Boa noite!

POLÍTICAS E PLANEJAMENTO URBANO

POLÍTICAS E PLANEJAMENTO URBANO

 

     Depois da maior tragédia envolvendo deslizamento de encostas no Brasil, estou aqui observando a atitude dos políticos brasileiros. Estão caladinhos diante das afirmações dos técnicos em geologia, técnicos ambientais e vários outros técnicos que existem nesta nação, técnicos que abundam mas talvez por falta de interesse político ou questões ideológicas, não estão atuando como deveriam. O Brasil é um país “cômico”, engenheiros e outros profissionais reputados muitas vezes estão trabalhando como vendedores ou até na informalidade porque não conseguem trabalhar na área que estudaram. E não é por falta de empenho do profissional, é por questões políticas. Façam uma varredura nos órgãos públicos de todos os municípios brasileiros e vocês descobrirão muitas pessoas “trabalhando” em área que não possuem o mínimo conhecimento. São cargos comissionados ou frutos de maracutaias nos próprios concursos públicos. Investigando um pouco mais a fundo, vem a revelação: o sujeito que ocupa o cargo é parente, amigo ou trabalhou na campanha do prefeito eleito.  Bom, se em órgãos públicos o problema é esse, por que não trabalhar no setor privado? Talvez seja uma chance... desde que a empresa não esteja ligada ao órgão público, uma relação que prolifera pelo país por pura conveniência. Seu currículo pode ser ótimo, mas vão investigar sua vida para saber de que lado (político) você está. Se não estiver a favor da situação, quando menos esperar você perderá o emprego. Alguns marinheiros de primeira viagem, “ingênuos”, ainda não sabem por que perderam o emprego se trabalhavam bem.

     Essas MAZELAS da política brasileira fizeram com que o Brasil entrasse no clube dos emergentes trazendo uma bagagem “terceiro-mundista”: a violência e a falta de planejamento urbano.

     O assunto é extenso, um breve resumo inclui as políticas públicas de 40, 50 anos atrás lá no interiorzão do país. São João Bosco sonhou com uma atitude que tinha tudo para dar certo: a construção de Brasília. Juscelino foi iluminado, a localização de Brasília permitiria o desenvolvimento urbano equilibrado de toda a região central do país, incluindo o sertão nordestino. Nasceu Brasília mas logo foi tomada pelos militares de extrema direita. Brasília virou a “princesinha das mãos de ferro”, e lá ficou, intocada enquanto o restante do país fez o dever errado: as capitais foram inchando, formando as regiões metropolitanas num terrível cinturão de pobreza e miséria. Esse cinturão era a mão de obra barata dos operários da construção civil, das empregadas domésticas das madames, enfim, o povo que teve toda a liberdade para construir nas encostas, morros, topos de morros e beira de rios e córregos. Nenhuma autoridade falou nada porque isso era “progresso”, crescimento da cidade, gente para utilizar ônibus e trazer empresários para fortalecer a economia. E assim, formaram-se ricas cidades pelas mãos da periferia, periferia que só de alguns anos para cá começou a receber postos de saúde, rede de água e esgoto, asfalto e alguma coisa mais. Só que se esqueceram do principal: boa parte da periferia está em lugares que jamais deveriam ter sido ocupados. E o troco da natureza violentada começa a aparecer nas enchentes e deslizamentos. Ano a ano as tragédias são maiores porque o asfalto não permite que a água escoe. O lixo não permite que a água escoe. Os rios são assoreados. A retirada da mata nos topos de morros e encostas enfraquece o solo. Disciplinas que nunca constaram no currículo escolar. E não adiantaria, pois a pressão política sobre a sociedade não permite que o cidadão faça o certo. Como morar nas áreas centrais se o aluguel e o terreno são caríssimos?

     Durante a pesquisa sobre hábito da leitura num bairro periférico de Francisco Morato, conversei com um estudante de DIREITO. O rapaz, envolvido com o movimento da periferia, mostrou-se revoltado com a forma que a questão ambiental é praticada no Brasil; “o bacana chega com toda a grana, consegue autorização, desmata e constrói sua casa de luxo ou um condomínio no meio da mata virgem. Se é um de nós que chega para construir ou retirar uma árvore que está atrapalhando a frente da casa, vem multa e prisão...por isso eu não gosto de falar em meio ambiente”.

