Boa noite!

OS SINAIS QUE VEM DA NATUREZA

 

“XUCREZA”

 

     “Xucreza” é uma expressão inventada (e engraçada) que pretende aliar a pessoa xucra (que não acordou, não amadureceu para a vida) e pobreza, que não se refere propriamente a pobreza material, mas pobreza de caráter. Portanto, a “xucreza” compreende todas as classes sociais.

     A pesquisa tem me proporcionado mais amadurecimento social e espiritual. O social sem dúvida causa certa “revolta”, pois tenho travado uma árdua batalha pela cultura, pela informação. No entanto, a burocracia, a ciumeira e o desinteresse da parte daqueles que deveriam apoiar a cultura cria um obstáculo que custa tempo e dinheiro. De fato, um pouco de “xucreza” faz parte do caráter de algumas pessoas que ocupam cargos de posição. Se o povo é reflexo de um governo, a “xucreza” também está lá instalada. Como li numa opinião manifestada numa comunidade de Orkut, “o que importa na política é ganhar”. Dissecando essas palavras, o cidadão (que com certeza tem rabo preso com algum figurão de partido grande) quis dizer que não importa o que se faz para ganhar uma eleição, nem o que a pessoa é ou seu nível cultural; o que importa é ganhar. É a tal democracia. Mas tem um porém que nunca é lembrado quando se prega essa liberdade: “a sua liberdade termina onde começa a minha”. Isso é um freio, um alerta de que a liberdade desenfreada leva ao caos. E é o caos que vemos hoje, pois o poder econômico passa por cima das leis.

     A “xucreza” então é conveniente, esteja na classe social que for, pois reina a “lei do bote”. O ladino cresce e desbanca o xucro de cultura. “Não interessa mais a ninguém ensinar, pois se ensinar, o cara vira meu concorrente”. Logo, a lei que é cumprida a risca é o “cada um por si”.

     Observando essa realidade, conclui-se que a sociedade vai na contra-mão do que prega o cristianismo. O que fazem as pessoas frequentando a igreja? Vão fazer volume? Ocupar e esquentar os bancos e genuflexórios? O que adianta frequentar algo que não se pratica? Pura hipocrisia. “Xucreza” religiosa. Que espiritualidade é essa que não produz transformação?

     Não só durante a pesquisa, mas em todos os lugares aonde vou, órgãos públicos e privados, igrejas, etc., me deparo com pobreza de caráter e cultura. Por exemplo, tem pessoas de A a Z que não sabem que o gênero romance na literatura é amplo, não significa somente uma romântica história de amor, e nem precisa necessariamente ter uma cena de amor. Justamente para evitar associações distorcidas e preconceituosas, nem sempre digo que sou escritor romancista, prefiro dizer que escrevo filmes ou novelas. Não poderia ser para menos, milhares de livros ficam empoeirando nas bibliotecas das escolas públicas, nunca foram lidos.

     Analisando as raízes do problema, a ignorância é ampliada quando se mistura a deficiência do ensino público brasileiro com machismo e preconceito transmitidos de geração a geração. Recordo-me do parente de um amigo meu que não usava o pronome possessivo na terminação “a”, pois para ele, HOMEM, não ficava bem dizer “minha calça”. Para ele tudo era meu, até a calça. Por mais estranho que soe aos nossos ouvidos, ele dizia “meu calça”, “meu roupa”, “meu carteira”. Culpado? Ignorante? Por quê? Alguém teve paciência e amor para instruí-lo da forma correta? Se meu filho é perfeito, por que me importar com o filho do vizinho? Nossa sociedade é assim. Só se mexe quando a água bate naquele lugar; em outras palavras, quando um desses nossos irmãos deixado às margens pega uma arma e mata um cidadão de bem, culto e belo. Nessa hora todos se reúnem e queimam os neurônios pensando no que fazer para promover a paz. Passados alguns meses, tudo esfria, cai no esquecimento porque esbarra no monstro dominador: os mantenedores do sistema. Aqueles que apostam nos remédios e remendos. Que preferem investir em câmeras de vigilância e penitenciárias ao invés de investir em educação. Investir em educação não é mandar milhares de livros didáticos para as escolas (livros que por sinal possuem cada vez mais erros). Só números não resolvem, é preciso ter qualidade e controle, pois enquanto em algumas escolas há livros demais, noutras há menos.

     Pior que o xucro de cultura, é o xucro de valores humanos. Que é aquele que tem cultura e mecanismos para transformar seu bairro, sua cidade, seu país, e não o faz. Não o faz por conveniência, interesse narcisista, pessoal. Nomes de pessoas xucras estão espalhados por todos os lugares, denominando bairros, rodovias, pontes, ruas, avenidas... e grafados em portentosos mausoléus nos cemitérios tradicionais. Para asfaltar ruas, construir pontes e conjuntos habitacionais com material de pouca qualidade, qualquer um na política faz. Qualquer xucro com dinheiro e nome faz. Como disse o internauta anônimo, o que importa é ganhar (dinheiro). Povo xucro vota em xucro ladino, que tem muita esperteza mas carece de valores humanos. E valores humanos significam evolução; evolução que jamais atingiremos enquanto não se investir no coletivo, na transformação do coletivo.

     Ainda não conheci, durante esta minha passagem por Jundiaí, estado de São Paulo, Brasil, Planeta Terra, uma figura contemporânea que tenha deixado a era “antes fulano tal” e a “depois fulano tal”. Não precisa ser um “novo messias”. Apenas um agente transformador, íntegro, autêntico, ousado, destemido e criativo.

 

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