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O povo

O povo

Eis uma pergunta difícil e complexa: O que é o povo? Nos bastidores da política tradicional, uma resposta unânime seria mais ou menos assim: "é a massa que te dá poder, mas você não pode se envolver". Resumindo: precisamos das pessoas, mas à distância. Tanto é verdade que período eleitoral a caça aos votos não vê obstáculos. Os tímidos conseguem vencer a timidez para um corpo a corpo, os preconceituosos "deixam o preconceito de lado" para entrar numa favela e até a implicância religiosa dá uma pausa para conseguir arrebanhar os adeptos de outra religião para as urnas. Sempre foi assim, e continua sendo. É comum ouvirmos a expressão: "A voz do povo é a voz de Deus". Mas a visão do povo depende do interesse particular de cada um. Quando se fala "povo" eu também não estou incluído? Eu não faço parte dessa massa? Ao que tudo indica, algumas pessoas possuem "algo mais" e possuindo esse algo mais, já estão acima do povo. São os "líderes", que vão administrar a mão de obra desse povo ou a sociedade através de cargos públicos. Aqui começa o confronto, já que todos são iguais perante a lei, mas nem todos podem usufruir dos confortos da moderna vida urbana.

Esse círculo vicioso social, ou "sistema", obriga-nos a ter jogo de cintura para sobreviver, fazer com que os outros acreditem em você numa sociedade em que ninguém confia em ninguém. O eterno confronto bem x mal. Por isso, o mundo político e empresarial está cheio de traidores. O homem parte sempre para o caminho que lhe será mais vantajoso.

Nesse cenário cenário desanimador, é comum encontrar pessoas fugindo da luta, "se rendendo" ou se isolando de tudo e de todos. E não é esse o caminho.

Durante minha tímida adolescência, refugiava-me no mundo intelectual. E assim, extremamente observador, descobri que tudo o que via e escrevia precisava ser transmitido. As primeiras leituras em sala de aula foram o pontapé inicial. Criei meu próprio jornal e um clube para reunir leitores e amigos. A perda da timidez na oratória me levou a subir os degraus. Vieram as palestras. Até finalmente as pesquisas. Driblei então os últimos obstáculos de acesso ao povo.  É verdade que para muitos faltaria tempo para esse tipo de contato, mas tempo pode ser pretexto para falta de coragem. Afinal, como citei no início do artigo, o envolvimento é risco que poucos se sujeitam. Numa sociedade onde é gritante o caos na segurança pública e a maioria quer se refugiar em grupos seletos, penetrar no meio do fogo cruzado onde ninguém sabe quem é quem, pode parecer suicídio.

Lembre-se então que tal como a fé sem obras é morta, a teoria sem prática também é morta. Tive a fase de teoria, agora é prática. O aprendizado social não acaba. Tudo está em constante transformação, e ninguém consegue acompanhar essas transformações trancafiado em casa, devorando livros e internet. Aves em gaiolas podem estar livres de predadores, mas morrem cedo, doentes e estressadas. Aves que vivem livres, podem ser vítimas dos predadores a qualquer momento, mas podem ter vida longa usando as habilidades que a própria natureza lhes ensinou para desviar dos predadores. Assim escolhi. Voar livre. Tenho imensa bagagem de palestras, viagens etc. A pesquisa de iniciativa própria foi construída a partir da experiência como pesquisador do IBGE em 1991. Já é a maior pesquisa de consulta pública sobre hábito de leitura feita por uma única pessoa. Assim sendo, parte dos artigos mensais neste site serão baseados nos fatos curiosos que a pesquisa tem proporcionado. A cultura popular. Eis uma boa palavra para designar "povo": cultura. Não há cultura sem povo, nem povo sem cultura. Por mais ignorância e caos em determinado lugar, algum tipo de cultura há. Por mais bizarra ou pequenina que seja, há um tipo de cultura. Pode haver ausência de tecnologia, de alfabetização... mas nunca haverá ausência de cultura. Afinal, os silvícolas também tem a sua cultura!

 

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