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DEMÔNIOS DA GAROA E O TREM DAS O

DEMÔNIOS DA GAROA E O TREM DAS ONZE

 

     A voz do povo é a voz de Deus, ironicamente a voz de Deus escolheu a música dos Demônios da Garoa como a que melhor representa a cidade de São Paulo.

     Já faz tempo que São Paulo perdeu sua garoa típica, contínua, dos anos 30, 40...também já faz tempo que os paulistanos elegeram Trem das Onze como a música-símbolo da cidade. No entanto os anos passam mas a imagem da terra da garoa permanece. Os bairros da maior cidade da América Latina, por mais que os prédios avancem e descaracterizem-nos, são fortes e resistem, preservam suas origens, seja através das famílias, seja pela consciência das associações e até de alguns homens públicos, que não permitem a destruição de certos patrimônios ou áreas verdes.

     A história não pode morrer. É difícil mas o homem do século 21 aos poucos encontra os meios para conciliar progresso com preservação da memória. São Paulo é um mosaico cultural, a cidade onde tudo acontece, tudo se cria, de tudo tem. Embora eu tenha nascido em Jundiaí, considero-me paulistano porque muita coisa que fiz e aprendi foi na capital. Desde o registro de meu primeiro livro ao curso de cinema. Em São Paulo tenho amigos, contatos políticos e também inspiração para novas tramas literárias. São Paulo é meu segundo lar, minha cidade-irmã, conheço seus defeitos, seus problemas e principalmente suas qualidades. E é nesse espírito paulistano que uso este espaço para homenagear um dos conjuntos de samba mais antigos do país, Demônios da Garoa. Desde minha infância, nas frequentes visitas à minha tia no Bairro de Santa Cecília, ouço Trem das Onze e Saudosa Maloca, verdadeiras obras-primas, músicas que representam fielmente a cidade. Se no Rio de Janeiro o samba marcou o romantismo, a paixão dos moradores pelos morros (numa época em que não havia traficantes ou milícias), o samba paulistano Saudosa Maloca revela a mesma paixão. As casas simples, os cortiços, as dificuldades de moradia do povo suburbano que não desanima da luta e sobretudo não deixa de amar, nem seu bairro e muito menos seu próximo. É a enigmática concordância entre dor e amor. A Zona Norte, Freguesia do Ó, Tucuruvi, Jaçanã, locais acidentados, aos pés da Serra da Cantareira, representam bem o cotidiano de milhares de famílias durante todos esses anos. Das casas simples, ao transporte. Jaçanã perdeu seu trem mas por pouco não ganhou metrô, e até hoje não entendo porque não estenderam mais um pouco, afinal, parou no Tucuruvi. Se a linha fosse Jabaquara - Jaçanã, inevitavelmente a visualização do trem das onze seria algo palpável. Mas o invisível se faz presente na eterna canção do conjunto paulistano. O trem é invisível, porém a realidade não mudou. Milhares e milhares de paulistanos apaixonados que se dirigem para suas casas às onze da noite, e a mãe à espera do filho. A garoa que molha as ruas do Jaçanã e muitos outros bairros, não com a frequência de antes, mas ela vem, em qualquer época do ano. São Paulo merece um conjunto como esse, que canta com sensibilidade e paixão a alma, a essência do paulistano. Que venha o centenário dos Demônios da Garoa.

 

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