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O QUE É UM AMIGO

O QUE É UM AMIGO?

 

     Nas décadas de 70 e 80, multidões publicavam seus endereços em revistas e gibis para trocar correspondência, fazer amizade. Desde crianças de 8 anos até senhoras e senhores distintos de 70, 80 anos. Hoje, soa como aberração, loucura publicar o endereço onde quer que seja. Pedófilos e sequestradores estão por todo lado, até mesmo no bairro em que você mora (que pode ser um condomínio de alto padrão).

     Nem papas, bispos, gurus, pastores, magos ou políticos da espécie que sejam, conseguiram impedir que virássemos reféns do medo. A insegurança veio para ficar, por mais câmeras que se instale. Já falei em livro e artigo, a vigilância onipresente é utopia. O inimigo pode estar por trás de uma câmera (ou da web can) que te vigia.

     Se ficarmos pensando nesse mal do mundo atual, deixaremos de buscar o que de bom ficou para trás: boas e verdadeiras amizades. Mas o que é boa e verdadeira amizade hoje, onde sexo e amizade tornaram-se banais? Todos veem a palavra amigo no Orkut. Pedidos de amizade – “quer ser meu amigo no Orkut?” Todo mundo quer companhia, pertencer a algum grupo. Ainda que seja um grupo tolo, sem ideais, onde o que rola é papo fútil e azaração.

     Viver é ter os pés no chão e caminhar com pessoas que também tenham os pés no chão. Não adianta você estar dentro de um poço cultivando amizades que estejam igualmente dentro do poço. As amizades de “boteco”. De balada. O que um pode fazer pelo outro? Não se enganem vocês também que estão nos “altares”. As aparentes grandes amizades com pessoas de negócios, da mesma igreja...é na hora da dificuldade que você descobrirá quem são os verdadeiros amigos. Aquele que estará ao seu lado quando você mais precisar. Porque enquanto você está bem, proporcionando festas e outras diversões, todos querem estar ao seu lado.

     O que é um amigo? É aquele que não vive pedindo favores e também não vive só fazendo favores. É o que diz a verdade mesmo que essa verdade te desagrade. É o que humildemente te corrige e aceita por sua vez ser corrigido. É aquele que te ensina a pescar. É sempre bom porém não é bobo. Sabe dizer sim e sabe dizer não. Não manipula e não é manipulado. Sabe falar e ouvir. Não busca a conveniência ou o interesse egoísta, mas a troca de experiência. Enfim, o amigo busca no outro o meio de ambos chegarem ao ponto de equilíbrio. Quem quiser encontrar essa pessoa tão especial, comece cobrando de si próprio. Pois se todo mundo ficar somente procurando no outro, não encontrará. Para começar, precisamos de voluntários. Seja para ter!

     Em meu grande círculo de amizades, tenho algumas centenas de colegas. Amigos dá para contar nos dedos. Porém, alguns colegas pode ser que sejam amigos e ainda não descobri. Isso ocorre com todo mundo.

     Amizades feitas a partir da correspondência, que mantenho até hoje. Amizades feitas nas escolas. Até em lugares incomuns já fiz amizades, como fliperamas. Década de 80 era diferente. Por isso afirmo que vivi a melhor fase para amizades. Um dos melhores amigos que tive foi de 1983 a 1986. Uma época difícil no ambiente familiar, com meus pais cogitando a separação, tive uma excelente companhia para dar ânimo e força para superar a nova realidade. A amizade só não prosseguiu após 1986 porque ele optou por ir a favor da correnteza – vida de baladas, filho sem programação e consequentemente o tradicional casamento depois.

     Amigo é para troca de experiência; ensinar e aprender. As pessoas, inclusive os jovens de hoje, acham que uma relação de afinidade é ou deve ser namoro. Não é necessário. Nada impede um homem e uma mulher, ou dois homens e duas mulheres de serem amigos apenas. A malícia é fruto do meio, da fragilidade da mente diante de uma sociedade doente, carente e indisciplinada. A malícia é doença espiritual, onde tirar proveito do próximo “alivia” suas dores e traumas. Aprofundando no psicológico, a mente humana precisa “descarregar”, porém a forma que o homem encontra para descarregar é sempre prejudicial a si próprio ou ao outro. A questão é como descarregar sem prejudicar ambos.

     Assim, a malícia não se resume apenas a sexo. A malícia pode ser o interesse financeiro no próximo. O desejo pela beleza física do outro, para servir de instrumento de exibição (“Viram o que eu conquistei? Não sou fraco (a) não!). E temos ainda os desejos de “segurança”. Pessoas inseguras que colocam na cabeça que são incapazes de encontrar segurança se não tiverem um namorado, um marido... Sim, duas pessoas batalhando juntas é um objetivo nobre, força em dobro. Mas me refiro aos que buscam o próximo para se encostar. Os (as) sanguessugas. A segurança é apenas um argumento, o interesse é sugar. Ou enganar a incapacidade pessoal que acha que tem (ou se acomodou com a ideia). Aqui temos o exemplo de mulheres que sofrem violência de seus companheiros mas se calam e aceitam porque “é ele que sustenta a casa, a família”.

     Por tudo isso, encontrar um amigo é como encontrar uma agulha num palheiro. Para ser menos difícil, comece por você. Não importa se é solteiro (a) ou casado (a). Se na vida de um casal existe confiança mútua, não há porque não se ter amigos. Só a união de todos salvará a sociedade do abismo em que ela mesma se atirou.

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