Boa noite!

MINHAS VIAGENS PELO BRASIL

MINHAS VIAGENS PELO BRASIL

 

     Quando eu era criança, sentia prazer em ler mapas. Mapas da cidade, do Brasil e do mundo. Sentia atração pelo desconhecido. Por paisagens diferentes, urbanas ou naturais. O desejo era tão forte que aos 10 anos, sempre que conseguia, saía escondido para ir até uma rua próxima. Assinalava no mapa uma rua que ainda não havia ido. Conforme passavam os meses, ia mais longe. Um bairro vizinho. Outro mais distante. A pé ou de bicicleta. Aos 11, comecei a usar ônibus urbano sozinho. E desvendei a cidade inteira. No ano seguinte, a ousadia maior. Embarquei num ônibus na rodoviária para um município próximo. Vinhedo, cerca de vinte e cinco quilômetros de Jundiaí. Lembro como se fosse hoje essa viagem. A emoção de chegar sozinho numa cidade que não conhecia. A partir de então não parei mais. A viagem seguinte foi para Itu, um pouco mais longe, quarenta e oito quilômetros. Para quem entende de ônibus brasileiro, para Vinhedo fui num Veneza II de motor traseiro da extinta empresa VVTur, e para Itu num monobloco 0-352 da também extinta Viação Anhanguera. Aos poucos, fui desvendando todas as cidades circunvizinhas, até que um motorista de ônibus me falou: “por que não viaja de trem? É mais barato e tem mais horários para várias cidades”. Segui o conselho. Embarquei no subúrbio da Santos-Jundiaí, que na época fazia o percurso Jundiaí-Mauá, e fui parar no ABC. Pronto. Comecei a explorar a capital paulista e a região metropolitana. A rodoviária de São Paulo ainda era na Júlio Prestes, e sempre dava uma passada por lá para ver os ônibus que ficavam dando voltas em torno da praça até dar o horário de entrar na plataforma. Mas tinha um pouco de medo de ficar muito tempo ali parado. Eram os anos da ditadura militar de direita e a polícia montada a cavalo patrulhava a rodoviária. Eu, menor de idade, sentia medo de me abordarem, pensando que fosse trombadinha. Tanto que demorou para eu fazer o percurso Jundiaí-São Paulo de ônibus pela Cometa. Só quando a rodoviária Tietê foi inaugurada que tomei a iniciativa. O único embarque que fiz na Júlio Prestes foi para Várzea Paulista, pela Auto Ônibus Jundiaí, num Marcopolo III.

     Naquela época uma tia morava em São Paulo e fiz do apartamento dela o ponto de apoio e partida para outras cidades. Aos 17 anos de idade, a primeira viagem interestadual sozinho, para Monte Santo de Minas. E depois dos 18, qualquer ponto do Brasil estava ao meu alcance. Rio de Janeiro em 1985, Curitiba em 1986, Goiânia em 1987, Belo Horizonte em 1988, Brasília em 1989 e assim por diante, até romper as fronteiras, chegando ao Paraguay e Argentina.

     Alguns anos atrás resolvi escrever as principais viagens que fiz durante minha vida. Preenchi dois cadernos, contando detalhes e emoções de explorar o desconhecido. Só não consegui decidir se futuramente vou partilhar com os amigos publicando num livro ou num blog essas aventuras. Enquanto a decisão não sai, contarei algumas dessas viagens aqui no site.

 

MONTE SANTO DE MINAS - 1983

 

     A viagem não era tão longa, em torno de 300 quilômetros, mas levou o dia todo. Para chegar à Monte Santo de Minas, saí bem cedo de Jundiaí para embarcar em Campinas no primeiro ônibus para Mococa, a maior cidade próxima a Monte Santo, onde deveria haver mais horários, era o que eu imaginava. Bom, embarcar em Campinas foi rápido. Logo chegou o ônibus da Nasser para Mococa. Peguei uma poltrona na janela para apreciar a paisagem que já conhecia, da região mogiana. Dois anos antes eu havia feito uma viagem com amigos para Casa Branca, cidade um pouco antes de Mococa, aonde a ida foi de trem e a volta de ônibus.

     Durante o trajeto, parada para lanche num posto a beira da rodovia na cidade de Aguaí e depois na rodoviária de Casa Branca. A chegada em Mococa se deu após as 13:00, e havia perdido um ônibus para Monte Santo alguns minutos atrás. O próximo, só as 18:00. Aprendi naquele momento, que pelo interior do Brasil, longe das capitais, o transporte é escasso. Mesmo entre municípios tão próximos, Monte Santo dista exatos 30 quilômetros para frente de Mococa.

     Veio o dilema: o que fazer até as 18:00 em Mococa? Poderia andar pela cidade para conhecê-la, mas eu estava com uma grande bolsa com roupas, calçados e material de uso básico para passar uma semana em Monte Santo. Nem me passou pela cabeça deixá-la num guarda volume. Eu, aos 17 anos de idade, ainda era leigo nos macetes de viagens.

     Então, acomodei-me num banco na praça ao lado da rodoviária para esperar a hora passar. Acabei dando sorte. Havia três garotos engraxates na praça que ficaram conversando comigo e assim a hora passou rápido. Até tirei uma foto deles para levar de  recordação.

     Pouco antes das 18:00, comprei a passagem e, para minha surpresa, havia nesse horário dois ônibus para Monte Santo. Um era velho, de motor dianteiro, que fazia intermediário, parava para subir e descer passageiros ao longo de todo o trajeto; e outro, o que fui, era direto. Por quê? Este, vinha de São Paulo e ia para São Sebastião do Paraíso. Conclusão: se eu soubesse que havia um intervalo tão grande de horário entre Mococa e Monte Santo, teria embarcado em Campinas nesse ônibus, não precisava fazer a baldeação em Mococa! São os aprendizados dos marinheiros de primeira viagem.

     Chegando à rodoviária de Monte Santo, meu amigo (de Jundiaí) Reginaldo me aguardava junto do primo dele. Isso mesmo! Essa viagem fiz a convite de um amigo para passar uma semana na casa dos parentes dele. Hábito comum no interior do Brasil, principalmente em Minas Gerais, convidar amigos e parentes para passar dias e até semanas um na casa do outro. Nesse caso, meu amigo (que também era menor de idade), havia ido com a mãe dele uma semana antes.

     Tudo certo no reencontro, fomos para a casa da avó dele tomar banho e descansar. Conhecer a cidade, só no dia seguinte.

