Boa noite!

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o lixo do luxo

Virou notícia na imprensa jundiaiense. Jovens e adolescentes "se apoderaram" da frente de uma loja em área nobre da cidade, onde nas altas horas da noite promovem suas farras, com bebida e muita música. Pela manhã, o comerciante encontra em frente ao seu estabelecimento, latinhas, garrafas e muitas bitucas. Moradores do entorno denunciaram e a polícia fez algumas "batidas" no local, no entanto a farra apenas muda de lugar. Muitos jovens e adolescentes que participam desse e de outros grupinhos, são filhos de famílias com sobrenome de peso na sociedade e até "costas-quentes".

Vinte anos atrás, havia o conceito (e preconceito) de que tais arruaças eram promovidas sempre por jovens de periferia. A vida se encarrega de mostrar que educação não está restrita a poder aquisitivo. Não basta colocar o filho nos melhores colégios pagos ou achar que o histórico exemplar da família baste. Educação no século XXI, com a liberdade sem limites, é um dos maiores desafios enfrentados por aqueles que colocaram filho no mundo. Enquanto algumas pessoas insistem nos rótulos, a guerra urbana não vê rótulos, faz vítimas de todas as camadas sociais. O indivíduo que mora numa comunidade de baixa renda, não está protegido por milícias, programas governamentais, polícia ou poder paralelo. Da mesma forma, indivíduos abastados, que pagam por segurança privada, usam carros blindados ou possuem porte de arma, também não estão protegidos. Costas-quentes dão apenas uma impressão de segurança. É para inglês ver. Na prática, ninguém está protegido de balas perdidas e até o chamado "fogo amigo". Vou um pouco mais além; proteção espiritual depende muito da circunstância das situações da vida, que mudam a todo instante. Você pode até fazer uma "troca" com o mundo espiritual, mas não escapa das provações e da lei do retorno. Todo lixo material promovido no planeta, traz consequência ao espírito, que é espelho das atitudes.

Caminhar por bairros nobres, com arrojadas construções e os melhores arranjos florais e paisagísticos, sem dúvida enobrece o espírito de todo indivíduo. Mas é um sentimento que passa rápido, pois logo você irá se deparar com uma latinha atirada pela janela do carro de um cidadão que pode ser morador do próprio bairro. Uma pichação feita por um jovem também morador do bairro. O lixo produzido pela alta sociedade é atirado contra ela mesma. E isso se reflete na revolta e nos divãs de psicólogos e terapeutas. Nunca vimos tantas pessoas da elite com dor e revolta estampados no rosto. Dor, revolta e medo. O que fazer? A pergunta continuará ecoando nos ouvidos de toda a sociedade. Por mais livros de autoajuda lançados no mercado, por mais empresas de segurança faturando, e profissionais da medicina convencional ou alternativa se formando, nada ajudará a mudar esta realidade se ninguém se prontificar a descer de seus altares particulares e admitir que o problema existe e só poderá ser combatido em conjunto. Se governos maquiam os números e a realidade, não podemos fazer o mesmo. Não podemos ser cúmplices no erro. Muita gente se atira em marketing de rede e outras formas de corrente, com o propósito de fazer dinheiro. Por que não fazer uma corrente de atitudes, que não oferece nenhum risco por não envolver dinheiro? O que ainda impede você, sua família, seus amigos e vizinhos de unirem as forças para promover reformas nas leis, na educação, no modo de vida? Se décadas atrás a delinquência juvenil era mais comum nas grandes periferias, e pouco ou nada foi feito, agora o trabalho é em dobro, porque a delinquência juvenil não está mais restrita a um determinado grupo social. Agora ela é geral. Não adianta cruzar os braços e fazer apelos espirituais. A força espiritual ocorre quando se está em ação, e não plantado numa igreja. Tenhamos os pés no chão, porque o caminho a trilhar é longo. E não adianta pegar rotas alternativas e nem retornos, porque o destino final desta estrada será visto por todos.


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