Boa noite!

OS TRÊS PODERES DE SEU BAIRRO

A CENSURA E A SEPARAÇÃO DO JOIO E DO TRIGO

 

     Como escritor, não poderia deixar de colocar meu ponto de vista sobre o projeto de uma deputada baiana para “frear” a veiculação de letras de música que banalizam e vulgarizam a mulher. O grupo de pagode local foi o alvo, por possuir um repertório apelativo.
     Analisando por partes:
     Historicamente, a arte é livre, como deve ser livre a liberdade de expressão. A arte traz para reflexão, diversas fases da evolução do homem no decorrer dos anos, décadas, séculos.
     Com a evolução tecnológica, mídia “onipresente”, a informação virou arma para conduzir multidões. Lavagem cerebral saiu das quatro paredes das igrejas e se espalhou pela mídia televisiva, radiofônica, imprensa escrita, palanques políticos e palcos artísticos.
     Diante dessa realidade, perguntamos: qual o objetivo por trás de tal oratória, tal letra de música?
     O apelo erótico não é o mesmo de cinquenta anos atrás. A mulher, que era descrita através de versos divinos, cultuada pelos poetas apaixonados por corpo e alma, está longe dessa realidade. O apelo erótico hoje é puramente físico, e suas consequências são vistas diariamente na mídia.
     O pagode de Zeca Pagodinho e outros de sua época retratavam a “boa malandragem”. Letras inteligentes, versos sobre uma sensualidade que poderia até “tirar um barato” do sexo feminino, mas longe da “cachorragem” atual. Não havia o espetáculo visual, de corpos malhados, tatuados, em movimentos apelativos. A música era música, para ser compreendida no ritmo das mãos nos instrumentos, e não em peitos e bundas em cima dos palcos.
     Há quem argumente que é “evolução”. Que a nova geração gosta de shows, espetáculos, apelação. Pois é um argumento simplista. As raízes dessa evolução estão –releiam- no poder da mídia, que virou arma. Por que excelentes artistas muitas vezes encontram dificuldades em conseguir apoio e patrocínio de empresários e poder público, e outros, de qualidade duvidosa, conseguem facilmente patrocínio?
     A deputada pode estar errando na forma de agir, com um tipo de censura. Mas está certa em provocar questionamento: qual a intenção de atingir milhões de jovens com letras que condicionam essa massa a uma alienação?
     Existe sim um interesse político oculto em patrocinar “artistas”, sem bases culturais verdadeiras, que conseguem arrebanhar milhões com apelo visual e letras ordinárias. Longe do preconceito, existem nas periferias muitos talentos. Falo dos oportunistas de plantão, que abundam tanto nas camadas mais baixas como nas mais altas. Tais pessoas são como aqueles alienígenas do filme “Independence Day”. Chegam num lugar para explorar, sair no lucro, e deixar o lugar arrasado. Esses oportunistas arrasam os miolos de seres humanos fracos, carentes, revoltados, com pouca estrutura familiar. Existe uma rádio aqui na região que toca o dia inteiro “músicas” ordinárias, com letras igualmente ordinárias. Argumentam que é música que o povo gosta. Música do povo para o povo. Não, não é exatamente do povo. É de oportunistas, que exploram a falta de cultura e a carência do povo. Suponha que surja uma nova droga lícita no mercado. O povo se acostuma e ninguém fará nada, pois é lícita. Mas não deixou de ser droga. Traficantes são presos e condenados porque comercializam drogas ilícitas. Já os que comercializam drogas lícitas, possuem todo o aval de empresários e comandos políticos, pois fazem girar a economia. Não interessa se o povo está drogado, sob o efeito de músicas que podem ser comparadas ao ópio. È legal e mantêm o povo alienado. Cidadãos alienados, não raciocinam sobre seus direitos e não exercem a cidadania. Enquanto as jovens estão rebolando na balada, em busca de aventuras, largam os filhos com os avós, não estudam para conquistar boa formação profissional, não pensam no amanhã. Só na diversão momentânea.
     Defendo mais o rap que certas músicas populares porque o rap, embora traga uma bagagem “violenta”, cria a consciência de atitude, ao contrário dessas outras, que induzem a uma prostituição legal. Como está na letra de um famoso grupo de rap, “as menininhas com oito anos de idade já estão ralando a tcheca nas festinhas e as mães, que vivem nas baladas, acham bonito”.

    
Há muito que pensar a respeito da atitude da deputada baiana. Dos dois lados há o que refletir e mudar. Se não houver coragem de certas pessoas que estão com a faca e o queijo nas mãos, nosso país continuará sendo a terra da corrupção, do contraste social e da eterna diversão para aliviar a dor. Não precisa de censura, pois a censura atiça mais ainda a curiosidade e a prática. O que precisamos é de ética na conduta de empresários e poder público. Parem de patrocinar joio (lixo), que os tais artistas de araque, oportunistas, criarão vergonha na cara e estudarão para serem artistas de verdade. Quem patrocina joio porque o retorno financeiro é interessante, continuará colhendo problemas do outro lado. Falta de qualificação profissional, baixa escolaridade, mães e pais solteiros, crianças abandonadas, violência doméstica, criminalidade, prostituição e consumo de drogas (lícitas e ilícitas). O dinheiro rápido e “fácil” tem um alto custo. Tão rápido vem, rápido vai para consertar os estragos produzidos por essa farra.

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