     Monte Santo de Minas é uma pequena cidade mineira, quase que na divisa com o Estado de São Paulo. Mas suas características físicas são bem típicas de Minas Gerais. O relevo, cheio de sobes e desces, as ruas de paralelepípedos, o sotaque do povo, as superstições... Reginaldo fez questão de mostrar a cidade onde nasceu, andamos por todo o centro. Na avenida principal, um prédio em construção era o ponto de referência. Para quem já dominava Santa Cecília, Campos Elíseos e toda a região da Sé em São Paulo, Monte Santo não possuía segredos. Só não andei mais porque Reginaldo, com 13 anos, era cismado, não tinha o hábito de ir muito longe sem a mãe. Por outro lado, ficava chateado se eu saísse sozinho. Eu entendia o lado dele. E assim, fui me entrosando ao cotidiano mineiro, os costumes, o linguajar, a comida, as músicas... Agora, a cara do “sertão mineiro”, a terra mesmo, as raízes, fui ver e sentir a alguns quilômetros da cidade. Não sei se sete, oito, dez ou mais. Pelo tempo de estrada de chão, na caçamba de um caminhão, creio que mais de dez quilômetros, mas dentro do município. Fomos visitar parentes dele que moram isolados, num lugar chamado Pitangueiras. Sob o frio da madrugada, aguardamos o caminhão no centro da cidade. Uma experiência inédita para mim...e comum em lugares onde não há ônibus ou carro. Sim, não vi carros durante o trajeto pelas estradas de terra, que ora viravam trilhas em meio aos campos cobertos por braquiaras. A chegada em Pitangueiras foi com os primeiros raios de sol de uma bela manhã. Para quem gosta de natureza e isolamento, o lugar parece o paraíso. Os campos limpos permitiam enxergar quilômetros adiante, onde uma enorme pedra me aguçava a curiosidade o tempo todo. Do outro lado, um morro coberto por mata reinava solitário e enigmático. Enigmático porque o povo local falava sobre estranhas luzes que surgiam nele em algumas noites. Segundo os moradores, as luzes eram da mãe do ouro. A lenda da mãe do ouro sempre foi comum nos mais distantes rincões do Brasil, e na ocasião, confesso que senti vontade de ir até esse morro para desvendar o mistério. Mas durante as três noites que passei em Pitangueiras, ninguém teve coragem de ir comigo lá, nem meu colega e a mãe dele, nem os moradores do povoado.

     Quatro dias e três noites, a beleza e o encantamento local deram lugar ao tédio e até algum desespero para mim e o Reginaldo. Sem energia elétrica, televisão, somente rádio a pilha, as noites eram para jogar conversa fora e dormir cedo. Dormir cedo para levantar cedo com a barulhada da criação, galos cantando, galinhas d’angola atiçadas, patos, porcos, etc. E assim, nos distraindo com animais e natureza que esperamos o dia em que o mesmo caminhão passou por ali para recolher os que iriam para a cidade. Pensei muito para entender como aquelas famílias conseguem viver dias seguidos tão isoladas ali, sem comunicação com o resto do mundo. A resposta é simples; a terra tudo dá. Porém, para nós que moramos na cidade, é difícil compreender essa realidade.

     No retorno à vida urbana, ainda na caçamba do caminhão, Reginaldo me contou outra crença local, e me mostrou o lugar onde supõe-se que um menino fora atacado e morto por um vampiro.

     Os dias seguintes foram estritamente urbanos, fomos para São Sebastião do Paraíso, 40 quilômetros para frente de Monte Santo, onde ele tem primos. O Marcopolo III da Nasser, novinho, subiu serras suaves até chegar a essa cidade, na época, com 50 mil habitantes.

     Tanto a paisagem como a hospitalidade das pessoas me cativaram, de forma que depois do Estado de São Paulo, Minas é o estado que mais conheço, e desde então, realizei dezenas de viagens para lá, visitando diversas cidades.

 

CURITIBA – 1986

 

     No auge do Clube Volvo em 1986 (uma organização nos moldes do que seria hoje uma ONG, que criei em 1981), encontrei muitos amigos dispostos a viajar comigo, pois havia em comum a paixão por veículos grandes (ônibus e caminhões). E a primeira viagem em grupo foi à Curitiba para visitar a montadora Volvo. Seria a segunda capital (fora São Paulo) que conheceria, por isso a ansiedade era muita. Como o compromisso em Curitiba era logo pela manhã, optei por fazer a viagem em ônibus leito, para chegar descansado e disposto para a maratona. Dois colegas de Jundiaí também foram no leito, outro de Atibaia optou por convencional.

     As primeiras imagens de Curitiba ao clarear do dia foram marcantes. As araucárias espalhadas pelos bairros periféricos, as avenidas com corredores de ônibus...pensei: “esta é a primeira vez, haverá outras com certeza”. Na rodoviária, encontramos outros colegas, dois de Curitiba e um do Rio Grande do Sul. Juntos, fomos para a montadora, onde já nos aguardavam para um giro pela linha de montagem e sessão de vídeo sobre a história da multinacional no país. Almoçamos na empresa e a tarde, depois de uma sessão de fotos, fizemos um breve tour pela cidade, que é referência em sistema integrado de transportes para o Brasil e outros países.

  

PRESIDENTE PRUDENTE – 1986

 

     No final do mesmo ano, recebi convite para assistir a formatura da irmã de uma amiga de correspondência, na cidade de Presidente Prudente. Nesta, a adrenalina foi muita, pois não conhecia pessoalmente ninguém, só através de carta e fotos. Teria, portanto, que localizar o pessoal na missa de formatura. Mas antes, o desafio da viagem. Calculei o tempo de duração do trajeto e embarquei logo de manhã no ônibus da empresa Andorinha para Presidente Prudente. Em 86, era a maior distância que estava percorrendo de ônibus. Cheguei ao final da tarde na cidade, e após um rápido reconhecimento do local, me informei sobre a localização da igreja onde seria a missa. Pois deu tudo certo. Alguns minutos antes do início da missa, ao anoitecer, eu estava lá. Assisti a celebração ao som de flauta, e após o término, misturei-me aos formandos na tentativa de achar algum rosto conhecido. Na dúvida, arrisquei perguntar a uma moça junto de uma formanda, quem era de Dourados. Dei sorte. Perguntei justamente para uma das irmãs dela! Foi então que me apresentaram. Toda a família estava lá. Já havia compensado a viagem. Mas não me deixaram voltar naquela noite, insistiram para que eu ficasse até o final das cerimônias de formatura, que seria com o baile na noite seguinte. Não havia me preparado para tanto, pois não tinha certeza se iria encontrá-los, mas me adaptei ao evento, havia espaço para convidados.  Fiquei junto da família dela e de outros formandos em Odontologia, numa república ao lado da faculdade. Como dificilmente viajo sem máquina fotográfica, registrei cenas da colação de grau e do baile.

