Boa noite!

CABREÚVA - 112


CABREÚVA - 112

Sétima cidade a ter a Pesquisa sobre hábito de leitura concluída, e última da recém-formada Aglomeração Urbana de Jundiaí (AUJ). Os números totalizados nos seis municípios que circundam Jundiaí coincidiram com o número de pessoas ouvidas na cidade de Jundiaí (1270), com um acréscimo de seis na cidade de Várzea Paulista que já estava com a pesquisa concluída. Ao encerrar a região, faço um resumo do hábito de leitura regional, que está num texto à parte.
Semelhante ao caso de Campo Limpo Paulista (Bairro de Botujuru), várias pessoas do distrito do Jacaré, maior bairro de Cabreúva, responderam ao questionário no comércio em Jundiaí, ou na estação rodoviária, figurando portanto com o maior número de pessoas ouvidas. Em seguida vem o Vilarejo, outro grande bairro vizinho ao Jacaré, com os 12 pesquisados no comércio. Finalmente, um morador do Cururu e outro do Barrinha também responderam no comércio em Jundiaí. Nos demais bairros de Cabreúva estive presente com a pesquisa, o primeiro deles foi o Bonfim (velho) no ano de 2008, com o antigo questionário de oito perguntas. Três anos depois fiz o centro e Novo Bonfim, terminando em 2013 com o Colina da Serra, Pinhal, Caí e o longínquo Bananal, na divisa com Pirapora do Bom Jesus.



COMO É A CIDADE PESQUISADA

Cabreúva é praticamente dividida em duas: o centro e o distrito do Jacaré, separados por mais de sete quilômetros. O centro é a cidade velha, com casarios antigos e famílias tradicionais da região. O Jacaré, embora não seja bairro novo, concentra muitos moradores novos, que superpovoaram os arredores a partir da década de 80, impulsionando os negócios e fortalecendo o comércio, surgindo assim os problemas característicos das cidades médias e grandes; o trânsito, a insegurança e as drogas. Dessa forma, existem movimentos de emancipação do distrito, que engloba Santo Antonio, Colina da Serra e até mesmo o Vilarejo, que fica no meio do caminho entre o Jacaré e o Bonfim. Mesmo com toda essa aparente pujança, Cabreúva continua figurando como cidade pequena, com vasta área rural e população esparsa, e boa parte dos moradores trabalha no comércio e na indústria nas cidades de Jundiaí e Itupeva. A cidade é vizinha a Serra do Japi, que pode ser vista tanto do Colina da Serra, Vilarejo, Bonfim e Cururu como ao longo da rodovia que liga Cabreúva a Pirapora. É como se a serra fosse a eterna guardiã da cidade.

 

