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OS SALVADORES DA PÁTRIA

OS SALVADORES DA PÁTRIA

 

 

     O momento é bastante oportuno para o assunto. Queda de reis, ditadores e presidentes autoritários, que se julgam os “salvadores da pátria” tem ocorrido com mais frequência de uns tempos para cá. Como chegaram ao poder?

     Todo homem tem o lado da força e o da fragilidade. Alguns se entregam à fragilidade e esperam que o forte comande suas vidas. Outros, sabendo como manusear a fragilidade dos demais, sobem ao poder por utilizar essa força a seu favor. O caminho mais utilizado é saber construir a sua imagem. Pessoas frágeis e carentes gostam de cultuar o mais belo, o melhor orador, aquele que transmite segurança. Ingenuamente, dizem que se espelham em artistas, políticos e mestres de todo tipo. Não é real. Não se espelham, cultuam. E aqueles que são cultuados, depois que sentem o prazer de ter a multidão aos pés, não querem outra vida. No mundo artístico não é geral, mas no mundo político, 99% dos casos são assim.

     Neste ano de 2011 toda a mídia está voltada para a Líbia. Kadafi, homem inteligente e com todas as armas a seu favor em mãos, ditou as leis para a salvação de seu país. O tal “livro verde”, assim como a bandeira líbia, é sua forma de pensar e como o povo deve pensar e ser. Na época, um jovem inteligente, talvez fosse o tão esperado mestre, iluminado, que transformaria o país numa nação autossuficiente. Toda pessoa determinada, impõe respeito diante de uma massa que deseja ser servida. O paternalismo floresce diante da dupla “conformado & omisso”. Depois que o povo abaixou a cabeça por “miséria sustentável”, fica difícil reverter o jogo.

     Os “salvadores da pátria” podem chegar facilmente ao poder quando sabem manusear com habilidade as armas em mãos, sejam livros verdes, azuis, vermelhos ou meios de comunicações privados comprados. Só que na ânsia pelo poder, caem do cavalo porque se esquecem de que o curso da vida é regido pela lei do retorno. Uma geração engole livros verdes, oratórias mirabolantes, cestas básicas e até propriedades. A geração seguinte não engole. O curso da vida pede renovação constante, se não vai por força da sociedade, vai por força da natureza. De alguma forma a renovação virá, ainda que um pouco tarde, e custando muitas vidas.

     A queda do autoritarismo mostra que as soluções para salvar o planeta e a sociedade não vêm exclusivamente de uma pessoa, uma nação ou uma ideologia política. A solução vem da troca de experiências, da tolerância à diversidade, do diálogo e também do reconhecimento dos erros de ambos os lados. Mesmo depois de tanto tempo do fim da “guerra fria”, radicais de direita e de esquerda se digladiam, querendo impor suas verdades ao invés de fazerem uma autocrítica, uma autoanálise. A sociedade, dividida como se fosse dois grandes times de futebol, de um lado critica os autoritários que atropelam a democracia e do outro critica o imperialismo que finge ser democracia. Ora, se ambos os lados precisam de reformas, por que não colocar a casa em ordem antes de criticar a casa do vizinho?

     Enquanto a sociedade não buscar o equilíbrio, enquanto existir o conceito de que o equilíbrio é utópico, estaremos correndo risco de cair nas mãos de novos “salvadores da pátria”. No meio acadêmico de qualquer país, existem grandes mestres almejando o poder. Os formadores de opinião ditam soluções para tudo, acabar com a pobreza, alavancar a economia mundial, alavancar a democracia...quando uma pessoa quer o poder a qualquer custo, ela vai onde for preciso para encontrar as soluções. Contrata e contata os melhores profissionais, técnicos, acadêmicos e até os mais renomados “doutores em espiritualidade” para se “protegerem”, afinal, querem que o povo se sinta protegido com eles. Aquela geração cai na lábia. A seguinte não. E assim a ciranda não para. O círculo vicioso não tem fim.

     A educação, a informação e o mínimo de cultura são necessários para que o cidadão pare de se enganar e alcance uma estabilidade social e espiritual satisfatória. Conheça a fundo a vida da pessoa que almeja cargo público. Constate se as belas palavras proferidas pelo “mestre” não são apenas palavras. Não adianta escrever o livro da salvação de sua cidade ou seu país se o autor faz tudo ao contrário em sua vida particular. O mundo está cheio de pessoas que aplicam o faça o que eu digo mas não faça o que eu faço. Patriotismo é bom, mas traz um grande perigo a tiracolo: a vontade de ser melhor que o vizinho. Foi assim que cresceu o nazismo. Os verdadeiros mestres que passaram por este mundo, não possuíam ideais nacionalistas. A forma deles pensarem e agirem era para o bem planetário, independente de nação. O bem estar do ser humano. Não eram “salvadores da pátria” e sim salvadores planetários. Pensavam grande porém as ações eram simples, modestas e eficazes. Estes, não precisam ser cultuados, e sim seguidos.

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