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QUEM TEM MEDO DE PESQUISA

QUEM TEM MEDO DE PESQUISA?

 

     Quem não deve, não teme. Nem é preciso pensar muito para deduzir porque certas pessoas olham com desconfiança para pesquisas, sejam elas quais forem.

     Pesquisas (imparciais) revelam a realidade, a verdade nua e crua. Numa entrevista, o entrevistado consegue muitas vezes sair pela tangente, desconversa, brinca. Já numa pesquisa, a coisa vai mais a fundo e ultrapassa as limitações impostas pelo pesquisado. Entrevista tem tempo marcado, pesquisa não. Pesquisas podem ser feitas calmamente, por dias, meses...o simples convívio temporário pode ser uma pesquisa.

     A pesquisa Censo do IBGE, que trabalhei e abriu as portas para iniciar minha pesquisa de hábito da leitura, foi bastante valiosa e teve momentos marcantes, mas as duas que realmente me impressionaram, eu não participei, mas li. A primeira foi numa revista evangélica, que por ética não citarei o nome, mas posso garantir que se trata de uma revista séria e de uma igreja igualmente séria e bastante respeitada no segmento evangélico brasileiro, que como todos bem sabem, também possui muitos picaretas e seitas. A revista, especializada em apologética, citava num trecho o depoimento de um casal evangélico que, convertido para uma seita, queria conhecer as raízes, os porquês da não aceitação disso ou daquilo. Ora, desde que você passa a trabalhar para uma empresa, filia-se a um partido ou torna-se membro de uma igreja, nada mais natural do que você conhecer o chão em que está pisando. A desconfiança só aumenta quando você é limitado a aceitar determinada disciplina (é assim porque é assim). Mas como você chegou à conclusão de que isto é o caminho, a verdade? A pergunta é incômoda, porém natural do homem, principalmente nesta etapa de vida do ser humano, quando você recebe convites de todos os lados para se filiar, ser membro disto ou daquilo. Pois bem, diante das limitações dentro da tal organização religiosa, o casal, por conta própria, decidiu pesquisar as raízes da seita, como funciona a organização a nível mundial e como chegaram àquela verdade bíblica que somente eles diziam possuir. A pesquisa estava indo muito bem há meses, quando alguém da cúpula da organização descobriu que o casal estava de posse de certas informações “privilegiadas” devido a pesquisa particular que estava realizando. Não adiantou a explicação de que a pesquisa era para se sentirem tranquilos de que estavam no caminho, na igreja certa. Foram julgados por uma equipe “disciplinar”, humilhados (chamaram a pesquisa de “lixo”) e foram expulsos da seita. De uma certa forma traumatizados pelo tratamento, retornaram para o seio evangélico de onde vieram, e desabafaram a experiência para a equipe da revista.

     O estágio em que o ser humano se encontra na escalada natural da evolução, não aceita mais pessoas submissas. A nova geração não é a geração de 50, 100 anos atrás, que dizia simplesmente “sim senhor, pois não meu senhor, às ordens”. Administradores que não souberem lidar com esta nova realidade, cairão. Serão traídos. Não é mais possível guardar segredos no mundo globalizado. A transparência é tudo, e todos hoje são pesquisadores. Portanto, quem não deve não teme. Pesquise-se principalmente a vida de candidatos a cargos públicos. Eu fui candidato em 2008 e deixo meu currículo a disposição para quem queira conhecer. Quem quiser pesquisar minha vida também, não temo nada. Só não aceito pesquisas por curiosidade. A curiosidade mata, como diz um ditado popular. Fofocas destroem a sociedade e colocam o caráter do curioso nos mais baixos degraus da escala evolutiva. Pesquisa se faz com objetivo, técnica e disciplina. Uma das piores coisas que uma pessoa pode fazer, é zombar de coisas sérias. Brincadeira tem hora e lugar. E é dentro desse contexto que cito a segunda pesquisa que mais me impressionou; a realizada por um jornal, novo na ocasião aqui em Jundiaí. O objetivo da pesquisa era eleger um símbolo da cidade, a “maravilha” jundiaiense. Aberta para o povo, o jornal foi recebendo os votos populares; Ponte Torta, Serra do Japi, Politheama, igrejas, ruas, praças, avenidas...mas recebeu também “gracinhas”; nomes de pessoas e famílias, tipo “a minha família, a família de minha namorada, minha namorada, etc”. E deram nomes aos bois, achando que por ser “zoeira”, nem iria aparecer na pesquisa. No entanto, o jornal surpreendeu, e como em toda verdadeira democracia, publicou o resultado de cabo a rabo no próprio jornal. E os leitores foram surpreendidos com os nomes colocados como voto à maravilha de Jundiaí. “Meu nome? Quem colocou meu nome, o nome de minha família?” Se a intenção foi de pura brincadeira, a brincadeira custou caro. Se a intenção foi séria, revelou a soberba, o orgulho doentio de tal família. O jornal agiu certíssimo, mostrou de forma nua e crua, a face de certas pessoas da cidade, pessoas que se escondem atrás da máscara da boa fama, da posição social. Ignorância não é exclusiva das camadas mais baixas. É também realidade nas camadas privilegiadas. Pesquisa é isso. Mostrar e revelar a realidade. A pesquisa sobre hábito da leitura que venho realizando desde 2008, é 100% popular, contato direto, e o resultado é mostrado sem maquiagem alguma. O que o pesquisado falou, está falado e registrado. Na memória e no papel. Do papel para este site, para o mundo. Já percebi que algumas pessoas se incomodaram com esta pesquisa; certo dia me perguntaram “você não tem medo de represálias?” Não, não tenho, porque embora eu não seja o dono da verdade, quem diz a verdade não merece castigo. E o que apresento são fatos, e contra fatos não existem argumentos. O que exponho em meu trabalho literário, são experiências de minha vida, coisas que me atingem direta ou indiretamente, cenas que presencio aqui e acolá, e em meu direito de liberdade de expressão, opino friamente. Cada ser humano traz uma experiência própria, uma maneira diferente, totalmente particular de ser e de enxergar o mundo. Isso lei nenhuma pode calar, impedir. Todo ser humano é livre para expressar seus sentimentos, emoções e sua visão de concordar ou discordar. E é também livre para conhecer, pesquisar. Do mundo nada se leva de material, mas o conhecimento não é palpável, material. Com certeza o conhecimento se leva, para onde não se sabe, mas leva. Portanto, o conhecimento é sagrado. Independente de você crer em ressurreição ou reencarnação. O conhecimento é válido para a eternidade. Que ninguém ouse impedir o acesso ao conhecimento, impedir uma pesquisa.

 

 

 

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