Boa noite!

OS TRÊS PODERES DE SEU BAIRRO

TOLERÂNCIA ZERO PARA A DISCRIMINAÇÃO

 

 

     Este artigo aborda dois casos recentes de discriminação no estado paulista. Um ocorrido na capital, nas palavras de uma cidadã que, ao invés de apresentar uma justificativa coerente ao impacto de determinada obra, proferiu uma asneira que virou gozação na mídia. E outro foi no interior, de maior repercussão; o pai agredido por abraçar o filho num evento. Casos diferentes, a mesma doença: rejeição a determinadas pessoas. No primeiro, rejeição àqueles que não pertencem a mesma classe social, no segundo, rejeição ao amor entre pessoas do mesmo sexo. Começarei com este, que não era uma situação de relação homoafetiva, mas entre pai e filho.
     A evolução do ser humano através dos séculos foi distanciando o homem dos demais animais justamente no quesito amor. Animais defendem suas crias com unhas e dentes, os homens naturalmente também defendem, não só seus filhos, mas suas famílias, e até amigos. No entanto, o homem traz uma bagagem irracional, que é a questão sexual. Tabus, vergonha, ciúme, preconceito...por mais que os conceitos retrógrados tenham ficado para trás, ainda existe aquela ignorância crônica, de que mulheres são seres delicados, podem andar de mãos dadas e até beijarem outras que “não há problema”. Já o homem, é o “ser rude, bestial”, que não pode demonstrar sentimentos, carinho e afetividade pelo próximo. Logicamente para um grupo mais estudado, nós internautas, por dentro das informações e da evolução, encontramos muitos homens que sabem reconhecer o valor do sentimento e da afetividade. Mas ainda existe por esses rincões afora, o homem que não sabe agradar a esposa, sentir a suavidade de sua pele. A mulher é a fêmea, o ser passivo para penetrar e se satisfazer. Sim! Muitos homens fazem sexo porque “sentem o cheiro da vagina”, enxergam vagina, querem prazer, tesão. São incapazes de sair desse estágio bestial e olhar nos olhos da parceira, vê-la como ser humano, que necessita de amor e carinho. São esses homens, que estão abaixo da realidade animal, que jamais deram um abraço carinhoso no filho e jamais passaria por suas cabeças ocas beijar o filho. Pois uma dessas criaturas foi a que quase decepou a orelha de um pai abraçado ao filho. Se não compreendem a realidade do amor e da afetividade entre pai e filho, muito menos uma realidade de amor e de afetividade entre pessoas do mesmo sexo. Sim, eu estava contando o tempo em que isso iria acontecer alguma hora. Os pais modernos, malhados, bem conservados, tão parecidos com seus filhos, demonstrando pouquíssima diferença de idade no visual, uma hora isso iria acontecer. Infelizmente teria que acontecer para que a sociedade e nossas autoridades adotem medidas punitivas rigorosas para banir essa ignorância que teima em resistir em pleno século vinte e um. Não podemos deixar que o medo de assaltos e sequestros, que já seguram milhares de pessoas dentro de suas casas, conviva também com o medo de agradar o próximo devido a intolerância homoafetiva. Era só o que faltava. Mães não poderão abraçar ou beijar suas filhas em público porque alguém poderá achar que são “lésbicas” e as apedrejará, como tem ocorrido em recentes casos na Avenida Paulista. Não interessa a outrem se fulano ou sicrano é parente, amigo ou namorado. A vida alheia não interessa a ninguém. O mundo seria bem melhor se os gestos de carinho fossem sinceros e se multiplicassem entre as pessoas, sejam parentes ou não, do sexo oposto ou do mesmo sexo. O pior pecado é enxergar malícia onde não há malícia.
     O outro caso ocorreu numa reunião num bairro de classe média/alta de São Paulo. Os moradores discutiam com pessoas do poder público sobre a localização da futura estação do metrô. Uma das moradoras de repente falou que a estação traria “gente diferenciada” ao bairro. Em primeiro lugar, ela errou no português. Em segundo, errou por discriminar. Em terceiro, infelizmente, ela não é a única errada. Provavelmente pessoas de um determinado bairro aqui de Jundiaí, que fecharam algumas ruas com muro, também não querem “gente diferenciada” passando por lá. “Não, não, é fechado para carros, não para pedestre”! Ora, só a existência do muro já é um fator inibidor. “Estranhos não são bem-vindos”. Se até moradores de um bairro aberto da capital estão preocupados com o aumento de transeuntes com a chegada do metrô, imagina se numa cidade do interior, num bairro que é geograficamente quase fechado, a histeria não é maior.
     Discriminar pessoas não corresponde a visão de espiritualidade elevada. Discriminar é ato que está abaixo do mundo animal. Se as igrejas não estão conseguindo elevar a espiritualidade das pessoas, é hora dos governos endurecerem. Tolerância zero à discriminação.
    

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