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QUARENTA E VINTE

     No repertório da música sertaneja nacional, existe uma canção que fala sobre o amor entre duas pessoas com diferença de vinte anos de idade. Ao chegar aos quarenta, pude vivenciar o fato, que virou mais um dentre tantos temas e assuntos que estudo. E como é bom estudar na prática, e não apenas na teoria! Coincidentemente, um amigo do mundo das letras também abordou o assunto em romance, já a caminho do registro.
     Se a lei universal diz que os semelhantes se atraem, existe uma energia nesse mesmo universo que faz o caminho inverso, levando os opostos a se atraírem em determinados pontos. Não quero entrar no polêmico dilema bem x mal, positivo x negativo, preto x branco. Seguir este ou aquele caminho não importa neste momento, o assunto aqui é para levar o leitor a mergulhar na natureza, que mantêm o equilíbrio graças a esse fator. No mundo animal, predadores ajudam a manter o equilíbrio das espécies. No mundo humano o termo “predador” não se enquadra, por isso outros fatores, ainda que “chocantes”, possuem um propósito que nem sempre fica bem claro devido a conceitos, dogmas e costumes sócio-culturais.
     “Nadar contra a correnteza” exige coragem. E corajosos viram mitos, ídolos, fazem história. Seres humanos raros (que são tão normais como todos os outros), inspiram outros raros a criar obras literárias e cinematográficas, que levarão multidões a viajar contra a correnteza. Assim, inúmeros casos de amor platônico encantaram gerações (ou também provocaram repúdio de muitos segmentos sociais). Essa “coisa” chamada amor, durante toda a história da humanidade, foi objeto de estudo, polêmica e loucuras. Não falo de paixão, obsessão ou atração. O amor, na sua mais pura essência, não engloba esses três. A paixão, a obsessão e a atração podem estar atuando como parasitas, e com o tempo levarão essa relação à ruína, ou no plano físico ou espiritual, ou seja, na vida ou na pós-vida. A paixão e a atração correspondem ao estágio inicial da relação, e devem ser superadas quando brota o verdadeiro amor. E é esse amor, que tudo supera, até mesmo os conceitos religiosos e científicos, que é o personagem deste artigo.
     Reza a cartilha que os adolescentes se envolvem, descobrem os prazeres da carne e aí surgem os primeiros sentimentos de paixão. O jovem, já experiente, leva adiante essas paixões e descobre os vestígios do amor. E finalmente o adulto, consagra essa relação, podendo abraçar esse verdadeiro amor... ou não, continuar navegando nas ilusórias paixões. Nessa teia tão polêmica e inspiradora de escritores e cineastas, encontramos as eternas dúvidas relacionadas a essa poderosa energia chamada amor. O convencional, ora prazeroso, ora cansativo, e o incomum ou bizarro, ora incriminado, ora atrativo. Aí estão as relações entre iguais, entre idades totalmente diferentes e outras. Como explicar? Não há como explicar! Nem cientistas, nem escritores, nem cineastas colocarão um ponto final na questão. Lembro aos leitores destas linhas que não estou falando de relação interesseira, e sim amor. Golpe do baú, interesse do “brotinho” na fortuna do idoso que “já está com um pé na cova”, é lugar-comum. Longe de classificar como amor tais situações, exaustivamente produzidas para a teledramaturgia. Cito minha própria experiência de vida. Ainda não cheguei a amar para pensar em casamento, no entanto, minhas relações, até esta data, sempre foram com pessoas mais novas. Quando adolescente, entre adolescentes. Quando jovem, entre jovens e adolescentes. E depois de adulto, todas minhas relações continuaram sendo com pessoas na faixa dos dezoito aos trinta anos de idade. Por quê? Eis o caso para pensar.
     Existe algo chamado afinidade. Tenho afinidade com essa faixa etária, que é o público de minhas palestras e ao qual dirijo minhas obras literárias. Essa afinidade pode estar ligada ao dom. Possuo o dom de dialogar com jovens e adultos até os trinta anos. Assim como vários outros profissionais possuem o dom de cuidar de crianças em creches ou os geriatras nos asilos. Se tenho uma relação profissional com tal público, é maior a chance de viver relações “amorosas” também entre esse público (não é regra!) Obviamente crianças devem ser preservadas de tais situações, no entanto podemos associar o carinho das crianças aos seus professores por exemplo. Hoje, com a decadência da realidade escolar brasileira, é difícil constatarmos essas situações, mas em minha época era comum o aluno estabelecer uma relação tão carinhosa com o mestre a ponto de tê-lo como um segundo pai ou segunda mãe. Com o idoso a relação também é semelhante. Mas separemos a relação de doação (que corresponde à amizade verdadeira) à relação de amor. Difícil um jovem de 16 ou 18 anos estar consciente desse amor, mas ele pode descobri-lo com essa idade. E descobrir que ama alguém da mesma idade, na faixa dos vinte, trinta ou até quarenta anos! E ser correspondido.
     “Quarenta e vinte”. Na obra “na boca do forno” de meu parceiro escritor, o adulto já possui o dobro dessa idade, ou seja, oitenta! E é amado por alguém muito mais jovem, com idade de neta. Impossível? Não, nada é impossível. Estudiosos das relações e da mente humana dirão que muitos jovens (ou não tão jovens) buscam no parceiro não um amor, mas a proteção de um pai ou uma mãe, que lhe deem a segurança que não possuem. É fato, isso existe aos milhões no mundo todo. Também podemos associar ao próprio estágio evolutivo do homem – as gerações y e z vivem num mundo onde tudo é rápido demais, consequentemente querem se relacionar com pessoas mais experientes, maduras. As bonecas foram trocadas pelos computadores. E os computadores, ainda que tenham a fama de vilões nas relações interpessoais – corpo a corpo – acabam estimulando a busca pela maturidade, ou, a relação madura, pois proporcionam diálogo. Quer queira, quer não, entramos para sempre na era da informação. E a informação derruba barreiras físicas, sociais, espirituais, amorosas... o homem informado é um homem livre. O enigmático sentimento de amor acompanha essa evolução, mas ainda está longe de ser definido, identificado. Em todas as relações que viermos presenciar, saibamos apenas separar o joio do trigo: a relação interesseira da relação verdadeira. Deixemos a explicação da essência do amor para o futuro da humanidade descobrir. Isso basta.
    
    

 

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