Boa noite!

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PESSOAS BOAS

  Fala-se muito em “pessoas boas”. “Fulano é bom”. “Sicrano é ruim”.
  Afinal, como definir o que é bom ou ruim numa pessoa? A pessoa possui características boas ou ruins ou é de fato boa ou ruim?
  Generalizar é um mau hábito social, e o que pode ser “bom” para determinada pessoa, não é para outra. Por isso, parece ser um debate inútil.
  Este artigo para reflexão não vem colocar um ponto final, mas alertar sobre a importância de se separar as duas coisas.
   Não existe pessoa “um pouco boa” ou “um pouco ruim”. Ou é boa ou não é, da mesma forma que não existe “meio virgem” ou “meio grávida”. Ser bom ou ruim é questão de caráter. O sujeito é bom e ponto final, porém ele não é perfeito e também erra, comete pecados e enganos. Logo, errar, cometer pecados e até delitos não significa que ele seja mau. Da mesma forma que o sujeito ruim possui, lá dentro dele, qualidades e dons, que com certeza não exercita porque não quer. Eis o perigo de apontar o dedo e dizer: “aquele cara não presta, é ruim”. Calma, ele pode ter feito algo errado mas não é ruim. E do outro lado, glórias e aplausos ao fulano, “veja o que ele fez!” Ora, praticar coisas boas todos praticam, inclusive a pessoa má também pratica grandes obras, justamente para esconder a maldade!
  Abundam profissionais na área da psicologia, psicanálise e afins. No entanto, não existem profissionais para analisar profissionais, da mesma forma que não existem fiscais para fiscalizar fiscais. Estamos a mercê da maldade queiramos ou não, justamente porque a sociedade não define o que é bom ou não para o ser humano. Não existe uma lei que diga: “isto prejudica o mundo e não deve ser feito, sob pena de morte”. Cada nação possui a liberdade de criar suas próprias leis, muitas vezes beneficiando estritamente ela própria em detrimento da outra. Refletindo sobre isso, chegaremos a conclusão de que toda maldade nasce de um poder maior estabelecido. Se ninguém é perfeito, a dualidade está dentro de cada um. Portanto, a pessoa definida como boa é aquela que tem o controle sobre o mal, evitando que o mal prejudique o seu próximo e a ela mesma. Enfatizo bem, a pessoa boa não é isenta do mal. Nem as pessoas canonizadas, vistas (ou provadas) como santas viveram isentas do mal. Sob meu ponto de vista a respeito da religião católica, o “santo” é aquele que venceu toda sua fraqueza carnal, não utilizou a outra ferramenta para prejudicar o próximo. Passar uma vida toda sem manusear tais ferramentas é digno de alguém forte, ou seja, bom.
   Este assunto no entanto pode ser baboseira para muitas pessoas, que inclusive estão lendo este artigo. Por quê? Porque não existe na vida dessas pessoas bom ou mau, Deus ou demônio. A vida do ser humano para tais pessoas é regida somente por algo denominado força. A vida é conduzida pelos fortes. Quem possui o conhecimento da força para manipular, dominar, é o vencedor. Se existem fortes, vencedores, é porque naturalmente existem os fracos, dominados. A riqueza não é possível sem estar sustentada em cima da miséria. Nessa forma de raciocínio, as expressões “bom e mau”, positivo ou negativo caem, pois não se trata de ser bom ou mau, mas de algo acima disso, definido de forma bruta como “lei da evolução”. Nos bastidores da política encontraremos facilmente a seguinte formulação: “se quer ser um de nós, depende somente de você”. Ou seja, ninguém ajuda ninguém, pois no grupo seleto, o esforço do novato é o que o conduzirá ao grupo. Cada um caminha com suas próprias pernas. A princípio, parece ser o correto, pois ninguém se fortalece “ganhando tudo de mão beijada”. Porém existe o algo mais. E o algo mais é aquilo que jamais é falado, e sim descoberto pelos que trilham o caminho dos negócios. Não cabe aqui colocar a coisa em si, em estado bruto. Para os leitores descobrirem, pensem no seguinte; “quem deu a outra face, dará sempre”. Cristo veio ao mundo para servir, mas o mundo é constituído por servidos e serviçais. Na visão cooperativista, não existem servidos, pois se todos servem uns aos outros, os servidos são antes de tudo serviçais. Se colocarmos isso em prática, estaremos caminhando para o que chamam de “comunismo cristão”, e isso, como dizem os que se beneficiam do sistema, é utópico. Ora, se é utópico, por que bancos, câmaras municipais e demais órgãos dos governos possuem crucifixos na parede? Por que ostentar algo que não é objetivo de ninguém ali? Simples: conquistar a opinião pública. O povo é religioso. Seria escandaloso os donos do poder admitirem que estão acima do bem e do mal (e que de fato estão). Quem está acima do bem e do mal, não pode ser classificado como bom ou mau. Para evitar o questionamento acerca do assunto, entra em cena algo chamado caridade. A caridade é uma ata nas mãos do cidadão; praticando sustenta a pobreza, se abolir, piora a situação. Para não piorar a situação da miséria e da pobreza, ela está em todos os lugares, e se multiplica. Só que por mais que se multiplique, não é a cura para a miséria e a pobreza. Como disse, ela alimenta. Mantêm a pobreza sob controle, e é esse o objetivo daqueles que estão no poder. Isso já não é segredo, tanto que o termo caridade, por mais que amoleça o coração das pessoas, já causa desconforto e desconfiança. Políticos evitam usar a expressão caridade porque soa como hipocrisia. No entanto, a maior de todas as hipocrisias é a imagem de cristãos. Se você admite que o comunismo cristão é utópico, você não é cristão! Se a igualdade colocada por Cristo é inviável na sociedade, por que dizer que é cristão, seguidor de Cristo?
Como falei lá no início; não existe meio termo, ou é ou não é. Ou crê na mudança ou não crê. Ou trabalha pela mudança ou trabalha pela manutenção do que aí está. Se optar pela neutralidade, estará sendo omisso, e a omissão, como disse Martin Luther King, é a pior das violências, pois favorece o crescimento daquilo que prejudica a humanidade. Se o voto é a arma do cidadão, de nada vale se as pessoas não sabem analisar o caráter da pessoa em quem está votando. Relembrando, bom ou mau é questão única de caráter. Todos lá trazem os mesmos defeitos que os nossos, mas se estamos dando poder a alguém, poder é responsabilidade. “Dos que mais tem, mais será cobrado”. Se o trecho bíblico fosse seguido a risca, não teríamos essa enxurrada de pessoas almejando cargo público. Nessa hora, todos são os “bons samaritanos”. Quando chegam lá, já não são bons ou maus, pois estão acima disso! Bela arma! Mas se esquecem da lei do retorno, infalível, independente do sujeito ser ateu, cristão, budista, maçom, etc. A lei do retorno não vê identidade religiosa, e sim o conteúdo daquilo que praticamos dentro da dualidade bem ou mal... que nós ainda não sabemos definir!

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