O PERFIL LITERÁRIO CABREUVANO

Dos 112 moradores ouvidos, prevaleceu o sim ao hábito de ler. Os bairros que apresentaram menos hábito de leitura foram o Vilarejo e o Bonfim (velho), onde surpreendentemente quatro pesquisados afirmaram categoricamente não gostar ou não possuir o hábito de ler, sendo um adulto do sexo feminino, dois jovens (uma moça e um rapaz) e um menino (criança). Outras negativas à leitura apareceram no Vilarejo e Novo Bonfim. Os dois pontos que receberam mais “sim” foram o centro da cidade e o Jacaré. Em todos os demais os números ficaram equilibrados entre o sim e o pouco hábito de ler. O pouco hábito está mais concentrado no público da zona rural, que alegou pouco tempo para ler, falta de hábito, pouco estudo e leitura restrita à Bíblia (pelo público evangélico adulto). A cidade possui jornal e também circulam jornais de Jundiaí, portanto a leitura de jornais lidera. No entanto os romances foram bastante citados, inclusive nomes de autores preferidos. Paulo Coelho ganhou disparado na preferência, citado dez vezes. Em seguida Jorge Amado, Machado de Assis, Cecília Meirelles e Ágatha Christie. Citados de uma a duas vezes, Carlos Drummond de Andrade, José de Alencar, Dan Brown, Stephen King, Nicolas Spark, Max Lucado, Charles Chaplin, Clarice Lispector, Pablo Neruda, Guimarães Rosa, Fernando Pessoa, Ruth Rocha, Monteiro Lobato, Mauricio de Sousa, Graciliano Ramos, Padre Fábio de Melo e Pastor Juanribe Pagliarin. Também foi citado o romance Robinson Crusoé, que é do autor Daniel Defoe, no entanto prevaleceu o título, já que o autor poucos lembram. Os autores regionais foram citados basicamente no centro (maior parte), Bonfim e Novo Bonfim, todos de Cabreúva: Waldemar Alves de Camargo, Roberto Mesquita, Otoni Rodrigues Silveira, Maria Aparecida Spina, Joaquim Cintra, Roque Camargo e o atual prefeito, Henrique Martin. Autores de Jundiaí foram citados no Jacaré e Novo Bonfim, sendo eles: Marcos Uvinha, Marcos Hungria, Elvio Santiago e o pastor Ezequias Soares, além de meu nome. Embora um número considerável de evangélicos tenha respondido a pesquisa, não foram citados tantos autores evangélicos como em Campo Limpo Paulista e outras cidades da região, talvez pela presença forte da Congregação na cidade, pois nesta não existem nomes de projeção nacional desse segmento literário, dominado pela Assembleia e Universal. Nas sete cidades pesquisadas até agora, em torno de 95% dos pesquisados pertencentes a CCNB responderam não ler livros, somente a Bíblia ou jornais. Outra característica diferenciada deste público foi registrada na preferência musical, mais de 90% citou hinos da igreja.

 

A RECEPÇÃO À PESQUISA

Prevaleceu o bom atendimento, semelhante à cidade de Jarinu. Dois bairros receberam nota 10; Colina da Serra e Novo Bonfim. O Bairro do Pinhal só não recebeu 10 devido a um senhor, que de forma seca e cheio de desconfiança, não quis responder à pesquisa mas fez questão de saber o porquê da pesquisa. O critério de tirar notas de um bairro não é pela negativa em responder ao pesquisador, pois todo cidadão é livre para responder ou não responder a uma pesquisa pública (com exceção do IBGE, que é obrigatório). O que levo em conta é a forma de atendimento, diálogo estabelecido e tipo de justificativa para não responder. Neste caso do Pinhal, o cidadão não justificou claramente, além de ter dialogado de uma forma nem um pouco agradável. Detalhe: sua residência era a melhor da rua. Esse fato contribui para aumentar a estatística de que quanto maior o poder aquisitivo, maior é a falta de educação no atendimento residencial. A boa educação deles é com clientes, se não é cliente o tratamento muda. Sem generalizar, pessoas de classe média em alguns bairros atenderam bem dentre os 3100 pesquisados, mas os números não são animadores. Bairros periféricos continuam bem a frente dos bairros de classe média no quesito educação no atendimento residencial.

 

CURIOSIDADES DA PESQUISA

Pela primeira vez caminhei pelo Bairro do Caí. Além do nome incomum, a igreja católica divide o bairro em dois: Caí de Baixo e Caí de Cima. Dizer “moro no Caí de Baixo” ou “vou ao Caí de Cima” não deixa de produzir um clima de ironia e riso. Um morador do Caí de Baixo fez questão que eu assinalasse como seu autor preferido, Jesus. Sua única leitura é a Bíblia e preferência musical gospel.
Em 2008, plena época eleitoral, fui ao Bonfim (velho) fazer a pesquisa, e cruzei com uma mulher bastante elegante também batendo ao portão de residências tradicionais do bairro. Cumprimentei-a, e logo depois vim, a saber, que era a ex-prefeita, pedindo votos para se reeleger.
No Bairro do Pinhal conheci duas jovens que almejam ser escritoras. Uma está engajada, a outra disse ter perdido um pouco a confiança nesse ideal, que era um sonho de adolescente.
No centro da cidade, que pode ser considerado o reduto literário, conheci e entrevistei a senhora Maria do Carmo Camargo Lui, professora aposentada e pesquisadora da história da cidade, que escreve eventualmente para os jornais.
A maioria dos moradores separaria o lixo para reciclagem se houvesse coleta seletiva nos bairros. Mesmo assim muitos separam porque eventualmente passam carroceiros e pessoas que recolhem para tirar uns trocados.

