povo, afinal, ninguém se alimenta de Espírito Santo e cânticos. Tenhamos os pés no chão, precisamos do alimento da terra para possuir consciência espiritual. E a terra, como está? Com tantas empresas comprando técnicos ambientais para fazer vista grossa ao despejo de poluentes nos rios, ao desmatamento?
     Cansou, caro leitor? Toda a corrupção que deixamos passar, todo o “deixa pra lá que é coisa pequena”, vai mostrar as consequências no futuro. Do mal profissional médico, que não teve a qualificação ideal, ao descaso do povo com a própria saúde.
     Se saímos de um velho período de ignorância, quarenta, cinquenta anos atrás, quando carregar peso, não reclamar do trabalho forçado era “sinal de masculinidade”, entramos numa era que mudou apenas alguns detalhes. O jovem se preocupa com a aparência estética do corpo, ignorando o que ocorre lá dentro. Alguns exemplos; o cara “malha” na academia, toma vitaminas, não quer saber de trabalhar no pesado, com enxada nem debaixo do sol. Mas abusa do álcool nos finais de semana, fuma, de vez em quando dá uns tiros, adultera o escapamento da moto para fazer barulho (não tem noção que isso provoca perda de audição) e troca o arroz com feijão por lanches. Em suma, tudo o que ele ganha de um lado, perde do outro.
     Se antes os problemas de saúde eram verminoses, tuberculoses, pneumonias e câncer, amanhã continuarão os cânceres com novos companheiros, decorrentes da falta de consciência da nova geração com o seu interno. Problemas gástricos devido a qualidade da alimentação, problemas auditivos devido ao barulho do trânsito e dos aparelhos musicais no ouvido (nunca baixos), problemas neurológicos devido ao crescente consumo de drogas, fora novas doenças que deverão surgir devido às alterações climáticas. Se esses problemas serão inevitáveis, como estará a capacitação profissional dos médicos, que como notamos no caso de Sorocaba, recebiam sem dar plantão? Teremos médicos por dinheiro ou para cuidar de seres humanos? Saúde pública não pode ser empresa com finalidade de lucro. Fica a pergunta: como estarão nossos netos e bisnetos em questão de saúde num futuro próximo?
     Copiem este artigo. Guardem. Daqui dez, vinte anos, vejam e comparem a situação.

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