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PREFEITURAS IGNORANTES

PREFEITURAS IGNORANTES

 

 

     O título pode parecer pesado. Mas é o que melhor define o que algumas prefeituras tem feito em suas cidades. Ignorar a realidade do cidadão. O ignorante ignora porque não estuda a realidade, ou possui somente teoria, não tem prática porque não vai a campo.

     Certas prefeituras, através de suas secretarias, alegam fazer estudos técnicos antes de implantar algo. Mas um estudo técnico é inválido se conjuntamente não é realizada uma pesquisa abrangente para constatar a necessidade do cidadão, as dificuldades do dia-a-dia, que aos olhos distantes do poder público refletem uma coisa, na prática, vivenciando, é totalmente diferente.

     O exemplo que vou usar aqui é referente ao transporte público (ônibus). As encarroçadoras nacionais melhoraram e muito seus produtos para atender adequadamente e proporcionar conforto às pessoas que se utilizam do ônibus. A tecnologia visa facilitar a vida tanto do usuário como de quem dirige. Mas não adianta existir tecnologia se ela não é utilizada de acordo. Por exemplo, os letreiros eletrônicos que substituíram os de pano. O eletrônico necessita de manutenção e atenção o tempo todo, pois uma pane repentina prejudica totalmente a informação. Isso depende da empresa, já outra questão compete ao poder público, através do bom gerenciamento de uma secretaria. Itinerário e informação sobre o itinerário é responsabilidade dessas secretarias, que por estarem distantes do cotidiano de quem utiliza o serviço e da realidade social, cometem estupidez técnica ao invés de acerto técnico.

     O itinerário eletrônico pode ser programado para alternar nomes e informações. Se um veículo está em movimento, o tempo para ler será menor. Se o letreiro alterna três nomes diferentes, dificilmente a pessoa no ponto terá tempo para raciocinar os três nomes. Nem seria preciso fazer pesquisa, é uma realidade brasileira. Nosso povo, mesmo com mais escolaridade que nas décadas passadas, tem dificuldade para ler. Pessoas idosas (como constatei em minha pesquisa sobre hábito de leitura), possuem imensa dificuldade para ler letras pequenas ou nomes expostos de forma eletrônica. Ainda mais se o tempo de exposição é programado.

     As encarroçadoras fazem produtos para todo tipo de mercado. O uso de acordo desses produtos é responsabilidade de empresários e poder público. Os ônibus urbanos podem vir com caixas de itinerários na parte inferior para complementar o letreiro superior, e também na lateral e traseira. Esse é o veículo ideal para o transporte urbano, pois havendo duas caixas na frente do veículo, o passageiro não vai ser obrigado a ler o destino no tempo programado, e sim de acordo com a sua leitura. Se não deu tempo de ler na frente, o ônibus parando no ponto, exibirá o complemento da linha na caixa de itinerário lateral.

     É difícil acreditar, mas existem prefeituras que ignoram esses benefícios. Cobram veículos novos das permissionárias mas deixam o empresário escolher o veículo a seu bel prazer. Logicamente, todo empresário coloca o lucro acima de tudo, e vai escolher o produto mais barato, mais simples. No entanto, uma prefeitura com equipe bem informada, que conhece a área, saberia o que os veículos precisam ter para atender as necessidades do usuário. Por isso coloquei o título ignorância. Ignoram a realidade do usuário. Secretários não se dispõe a passar um dia na rua para constatar a dificuldade dos usuários em identificar a linha a tempo. Não passam sequer algumas horas num terminal para comprovar a falta que faz uma caixa de itinerário lateral. Só o tempo que os passageiros gastam para correr até a frente do veículo para ler a linha ou perguntar a linha ao motorista, no final do dia gerou atrasos significativos. Consequentemente os motoristas correm mais para compensar o atraso, gerando riscos de acidente.

     Indo um pouco mais adiante, o sistema de informação só se completa (em cidades médias com mais de 300 mil habitantes), com um sistema de cores por região nos próprios veículos (como existe em Piracicaba, Juiz de Fora, Campinas e outras cidades).

A divisão por cores é fundamental para a rápida identificação, pois não causa aglomeração nos pontos e facilita aos idosos e analfabetos. Para isso funcionar, as empresas precisam possuir veículos reserva em número suficiente para as regiões que opera. No entanto, secretarias que não trabalham corretamente e colocam uma empresa para operar três ou quatro regiões da cidade, inviabilizam o benefício da divisão das regiões por cores. Se são duas empresas no município, duas regiões para cada empresa. A frota é dividida em duas cores, o que é perfeitamente possível aos empresários; se fosse inviável, não existiria nas cidades que citei.

     Se o usuário é desrespeitado nessa questão de informação, só há duas hipóteses para definir a secretaria de transportes da prefeitura de sua cidade: ignorância ou conveniência para eles.

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