Boa noite!

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COMBINAÇÃO LETAL

     O Brasil vive dias de polêmica. Sucessivas conquistas obtidas pelos “casais” do mesmo sexo. Agora é a descriminalização da maconha. Os defensores da velha (e hipócrita) moral não sabem para onde correr. Ou assumem a nova realidade ou somem.
     Eu, Escritor Piloto, que dificilmente levanto bandeiras, assisto a tudo sem tomar partido. Em cima do muro? Talvez. Meu questionamento é: por que ter que optar pelo preto ou pelo branco? Não existem as outras cores?
     A visão da sociedade ainda é estreita. Com todas as descobertas, do núcleo do átomo aos confins do universo, a visão do homem na sociedade ainda é estreita, egoísta. Enquanto ficam na expectativa de descobrir vidas alienígenas, não conseguem viver de forma coletiva, ou seja, querem obter diploma da faculdade sem dominar matérias do primário!
     A questão não é legalizar ou não legalizar a maconha. É entender o porquê o ser humano busca tais prazeres, seja nas drogas lícitas ou ilícitas. Questão de liberdade? O que é a liberdade? Países que sempre controlaram a vida dos cidadãos, regimes totalitários, não conseguiram impedir que muitos de seus cidadãos se autodestruíssem nas drogas lícitas. Se algo está fora do alcance, a pessoa busca aquilo que está ao alcance, que pode ser o próprio remédio que toma. Onde reina a “liberdade da democracia”, os governos também não conseguem impedir que o cidadão se autodestrua. A repressão ao tráfico não resolve, é uma batalha eternamente perdida. Se o sujeito não encontra fornecedor, vai plantar em casa. Se não consegue plantar em casa, irá buscar alternativa, cheirar ou beber a gasolina do seu carro ou algo parecido.
     O ponto X de tudo isso é: mente. Cabeça do ser humano e sua ligação com o modo de vida da sociedade. O que a sociedade produz psicologicamente em cada pessoa. Governos e cada um de nós, defensores ou não disto ou daquilo, precisamos focar na mente, no conhecimento de pessoas...e debater aquilo que ninguém gosta: nosso modo de vida. Não está bom. Ninguém vive bem e não adianta mentir. Se ninguém vive bem, é porque tudo está errado, e a prova de que tudo está errado é bastante simples: todos nós buscamos prazeres para aliviar a dor. Quem já ouviu a música “Comida” dos Titãs, refletiu sobre um trecho da letra: “buscar prazer pra aliviar a dor”. Assim vive a sociedade. Quando não há coragem para mudar, entra a busca pelo prazer. Desde o rico, que não consegue viver sem seguranças, ao pobre, que não consegue gozar os prazeres que o dinheiro proporciona. Este, vai buscar os prazeres que estão ao seu alcance, nem que para isso tenha que roubar ou matar. Em suma: a busca pelo prazer é o que ocupa o lugar da atitude corajosa para mudar aquilo que não está correto, aquilo que leva todo o mundo para o fundo do poço, a autodestruição. O ser humano é covarde “por natureza”, busca o que é mais fácil. Raros são os que optaram pelo caminho mais árduo. Foram os mártires, que arriscaram suas vidas por uma maioria que não tem coragem de se arriscar por uma causa.
     Chegando neste ponto, vemos que a questão de drogas lícitas ou ilícitas, autodestruição individual (e em massa) é questão política. Todos estão envolvidos com uma política mundial, até o morador de rua. Dependência química não é problema estritamente familiar, de educação familiar, é problema político, as famílias são regidas por um sistema político, pois são consumidoras. Todos precisam trabalhar e recebem um salário que é regido por um sistema político. A qualidade do ensino depende de uma organização política. Tudo é política!
     Existe uma hierarquia de autodestruição. Os governos, desde antes de Cristo, iniciaram a autodestruição da sociedade planetária com o método do domínio. O estabelecimento do poder mediante a implantação do medo, do temor. É equívoco justificar que o povo ama seu governador, seu rei, e dá a vida por ele. Lá no fundo, está o temor. Esse amor é ilusório, seu nome correto é idolatria. Fãs obsessivos são capazes de se matar pelos seus ídolos. É a forma mais fácil de exercer domínio. Esse é o trabalho número um da maioria que adquire poder. O número dois é fazer girar a economia, que depende de consumidores. Essa é a combinação letal. Resultado: autodestruição, pois aquilo que a princípio seria