     Três anos após o início da correspondência com a gaúcha de Dourados – MS, fui conhecer toda a família dela quase na metade do caminho até Dourados!

 

 GOIÂNIA – 1987

 

     No ano seguinte, participando de vários eventos ligados a cultura, conheci muitas pessoas e vieram oportunidades de expandir meu conhecimento sobre várias áreas sociais dentro da realidade brasileira. O Encontro de Agentes Culturais em 86 abriu minha visão sobre problemas sociais urbanos, algo que já despertava minha atenção e eventualmente escrevia nos jornais do Clube. Antes mesmo de ingressar nas grandes favelas de Jundiaí (que aconteceu só em 1988), fui conhecer a realidade periférica de Goiânia, a Vila Mutirão e Jardim Nova Esperança, bairros que surgiram a partir da tomada da área pelos chamados posseiros urbanos. O convite partiu de um dos membros da comissão dos posseiros que participou do encontro em Jundiaí, e acabei reunindo alguns outros compromissos para essa viagem; a divulgação do Clube na concessionária Jaíba de Goiânia e o encontro com um sócio morador da cidade. Deu tudo certo e até mais do que esperava, iria ficar num hotel mas a hospitalidade goiana me convenceu a pousar na casa do próprio amigo associado. Após os compromissos na concessionária e na Vila Mutirão, assisti a um show sertanejo ao vivo na praça com uma dupla famosa de Goiás, e no dia seguinte meu amigo goiano me levou conhecer a cidade de Trindade, centro de peregrinação católica da região.

 

BRASÍLIA – 1989

 

     Uma das raras viagens feitas no improviso e que, no entanto, ficou registrada entre as melhores e mais bonitas que fiz. Tive a sorte de fazer uma das últimas viagens do trem Campinas-Brasília, naquele ano, a mais longa linha de passageiros do país. 24 horas de viagem, saindo meio dia de domingo em Campinas e chegando à Brasília meio dia de segunda feira. Não havia programado nada, simplesmente saí de casa para uma viagem longa, coincidiu de ser no domingo, único dia da semana que saía o trem. E embarquei nessa.

     Até Casa Branca, trajeto conhecido. A partir de lá, o trem segue por uma região serrana até Ribeirão Preto, revelando paisagens distantes da Rodovia Anhanguera que já conhecia bem. Até que, na parada da estação em Ribeirão Preto, resolvi passar para o vagão leito. Não sabia se teria outra oportunidade dessa regalia num trem, e assim fiz. Jantei e fui apreciando a paisagem noturna pela janela, vendo as luzes distantes das últimas cidades do norte paulista, até Uberaba já em Minas Gerais. A partir desse ponto, pouco mais de 100 quilômetros sem cidades até Uberlândia, ocasião em que tirei a primeira soneca. Acordei quando o trem parou na estação de Uberlândia, exatamente a meia noite. Assim que o trem partiu, dormi pra valer. Mas meu sono é relativamente leve, e dei uma breve acordada quando o trem parou numa estaçãozinha de alguma cidade goiana e aguardou um trem de carga passar, um longo trem que, pelo barulho, deveria ter mais de 40 vagões. Logo em seguida, para nossa partida, um agente da estação tocou um sino! Uma cena antiga, que não esperava ver em nenhum lugar do país, a não ser numa viagem turística de maria fumaça.

     Agora, só fui acordar quando o dia estava clareando, e o trem, pelos meus cálculos, já deveria ter passado por Pires do Rio, última cidade média antes de Luziânia, cidade próxima do Distrito Federal. Isso mesmo. Abri a janela e me deslumbrei com a paisagem do cerrado. Eu estava do lado direito do trem, justamente o lado do Rio São Bartolomeu, que acompanha a via férrea lado a lado por dezenas de quilômetros. Rio e cerrado, nada de estradas ou cidades. A região mais preservada de Goiás (pelo menos até aquela data), onde pude ver e apreciar, animais selvagens soltos, pastando tranquilamente pelo cerrado intocado. Uma planície sem fim, às vezes com alguns morros, cobertos com árvores típicas, bem como as margens do São Bartolomeu, ora com vegetação baixa, ora com frondosas árvores nativas do cerrado. Por pelo menos duas horas seguidas, a paisagem foi essa. Simplesmente espetacular. Até que num determinado ponto, a via férrea cruza com a BR 050. Afastamo-nos do rio e aos poucos surgem os primeiros sinais da urbanização de Luziânia. E finalmente, o Distrito Federal. Pontualmente meio dia, o trem faz sua parada final na estação rodoferroviária de Brasília. Como a viagem não tinha um objetivo específico, só a viagem pela viagem, tratei de andar por Brasília. E como andar! As distâncias pareciam enormes devido aos espaços vazios, extensas áreas gramadas, sem construções ou árvores. As avenidas largas, com pouco movimento de carros (naquele ano), davam a impressão que eu caminhava pela Brasília dos anos 60, recém construída. Mas eram aspectos pontuais. Pouco a pouco foram surgindo os prédios característicos da capital federal e o trânsito aumentou. Brasília não é totalmente plana. Há suaves aclives, que para quem dirige, mal percebe, mas para o pedestre, cansa bastante. Dessa forma, precisei parar e descansar no gramado, já próximo ao Congresso Nacional. Relaxei, meditei. Que cidade linda! Cidade planejada não há como comparar com outras. Tudo parece se encaixar, tudo parece perfeito. Pena que a política passe longe dessa perfeição!

     Já descansado, fui à catedral de Brasília e depois, para não perder o hábito, apreciar o movimento num terminal suburbano. O dia estava findando e resolvi experimentar o horário de pico num passeio de ônibus até uma cidade satélite, escolhi Taguatinga. Em pé entre os brasilienses (inclusive brasilienses “de fora”), experimentei a velocidade das avenidas da capital federal. Poucos semáforos, nenhuma lombada e nenhum radar, o ônibus parecia estar percorrendo a Rodovia dos Bandeirantes. Foram uns 15 ou 20 minutos assim. Até que desembarco em Taguatinga, já noite. Decido voltar logo para a rodoviária e só então penso para onde ir. Não, não era hora de já voltar para casa. Resolvo parar no caminho, e compro passagem de ônibus para Araguari em Minas Gerais. Saindo por volta de meia noite de Brasília, chegaria em Araguari ao amanhecer. E assim fiz uma gostosa viagem num velho Diplomata Scania B 111 da Real Expresso, que apesar de velhinho, era aconchegante.

