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OS HIPÓCRITAS DO MEIO AMBIENTE

OS HIPÓCRITAS DO MEIO AMBIENTE

 

 

     “Nem tudo que reluz é ouro”. A famosa expressão, normalmente aplicada aos políticos e artistas, está se encaixando também na esfera ambiental; sinal da decadência de nossos defensores, outrora chamados de “ecoloucos” por atravancarem a marcha do progresso.

     Nossa legislação ambiental é rígida, mas o tal “jeitinho brasileiro” tem ajeitado e muito tanto o lado dos “inimigos” da flora e da fauna como daqueles que supostamente defendem a salvação do planeta. Não vou entrar na questão de propinas, laudos comprados e outras formas de corrupção, mas na questão de personalidade.

     Levantar bandeiras é fácil, protestar, até escrever artigos como este. Todos gostam da teoria, ficar dando ordens, sentados à frente do computador ou “trabalhando pelo celular”. No funcionalismo público está cheio de pessoas assim, muitas vezes vão só assinar o ponto e decidem o horário que vão trabalhar de verdade. Essa epidemia tem se espalhado de tal forma que atingiu até aquelas pessoas que daríamos um voto de confiança por defenderem causas nobres. Como fiz curso técnico em Meio Ambiente, sempre estou em contato com colegas da área. Também observo, de longe, atitudes de todas as demais pessoas envolvidas com a questão. E vejo muita hipocrisia, sobretudo a famigerada ordem “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”. Questão de personalidade, berço. Para conhecer realmente uma pessoa, você precisa vê-la nos bastidores, e não apenas em aparições públicas, reuniões ou festas. É no cotidiano, na proximidade, na intimidade que se descobre a verdadeira essência da pessoa. E é onde a máscara cai. Nosso país tem um sério problema com a questão do lixo. A separação do material reciclável, por mais que tenha crescido nos últimos anos, ainda deixa a desejar. Se a população não possui educação suficiente nessa área, o que falar de alguém com curso, bom cargo na área e que não faz o dever corretamente? Separar latinha todo mundo gosta, pois uma boa quantidade delas dá um dinheirinho que agrada. Após uma festa, dá para fazer a festa com a reciclagem de latinhas. Mas plástico, papelão e vidro (em festas também há muitas garrafas de vidro) devem ser prioritários; plástico e vidro são os maiores vilões do meio ambiente, levam centenas, milhares de anos para a decomposição. No entanto, são jogados no lixo comum por certas pessoas que deveriam dar o exemplo. “Daqueles que mais tem, mais será cobrado”. Quem tem a legislação na ponta da língua, deve dar o exemplo a partir de sua conduta. Usar o conhecimento para cobrar só dos outros, parentes, vizinhos, população em geral, revela que o sujeito está num cargo, numa função apenas para usufruir e tirar benefícios próprios, e não servir à coletividade.

     Cientistas e mídia a todo o momento falam da urgência da questão ambiental. Um técnico na área, disposto a aplicar seu conhecimento, mal teria tempo para cuidar de si. Se pesquisarmos a história de personalidades que deram a própria vida a uma causa, como Chico Mendes, Irmã Dorothy, Martin Luther King, Gandhi e vários outros, perceberemos a enorme distância que há entre eles e nossos profissionais e defensores de araque. Estes, tão próximos e sempre brigando pela serra, pela qualidade da água, fazendo barulho, podem estar mesmo é de olho em seus próprios umbigos. Cargos, ascensão social, benefícios egoístas.

     Defensores de verdade do Meio Ambiente estão na rua. No mato. Percorrendo escolas públicas e particulares, fazendo contatos, palestras e atividades; pois apenas palestras não resolvem. É preciso criar atividades em campo para estudantes. É preciso envolver crianças e adultos da periferia na questão ambiental com projetos inovadores e ousados. É preciso levar teoria e prática a todos os cidadãos, de A a Z.  Colocar as mãos na massa. Quem é autêntico defensor do Meio Ambiente, não fica só atrás de grandes ações para chamar atenção da imprensa. Pequenas atitudes também fazem diferença. Reunir moradores de um bairro numa associação, numa residência. O corpo-a-corpo sempre deu resultado para qualquer situação, pois faz aliados para a causa defendida. É das pequenas e simples atitudes, inclusive as atitudes pessoais, que nascem as grandes mudanças. Infelizmente, temos os soberbos e hipócritas à frente de certos grupos ou instituições, até ONGs. Pessoas que falam firme e bonito apenas para causar temor, “façam o que eu digo mas não façam o que eu faço”. “Cuidado, você não sabe com quem está mexendo”. Para identificar tais pessoas não é difícil. Basta prestar atenção no cotidiano delas. Estão nas ruas ensinando o que aprenderam ou no conforto do lar, da academia? Onde você encontra a pessoa a qualquer hora do dia?

     Em Jundiaí existem bons profissionais nessa área, sem a menor dúvida. Lamentavelmente alguns fizeram da profissão um trampolim para o altar da vanglória.   O que mata a capacidade profissional é o caráter, a personalidade. O sujeito aplica somente 5, 10% daquilo que estudou porque se rende à vaidade, ao gozo de certos privilégios adquiridos. Alguns nem são “marajás”, escondem as dívidas ou tem “costas quentes”, mas querem levar vida de rei, vida de aparências. O Meio Ambiente não precisa de “reis”, precisa de soldados. Soldados para a luta em campo, e não luta virtual, nos celulares e nas salinhas com ar condicionado, como boa parte dos políticos e seus secretários. A qualidade de vida do cidadão não depende de ordens, pois pessoas querendo mandar e desmandar já tem demais. Precisamos de professores, profissionais que possuam a virtude de ensinar, mudar hábitos. Agora, se o profissional possui maus hábitos, não merece crédito e muito menos cargos. Cuidado, pois nem tudo que reluz é ouro. Ninguém é tolo para acreditar em “salvadores da pátria”, tenhamos a mesma cautela com aqueles que se dizem salvadores do Meio Ambiente e gostam de posar de “otoridade”.

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