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A ONDA PSICÓTICA

O mundo já se acostumou aos ataques terroristas nos Estados Unidos e outros países. E por mais investimento na inteligência policial e na segurança, nada e ninguém está livre de tais ataques. Nem mesmo a pena de morte inibe, pois estes estão determinados a morrer para deixar um recado ao mundo. Mas a pergunta persiste: por que algumas pessoas se entregam a isso? Qual o recado?

Parece mais simples associar ao extremismo de algumas seitas, religiões e ideologias. A primeira coisa que vem a mente de qualquer cidadão do mundo é associar o tal terrorismo a tais grupos. Investigações são feitas e o mundo nem sempre fica sabendo da verdade.

Líderes espirituais de renome mundial nunca pregaram algo semelhante. Cristo enfrentou os reis e poderosos de sua época com palavras fortes, e não força bruta. Sidarta Gautama, o Buda, revolucionou com a meditação e a busca da paz interior. Gandhi acabou com o domínio de um império com uma atitude de ousadia, arrebanhando as pessoas pacificamente. Mesmo Maomé em vida não pregaria o terrorismo em nome de Alá. Tudo questão de interpretações dos homens de hoje, de governos aliados às igrejas. Guerras e domínios imperiais são coisas de políticos, e não de líderes espirituais. E é justamente essa união sutil e perigosa entre política e religião que traz o extremismo e cria as mentes obsessivas e assassinas. Podemos ver o extremismo por dois ângulos: o do passivismo, o povo que aceita passivamente tudo o que lhe é ordenado, achando que é ordem divina, castigo divino ou que a submissão / escravidão garantirá a liberdade nos céus; e o do confronto, matar em nome de Deus ou que Deus representa somente a sua doutrina ou ideologia, os que estão fora são os inimigos bestiais e precisam ser eliminados.

Os líderes espirituais assim foram porque encontraram o ponto de equilíbrio. E o ponto de equilíbrio é visto como utopia pela maioria, dom de pessoas raras. Por outro lado, no mundo intelectualizado de hoje, pessoas raras são vistas com desconfiança ou tachadas como “donas da verdade” (tema de outro artigo). O “politicamente correto” é apedrejado sem ao menos ser questionado. Ninguém acredita no ponto de equilíbrio. Ou a pessoa é de um extremo ou de outro na visão do mundo. E assim, o terrorismo é combatido quando praticado contra nações, governos, escolas, shoppings...e ignorado nos porões de prostituição, nos latifúndios, no trabalho escravo escondido nas selvas pelo mundo. A raiz de tudo é no terrorismo psicológico, feito na mente de crianças e adolescentes. O terrorismo psicológico pode ser feito pelos próprios pais, tios, “amigos”. Empregadores. “Mestres” de seitas e supostas religiões, muitas vezes acobertados por forças militares ou políticas. Houve uma época em que a ignorância por si só produzia horrores, psicoses. No mundo atual há sempre uma força bastante culta por trás explorando esta ou aquela ignorância. Da mesma forma que a luta da classe oprimida não conseguiu atingir o ponto de equilíbrio, e acabou fortalecendo um comunismo repressivo, arbitrário e psicótico, o capitalismo criou psicóticos em escala, cuja liberdade extrapolou os limites da ética e do espaço do próximo, e produziu insatisfeitos que gozam da liberdade em sua plenitude.

Este é o ponto de reflexão do artigo. Até onde o terrorismo tem sido praticado em nome de doutrinas ou ideologias? Está compensando gastar milhões, bilhões em inteligência para investigar grupos extremistas que já não precisam recrutar e são procurados por livre e espontânea vontade por pessoas que mal conhecem doutrinas ou ideologias? Não seria o caso de investir mais na qualidade de vida nas cidades, estados e nações, na vida do cidadão? Disciplinar o conceito de liberdade e criar o conceito de consumo consciente no lugar do consumismo? Parece que estas palavras não soam simpáticas às autoridades mundiais. E dessa forma, continuaremos caminhando rumo às penitenciárias, execuções e vítimas em potencial.

