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OS LIVROS DO MUNDO

 

     Durante a pesquisa, ouvi algumas vezes a velha expressão “não leio livros do mundo”.  Essa expressão deriva de uma outra: “pessoas do mundo”, que se refere a todos aqueles que estão no pecado ou na ilusão de uma vida de baladas, vícios, sexo, assaltos, etc.

     Como escritor, pesquisador e crítico, analisei a questão.  Em determinada passagem bíblica, Cristo diz: “meu reino não é deste mundo”.  O que Ele quis dizer com essa expressão? Ele deixou claro que não aceitava as leis criadas pelo homem, a forma de sociedade estabelecida, que se encaixa também em outra célebre proferida pelo Mestre: “dai a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus”.  Se Cristo disse que o reino que Ele veio anunciar não é deste mundo, é claro que Ele estava propondo uma sociedade totalmente diferente, ou seja, o reino de Deus.

     Até aqui, as expressões desse povo parecem fazer sentido quando associadas aos textos bíblicos.  Porém, tudo começa a desmoronar se abrirmos um pouco mais os olhos e estudarmos com profundidade a questão.

     Cristo se fez homem e veio ao mundo.  Viveu em meio a pobres e ricos e estudou as leis dos homens para desmascará-las diante das leis de Deus.  Porque não se pode anunciar um novo reino estando alheio à realidade, da mesma forma que não se combate o inimigo sem conhecer as armas que ele usa.  Em suma, Cristo, em todos os sentidos, estava apto a dizer “meu reino não é deste mundo”. Agora, quem de nós estaria na mesma posição do Mestre para dizer aquelas palavras para justificar sua “santidade”, que na verdade é um ato SEPARATISTA? “Atire a primeira pedra aquele que não tiver pecado!”

     Vejamos; o sujeito não lê nenhum tipo de literatura porque todas foram escritas por pessoas do mundo, que estão na ilusão e no pecado. Consequentemente, não dará importância também ao estudo, pois o estudo em escolas é uma integração com o mundo, com esta “sociedade humana”.  Dessa forma, esta pessoa criou um isolamento das demais para “não se contaminar”.  Sem saber separar o joio do trigo, na dúvida, tudo é joio. Ou seja, fazem o contrário do que Cristo fez! E ainda têm a coragem de dizer que estão com Jesus! Muitos ainda dizem: “eu vivia uma vida mundana, de baladas, assistia programas do mundo, ouvia músicas do mundo, lia livros do mundo. Até que me libertei quando aceitei Jesus”. Mas aceitar Jesus significa se separar das pessoas? Criar um mundo a parte, dos “seletos e escolhidos por Deus?” Aqui está o engano!

     Não se muda o mundo, ou na linguagem mais apropriada, não se salva pessoas criando seitas ou trazendo para esta ou aquela denominação religiosa. O mundo se muda EXERCENDO A CIDADANIA, promovendo a justiça. E ninguém consegue isso se não estiver integrado à sociedade, sabendo conviver com gregos e troianos. Não se combate aquilo que não se conhece. Ninguém saberá separar o joio do trigo se não estudar ambos. Padres, pastores, bispos, de qualquer denominação religiosa, estudam de tudo para exercerem o sacerdócio, inclusive as LEIS DOS HOMENS. Os fiéis, o rebanho que não estuda, é massa de manobra. É a ovelha que segue seu pastor sem saber o porquê, para onde esse pastor está conduzindo. É o cidadão sem direitos, que precisará sempre de alguém para defendê-lo e mostrar qual caminho deverá seguir.

     Talvez tenha sido um pouco “violento” neste artigo, mas é a realidade, uma realidade nefasta que precisamos mudar. Imaginemos o seguinte (não acontecerá, mas imaginemos); se estas seitas e igrejas radicais (e oportunistas) convertem o mundo todo. Iriam promover uma gigantesca fogueira, para queimar obras de Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, José de Alencar, Aluísio Azevedo, Agatha Christie... afinal, “são escritores do mundo!” O que seria da história, da cultura, da literatura mundial?

     Felizmente, existem igrejas evangélicas sérias, que incentivam a leitura, como comprova a pesquisa. Mas uma parte está seguindo o caminho do radicalismo. E o radicalismo leva ao fanatismo e a intolerância. Portanto, a expressão “não leio livros do mundo porque não sou do mundo”, é uma expressão inconsciente de discriminação. Essas pessoas, ingenuamente, estão se colocando na mesma posição de Cristo. Só que Cristo, ao contrário desse povo, promovia a integração, e não a separação. São realidades opostas. Cristo estava preparado. Nós não!

     Ora, ora, desçam desse altar de arrogância e ilusão! Todos nós estamos neste mesmo mundo, no mesmo barco. Ou acaso vocês não precisam ir à escola, não pagam impostos, não fazem compras... se ajudam a movimentar a economia mundial, estão vivendo este mundo! Não compram livros mas compram roupas da moda, carro, casa, comida... Tudo isto é material, alguém está lucrando com o que vocês compram. De que adianta boicotar livros se compram outras coisas que dão lucro para empresários de mau caráter, votam em pessoas erradas...? Acaso sabem o que é reciclagem? Reciclagem de material e reciclagem de idéias? Se não lê, não se informa, não saberá também acompanhar o mundo, que está em constante evolução. Ficará para trás, retrocedendo à Idade Média.

     O consumismo de nossa era, a alienação, esses sim devemos tomar cuidado. Portanto, o ideal seria trocar a errada e radical expressão “não leio coisas do mundo”, por “não me envolvo com a moda, com a lavagem cerebral”... ou “não tenho vícios”.

 

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