Boa noite!

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os grandes articulistas

Quem acompanha o site, notou que dei uma pausa, fiquei alguns meses sem escrever artigos e dei férias ao jornal de janeiro. Durante esse tempo, que inclusive dei pausa na pesquisa também, aproveitei para ler alguns livros e artigos publicados em grandes jornais. Escritor avalia escritor, articulista avalia articulista. Sem críticas burras, sem ciumeira ou inveja. Não me surpreendi com o que li, e sim me atualizei. Descobri que existem textos mais pesados que os meus e a ironia vai às alturas.

A avaliação nua e crua, mostra que grandes jornais buscam grandes nomes, e grandes nomes são sinônimos (em 99% dos casos) de classe média. Classe média gosta de ironia, ironiza com as classes alta, baixa e com ela mesma. Conhece os dois lados da moeda. Ataca as facções políticas de esquerda mas consegue também reconhecer os erros da direita, ao contrário da classe alta (ou dos políticos eternizados no poder). Impossível não entrar no assunto política, e foi ele que mais me despertou atenção.

Não darei nomes aos bois. Li inúmeros artigos de quatro articulistas. Todos provocam debate e questionamento dos leitores, e são firmes nas afirmações como eu também sou. Isso incomoda muita gente. E daí? Reconhecem que não são os donos da verdade, no entanto tudo o que se transmite ao próximo não pode ser fruto de dúvida. Se a convicção é burra, não há como optar. Pessoas que mudam de opinião depois de ouvir outras, revelam que não possuíam opinião formada e firme. Logo, quem é formador de opinião, por mais errado que esteja, só muda quando cai por si próprio.

Os articulistas se mostraram exímios observadores e pensadores. Se por um lado provocam ira de alguns leitores, provocam admiração de outros. Há quem aponte este ou aquele como "candidato ideal" a uma cadeira na câmara ou assembleia. Demonstram não temer ir com o dedo na ferida; mas por que temer? Se são classe média, não temem processos. Não duvido de que muitos tenham costas-quentes.

Enfocando o tema social/político: a impressão que tive é que não adianta escrever sobre "soluções", embora muitos leitores concordem veementemente com a posição do articulista quando opina sobre um projeto nacional ou municipal deste ou daquele político. Ele manifestou uma posição favorável ou contrária, embora admita que não seja a cura. Em outras palavras, cheguei a conclusão de que eu sou o único articulista que cobra a cura e não a aplicação de remédios. E até compreendo, afinal, a indústria de remédios fatura bilhões e emprega muita gente, por mais pessoas que morram devido a dependência química dos remédios lícitos. Os leitores mais atentos sabem que não sou simpatizante do capitalismo, nem por isso defendo o "comunismo" que não funciona, aquele aplicado em nações totalitárias, radicais e fechadas em si. Os articulistas em questão deixam claro não haver solução para o mundo, já que o comunismo em tese é impraticável (principalmente agora no mundo globalizado) e o capitalismo já perdeu faz tempo o comando daquilo que criou. Nenhum arrisca apontar um caminho, ou uma terceira via. O pessimismo quanto ao futuro é bastante perceptível, mas a dureza da colocação é amenizada pela ironia (ria para não chorar). Um deles enfatizou mais de uma vez a violência da natureza. "A natureza não é aquele conto de fadas". Tampouco é aquele paraíso imaginário que algumas seitas creem cegamente, com o leão se alimentando do pasto (ele deixaria de ser carnívoro para ser herbívoro) e posar docemente ao lado de crianças, como um gatinho. Concordo que a natureza não é dócil; os animais atacam, a chuva destrói e os terremotos são implacáveis. O raio não escolhe quem vai atingir. Pode ser o morador de rua ou o prefeito. Nem por isso devemos tratar o meio ambiente com violência.

Acredito que estas colocações sobre política e meio ambiente são reflexos da personalidade, do ambiente em que a pessoa cresceu e adquiriu sua colocação no mercado. Tenho uma postura crítica, firme e ao mesmo tempo dócil, sem ser careta ou iludido. Gosto da harmonia, mas desconfio de grupos "seletos"; por sinal, grupos também duramente criticados por um dos articulistas. "Pessoas de classe média que vivem no mundo da lua" – disse o próprio articulista botando o dedo na ferida de sua classe social.

Em suma, curti e concordei com boa parte do que li dos articulistas. O ponto que realmente discordei foi a transmissão do recado de que "não há jeito", só resta deixar o barco rolar. Os idealistas são duramente criticados, como são por muitas pessoas a minha volta. Pergunto então de que adianta vir ao mundo para deixar as coisas como estão? Não levanto bandeiras partidárias (embora seja filiado). Digo levantar mentalmente. Posso sacudir a bandeira do partido, mas não que a ideologia dele esteja 100% em minha mente. O que defendo é aquilo que vejo, sinto e vivo. E acredito que cada um seja também assim, até mesmo aqueles que dizem dar o sangue por sua doutrina ou ideologia. Seres humanos que deixam de ter opinião e visão própria, perdem a individualidade como ser, e passam a ser instrumento de manobra. O eu consegue ser coletivo sem colocar rótulos. Já o ego é aquele que se prende a algo externo e segue o líder (que líder é esse?), juntamente com o deus de seu ego. Os articulistas, em alguns textos, deixam a entender que seguem apenas a eles mesmos, ainda que isso seja "errado". Abundam textos sobre o ser ou não ser, o bem e o mal, vícios comportamentais e principalmente a falsa moral (ou farsa moral). Se estamos todos condenados ao vício e à morte lenta e depois a eterna, não quero permanecer de braços cruzados assistindo a tudo de camarote. Por mais violenta que seja a natureza e o ser humano que faz parte dela, consigo ver belezas no mundo. Posso parecer tolo diante da lógica econômica que rege o mundo, mas tenho a felicidade de ser aquilo que me sinto bem sem ser impedido por terceiros.



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