Boa noite!

QUAL A FUNÇÃO DOS

QUAL A FUNÇÃO DOS “ÍDOLOS?”

 

     Difícil encontrar alguém que não tenha “um ídolo”, tanto que as entrevistas, sérias ou nas típicas brincadeiras curiosas de adolescentes sempre trazem a pergunta “qual seu ídolo?”

     Eu me enquadro nos seres humanos atípicos, que não possuem ídolos. Os religiosos de plantão se espantariam: “Mas nem Jesus?” Sinceramente, essa de dizer “meu ídolo é Jesus” não passa de uma tentativa de “se travestir de bom samaritano” diante da sociedade. Hipocrisia pura, pois durante minha vida toda de observador chato, concluí que aqueles que se dizem cristãos praticantes e não faltam uma semana à missa ou ao culto, fazem tudo ao contrário da Palavra pregada pelo Mestre. Podem não beber, não fumar, não fornicar...abster-se de certos pecados não é tão difícil assim. Mas se omitem. A omissão é o maior dos pecados, e a maioria “não se toca”. As injustiças ocorrem diariamente, a cada minuto, em todo canto, e esses cristãos não agem. Fingem que não é com eles. Dizem: “isso é função de político, de professor...de qualquer outro”. Ora, Jesus não esperava os outros agirem. Se havia algo a fazer, o Mestre fazia. E fazia inclusive o que os outros não tinham coragem de fazer. Nós pensamos primeiro “o que os outros vão pensar de mim se eu fizer tal coisa”. Que distância estamos de Jesus! Falar “aceitei Jesus, estou com Jesus” é fácil. Quero ver colocar em prática.

     Já que o assunto é “ídolo”, é comum vermos caravanas se deslocando pelo país (e outros países) atrás dos ídolos. A moçoila e o moçoilo guardando dinheirinho da mesada para assistir ao show do ídolo na “Cochinchina”. Multidões movimentando milhões de reais e dólares para ver os astros pop da música nacional ou internacional. Michael Jackson foi um mito. Madonna é mito. No Brasil, a febre é Luan Santana. Em termos de futebol, temos o imortal Pelé, seguido por Kaká, Ronaldo, Ronaldinho e tantos outros.

     Este artigo não é contra ídolos e seus fãs. É para refletirmos: qual a função dos ídolos? O que os fãs ganham cultuando ídolos, vivos ou já falecidos?

     É certo que o ser humano que vira astro, mito, desempenhou muito bem seu dom; seja o dom da voz, o dom do esporte, o dom de escrever, etc. Alguns chegaram lá muito bem apadrinhados, outros com muito esforço, e outros ainda na “sorte”...(tudo tem sua hora certa, não creio em acasos). Normalmente os astros passam a boa mensagem de que o persistente chega lá, o otimista alcança seus objetivos...nada é impossível! Esse é o primeiro argumento de todo fã. “Eu me espelho em pessoas famosas para ser igualmente famoso”. Óbvio que ninguém vai querer se espelhar em fracassados. Mas até que ponto o ídolo realmente interfere em sua vida, faz a diferença?

     Chamo a atenção para algo muito bem conhecido mas raramente questionado: mídia. A mídia faz o profissional ir além. Esconde os defeitos conforme convém. Eleva ou rebaixa, constrói e destrói. Todo astro vira escravo da mídia, igualmente o povo também é escravo dessa mesma mídia. A sociedade é feita por oportunidades, depende de como e a hora que cada um abraça. Todo ídolo é igual a nós. Tem seus defeitos, qualidades, fragilidades e traumas não superados. A única coisa que separa um ser humano do outro, além da barreira financeira, é o status. A imagem trabalhada. Será que alguns nasceram para serem cultuados e outros para cultuar? Muita gente acredita nisso. Dizem que são etapas do processo evolutivo. Se for assim, que seja. Mas não é pretexto para cruzar os braços. A função da vida é servir. A natureza é servidora e o ser humano deve ser também. Logo, dos que mais tem, mais será cobrado (servir e partilhar). Virar astro, ídolo, é responsabilidade. Responsabilidade para si e perante a sociedade. Todo dom deve ser colocado como trabalho para o processo evolutivo do ser humano. Toda fama egocêntrica é maldita, por isso o fim trágico de muitos astros. Para alguns, sofrimento declarado, para outros, sofrimento calado.

     A partir do momento que ídolos e fãs refletirem sobre o propósito de cada um, começará uma revolução. Não revolução de armas, mas revolução cultural e social. Uma revolução pacífica, porém eficiente. O poder adquirido pelo astro mexe com corações e mentes. O carisma quando unido a uma ideologia, é o ingrediente certo para formar novas gerações. Cazuza e Renato Russo atingiram esse ponto. Não com a força necessária, mas foi um trabalho válido desses artistas compositores. O legado deles é uma porta aberta para novos astros, mais ousados e que tenham como objetivo fazer história.  A fama pela fama não é nada. Diz o sábio ditado que no túmulo todos são iguais. Por isso, o grande dilema é: o que produzir que seja realmente útil ao planeta Terra? Políticos fazem obras para remediar problemas sociais (curar, raramente). Há quem cultue políticos por este Brasil afora. E são justamente os políticos o drama oculto dos demais astros, especialmente da música. Digo os políticos, já que os meios de comunicações hoje estão em sua maior parte nas mãos de grupos político-partidários. Conduzir multidões é uma arma nas mãos. Como ser autêntico se a fama do astro depende muitas vezes da mídia, dos meios de comunicações que não são imparciais?

     São coisas que os fãs deveriam pensar. Deixa pra lá a vida sentimental do ídolo, a roupa ou o perfume que o dito cujo usa. Coloque o ídolo como uma pessoa comum, que enfrenta os mesmos desafios sociais que nós. As circunstâncias são diferentes, mas os problemas são os mesmos. Todos nós estamos sujeitos às transformações climáticas, doenças, violência e drogas, lícitas e ilícitas. Todos nós estamos sujeitos aos mandos e desmandos dos políticos e legisladores.

     É assim que analiso a realidade ídolos e seus fãs. Não sou fã de ninguém, não tenho ídolos, mas respeito os ídolos e seus fãs. Não vejo muita coisa produtiva nessa relação, com algumas exceções conforme citei neste artigo. Não sou fã, mas admiro a vida e a luta de Martin Luther King, Gandhi e vários outros nomes escritos para sempre, além de Jesus Cristo. Admiro a letra e a música de Nazareth. Luiz Gonzaga, o rei do baião. Astros da MPB, Edu Lobo, Tom Jobim, Martinho da Vila...admiro mas não sou fã de ninguém. A vida me ensinou que ilusão não é viver, viver plenamente é viver a realidade. Cabe ao cidadão equilibrado e disciplinado, saber o momento de cada coisa. A hora do trabalho, da meditação, do lazer, do descanso e do aprendizado.

     Aos astros, recomendo: disciplina e equilíbrio. Porque duro não é cair do palco de madeira onde está sendo realizado o show, mas cair do palco da vida. Sejam transformadores culturais da sociedade.

     Aos fãs: primeiramente pensem em suas vidas, porque a realidade é cruel, “baby”. Mais cedo ou mais tarde ela baterá à sua porta. Depois da obrigação, a devoção. Aí sim poderão pensar um pouco em seus ídolos.

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