Boa noite!

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redomas, vidraÇas e telhados de vidro

Recentemente postei em minha linha do tempo do facebook uma reflexão sobre a vida dos solteiros e sem filhos após os trinta anos de idade. Funcionários públicos e políticos olham com desconfiança e costumam fugir das pessoas nessas condições. O motivo é fácil de descobrir; quem não tem família para se preocupar, se preocupa com outras coisas, por exemplo sua cidade e as condições das pessoas no mundo. Logo, quem não tem filhos para cuidar, cuida do mundo. E enxerga além, pois sua atenção não está voltada para dentro de quatro paredes. Aqui se enquadra meu caso. Não tenho filhos nem preocupações familiares. Costumo dizer que minha casa é a cidade, o mundo. Logo, observo a totalidade e as pessoas próximas; amigos, colegas, conhecidos (e até ex-colegas) são minha fonte de pesquisa. Uma troca mútua de ensino e aprendizado.

Os últimos acontecimentos, experiências compartilhadas com essa imensa variedade de pessoas, têm proporcionado profundas reflexões sobre a missão deste escritor. Até onde chegar? Como ensinar ou cobrar numa sociedade globalizada onde o ego se coloca como instrumento de reconhecimento profissional e emocional e todos se armam com redomas? De repente a célebre expressão "cada um por si Deus por todos" ganha corpo, trazendo a tiracolo "cada um com seus problemas", "cada um cuide de sua própria Vida" e todo tipo de benefício à coletividade cheira a interesse político por votos ou paternalismo. O resultado disso tudo é um beco sem saída. Se faz, será criticado porque fez, se não faz, será condenado porque não fez. A carência espiritual é real, as pessoas buscam refúgio em drogas lícitas ou ilícitas, jogos, estranhos hábitos e grupos que lucram com o fato, mas não dão o braço a torcer. A aparência manda. E o egocentrismo reina porque é visto como o "mal menor" já que é o mal da maioria. Ser minoria ninguém quer, por mais que os fatos comprovem que ser minoria é para os fortes.

Pouco tempo atrás minha discussão com determinada pessoa envolveu estas circunstâncias. A ajuda é bem-vinda enquanto você não cobra a mudança de comportamento e atitude da outra. O conceito de "amigo" é aceitar os defeitos do outro. Você está proibido de apontar o caminho, mostrar uma alternativa porque você também tem defeitos. Aí vem aquele argumento: "como você se prontifica a querer melhorar alguém se você próprio possui defeitos e problemas?" Eu mesmo concordo que para abrir os olhos do vizinho, primeiro tire a trave que há diante de seus olhos. No entanto, a sociedade está num grau de cegueira e orgulho que ainda que você esteja sem a trave, o orgulho do outro afirmará que você não está em condições de apontar caminhos. Existe um confronto espiritual na sociedade, as pessoas precisam de ajuda, querem ajuda, mas não conseguem admitir isso. Entramos numa era onde a humildade virou vergonha. Cada um criou sua redoma, e redomas são de vidro. Alguma hora vão quebrar. A própria vida, composta pela infalível lei do retorno, se encarrega dos tombos para chamar a atenção do indivíduo. Mas mesmo assim muitos não aprendem. Preferem viver criticando aqueles que alcançaram o pódium, ficam de olho nos passos do vencedor, esperando um passo em falso dele para lançarem suas críticas destrutivas e assim se sentirem extasiados. O perigo de se ajudar alguém hoje, não digo financeiramente, e sim espiritualmente, é bater de frente com o orgulho do outro, que serve como escudo para encobrir seus traumas, revoltas e obsessões. E é exatamente isso que tem provocado cada vez mais separações de casais, sejam casados ou apenas vivendo junto. Muitas vezes buscam companhia para ter ajuda, mas não querem mudar o jeito de ser. Algo extremamente complexo para pessoas que possuem apenas o estudo básico. Se para uma pessoa formada na área - psicologia ou sociologia - é um desafio, imagine para quem jamais leu sobre o assunto. Jovens e adultos cobram hoje de suas companhias, uma compreensão que somente profissionais da área possuem. Como fazer pelo outro sem interferir em seus traumas e obsessões protegidos pelas redomas? Em outras palavras, querem remédios para aliviar a dor, mas não querem a cura!

