Boa noite!

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PELOS CAMPOS DO SENHOR

     O título pertence a uma ou mais músicas evangélicas, que já passaram por minhas mãos. O escritor viajante aqui já viu de tudo por este mundo afora, inclusive visualizou lugares que poderiam ser comparados ao paraíso (força de expressão?) ou aos tais “campos do Senhor”. Diferente da maioria, que enxerga os campos limpos (nos dois sentidos), pastos verdejantes ocupados por animais domesticados e famílias imaculadas, vejo o habitat natural como a extensão de uma sociedade que poderíamos alcançar sem “milagres” ou arrebatamentos exclusivistas.
     Os tais campos idealizados existem. Estão apenas a espera dos soldados. Soldados conscientes de que sem união tudo continua sendo sonho. Os louvores o vento leva e somem no espaço. Ações movidas por espíritos determinados não somem. A pessoa determinada não fica esperando “o outro atirar a primeira pedra”. “Se meus pais não fizerem, eu não faço, se meu namorado não for, eu não vou...” O atraso da evolução humana é decorrente de pensamentos mesquinhos e ações banais. O que mais distancia o homem do Deus criador não é o pecado, e sim a ignorância. E ignorância não é somente fruto de pouco estudo, mas de vícios inconscientes, manias e preconceitos. O pecado tem seu peso, mas ele diminui conforme o homem deixa de ser ignorante.
     Visualizar os “campos do Senhor” através de belíssimos louvores é de fato magnífico. Dá para chegar ao êxtase, a um raro momento de comunhão com os anjos. E depois? O soldado sai às ruas, não atrapalha ninguém mas também não ajuda. A praça em frente a igreja continua suja, com mendigos e viciados. Problema da prefeitura? Não, problema de todos nós. Alguns dias atrás assisti uma matéria na TV, sobre um grupo de estudantes de uma cidade pequena que desembarcou num bairro periférico de Sorocaba e fez um trabalho exemplar de cidadania. Limparam praça, calçada e pintaram muro e casa de uma senhora humilde. E o principal: a reportagem não citou se os jovens eram de escola x ou igreja y. “Que sua mão direita não saiba o que a esquerda fez”. Um ato de amor e cidadania perde todo seu valor quando é feito por promoção pessoal, partidária ou doutrinária. A ignorância se mantém quando as emoções se sobrepõem à realidade. Uma praça urbana se transformou no “campo do senhor” com uma atitude cidadã. Enquanto alguns ficam louvando por um campo ilusório, que não se transforma em realidade, outros põe a mão na massa, e sem levantar bandeiras, fazem “o milagre ocorrer”. Para aquela senhora humilde, sorteada aleatoriamente, foi um ato de amor que jamais esquecerá.
     Muitos campos estão a espera de voluntários, soldados verdadeiros, e não soldadinhos de brinquedo, fantoches de igrejas ou “cupinchas” de políticos. Os “campos do Senhor” podem começar a virar realidade em seu bairro. A praça. O campo de futebol. O parque. Um bairro transforma uma cidade. Uma cidade transformada transformará os arredores. Cidades transformadas começarão a transformar um estado. E só dessa forma conseguiremos transformar em “campos do Senhor” os campos infernais que abundam por este país: latifúndios dominados por pistoleiros, famílias nômades em busca de terra, famílias em regime de trabalho semiescravo, grileiros e oportunistas. É pura hipocrisia cantar “os campos do senhor” todo dia, toda semana, ignorando os campos da realidade. Deus não quer elogios mecânicos, palavras maravilhosas e braços levantados na igreja se fora dela os braços se cruzam. Por mais bela que seja uma canção, ela é inútil, não possui valor nenhum se não é transformadora do homem num cidadão capaz de transformar a realidade de seu bairro, sua cidade...e tenho dito!

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