Boa noite!

Pérolas aos porcos

Pérolas aos porcos

 

- Achei uma rata...

- Achei outra...

- O que vc ta fazendo?

- Teclando pra vc dãã...

- Rsss...e aí, vai no pagode sábado?

- Naum sei, ele naum me deu certesa

- Ele quem?

- Rsss...boba

- O Cláudio ou o Jé?

     Esta é uma típica conversa entre adolescentes que certa vez tive o desprazer de acompanhar pelo MSN de um computador no comércio.

     Antes que alguém venha me atirar pedras, faço um pequeno resumo de alguns fatos cotidianos que tem crescido assustadoramente em nosso país nos últimos anos.

- Péssimo atendimento nos órgãos públicos (por telefone, um vai passando para o outro e só depois de uns 5 ou 10 minutos você consegue a informação que procura);

- Mau atendimento no comércio e empresas;

- Erros grotescos nos jornais impressos e até nos livros didáticos;

- Falta de mão de obra qualificada

     Sem dúvida, os mais impressionantes de um ano para cá foram do caderno do aluno com “dois paraguais” e o vazamento dos dados pessoais dos alunos do Enem na internet.

     Para que está servindo tanta tecnologia no mercado, tantos lares com computadores se a incompetência profissional cresce sem controle? Não, não sou um chato ou defensor obsessivo da ética e da disciplina. A liberdade de ser e agir é um princípio imutável dos direitos humanos, mas é preciso lembrar que sua liberdade acaba onde começa a minha. Além de respeitar o território alheio, uma sociedade só não é caótica quando existe disciplina. Todos querem ser bem atendidos. Todos tem direito a um profissional qualificado e competente, e esse profissional só passa a existir quando ele coloca o ser humano acima de seu interesse financeiro. Se eu vou a um médico, quero encontrar um médico ser humano que vai cuidar de ser humano, e não de número, estatística.

     Mas o que a conversa de MSN tem a ver com isto? Tudo. Jovens e adolescentes, preocupados apenas com suas diversões momentâneas, serão os profissionais do futuro. Que cuidarão de nossos filhos, netos. Qual a bagagem profissional que trazem? Sim, existe o horário de lazer, da diversão virtual... mas eles tem noção de horário? Tem controle sobre seus impulsos? Organização? Poucos. E esse quadro é reflexo da omissão de todos, em primeiro lugar do sistema político, que coloca o mercado acima da educação; em seguida vem as igrejas, pois somos um país cristão mas a cidadania não é colocada entre as prioridades (o ser humano vive em sociedade, e não em doutrina); e finalmente a família. A inversão de valores leva muitos pais a acharem bonito o filho garanhão, com muitas meninas, e as filhas se impondo diante das outras (a dona do pedaço). A superexposição que o mundo virtual proporciona é uma faca de dois gumes: a exposição de seus dons e talentos abre as portas para empregos, sucesso profissional. Já a exposição de conversas medíocres, ataques pessoais e erotismo, fecha as portas profissionais e abre as portas dos maníacos, pedófilos e facções das mais variadas modalidades do crime. Exagero? Não. Informe-se. Observe quantos crimes ocorreram no último ano no Brasil, originados através de um romance virtual ou provocações em comunidades de sites de relacionamento. Enquanto o país carece de mão de obra qualificada (e muita gente precisa dessas vagas), muitos desperdiçam tempo e oportunidade. Possuem computador em casa mas perdem o dia fazendo fofocas e procurando encrenca. É até um desabafo pessoal. Até pouco tempo atrás, eu era um escritor que utilizava máquina de escrever! Cheguei tardiamente ao mundo virtual para alavancar meus trabalhos literários. E há menos tempo ainda, usava computador emprestado, de amigos, parentes ou no comércio onde trabalhava. Eu precisando de computador para um bom propósito e pessoas a minha volta, com um computador de última geração nas mãos, utilizando-o para banalidades, fofocas, visitar sites de pornografia, etc. É revoltante. A tecnologia está aí, acessível para quem queira crescer profissionalmente. Mas o povo não está preparado culturalmente nem espiritualmente.

     Culpa também de boa parte dos empreendedores, empresários. Pelo fato de muitos estarem atrelados a uma política suja, não tomam iniciativas que mudem o perfil da sociedade. Muitos tem recursos para isso, mas iria contra os interesses do poder público local. Uma prova, os poucos que investem em capacitação trazendo profissionais imparciais. Vivemos ainda sob a cultura imperialista, onde só é valorizado o profissional que traz na bagagem um sobrenome de peso e gorda conta bancária. Outros, sem sobrenome tradicional, crescem nas costas dos órgãos públicos (partidos políticos, apoio, apadrinhamento). Na própria cidade onde nasci, ainda ouço: “por que você se filiou a esse partido? Conselho de amigo, se você não trocar de partido, as portas não se abrirão para você”.

     Esse é o motivo do atraso cultural da nação chamada Brasil. E é por esse e outros motivos que hoje temos a realidade do crime organizado. Começou com o crime organizado do colarinho branco, e chegamos ao crime organizado dos sem-teto, sem cultura (que hoje correm atrás dela e do estudo das leis) e trazem o argumento que ninguém pode rebater: “cresci no país onde é cada um por si”. E sou prova disso. Por ter trilhado o caminho da honestidade e da imparcialidade, estou atrasado na publicação de meus trabalhos literários. Desde os anos 80, muitas idéias que foram perdidas na papelada, apagadas na memória, por falta de apoio de quem deveria dar. Poderia já estar com 15 livros publicados e roteiros em andamento. Mas muitas pessoas a minha volta se renderam ao desânimo, ao pessimismo e ao modismo. Colegas que não conseguem se libertar de um círculo de amizade que só atrasa (balada, sexo e fofoca) ou de uma religião que tudo proíbe. Outros, trilharam o caminho mais fácil, se encostaram num partido dominante que abre todas as portas (eles só não se lembram da lei do retorno nessa hora).

     Restou caminhar sempre sozinho, porém consciente. Consciente de que as dificuldades nos fortalecem, e que o caminho mais difícil é o que conduzirá ao porto seguro. Nem mesmo a facilidade do mundo virtual tive, ao contrário da maioria, que tem a faca e o queijo nas mãos... e prefere se entregar à alienação... “né, rata?” Que seu filho não precise de médicos daqui alguns anos, pois com a dedicação dos estudantes de hoje e as fraudes nos exames, não sei se daqui 5 ou 10 anos teremos bons e confiáveis profissionais.

 

 

    

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