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FÃS DE ÔNIBUS SE MULTIPLICAM PEL

FÃS DE ÔNIBUS SE MULTIPLICAM PELO MUNDO

 

     Há 30 anos atrás, gostar de ônibus, apreciá-los e fotografar, era “coisa de outro mundo”. No Brasil de regime militar, filho andava na linha, era estudar ou trabalhar. Esse negócio de ficar passeando de ônibus ou andando pelas ruas para admirá-los ou anotá-los era vadiagem. Foi a partir da década de 90 que esses fãs de ônibus começaram a sair do guarda-roupa e mostrar suas caras. E vários fatores proporcionaram isso.

     Em primeiro lugar, a tecnologia desses veículos de passageiros passou a chamar a atenção do cidadão, inclusive aqueles que nunca ligaram para ônibus. As carrocerias altas, arrojadas, e as pinturas criativas não só conquistaram mais corações, mas provaram mil e uma razões para criar fãs, e logicamente as fotos seriam merecidas.

     Em segundo lugar, a chegada da internet proporcionou o encontro dessas pessoas com o mesmo hobby. Resultado: no decorrer dos anos 90, começaram a surgir os primeiros grupos para viajar juntos e trocar fotos. Inicialmente por cartas, posteriormente as fotos trocadas por e-mail. O mundo dos colecionadores de fotos de ônibus estava formado. São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte reuniam (e ainda reúnem) os maiores grupos.

     Mas afinal, o que um colecionador ou fã de ônibus vê nesses veículos? O mesmo que vê um fã de carro ou de motos. Tudo no veículo agrada; motor, carroceria, itens de conforto...e algo que carros e motos não possuem por serem particulares: pinturas diferenciadas, pois ônibus pertencem a empresários, e cada empresário tem sua própria identidade visual.

     Conforme os ônibus evoluem em chassi, carroceria e pinturas exóticas, mais fãs surgem. Pode-se dizer que hoje, em 2011, o número de pessoas que gostam desses veículos de grande porte já é significativo, principalmente de jovens. Fotografar ônibus não é mais estranho, na internet abundam sites de colecionadores e podemos encontrar fotos de quase todas as empresas que existem no país. Ultrapassando a fronteira, Argentina e Inglaterra são dois países que possuem elevado número de admiradores de ônibus, possivelmente um número próximo ao do Brasil. Outros países que também possuem colecionadores, em números menores, são Chile, Peru, Colômbia, Venezuela, Estados Unidos, México, Espanha e Alemanha.

     Se os fãs se multiplicam, é graças também a tecnologia das câmeras digitais, que permitem um armazenamento extraordinário de imagens. Sua facilidade para o uso e também o preço mais acessível atualmente, permite que qualquer novato saia fotografando a seu bel prazer. No entanto, há algo que se questionar. Quem é de fato colecionador? Fãs, admiradores todos são, mas quem coleciona de verdade?

     No mundo da coleção, colecionadores possuem o objeto de coleção, a coisa palpável. Antes da chegada das câmeras digitais, o colecionador possuía a coleção em mãos (fotos no papel). A câmera digital colocou em xeque a coleção; a pessoa capta a imagem e salva em seu computador, em cds e pen drive. Em suma, a pessoa possui uma “coleção virtual”. Mas o virtual existe? Colecionadores de obras de arte possuem as obras de arte. Colecionadores de moedas possuem as moedas. Colecionadores de selos possuem os selos...todos esses colecionadores não possuem imagens de moedas ou selos. Possuem o objeto em questão. Se é assim, colecionadores de fotos de ônibus possuem as fotos em mãos, e não imagens, ainda que tenham sido fotografadas com suas câmeras. Se não tem fotos no papel, é fã, é “busólogo”. Mas não colecionador. Talvez muitos fãs não gostem do que acabei de colocar, mas é uma verdade e não há o que discutir. Polêmicas a parte, o mundo dos ônibus hoje reúne alguns milhares de fãs, pessoas que gostam de viajar e valorizam um veículo que até pouco tempo atrás era chamado de “latão”.

 

 

    

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