Boa noite!

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DOLCE FAR NIENTE

     Quem é que nunca teve o vizinho caseiro, que sempre está de olho em tudo o que acontece em volta, sabe a hora que você sai e chega, e conhece até os carros diferentes que surgem na rua?
     Em tempos de histeria por segurança, muita gente até vê com bons olhos esse tipo de pessoa. No entanto, o que tiver que acontecer, acontece. Se até bancos, com todo o aparato de segurança que possuem, são assaltados, não é um “gato pingado” que vai impedir ou alertar da forma correta. Segurança pública é algo extremamente complexo, e os leitores assíduos deste site já conhecem minha opinião a respeito.
     Desde criança conheço o “dolce far niente” praticado por pessoas que alegam já ter cumprido com suas obrigações; trabalharam, criaram os filhos, agora querem descansar.
     Se alguém diz que o diabo é pai do rock, eu digo que o diabo é pai da ociosidade, da omissão. Recentemente vi no twitter uma afirmação interessante de um internauta; que a violência no mundo não é causada pelos maus, e sim pelos que assistem a toda essa violência e se omitem. Pois a sociedade é assim. Na hora de agir, cada um tem a desculpa na ponta da língua; é buscar o filho no colégio, é horário marcado com cabeleireira, é hora da novela, é hora do jogo do seu time, é encontro marcado com o (a) namorado (a)... nunca há tempo para praticar um ato de cidadania. Se a agenda está cheia, ela não está cheia até o final do ano. Há como encaixar novas atividades. Se para os realmente ocupados existe a possibilidade, mais difícil é quebrar a rotina – a doce rotina – daqueles acostumados a não fazer nada. Ah, sim, estes vão alegar suas tarefas caseiras; preparar o lanche, limpar a cozinha, varrer a casa, levar o cachorro passear, lavar roupa, etc. No entanto, os serviços domésticos normalmente são conciliados com a “prestação de serviço à vizinhança”. Quanto menor a cidade, maior é a “prestação de serviço”, por isso aqueles que optaram mudar para a capital, um apartamento, justificam a importância da privacidade. “Quem nada faz, não possui ocupação útil, começa a querer ‘cuidar da vida dos outros’”.
     Se fosse contar os casos presenciados e ouvidos desde aqueles tempos, daria um pequeno livro de situações vergonhosas, absurdas. Da mulher que esperou a vizinha sair para entrar na casa dela e “tirar uma dúvida” à outra que ficou varrendo por quase quinze minutos a calçada para ouvir o que as vizinhas estavam conversando.
     Aposentadoria saudável é realizar atividades que fazem bem ao corpo e a mente. Serviço doméstico é maldito. Ninguém levará a casa ao partir desta para melhor. Pessoas que acabam com a saúde para manter a casa “um brinco”, inconscientemente são escravas do materialismo. É claro que não podemos deixar nosso lar virar um “chiqueiro”, mas para tudo há um limite. Em primeiro lugar, a saúde espiritual, em segundo a saúde física, pois a saúde espiritual interfere na saúde física. Quem cuida da saúde espiritual, automaticamente se ocupa em procurar atividades que realmente sejam importantes. Aposentadoria não significa missão cumprida. A missão prossegue enquanto você está no corpo físico. É sempre momento de semear, plantar, colher. Sempre é tempo de ensinar e aprender algo. “Não há tempo para o dolce far niente”.

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