Boa tarde!

Água Beleza

ATENAS DO SUL

    Jundiaí, São Paulo, Campinas e Itapetininga. São as quatro cidades que conheço desde criança e trago lembranças de uma época boa que não volta mais. Lembranças dos anos 71, 72, 73, 74... Já em 75, 76 e 77 entraram outras cidades, como Cabreúva, Pirapora do Bom Jesus, Itatiba, Várzea, Campo Limpo...
     Itapetininga é terra de parentes, por isso muitas foram as viagens, de carro e de ônibus para a cidade conhecida como “Atenas do Sul” por ser até aquela época, referência na região em quantidade e qualidade das escolas. Atenas, berço das leis e da sabedoria, Itapetininga, terra das escolas, da sabedoria. Se fosse falar hoje, não saberia dizer se continua merecendo o título. De 2001 para cá minhas viagens se concentraram mais na parte leste do Estado de São Paulo e Grande São Paulo. Já está na hora de retornar a porção oeste e sul, rever o retão da Castello Branco e a Raposo Tavares duplicada. Sim, conheço como ninguém o drama da Raposo com seus caminhões pesados e a dificuldade para o Jumbinho da Cometa ultrapassar. Eu deveria ter uns sete, oito anos de idade e estava sentado ao lado da minha mãe nas poltronas três e quatro. Uma hora era carreta, outra hora um monobloco O-355 da Andorinha. Chegar a Itapetininga era uma aventura por aquela rodovia.
     Passei dias na “Atenas do Sul”. Conheci toda a área central e adjacências. Não havia estação rodoviária, era um ponto ao lado de um mercado para as linhas da região; Angatuba, São Miguel Arcanjo, Capão Bonito...operadas por empresas diferentes das que operam hoje. Cometa partia da própria garagem, tal como em Jundiaí, na própria garagem há agência que vende passagem. Perto havia um supermercado...Cofesa, é isso mesmo? Ainda existirá? E as ruas de paralelepípedos e lajotas, continuam ou se renderam ao asfalto? Se fosse asfalto, com certeza um carro teria pego eu e minha prima. No ponto do mercado para as linhas regionais, eu e a Sílvia demos uma vacilada no meio da rua, eu ia para um lado, ela para outro, e na confusão de um querer puxar o outro, o corcelzinho chegou próximo. Como era paralelepípedo, ele deveria estar a uns quarenta por hora no máximo. A cena não saiu de nossa cabeça pelos anos seguintes, a gente se lembrava e ria. Outra cena que não me sai da cabeça é a casa onde fiquei por várias vezes. As senhoras, idosas, possuíam na casa um relógio que tocava música a cada quinze minutos, e nas horas cheias dava as badaladas correspondentes.
    Não cheguei a fazer amizades, pois até os 12 anos de idade era um tanto tímido. As crianças se aproximavam mas eu era difícil. Possuía carisma, cativava, mas não era de muita intimidade. Se em Jundiaí era assim, imagina fora. No entanto, a timidez não me inibia de ir para a rua. Itapetininga era mais sossegada que Jundiaí nos anos 70, e pai e mãe não demonstravam tanto medo com minhas saídas, a preocupação era que eu me perdesse. Mas com oito anos de idade memorizava muito bem nomes de ruas, o mapa estava na cabeça. Nomes de ruas, características das casas, aspectos, horizonte, tudo. Poderia afirmar tranquilamente que a memória é fotográfica. Lembro como se fosse hoje. A Itapetininga dos anos 70 e 80 está bem guardada. Inclusive dois retornos de carro para Jundiaí, uma vez num fusquinha de um tio, e outra quando fiz meu pai mudar o caminho, ao invés de sair da SP 127 para a Castello, mandei-o seguir em frente até Tietê, para sair na Marechal Rondon. Ele ficou ressabiado, mas como sabia que eu tinha o mapa na cabeça, confiou. E deu certo, só em Itu que ele se perdeu nas ruas, pois conhecia o trajeto da rodovia Sorocaba-Itu até a Marechal Rondon. Da Marechal para a Marechal, se confundiu. Hoje é a maior moleza.

 

 

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