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Água Beleza

"WHITE BALL"

     Casas de fliperama. Nos anos 80 pouquíssimas pessoas tinham o privilégio de jogar em casa. Os jovens de classe média se misturavam aos de menor poder aquisitivo sem preconceito nenhum, ainda que os pais, conservadores, não vissem com bons olhos tais lugares. Frequentar fliperama soava mal, combinava com bater o pé da escola e se misturar aos moleques de rua e drogados. Mas a tentação da jogatina falava mais alto. Assim, os fliperamas nas áreas centrais de qualquer cidade estavam sempre lotados. Office-boys, “senaizistas”, engraxates, flanelinhas, filhinhos de papai...vez ou outra adultos paravam por ali para jogar umas fichas também. White Ball era a maior e mais conhecida casa de fliperama de Jundiaí, e a que possuía a única máquina que aprendi a jogar pra valer.
     Nos anos 80, escrevendo os jornais artesanais, eu “fuçava” de tudo. Queria conhecer e abraçar o mundo. E “fuçando” o local de encontro da galera na jogatina, num certo dia encontrei um colega de escola jogando combate entre naves espaciais. Assuntos espaciais sempre me despertaram atenção, dessa forma comecei a observá-lo na jogada. Três vezes bastaram para eu pensar: “se ele joga bem, eu também consigo”. E se é algo que me desperta atenção, eu faço bem feito. Arrisquei. Nas primeiras vezes, o desastre não me inibiu. Em menos de um mês, já passava do segundo para o terceiro estágio na “Stinger”. Meu colega, Celso, já deixava de jogar nela e embarcava em outra, foi então que descobri um trio que dominava, jogava bem melhor que meu colega Celso. Eram “senaizistas”, estudavam no SENAI, e saindo da escola, se enfrentavam nela. Os três já beiravam um milhão na pontuação. Não demorei em puxar papo com o Zé, Emersom e Beto. Dali em diante não era três, mas quatro jogadores de verdade na Stinger.
     Foram os anos de 1984 e 1985. Nesse período, os encontros semanais dos quatro na máquina desanimavam os iniciantes. Quando dois da “quadrilha” se revezavam, em menos de quatro horas ninguém conseguia jogar na bendita máquina. A pontuação saltava de um para os dois milhões...logo veio três milhões...quem seria o recordista dentre os quatro? Eu sabia que não chegaria a bater um deles, que jogavam há mais tempo que eu. Mas jogava numa boa, sem nervosismo, sem aquela ciumeira característica dos viciados. Zé foi o primeiro a chegar aos três milhões e parou por aí. Parou de jogar mesmo, não adotou outra máquina. Beto e Emersom em poucos meses passaram o recorde do Zé. Quatro milhões. Eu ainda nos modestos dois milhões. Eis que um final de semana, Beto chegou por volta de 11 da manhã e só foi sair da máquina no final da tarde. Fez exatamente seis milhões e setecentos, 23 estágios. Depois dessa, ele mesmo achou que não conseguiria se superar, bem porque foram mais de seis horas em pé, na mesma máquina. Emersom tentou, mas parou nos cinco milhões. E eu, superei o Zé, fazendo quatro milhões. Terceira colocação. Boa.
     Que lição tirar de um jogo? Muitas. Sem dúvida o estímulo mental é benéfico, desde que não vire vício. Avalio também o tipo de jogada, ao contrário dos jogos que abundam hoje que envolvem armas e matança de “inimigos” humanos. A Stinger envolvia apenas naves espaciais, de vários formatos, com uma imitação do céu ao fundo, imitação simples, mas que permitia visualizar a participação de uma “guerra nas estrelas”.
     Celso, Beto e Emersom continuam sendo amigos até hoje. Zé eu perdi o contato.

 

 

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