para manter a ordem mundial, não dá sentido à vida do ser humano. Seguimos leis, ideologias e doutrinas que nos alimentam fisicamente, de forma precária. Não vivemos, sobrevivemos na sociedade. E as drogas, desde os remédios legais às químicas clandestinas, nos proporcionam esses momentos de fuga os quais não conseguimos resistir. É fato. O ser humano movimenta o grosso da economia mundial graças a essa dependência. Se “monopólios legais” possuem o direito de explorar essa fraqueza humana, por que outros não teriam o mesmo direito? Notem que a discussão mundial gira em torno disso. Direitos. Todos querem explorar o nicho. Todos nós queremos ganhar em cima de nossa própria fraqueza, de nosso caos mental. Em todo lugar, vemos congressos e seminários relacionados ao giro da economia. Novas propostas e técnicas para abocanhar o mercado. Mas até quando esse mercado vai aguentar a exploração de nossa fraqueza, nosso vício, nossas obsessões? O capitalismo é algo que funciona perfeitamente enquanto existe a matéria prima para a exploração. Mas e quando essa matéria acabar? Nosso espaço é finito, limitado. Tão limitado quanto a submissão. Nessa trajetória, só existem duas possibilidades: a bomba estourar a partir de seres humanos raciocinando na plenitude de sua capacidade mental e espiritual ou através do caos mental. Se as drogas lícitas e ilícitas continuarem na marcha que estão, a revolução será através do caos mental.
     Precisamos de congressos e seminários sobre mente e sociedade. Se o dinheiro investido em segurança pública e repressão for revertido para mente e sociedade, teremos mudanças significativas no perfil social a médio prazo. Haverá uma luz no fim do túnel. É nossa escolha. A combinação letal ou o investimento em seres humanos.
     Combinação letal. É o nome de um antigo grupo de rap paulistano. O grupo fez sucesso com uma canção denominada “cada um, cada um”. As pessoas de visão estreita viam na canção uma apologia à maconha. Já as que possuem mente aberta, enxergavam que se tratava de um questionamento sobre a própria erva: “fui atrás do paraíso e não encontrei nada não”. No mundo artístico existem maquiagens, mensagens subliminares, fusão do preto com o branco, do positivo com o negativo. Quem possui visão radical ou medo, insegurança, não consegue avaliar. “O beque está queimando, fumaça sobe, tenho a impressão de estar ouvindo vozes, parado nessa estrada fico pensando, pra onde esse caminho está me levando, o corpo flutua, mente adormece, levanto as mãos faço uma prece, o beque chega ao fim, sento na calçada, eu fui atrás do paraíso e não encontrei nada não”. Essa canção do grupo da Zona Leste de São Paulo – “Combinação Lethal” - foi a que chamou minha atenção para estudar as letras do rap. Sob meu ponto de vista, essa canção foi uma verdadeira obra prima sobre a realidade da maconha. Diz tudo, basta saber interpretar e viajar na letra. Até a base musical acertaram em cheio, tiveram o capricho inclusive de fazer na versão instrumental. Lamento o grupo ter acabado. A partir dessa música, muito mais poderia ser puxado para questionar. O jovem de hoje, a nova geração, gosta de questionar. O debate sobre a canabis está longe de acabar, chegar a um consenso. “A maconha deixa no sossego, relaxa”. Mas não leva ao paraíso. Nem produz a atitude para mudar a sociedade. Muito mais coisa acalma. Natureza. Música clássica. Mas determinados segmentos da sociedade não cresceram com essa visão de natureza, essa consciência. Por isso entram os remédios. A maconha possui propriedade medicinal. Remedia, não cura. O que a sociedade oferece para controlar as feras? O que a sociedade oferece para aqueles que não possuem recurso financeiro para pagar grandes profissionais de terapia holística e seus derivados? Não que eu defenda a terapia holística. Defendo tudo o que leva a paz espiritual sem conspirações por trás. E é justamente a massa, o povo, que mais precisa de tratamentos que levem ao equilíbrio.
     O rap de Combinação Lethal não merece críticas. É um tapa na cara daqueles que por anos tiveram a faca e o queijo nas mãos para buscar a cura. Mas por conveniência, optaram pelos remédios. Não chorem pelos perdidos nas drogas. Chorem e esperneiem pela omissão daqueles que se colocam nos altares da ética e da moral.

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