     Descendo em Araguari, lembrei que tenho um amigo de correspondência lá. Não estava com o endereço dele anotado, mas a cabeça funcionou bem e consegui me recordar do nome da rua e número. Localizei a residência dele e encontrei-o. Apesar da visita surpresa, ele fez questão de me levar num giro de mobilete pela cidade. Não sou muito fã de moto e similares, mas não recusei.

     Após conhecer Araguari, parti para Ribeirão Preto, de onde finalmente retornei para casa.

 

RIO DE JANEIRO

 

 

     Estive três vezes na cidade brasileira mais conhecida mundialmente, pelo samba, pelo Maracanã, pelas areias de Copacabana, o bondinho e o Cristo Redentor. Cidade explorada por todos os ângulos nas inacabáveis novelas da Globo...e também pela guerra entre traficantes nos morros.

     A primeira vez, em 1985, encontrei um Rio mais calmo, embora ousado; passageiros de ônibus urbano fumavam sossegadamente dentro dos coletivos. Os motoristas dos ônibus, entortavam os veículos a 90, 100 por hora nas curvas da Avenida Brasil. Aprendi rápido o jeito carioca de ser através de um primo residente lá. Dormi na cidade maravilhosa. Mas explorá-la de verdade, só quatro anos mais tarde, através de mais um de tantos amigos de correspondência que possuo. Vi o Rio através da janela do carro e do bondinho de Santa Teresa. Do alto do Pão de Açúcar e da Floresta da Tijuca. Só na última visita, quase dois anos depois, fui um pouco mais ousado. Circulei sozinho de ônibus, dormi num apartamento ao lado do Morro do Turano e depois num outro em Lins de Vasconcelos, ao lado de outros morros...morros que me inspiraram muito  tempo depois, a escrever a estória de Marvin II. 


Cachoeira no Parque Nacional de Itatiaia - RJ

 

 

CAMPO GRANDE-DOURADOS-PONTA PORÃ-PEDRO JUAN CABALLERO

 

     Sete anos depois da formatura em Presidente Prudente, cheguei à fazenda da família de amigos em Dourados. Ao lado da BR que liga Mato Grosso do Sul ao Paraguai, a fazenda que cultiva soja se destaca no horizonte plano da região. Região outrora dominada por índios, hoje restritos a pequenas áreas. A primeira parada foi na capital, Campo Grande. Cidade que em certos aspectos físicos e urbanos lembra a paulista Campinas, e em outros Goiânia. Circulei pelo sistema integrado de ônibus, fotografando tudo. E logo embarquei para Dourados, cidade dividida entre gaúchos e índios. O próximo objetivo a partir dali seria Ponta Porã e Paraguai, objetivo que ganhou reforço com a propaganda espontânea da mãe de minha amiga, que falou: “vai sim, Pedro Juan Caballero, capital do estado de Amambay, é uma cidade totalmente diferente das  brasileiras...e não deixe de provar a chipa que as paraguaias vendem perto da fronteira”. Ok. Fui para Ponta Porã mas não fiquei muito por lá, a curiosidade para ver a cara da cidade paraguaia era tanta que logo estava atravessando a fronteira seca entre os dois países. Mal coloquei os pés em terras paraguaias surgiu uma senhora simples, de traços indígenas, vendendo a tal da chipa. Comprei logo para saborear. Boa. Mas não a ponto de pedir bis, como aconteceu quando provei o suco de cupuaçu numa cidade mineira. Revelei um filme num shopping do lado de lá e coloquei outro na máquina para registrar os detalhes da cidade paraguaia. Estava longe do centro dela, mas tudo ali era diferente do Brasil...ou, digamos, Brasil de hoje. Algumas construções lembravam as do Brasil de 30, 40 anos atrás. Outras eram diferentes simplesmente por serem diferentes. A igreja católica. O ginásio de esportes. As praças. A única coisa que fazia muita diferença com nossas cidades antigas, era a largura das ruas. Enquanto aqui sofríamos (e sofremos) com ruas estreitas de épocas passadas, lá as ruas são largas. Por mais que nos remetam ao passado pelas construções, pela terra, pelo calçamento rústico, as ruas paraguaias contrastam com as nossas nesse aspecto.

     Minha câmera fotográfica, recém comprada, despertou atenção de algumas pessoas do lado de lá. Estava tranquilo como em todas as viagens que faço, e já ia me esquecendo que ali é fronteira, lugar que pede determinados cuidados. Respondi em “portunhol” educado a um paraguaio que ousou perguntar o que eu estava fotografando. Algum tempo depois, um outro desceu de um ônibus que esquentava os motores para iniciar viagem para a capital Asunción, e veio me perguntar para que era a foto. Bom, não devo, não temo. Continuei fotografando até o final da tarde, quando o sol se pôs no horizonte plano da região. Voltei para a rodoviária de Ponta Porã e “me mandei de lá”.

Peguei o último ônibus para Campo Grande, aonde cheguei por volta das 23:00, dormi num hotel e no dia seguinte retornei para São Paulo, por um caminho diferente do que havia feito na ida...prática que me habituei a fazer na maioria de minhas viagens.

 

LAGOA FORMOSA

 

     Em 1994, trabalhando numa empresa onde havia muitos mineiros (mineiro-natural de Minas Gerais), fui conhecer a cidade de onde vinha a maioria – Lagoa Formosa. A referência é Patos de Minas, que não poderia deixar de conhecer. A hospitalidade mineira permitiu mais uma vez que eu explorasse totalmente as cidades visitadas durante o percurso, além de retornar para a mesma região outras duas vezes. Nesse ano de 94, o trajeto foi por Divinópolis e Estrela do Indaiá, onde fiquei dois dias e pude constatar o velho problema enfrentado em 1983 em Monte Santo: a escassez de transporte. A cidade era servida por apenas 3 horários de ônibus; um ao amanhecer, um ao meio dia e o outro ao anoitecer. Quando descemos do ônibus que seguia para Dores do Indaiá, no trevo para Estrela, não tínhamos alternativas a não ser carona. Carona que levou pelo menos meia hora para surgir, caso contrário, ônibus só às seis da tarde. Outro problema que identifiquei nessas pequenas cidades, a falta de opções culturais e de lazer. A diversão, o passatempo dos jovens e adultos que trabalham na zona rural, é o bar. Os jovens de classe média estudam fora, nas grandes cidades, e retornam para a casa dos pais uma ou duas vezes por mês. Já em Lagoa Formosa é um pouco diferente de Estrela. Por ser próxima a Patos de Minas, cidade de porte médio e com vários recursos (além de vários horários de ônibus entre as duas), há mais presença de jovens na cidade. O destaque é a lagoa, bem no centro, onde inevitavelmente a gente dá voltas e voltas, a pé ou de bicicleta, simplesmente para apreciar o visual. À primeira vista, uma cidade com qualidade de vida, um pequeno paraíso para a classe média. Mas não se iludam, o eterno problema que persegue a classe média onde ela estiver – as drogas – está presente lá, e pude constatar isso in loco.