A visão da sociedade humana, do inimigo à espreita, já passou pela era da ideologia. Ideologias e doutrinas são questionadas e de uns anos para cá se tornaram apenas suportes para os indivíduos e suas famílias. Os fatos comprovam, basta ver a multiplicação frenética de igrejas no Brasil, países latinos, africanos...as pessoas não estão em busca da doutrina, mas do suporte de um grupo que traz uma novidade e algum apoio social e jurídico que os governos não oferecem. É comum uma família que atingiu certo poder econômico (e boa oratória), criar sua denominação e arrebanhar pessoas, formando uma seita. Com o grupo formado, um ajuda o outro num emprego e nas questões jurídicas (toda igreja possui seus advogados selecionados). O livro usado é a Bíblia, comum a todas as igrejas cristãs. O que muda é a interpretação e o sermão. Mas a doutrina em si só é estudada por aqueles que querem ser líderes, e gozar dos privilégios que muitos pastores hoje gozam. A massa, o povo, mal conhece a doutrina. E não importa, pois para o povo o que importa é a sensação de segurança que o grupo transmite. Assim ocorre na esfera política. E tanto nos grupos religiosos como políticos, ambos sabem dos riscos incalculáveis num confronto com outros grupos. Sim, existem tais grupos, radicais, à espera de um momento para atacar. No entanto, a simples existência e crescimento dessas divisões competitivas, dos adversários vistos inconscientemente como inimigos, cria a psicose, um efeito psicológico sutil que vai fermentando a mente de alguns indivíduos, até o balde transbordar. Esses indivíduos transformam-se em “serial killer” e “terroristas” não por um idealismo ou coisa semelhante, mas por uma insatisfação mental e social. Uma inquietação que ele mal sabe descrever com fundamentos. Seria o efeito do “inimigo oculto”. A sociedade mundial prega indiretamente os valores individuais, o deus do ego, e isso leva algumas pessoas a praticar um ato dessa proporção simplesmente pela satisfação do ego, que está insatisfeito com algo. Não é em nome de Alá, do comunismo ou de qualquer outra coisa, mas em nome de si. O sujeito era um ilustre desconhecido, que do dia para a noite levou vidas, dezenas, centenas ou milhares...e ganhou o mundo. Sua imagem foi vista por bilhões de seres humanos. Para essas pessoas, que talvez tivessem traumas na infância, ou tiveram de tudo, do bom e do melhor, o próximo é o inimigo, concorrente ou nada. E sendo assim, não podem se igualar a esses. O instinto de prevalecer sobre os outros, que nada representam, será feito de alguma forma, ainda que essa forma custe-lhe também a vida. Outro fator que impulsiona o psicótico é o desafio lançado pelo investimento frenético dos países no item segurança. A histeria pela superproteção, a tentativa dos governos em aparelhar o estado com policiamento ostensivo, câmeras e as mais extravagantes parafernálias, estimula tais sujeitos a bolarem o “plano perfeito”, desafiar a própria inteligência para encontrar a brecha para o ataque. Num momento da humanidade onde o bem e o mal são relativos e irrelevantes, ser amado ou odiado pouco importa, o que vale é o temor, ser lembrado pela eternidade por um ato que marcou uma nação ou o mundo. Por isso, chamo a atenção de todos para a importância de formarmos profissionais dispostos a estudar os efeitos da sociedade no momento sobre a mente humana. Há décadas que o mundo mergulhou num sistema pingue-pongue de combate a inimigos que o próprio sistema cria e alimenta. Nunca haverá penitenciárias suficientes para todos. Nunca a pena de morte intimidará as pessoas determinadas a provocar um evento sinistro de alcance mundial. Precisamos de estudiosos da sociedade e da mente humana, que sejam ouvidos por governos, empresários e autoridades religiosas. O efeito globalização, da internet ao alcance de todos, os “big brother” da vida...com a privacidade comprometida, todas as psicoses serão vistas e sentidas. Já não há espaço para vergonha ou bons mocinhos. O show, o espetáculo, não é obrigado a seguir regras porque o mundo se rendeu à banalização da vida. Cada um por si. E isso não justifica o cruzar dos braços das autoridades. O poder está justamente nesses veículos de comunicação, a mídia poderosa. Ela tem o poder de transformação. Mas a transformação não interessa aos governos. Os “inimigos” são necessários, por mais que continuem ameaçando e levando vidas. Se encontrarmos a cura, a indústria de remédios irá à falência. É mais conveniente vigiar os psicóticos do que investir na prevenção, na formação dos profissionais citados acima. O maior dos terrores é o despertar da consciência e entender que o terrorismo saiu da base ideológica e mergulhou na base psicológica. Alimentado pelo atual estágio da humanidade.

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