Se você disser que não tem telhado de vidro, receberá uma expressão de dúvida. Igualmente se você se prontificar a ser a vidraça. E se vier a ser mesmo, pode crer que jogarão pedras como teste. Quando há troca de comando de governos, isso fica bastante evidente. Mas todo problema político é um problema de comportamento humano. Leis dos homens e a dita lei de Deus, são proferidas em todo canto, e raramente colocadas em prática. Cobra-se sempre dos outros, e não de si. Quem já cobrou de si e está apto a cobrar do outro, é condenado. Ainda que não conste nada no currículo do condenado, inventarão fatos para acusar. E assim vi e ouvi ao meu respeito. Em meu histórico de vida, superando provações familiares e outras, jamais me entreguei à bebida, às drogas e nunca soube como é sentir depressão. Pois levei de depressivo! Logo, palavras proferidas por alguém que já passou por tais problemas. Eis o exemplo mais forte do fato descrito neste artigo. A falta de visão do senso da coletividade, o ego como arma e a busca pelo remédio e não pela cura, cria uma zona de conforto na mediocridade. Para tanto, a pessoa que estudou de fato, superou os traumas, os vícios e luta para não se enquadrar no jogo da sociedade materialista, ela que é acusada de viver numa zona de conforto! Percebem os argumentos na ponta da língua do povo? Por mais que você faça tudo dentro da exatidão matemática, inventarão algo para te incriminar. Lembro que certa vez um motorista de ônibus informou aos passageiros que iria até tal cidade. Um passageiro supôs que durante o trajeto passaria pela cidade onde ele iria, e embarcou. Quando o ônibus passou direto, o passageiro reclamou e o motorista deixou bem claro que avisou os passageiros antes de embarcarem. O passageiro no entanto respondeu assim: "tá nesse letreiro aí o nome da cidade que eu vou". O motorista parou o ônibus e abriu o letreiro perguntando: "onde está escrito tal cidade?" O passageiro ficou quieto. Assim é o povo, a sociedade. Negar os próprios erros, acusar o outro sem fundamento algum. Acusar o motorista de não ter falado era uma forma de negar sua distração (ou teimosia). Acusar alguém de ter um problema de saúde, mental ou espiritual, é uma forma de enganar a si mesmo, negando que esses problemas estão dentro do acusador, guardados a sete chaves e protegidos pela redoma do ego. Jamais serão eliminados, pois o argumento é que todos têm seus problemas, iguais ou diferentes. Mas não cabe a cada um resolver seus próprios problemas? Até certo ponto sim. Mas é impossível resolver todos os problemas de cada um isoladamente, pois os problemas são em parte decorrentes da teia social. Até certo ponto a pessoa sozinha resolve, a partir de outro ponto ela precisará de ajuda. Se cada um resolvesse 100% de seus problemas, seríamos deuses e não homens, seres humanos. Toda a natureza é interdependente, e também somos. Por isso as expressões citadas no início do artigo, do cada um por si, é muito relativa. Ela traz uma realidade até certo ponto, de que ninguém deve ficar esperando que os outros resolvam seus problemas. Mas não deve ser levada totalmente ao pé da letra, porque desta forma ela fortalece o individualismo.

O ser humano é frágil, possui telhado de vidro, e todas as redomas criadas são igualmente frágeis. Quem fica buscando blindagens cada vez mais fortes, demonstra fraqueza espiritual, pois é o espírito a verdadeira fonte de segurança. Guardar traumas, revoltas e obsessões exige a proteção de um ego. O ego é inimigo do eu, porque o eu é coletivo, reconhece que é preciso aprender com o outro que superou os obstáculos. Por isso, muitas vezes encontramos pessoas totalmente iletradas que possuem um caráter formidável, enquanto outras, que arrotam conhecimento (e até experiência de vida), pecam por serem escravas de seus traumas e obsessões. E ainda dirão: "sou, mas quem não é?" Relembrando lá no meio do texto: SER MINORIA É PARA OS FORTES.


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