     Nas três viagens à Lagoa, somam-se vários dias de estadia, ocasiões em que pude desfrutar dos prazeres que a região oferece como também analisar os problemas sociais e ambientais.

     Patos de Minas, a 20 quilômetros de Lagoa, oferece bem mais infraestrutura. Possui largas e extensas avenidas, ciclovias e arborização. Parece uma “mini Maringá”. Sempre acompanhado de amigos mineiros, conheci toda a cidade de Patos. Já sozinho, estiquei a viagem por duas vezes até Paracatu, uma cidade com vários casarios históricos preservados, e que se situa na BR 040, caminho de Brasília. Foi em Paracatu que saboreei o suco de cupuaçu e pedi bis. Três ou quatro vezes.

 

 SÃO LUIS

 

     Conhecer o Nordeste brasileiro não foi a princípio como eu imaginava. Como a maioria, o primeiro lugar que vem a cabeça quando se fala em ir ao Nordeste, é a Bahia. É o estado mais próximo de São Paulo. No entanto, o primeiro que visitei foi o mais distante; Maranhão. De fato, não estava em meus planos, mas foi, mais uma vez, convite de um amigo que possui familiares lá.

     Fizemos a viagem São Paulo-São Luis de avião, um percurso que de ônibus leva de dois a três dias, no avião levou cinco horas apenas. Marinheiro de primeira viagem, achei formidável...pela manhã, no trânsito intenso da Marginal Tietê, vendo tudo que já estava “careca” de ver, os mesmos ônibus, os mesmos prédios...rumo a Cumbica. E a tarde, do mesmo dia, no calor intenso de uma região próxima ao Equador, totalmente diferente em cultura, arquitetura... Era período de carnaval, portanto o samba encobria o som característico local: o reggae. Mas como fiquei duas semanas, pude comprovar e sentir o clima musical jamaicano, inclusive indo a um baile reggae.

     A cidade que vive o dia-a-dia ao ritmo da música caribenha, foi fundada por franceses em 1615, mas tomada pelos portugueses três anos depois. Dessa forma, o centro da cidade é composto por centenas de construções antigas, boa parte tombada pelo patrimônio histórico. Andar pelas ruas centrais é sentir-se na velha Lisboa, de ruas estreitas e com nomes sugestivos: Rua Grande, Rua do Sol, Rua do Giz, Rua do Pespontão...para ficar 100% Lisboa, só faltaram os bondes. A pé, de ônibus e de carro com meu amigo de viagem e familiares dele, conheci as três faces de São Luis: o centro histórico onde todas as “tribos” se encontram, a região moderna e rica entre o centro e as praias, e a periferia, bairros simples com aspecto de cidades pequenas de interior, com muitas árvores e também os núcleos de submoradias, característicos de todas as capitais. Locomovendo-me dessas três formas, em duas semanas, São Luis tornou-se a segunda capital que melhor conheço, depois de São Paulo. Foram mais de dez filmes fotográficos que usei para registrar a cidade por todos os ângulos; suas construções, a natureza, o povo, o transporte...e a presença marcante da família Sarney, através da ponte que leva o nome do ex presidente e o letreiro do ônibus com o nome do filho, imortalizado em bairro: “Vila Sarney Filho”.

     Visitei quase todas as atrações da capital maranhense, inclusive o Palácio dos Leões, que na época estava sendo reformado e algum tempo depois seria usado para cenas de uma novela da Globo – “Da cor do pecado”.

     Nessas duas semanas de Nordeste, deu para explorar um pouco da ilha (a capital situa-se numa ilha) e conhecer a praia de pescadores da Raposa e a cidade santuário de São José do Ribamar. No interior do estado, apreciei verdadeiras florestas de babaçu, a árvore típica do Maranhão em meio a esparsas carnaúbas (árvore mais comum em todo o Nordeste). Na cidade de Chapadinha, aonde cheguei de carro com os amigos, senti a dificuldade do povo na questão da qualidade de vida, as condições precárias de moradia, transporte, saneamento...e cultura. Chapadinha resumiu o que é o interior da maioria dos estados brasileiros, e o porquê os jovens têm se deslocado de suas cidades de origem para as capitais. Alguns dias depois, de ônibus, sozinho, cruzei parte do interior do estado para chegar à Teresina, capital do vizinho estado do Piauí. Resumindo, circulei pela faixa geográfica do Nordeste que mais chove. Não vi e passei longe do sertão ou agreste, que compreende o sul do Piauí. Peguei chuva quase todo final de tarde nas duas semanas. E até neblina! As rodovias no interior do Maranhão ficam cobertas de neblina nas primeiras horas da manhã.

     Essa viagem foi escrita em detalhes em exatamente 38 páginas num caderno, que está disponível para empréstimo somente aos amigos.


Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses

 


As Carnaúbas, árvores típicas do Nordeste

 


Centro Histórico de São Luis- MA


Ponte José Sarney em São Luis - MA

 

 VIAGENS DE CARRO

 

     O hábito de viajar de carro adquiri só em 1997. Talvez pelo gosto por veículos pesados, como o ônibus, nunca havia dado importância em viajar dirigindo. Mas depois que comecei, não quis parar mais. E de 97 para cá, a mudança foi brusca. Até 96, 98% de minhas viagens foram feitas de ônibus e trem. De 97 até a presente data, apenas 20% das viagens que faço são de ônibus...os outros 80% são de carro, preferencialmente dirigindo. Mas tem um detalhe: não gosto de dirigir em capitais nem em estradas precárias. Quando vou à capital de carro, só em situações de extrema necessidade. E estradas precárias, como as do Norte/Nordeste e Centro Oeste, prefiro deixar o carro e seguir de ônibus.