     Este exemplo ilustra bem a dificuldade que vai ser tratar da questão com o povo ou nas escolas. Para a população entender e praticar a cidadania ambiental, o exemplo precisa começar LÁ EM CIMA. Enquanto a elite e a classe política não derem exemplo de honestidade, não vai ser possível mudar a realidade e nem colocar em prática (tardiamente) um planejamento urbano. O que for feito agora nas capitais e regiões metropolitanas, será conserto do estrago e com um preço alto. É ignorância também falar que estas cidades conseguirão manter essa população em novos bairros fora das encostas, margens de rios e áreas de mananciais. Nem revitalizando as áreas centrais e construindo aqueles “apartamentinhos” tipo Cingapura não será possível. O planejamento urbano pede mudança na forma de fazer política pública e intercâmbio entre prefeituras, este muito mais difícil devido às eternas picuinhas partidárias. Muita gente que hoje está nas capitais, gostaria de voltar para sua terra, mas não volta porque em sua terra não há riqueza nem trabalho. Politicagem! A riqueza interiorana abunda nas mãos de meia dúzia de famílias, os coronéis, os senhores supremos de pequenas cidades pelo interior deste país. Acabe-se com esse coronelismo e faça-se cooperativas que haverá geração de renda e riqueza no interior. Brasília foi construída e teve o mesmo destino das demais capitais: as cidades satélites viraram cinturão de pobreza e consumo de drogas. Acima de Brasília, não se vê cidades como São José dos Campos ou Ribeirão Preto. Só latifúndios e miséria. Pudera, a BR 020, a famosa Brasília-Fortaleza, some no meio do sertão nordestino por falta de investimento. Esta rodovia, se não tivesse interrupções e boa parte do trajeto fosse duplicado, alavancaria a economia do país. O transporte de carga por caminhões que atravessam essa região central tem um prejuízo enorme devido a volta que são obrigados a dar para chegar ao Ceará, por péssimas estradas e risco iminente de assaltos (nessa região só se viaja em comboios).

     São João Bosco e Juscelino, onde estiverem, devem estar chorando, porque Brasília, uma bela cidade planejada, não serviu de escola ao país. Não serviu como inspiração para os políticos que vieram depois, pelo contrário. A corrupção e o autoritarismo se instalaram e se espalharam por todo o país, e continua mesmo depois da “abertura democrática”. O autoritarismo de agora é sutil, mas existe.

     O planejamento urbano para sair do papel e funcionar, precisa passar por aquelas duas coisas que citei. Reformas em capitais e RMs não resolvem. O país precisa de desenvolvimento no interior. Precisa gerar riqueza, cidades ricas em regiões miseráveis que ainda são dominadas pelo coronelismo, como o Vale do Jequitinhonha, os sertões baianos e cearenses. O próprio estado de São Paulo possui regiões pobres, como a região de Apiaí, Itararé, Itapeva, que depende de Sorocaba para emprego, estudo e saúde. Nem o estado mais rico da nação é exemplo. O governo paulista precisa vestir a carapuça e assumir uma nova forma de fazer política pública e desenvolvimento. Cadastre-se todas as famílias em área de risco (e também os moradores de rua). Uma parte fica e será colocada em bairros decentes, com toda infraestrutura. Outra parte volta para sua cidade de origem. Por que a família se viu obrigada a sair? Cada município deve cuidar de suas famílias. É obrigação de cada município gerar mão de obra e riqueza. É obrigação de cada município oferecer estudo e saúde de qualidade aos seus moradores. É obrigação de cada município cuidar de seus menores, inclusive os que cometeram delitos. Por sinal, município que cuida de seus cidadãos, não possui menores infratores e muito menos cidadãos na vida do crime.

     No Brasil existem muitas leis estúpidas, que não servem para nada. E outras que beneficiam apenas uma pequena parcela da sociedade. Precisa haver uma reforma legislativa e criar uma lei que obrigue todos os municípios ficarem interligados. Para que existe a internet? Para ver pornografia e fazer fuxicos? A internet é a melhor ferramenta para as prefeituras ficarem interligadas e PRESTAREM SERVIÇOS ENTRE SI. É só superar aquele problema crônico de diferenças partidárias, a grande maldição do país, PT e PSDB fazem guerra como torcidas organizadas dos grandes times brasileiros, que dispensa citá-los. Se os governos não superarem essas picuinhas partidárias e pegarem firme essa questão de meio ambiente e planejamento urbano, as catástrofes serão maiores daqui para frente. Tanto essas climáticas como as sociais, pois o crime organizado cresce justamente por causa do tratamento diferenciado que os políticos dão ao cidadão. Foi na ausência do estado que nasceu o crime organizado. E agora não adianta querer recuperar. A única forma é mudar as políticas sociais, que continuam erradas.

 

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