Boa noite!

OS PALAVRÕES NA LITERATURA

OS PALAVRÕES NA LITERATURA

 

     Primeiro São Paulo. Depois a polêmica foi em Minas Gerais. Se livros paradidáticos com palavrões passaram pelo crivo de Secretaria de Educação e chegaram às escolas, podemos deduzir que:

a)      A tolerância veio para ficar

b)      O controle do material é mal feito

 

     Depois do recente episódio do vazamento das provas do ENEM, ficou mais que claro que já não existia mais controle sobre nada. Mas fico com a primeira alternativa.

     Com o fim da censura nos anos 80, a liberdade de expressão encontrou caminho livre para seguir adiante, sem sinais vermelhos nem amarelos. E assim, atropelou obstáculos culturais e religiosos. Quem não sabia separar o joio do trigo, “dançou”. As informações estão aí, quem não souber interpretar, “que se vire”.

     A liberdade de expressão é um dos mais sagrados direitos numa nação democrática. O problema é que no Brasil, a liberdade de expressão encontrou terras férteis para semear o joio. E a liberdade nem sempre é garantida em meios de comunicações que se encontram nas mãos de políticos. A ordem política de usar, usurpar, explorar e usufruir, continua a mesma desde os tempos imperiais, só com a diferença nas técnicas para manusear a massa. Para comprovar isso, basta acompanhar os passos das produções artísticas (ou dita artísticas). As belas produções da Vera Cruz, as chanchadas e o declínio da sétima arte brasileira. A invasão norte americana com sua forte ideologia e a pornografia brasileira. A essência artística foi despedaçada pelo objetivo do lucro ilimitado. “É o que o povo gosta” – justificam-se. E assim, continuamos. O que o povo de hoje gosta? Saber da vida alheia (o “big brother”), a violência sensacionalista, e o sexo. Claro, ninguém irá admitir publicamente que gosta disso, afinal, todos frequentam suas igrejas. Mas caem na tentação. Na alienação. Na moda. E a moda está nos colégios. As gírias. Como estabelecer diálogo com a nova geração? Participando desse mundo, por mais que não concordemos com ele.

     Os escritores com os pés no chão do mundão, não descem o nível. Simplesmente reproduzem fielmente o que acontece nos bastidores da sociedade. A realidade que choca, que muitos escondem. Não é porque fulano nasceu em berço de ouro e estudou nos melhores colégios que ele não fala palavrão! Assim como no túmulo todos são iguais, na hora da ira e do prazer todos falam e fazem as mesmas coisas.

     Não estou tentando defender os palavrões na literatura, nos livros didáticos ou paradidáticos. Assim como o mundo evoluiu, deixou de ser o centro do universo, discutiu o divórcio e o casamento entre iguais, está na hora de discutir o que é palavrão ou o que já não é mais palavrão. O que não admito, é a omissão, “tirar o corpo fora”, banalizar o ensino público.

     Precisamos separar o joio do trigo.

     Obra de arte que retrata a realidade admite a linguagem polida, coloquial e a vulgar dentro de determinados parâmetros. O que falta é debater quais são esses parâmetros. O livro Marvin por exemplo, traz, dentro da linguagem coloquial, expressões vulgares do cotidiano sem tornar a obra vulgar. Portanto, o que está faltando aos “coronéis da educação”, são critérios técnicos. E boa vontade para identificar o que traz o aluno para o hábito da leitura sem apelação, sem alienação. A questão não é o palavrão. É a mensagem do livro, daquela estória, daquela obra. Enquanto os “puritanos” se preocupam com palavrões, não observam a invasão cada vez maior dos erros ortográficos no dia-a-dia; em jornais, periódicos, mapas, listas telefônicas, informativos, placas de sinalização...

     O radicalismo é perigoso quando se refere aos paradidáticos. Já no caso dos didáticos é diferente. Mapa da América do Sul sem Equador e com dois Paraguai? Tolerância zero!

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