     De carro, conheci quase todo o Estado de São Paulo. E depois da viagem ao Nordeste, priorizei minha região: “Que adianta conhecer lugares tão longe, até outros países, se não conhecemos direito o próprio lugar onde moramos?” Só nos anos de 99 e 2000, rodei 200 mil quilômetros de carro pelas rodovias paulistas e mineiras. De 2001 para cá não foi esse exagero, mas continuei circulando, não somente a lazer, mas a serviço para amigos e divulgação de meus trabalhos literários, palestras, etc. Portanto, metade dessas viagens foi acompanhado de amigos ou parentes, e a outra metade sozinho. Perder o medo da estrada é sublime, você abraça o mundo. Ainda no ano 2000, depois de retornar do Maranhão, fiz um giro de quatro dias pelo norte do estado de São Paulo, visitando cidades que conhecia de passagem e outras que não conhecia. Quatro dias dirigindo sozinho, fazendo meu próprio horário, traçando meus roteiros. Visitei 12 cidades, de médio e pequeno porte, fotografando e fazendo contatos.

 

 

O OBJETIVO DE VIAJAR, PARA MIM, É COMPREENDER AS QUESTÕES SOCIAIS, ENTENDER COMO FUNCIONA NOSSA SOCIEDADE E BUSCAR IDEIAS INOVADORAS OU ALTERNATIVAS, QUE TRANSMITO ATRAVÉS DE MEUS LIVROS E PALESTRAS. E TAMBÉM PESQUISO AS FORMAS DE TRANSPORTE, PRINCIPALMENTE O ÔNIBUS.

 

ACABO UNINDO O ÚTIL AO AGRADÁVEL, POIS É VIAJANDO QUE VEM AS INSPIRAÇÕES PARA MEUS ROMANCES, PEQUENAS NOVELAS QUE RETRATAM FIELMENTE O COTIDIANO DE NOSSAS CIDADES, O COMPORTAMENTO DE JOVENS E ADULTOS EM DIFERENTES CIRCUNSTÂNCIAS SOCIAIS E CULTURAIS.

 

VIAJAR PELO BRASIL DE HOJE É SUPERAR DIFICULDADES TOTALMENTE DIFERENTES DAS DE ONTEM: NO PASSADO, ERAM AS ESTRADAS DE TERRA, CHEIAS DE ATOLEIROS E AMEAÇAS DE DOENÇAS SILVESTRES... HOJE, AS AMEAÇAS SÃO “SOCIAIS”; ASSALTOS, MOTORISTAS EMBRIAGADOS NA DIREÇÃO, MOTORISTAS QUE TOMAM “REMÉDIOS” PARA SUPORTAR LONGAS JORNADAS...PORTANTO, O ESPÍRITO DE VIAJAR É ALGO MUITO FORTE, PARA PESSOAS FORTES, QUE NÃO TEM MEDO DE ENCARAR O DESCONHECIDO E AS CIRCUNSTÂNCIAS AMEAÇADORAS. E PARA SE MUDAR ESSA REALIDADE, É PRECISO CONHECER UM POUCO DISSO TUDO NA PRÁTICA, NÃO APENAS NA TEORIA.

 

 

 

“Minha vida é andar por esse país, pra ver se um dia descanso feliz... guardando recordações, das terras onde passei...”

 

Trecho da música de Luiz Gonzaga

 


Erechim - RS                                       Porto Alegre - RS

 

A seguir, relação de todas as cidades que já visitei até a presente data.

 

Considero visitadas só as cidades onde entrei no perímetro urbano, e não as que passei apenas pelo limite do município. Ninguém visita uma cidade só “vendo mato”, mas a cara da cidade.

As cidades estão dispostas em ordem alfabética.

 

