Boa noite!

Untitled Document
vida de escritores

Vejo os escritores como "mestres". Professores são mestres, escritores idem. Mestres, no entanto, não são santos e, não sendo santos, não são dignos de estarem no altar. Alguns podem chegar a Academia Brasileira de Letras. Lá não é altar.

O dom da palavra, oral ou escrita, é um instrumento poderoso. Professores ensinam alunos, escritores transmitem sua mensagem a alunos e professores. E mais: estão na luta para conquistar leitores. Se o comerciante quer clientes, escritores querem leitores de A a Z.

Penetrando mais nesse mundo, encontraremos escritores "diferenciados", que buscam também um público "diferenciado". Claro, em nenhum nicho devemos generalizar. O mundo dos escritores, essa classe muito bem vigiada pelos políticos e sacerdotes de plantão, não deixa de ser um reflexo do momento social, da época. Quarenta, cinquenta anos atrás, o escritor representava a elite. Por mais "comunista" ou popular que fosse, sua imagem estava associada à elite. Hoje os escritores são "de domínio público". Gente como a gente. Por mais idolatrado que este ou aquele seja, a nova geração "curte", segue, mas caminha pela opinião própria. Escritores da geração X e Y sabem muito bem disso. Já os "baby boomer" escondem o inconformismo. E "choram as pitangas" nas conservadoras reuniões nas academias por este país a fora. Alguns até entraram, com muito esforço próprio, no ritmo atual. Abraçaram as redes sociais, tornaram-se mais "democráticos". Mas talvez a coisa mais difícil de superar seja o ciúme, a inveja. Mais uma vez coloco o dedo na ferida. Sou escritor, e de alguns anos para cá tenho sido mais participativo no meio literário de minha cidade e região.

Infelizmente, muitas mentes brilhantes ainda não conseguiram superar as doenças do ciúme e da inveja do outro, do escritor parceiro. Fuchicos, coisas historicamente vistas e ditas como característica de "vilinhas de comadres", rolam e muito nos bastidores acadêmicos. Sorrisos amarelados, escritores que fazem de tudo para evitar se encontrar num evento. Se o encontro é inevitável, vêm os teatrais tapinhas nas costas e os "beijos de Judas". Eventos acadêmicos são eventos políticos, e como tal, são palcos de hipocrisia. Salvam-se os escritores que aí e aqui estão para quebrar o lugar-comum, trazer novas propostas para a sociedade. Salvam-se os escritores da velha geração que venceram a hipocrisia e se adaptaram aos novos tempos sem largar a velha e boa disciplina de quarenta, cinquenta anos atrás. Os escritores da geração Y não banalizaram o meio acadêmico. Apenas popularizaram algo que era elitizado, desgraçadamente elitizado. Escritor atual precisa vender, não importa se tem emprego ou não, se a escrita é ou não é sua sobrevivência. Naquela época muitos possuíam seus macetes para botar a mão no dinheiro público, através da política e da exploração da mão de obra. "Sobrava" para "fazer caridade" doando suas obras para instituições, escolas, bibliotecas e presentear amigos. Muitos ainda se esnobam dizendo que "não precisaram vender seus livros". Doaram...ohhh...Pela trajetória política e social da figura, o termômetro sobe. Vida de escritor no passado era assim. Escritor encostado na política ou no mundo empresarial nunca precisou do dinheiro da venda de suas obras. Se já era conhecido pela vida pública, o livro seria apenas para fechar com chave de ouro. Eternizar o sobrenome da família.

Século XXI. Em tempos de devassa em contas públicas e empresariais, ser escritor é alternativa de renda. E pelo fato de vender, é lido, ao contrário dos figurões que fizeram doações e presentes. Nos últimos vinte anos o perfil do cidadão mudou. Na sociedade consumista, vinte e quatro horas por dia é cabeça pensando nas contas e como fazer dinheiro. Se o cidadão comprou, pagou por um livro, ele quer tirar proveito daquilo que pagou. Se ganhou...ora, para que se importar se não teve custo algum? Não deveria ser assim, mas é assim. Com meu primeiro livro, publicado na década de 90, percebi essa realidade. A princípio não presentearia nenhum amigo, pois todos são iguais. Ou todos ganham ou todos compram. Optei pela segunda para "não falir". Mas como as circunstâncias foram muitas, ocorreu de presentear este ou aquele, em situações como aniversário por exemplo. E aí vi o resultado. Poucos que ganharam, leram. Já 99% daqueles que compraram, leram. Sei que leram porque eu perguntei e responderam o que entenderam da trama.

Sou um escritor da geração X. Totalmente adaptado a realidade do século XXI. Vida de escritor hoje é como estar inserido numa "trama macabra". Por ser formador de opinião, é sutilmente cortejado pela panela política. "Cuidado com o que fala" – chega aos seus ouvidos. "Se falar o que não deve, todas as portas se fecharão para você" – recomenda outro. Por essas e outras, a cultura ainda levará algum tempo até conseguir se livrar das amarras políticas – digo política partidária. Se a democracia verdadeira fosse aplicada de acordo, muitos talentos seriam revelados no mundo literário, e consequentemente o escritor seria a pessoa que naturalmente ele nasceu para ser: livre e independente.

Parceiros













Eu Apoio


Juliano Gaitero


Sebo O Barato da Cultura


Aloysio Roberto Letra
Escritor e Roteirista


Rock Nacional
e Internacional



Soul, Funk, Samba
Rock e Derivados


Em Defesa do Meio
Ambiente e Cidadania