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OS PALAVRÕES NA LITERATURA

Afrânio Bardari

     Na década de 80, produzindo os jornais no Clube Volvo, fiz amizade com um jornalista que estreava na cidade um jornal gratuito, denominado “Jornal do Calçadão”, homenagem ao calçadão recém inaugurado na Rua Barão de Jundiaí. Da amizade, ambos saíram ganhando em seus trabalhos. Colaborei por anos seguidos com a distribuição do jornal, busca por anúncios e vez ou outra até artigos eu escrevia. Para o meu jornal, Afrânio dava dicas e opiniões, sobre o que deveria ou não deveria ser escrito. Por muitas vezes me orientou e deu “puxões de orelha”, mas sempre de forma educada, sem ofensas. Por isso, Afrânio merece ser homenageado por ter sido pessoa íntegra. Muitas pessoas que conheci naquela época viam que eu estava errando em algo e ficavam quietas, pois queriam me ver quebrando a cara. Afrânio me alertava antes que o pior acontecesse. Dizia “não fica melhor se você fizer assim do que assado?” Aí eu refletia e caía na real.
     Afrânio Bardari tinha também sua admiração pessoal. Enquanto Celso Fonseca admirava os aviões, Afrânio sempre esteve ligado ao mundo ferroviário, tanto que foi escolhido para fazer um levantamento sobre a vida e os feitos dos grandes ferroviários paulistas, os dirigentes das Estradas de Ferro que cortavam todo o Estado de São Paulo, desde 1800. De posse dos currículos, o material foi todo elaborado no livro.
     Da amizade com o jornalista Bardari, ficaram muitas lições e coincidências. Afrânio, como jornalista, conhecia muito bem o mundo político. Candidatou-se uma vez a vereador e obteve 107 votos. Como ele mesmo me falou depois, sete foram de sua família e 100 amigos depositaram confiança. Algum tempo atrás fiz a experiência também de me candidatar a vereador. O resultado foi exatamente o mesmo, obtive 100 votos dos amigos e um pouco mais da família, 28. Comparo da seguinte forma; Afrânio era pessoa simples, não tinha grandes ambições de enriquecimento e não comprou votos e amizades, promovendo festas, churrascadas e promessas de arrumar cargos e vantagens para amigos e parentes. Fui testemunha. E durante minha candidatura, também não comprei pessoas, coisa de hipócritas. Lamentavelmente, o ser humano é interesseiro, por isso pessoas idôneas recebem números modestos de votos, e continuamos sendo governados por hipócritas e corruptos, dos mais altos escalões na esfera federal às esferas municipais, com raríssimas exceções. A experiência é válida, pois sabemos que possuímos cem amigos de verdade, pessoas igualmente idôneas, que votaram pelo que a pessoa é, e não pelo que promete dar em troca.
     Antes de falecer, Afrânio deixou mais uma mostra de força de vontade: conseguiu parar de fumar; fumava cinco maços por dia, e numa certa ocasião parou de vez, sem recaída. Afrânio Bardari cumpriu com sua missão, deixou exemplo de determinação, amizade sincera, parceria e força de vontade.

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