ESTADO DE SÃO PAULO

  1. ADAMANTINA
  2. ÁGUAS DA PRATA
  3. ÁGUAS DE LINDÓIA
  4. ÁGUAS DE SÃO PEDRO
  5. AGUAÍ
  6. AGUDOS
  7. ALTO ALEGRE
  8. ALUMÍNIO
  9. AMERICANA
  10. AMÉRICO BRASILIENSE
  11. AMPARO
  12. APARECIDA DO NORTE
  13. ARAÇARIGUAMA
  14. ARAÇATUBA
  15. ARANDU
  16. ARARAQUARA
  17. ARARAS
  18. AREIÓPOLIS
  19. ARTUR NOGUEIRA
  20. ARUJÁ
  21. ASSIS
  22. ATIBAIA
  23. AVARÉ
  24. BARRA BONITA
  25. BARRETOS
  26. BARUERI
  27. BASTOS
  28. BATATAIS
  29. BAURU
  30. BEBEDOURO
  31. BERNARDINO DE CAMPOS
  32. BIRIGUI
  33. BIRITIBA MIRIM
  34. BOA ESPERANÇA DO SUL
  35. BOCAINA
  36. BOM JESUS DOS PERDÕES
  37. BOITUVA
  38. BORBOREMA
  39. BOTUCATU
  40. BRAGANÇA PAULISTA
  41. BROTAS
  42. CABREÚVA
  43. CAÇAPAVA
  44. CACHOEIRA PAULISTA
  45. CAFELÂNDIA
  46. CAIEIRAS
  47. CAJAMAR
  48. CAMPINAS
  49. CAMPO LIMPO PAULISTA
  50. CANANÉIA
  51. CÂNDIDO MOTA
  52. CAPÃO BONITO
  53. CAPELA DO ALTO
  54. CAPIVARI
  55. CARAGUATATUBA
  56. CARAPICUIBA
  57. CASA BRANCA
  58. CATANDUVA
  59. CEDRAL
  60. CERQUEIRA CÉSAR
  61. CERQUILHO
  62. CHAVANTES
  63. COLINA
  64. CONCHAS
  65. CORDEIRÓPOLIS
  66. COSMÓPOLIS
  67. COSMORAMA
  68. COTIA
  69. CRAVINHOS
  70. CRUZEIRO
  71. CUBATÃO
  72. DESCALVADO
  73. DIADEMA
  74. DOIS CÓRREGOS
  75. DOLCINÓPOLIS
  76. DOURADO
  77. DRACENA
  78. ELDORADO
  79. ELIAS FAUSTO
  80. EMBU
  81. EMBU GUAÇU
  82. ESPIRITO SANTO DO PINHAL
  83. FERNANDÓPOLIS
  84. FERRAZ DE VASCONCELOS
  85. FLÓRIDA PAULISTA
  86. FRANCA
  87. FRANCISCO MORATO
  88. FRANCO DA ROCHA
  89. GARÇA
  90. GETULINA
  91. GUAIÇARA
  92. GUAÍRA
  93. GUARARAPES
  94. GUARAREMA
  95. GUARATINGUETÁ
  96. GUARUJÁ
  97. GUARULHOS
  98. HOLAMBRA
  99. HORTOLÂNDIA
  100. IACRI
  101. IBATÉ
  102. IBITINGA
  103. ICÉM
  104. IGARAÇU DO TIETÊ
  105. INDAIATUBA
  106. INÚBIA PAULISTA
  107. IPAUSSU
  108. IPERÓ
  109. IPUÃ
  110. ITANHAÉM
  111. ITAPECERICA DA SERRA
  112. ITAPETININGA
  113. ITAPEVI
  114. ITAPIRA
  115. ITÁPOLIS
  116. ITAPUÍ
  117. ITAQUAQUECETUBA
  118. ITATIBA
  119. ITATINGA
  120. ITIRAPINA
  121. ITOBI
  122. ITU
  123. ITUPEVA
  124. JABOTICABAL
  125. JACAREÍ
  126. JACUPIRANGA
  127. JAGUARIÚNA
  128. JALES
  129. JANDIRA
  130. JARDINÓPOLIS
  131. JARINU
  132. JAÚ
  133. JOANÓPOLIS
  134. JUMIRIM
  135. JUNDIAÍ
  136. JUNQUEIRÓPOLIS
  137. JUQUIÁ
  138. JUQUITIBA
  139. LARANJAL PAULISTA
  140. LEME
  141. LENÇOIS PAULISTA
  142. LIMEIRA
  143. LINDÓIA
  144. LINS
  145. LORENA
  146. LOUVEIRA
  147. LUCÉLIA
  148. LUIZIÂNIA
  149. MACATUBA
  150. MAIRINQUE
  151. MAIRIPORÃ
  152. MANDURI
  153. MARACAÍ
  154. MARÍLIA
  155. MARTINÓPOLIS
  156. MATÃO
  157. MAUÁ
  158. MINEIROS DO TIETÊ
  159. MIRACATU
  160. MIRASSOL
  161. MOCOCA
  162. MOGI DAS CRUZES
  163. MOGI GUAÇU
  164. MOGI MIRIM
  165. MOMBUCA
  166. MONGAGUÁ
  167. MONTE ALEGRE DO SUL
  168. MONTE MÓR
  169. MONTEIRO LOBATO
  170. MORUNGABA
  171. NAZARÉ PAULISTA
  172. NOVA EUROPA
  173. NOVA GRANADA
  174. NOVA ODESSA
  175. ORLÂNDIA
  176. OSASCO
  177. OSVALDO CRUZ
  178. OURINHOS
  179. PACAEMBU
  180. PANORAMA
  181. PARAGUAÇU PAULISTA
  182. PARAIBUNA
  183. PARAPUÃ
  184. PARIQUERA AÇU
  185. PAULINIA
  186. PEDERNEIRAS
  187. PEDREGULHO
  188. PEDREIRA
  189. PENÁPOLIS
  190. PERUÍBE
  191. PINDAMONHANGABA
  192. PINDORAMA
  193. PINHALZINHO
  194. PIQUETE
  195. PIRACAIA
  196. PIRACICABA
  197. PIRAJU
  198. PIRAJUÍ
  199. PIRAPORA DO BOM JESUS
  200. PIRASSUNUNGA
  201. POÁ
  202. POMPÉIA
  203. PORTO FELIZ
  204. PORTO FERREIRA
  205. PRAIA GRANDE
  206. PRESIDENTE PRUDENTE
  207. PROMISSÃO
  208. QUATÁ
  209. QUELUZ
  210. RAFARD
  211. RANCHARIA
  212. REGENTE FEIJÓ
  213. REGISTRO
  214. RIBEIRÃO BONITO
  215. RIBEIRÃO PIRES
  216. RIBEIRÃO PRETO
  217. RIFAINA
  218. RIO CLARO
  219. RIO DAS PEDRAS
  220. RIO GRANDE DA SERRA
  221. RINÓPOLIS
  222. ROSEIRA
  223. SALES DE OLIVEIRA
  224. SALTO
  225. SALTO DE PIRAPORA
  226. SANTA ADÉLIA
  227. SANTA BÁRBARA D'OESTE
  228. SANTA CRUZ DA CONCEIÇÃO
  229. SANTA CRUZ DAS PALMEIRAS
  230. SANTA CRUZ DO RIO PARDO
  231. SANTA ERNESTINA
  232. SANTA GERTRUDES
  233. SANTA ISABEL
  234. SANTA MARIA DA SERRA
  235. SANTANA DE PARNAÍBA
  236. SANTO ANDRÉ
  237. SANTO ANTONIO DO JARDIM
  238. SANTOS
  239. SÃO BENTO DO SAPUCAÍ
  240. SÃO BERNARDO DO CAMPO
  241. SÃO CAETANO DO SUL
  242. SÃO CARLOS
  243. SÃO JOÃO DA BOA VISTA
  244. SÃO JOAQUIM DA BARRA
  245. SÃO JOSÉ DO RIO PARDO
  246. SÃO JOSÉ DO RIO PRETO
  247. SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
  248. SÃO LOURENÇO DA SERRA
  249. SÃO MANUEL
  250. SÃO PAULO
  251. SÃO PEDRO
  252. SÃO ROQUE
  253. SÃO SIMÃO
  254. SÃO VICENTE
  255. SERRA NEGRA
  256. SOCORRO
  257. SOROCABA
  258. SUMARÉ
  259. SUZANO
  260. TABATINGA
  261. TABOÃO DA SERRA
  262. TAMBAÚ
  263. TANABI
  264. TAPIRATIBA
  265. TAQUARITINGA
  266. TATUÍ
  267. TAUBATÉ
  268. TERRA ROXA
  269. TIETÊ
  270. TREMEMBÉ
  271. TUPÃ
  272. TUPI PAULISTA
  273. TURMALINA
  274. UBATUBA
  275. UCHÔA
  276. VALENTIM GENTIL
  277. VALINHOS
  278. VARGEM
  279. VARGEM GRANDE PAULISTA
  280. VÁRZEA PAULISTA
  281. VERA CRUZ
  282. VINHEDO
  283. VOTORANTIM
  284. VOTUPORANGA


ESTADO DO RIO DE JANEIRO

  1. BARRA MANSA
  2. BARRA DO PIRAÍ
  3. DUQUE DE CAXIAS
  4. ENG. PAULO DE FRONTIM
  5. ITATIAIA
  6. MAGÉ
  7. MARICÁ
  8. MENDES
  9. NITERÓI
  10. NOVA IGUAÇU
  11. PARACAMBI
  12. PENEDO ( ITATIAIA )
  13. PETRÓPOLIS
  14. RESENDE
  15. RIO DE JANEIRO
  16. SÃO GONÇALO
  17. VASSOURAS
  18. VOLTA REDONDA


