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DEPOIS DOS MAPAS ERRADOS...

 

     Mais um novo capítulo da novela “educação no Brasil”. A primeira polêmica foi com os livrinhos que traziam “palavrões” e supostas apologias ao crime. Depois veio o caderno do aluno com os mapas errados. Agora é a tolerância ao linguajar errado, falado ou escrito.
Tolerância é bom e cabe em qualquer lugar, mas deve ter um limite. Tudo que se faz na intenção de eliminar preconceitos é louvável. Porém, é necessário ver as “segundas intenções”, o que há por trás. As recentes conquistas obtidas pelo público GLBT por exemplo, são consequências do aumento desse público, e os políticos aí enxergam votos. Ou é luta contra o preconceito ou é interesse eleitoreiro, pois na prática, a discriminação continua plenamente visível.
Já que falamos em mapas errados, o que esperarmos dos profissionais do futuro com essa tolerância a erros de concordância e outras “pérolas?” Não quero transmitir a imagem do “certinho”. Sou escritor mas posso errar sim. Quem achar erros em meus textos agradeço se corrigir. O que me preocupa é o comodismo que isso poderá trazer. Sou obrigado a ouvir diariamente pessoas que trabalham comigo dizer “para mim fazer”. Desisti de corrigir, chamar a atenção. Não aprendem. O hábito de falar errado é como se tivesse sido feita uma lavagem cerebral. A partir de agora, com a “autorização” das mais altas esferas da educação, terão um ótimo argumento para continuar falando errado. “Eu falo para mim fazer, mas você sabe que eu quis dizer para eu fazer”. Quais serão os precedentes? O caderno do aluno deu o que falar porque era mapa da América para estudantes. Agora, os mapas vendidos em bancas, mapas de listas telefônicas e até de prefeituras, que já possuem excesso de erros, contribuirão para mudar nomes oficiais no decorrer do tempo. Anotem o que estou dizendo. Jundiaí, uma cidade com mais de 300 mil habitantes e um partido que já vai para vinte anos que está no poder, não sabe se o nome de uma de suas principais praças é Praça da Bandeira ou Praça das Bandeiras, se é Bairro Vivenda ou Vivendas. Um mapa de um município vizinho que está em minhas mãos, traz erro de concordância; “Chácara Jardim da Minas”, além do “Bairro do Pinherinho”. Com a “tolerância oficial”, os “profissionais” poderão responder: “você entendeu que eu quis dizer Chácara Jardim da Mina e Bairro do Pinheirinho”. Ponto final. O erro permanecerá e com o tempo ficará gravado, como já ocorreu com vários colegas que possuo; “quer dizer que não é ‘mendingo’, é mendigo?” Isso mesmo! Alguns colegas cresceram ouvindo e escrevendo “mendingo” e ficaram admirados quando expliquei que o certo é mendigo. Ficaram sabendo que estavam falando errado, porém não conseguiram aprender a falar mendigo, da mesma forma que as duas jovens que trabalham comigo não conseguem falar “para eu fazer”.
Como escritor e estimulador do exercício dos dons de cada um, sempre coloquei em minhas palestras que o aluno quando faz uma redação, não pode ter medo de errar. O importante é ler o que escreveu, sem medo de falar errado. O medo de errar e a vergonha não podem ser empecilhos à liberdade de expressão. Mas a correção deve ser feita posteriormente, a sós. Nada de chamar a atenção na frente dos outros, pois isso é humilhação. Toda correção deve ser feita a dois. Se levarmos pelo lado do estímulo à liberdade de expressão, a autora do polêmico livro tem sua razão. Mas o caminho não é esse. Conforme falei, poderá abrir perigosos precedentes, inclusive nas interpretações judiciais, beneficiando políticos corruptos. Se já negam na cara dura o que fizeram, vai ser um tal de “não foi isso que eu quis dizer” ou “é a forma que você entendeu, na minha maneira de ver é outra coisa”. Toda malandragem que assola a sociedade, teve um início dessa forma, simples, sutil... “deixa passar... não muda muita coisa não... é irrelevante...” Depois não adiantará chorar pelo leite derramado.

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