GOIÁS

  1. APARECIDA DE GOIÂNIA
  2. BOM JESUS DE GOIÁS
  3. GOIÂNIA
  4. ITUMBIARA
  5. JATAÍ
  6. MINEIROS
  7. MORRINHOS
  8. RIO VERDE
  9. SANTA HELENA DE GOIÁS
  10. SANTA RITA DO ARAGUAIA


DISTRITO FEDERAL

  1. BRASÍLIA
  2. TAGUATINGA


MINAS GERAIS

  1. ANDRADAS
  2. ARAGUARI
  3. ARCEBURGO
  4. ARAXÁ
  5. ALFENAS
  6. BELO HORIZONTE
  7. BETIM
  8. BOM DESPACHO
  9. BORDA DA MATA
  10. CACHOEIRA DE MINAS
  11. CAMANDUCAIA
  12. CAMBUÍ
  13. CAMPINA VERDE
  14. CARMO DA CACHOEIRA
  15. CARMO DA MATA
  16. CARMO DO PARANAÍBA
  17. CAXAMBU
  18. CONCEIÇÃO DE OUROS
  19. CONGONHAL
  20. DIVINÓPOLIS
  21. DORES DO INDAIÁ
  22. ESTRELA DO INDAIÁ
  23. EXTREMA
  24. FRUTAL
  25. GUAXUPÉ
  26. HONORÓPOLIS
  27. IBIÁ
  28. IGARAPÉ
  29. INCONFIDENTES
  30. IRAÍ DE MINAS
  31. ITAJUBÁ
  32. ITANHANDU
  33. ITAPEVA
  34. ITUIUTABA
  35. ITURAMA
  36. JACUTINGA
  37. JOÃO PINHEIRO
  38. LAGOA FORMOSA
  39. LAVRAS
  40. MACHADO
  41. MONTE SANTO DE MINAS
  42. MONTE VERDE
  43. MONTE SIÃO
  44. NOVA PONTE
  45. OLIVEIRA
  46. OURO FINO
  47. PARACATU
  48. PARAISÓPOLIS
  49. PASSA QUATRO
  50. PATOS DE MINAS
  51. PATROCÍNIO
  52. PIRANGUÇU
  53. PIRANGUINHO
  54. POÇOS DE CALDAS
  55. POÇO FUNDO
  56. POUSO ALEGRE
  57. POUSO ALTO
  58. PRATA
  59. PRESIDENTE OLEGÁRIO
  60. SANTA RITA DE CALDAS
  61. SANTA RITA DO SAPUCAÍ
  62. SÃO GONÇALO DO SAPUCAÍ
  63. SÃO GOTARDO
  64. SÃO JOÃO DA MATA
  65. SÃO LOURENÇO
  66. SÃO SEBASTIÃO DO RIO VERDE
  67. SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO
  68. SÃO TOMÉ DAS LETRAS
  69. SAPUCAÍ MIRIM
  70. TRÊS CORAÇÕES
  71. UBERABA
  72. UBERLÂNDIA


PIAUÍ

  1. TERESINA


MARANHÃO

  1. CAXIAS
  2. CHAPADINHA
  3. ITAPECURU MIRIM
  4. MATÕES DO NORTE
  5. MIRANDA DO NORTE
  6. PERITORÓ
  7. RAPOSA
  8. SANTA RITA
  9. SÃO JOSÉ DO RIBAMAR
  10. SÃO LUIS
  11. SÃO MATEUS DO MARANHÃO
  12. VARGEM ALEGRE
  13. TIMON


MATO GROSSO

  1. ALTO ARAGUAIA
  2. CUIABÁ
  3. JACIARA
  4. JUSCIMEIRA
  5. PEDRA PRETA
  6. RONDONÓPOLIS
  7. SÃO PEDRO DA CIPA
  8. VÁRZEA GRANDE


MATO GROSSO DO SUL

  1. CAMPO GRANDE
  2. DOURADOS
  3. PONTA PORÃ
  4. RIBAS DO RIO PARDO
  5. RIO BRILHANTE
  6. TRÊS LAGOAS


PARANÁ

  1. ALTO PARANÁ
  2. ANDIRÁ
  3. APUCARANA
  4. ARAPONGAS
  5. BANDEIRANTES
  6. CAMBARÁ
  7. CAMBIRÁ
  8. CAMBÉ
  9. CAMPO MOURÃO
  10. CASCAVEL
  11. CORNÉLIO PROCÓPIO
  12. CURITIBA
  13. FOZ DO IGUAÇU
  14. IBIPORÃ
  15. JANDAIA DO SUL
  16. JATAIZINHO
  17. LONDRINA
  18. MANDAGUAÇU
  19. MANDAGUARI
  20. MARIALVA
  21. MARINGÁ
  22. MEDIANEIRA
  23. NOVA ESPERANÇA
  24. PARANAVAÍ
  25. PRESIDENTE CASTELO BRANCO
  26. RIO NEGRO
  27. ROLÂNDIA
  28. SANTA MARIANA
  29. SÃO JOSÉ DOS PINHAIS
  30. SARANDI


SANTA CATARINA

  1. ARAQUARI
  2. BALNEÁRIO DO CAMBORIÚ
  3. CANOINHAS
  4. CRICIÚMA
  5. FLORIANÓPOLIS
  6. GUARAMIRIM
  7. IMBITUBA
  8. IRINEÓPOLIS
  9. JARAGUÁ DO SUL
  10. JOINVILLE
  11. MAFRA
  12. PORTO UNIÃO
  13. RIO NEGRINHO
  14. SÃO FRANCISCO DO SUL
  15. SOMBRIO
  16. TUBARÃO


RIO GRANDE DO SUL

  1. CANOAS
  2. ERECHIM
  3. ESTEIO
  4. NOVO HAMBURGO
  5. OSÓRIO
  6. PORTO ALEGRE
  7. SÃO LEOPOLDO
  8. SAPUCAIA DO SUL


PARAGUAY

  1. ASUNCIÓN
  2. CIUDAD DEL ESTE
  3. CORONEL OVIEDO
  4. FERNANDO DE LA MORA
  5. PEDRO JUAN CABALLERO
  6. SAN LORENZO


ARGENTINA

  1. PUERTO YGUAZU


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Escritor e Roteirista


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