 

NÚMEROS POR BAIRRO

 

Bairro do Caí
Moradores ouvidos: 06 (incluindo Caí de Baixo e Caí de Cima)
Nota de atendimento: 9
Perfil econômico: D
Como conhecia o lugar somente de passagem, não sabia que a rodovia que liga o Bonfim à SP 312 passa por três localidades: Caí de Baixo, Caí de Cima e Pinhal 4. Tanto que a primeira chácara que bati para a pesquisa, achando que pertencia ao Caí, era continuação do Pinhal, bairro ao longo da Rodovia Dom Gabriel, do lado oposto. O rapaz que me atendeu respondeu que ali era Pinhal 4. Registrado na pesquisa, único morador do Pinhal 4. Os demais do Pinhal 1. Mas o objetivo era o Caí, cuja diferença para o Pinhal 4 são as casas, antigas, de tijolos a vista. Foram 4 moradores do Caí de Baixo que responderam; 3 mulheres adultas e um homem, que respondeu Jesus como autor preferido. Das mulheres, duas afirmaram ter hábito de ler romances, e uma que respondeu ter pouco hábito, admitiu gostar também de romance mas prefere assuntos sobre culinária (sua profissão é cozinheira). No Caí de Cima pela primeira vez entrevistei uma oleira (trabalha nas olarias da região), que respondeu ter pouco hábito de ler devido ao pouco estudo (cursou até a 2ª série primária). Disse ela que prefere ouvir as histórias. E uma jovem, da mesma família, cursando o 3º ano do 2º grau, afirmou gostar de ler, principalmente contos e revistas, e citou Jorge Amado como autor marcante. Uma moradora de 22 anos afirmou ser analfabeta.
Bairro do Pinhal
Moradores ouvidos: 15
Nota de atendimento: 9
Perfil econômico: C/D
Enquanto o Jacaré é o centro comercial, o bairro do Pinhal, vizinho, concentra as indústrias. Mas são poucas e não comprometem a qualidade de vida dos moradores. Os três primeiros que responderam ao questionário fizeram-no em Jundiaí, no comércio. Posteriormente ouvi mais doze moradores no próprio bairro, onde concluí a pesquisa na cidade. Os números ficaram equilibrados entre o sim e o pouco hábito de ler, justificados por “questão de tempo”, falta de hábito e até um caso curioso, de uma mulher que cursou até a 5ª série porém mal sabe ler, embora admita a importância da leitura e se esforce para ler a Bíblia. Dois pedreiros e um cortador de pedra responderam ao questionário, sendo que um dos pedreiros citou o nome de Jorge Amado. Paulo Coelho foi citado duas vezes no Pinhal. O jovem morador do Pinhal 4, ajudante de motorista de caminhão, respondeu gostar de ler comédias, contos e a Bíblia. Sua mãe não aprendeu a ler, caso constatado em outros bairros de Cabreúva.
Bananal
Moradores ouvidos: 03
Perfil econômico: D
A rápida passagem por este bairro isolado, quase na metade do caminho entre Cabreúva e Pirapora do Bom Jesus, permitiu ouvir apenas três moradores; duas jovens estudantes e um motorista de caminhão. Somente o motorista disse ler pouco devido ao trabalho de motorista, que ocupa muito seu tempo, mas citou Jorge Amado como autor de sua preferência. Respondeu que possuía o hábito de comprar livros. As jovens não citaram autores preferidos. Uma prefere romances e a outra gibis e poesia.
Barrinha
Morador ouvido: 01
O pesquisado respondeu ao questionário em Jundiaí e afirmou possuir o hábito de ler, mas sem preferência por autores.
Bonfim do Bom Jesus
Moradores ouvidos: 23
Nota de atendimento: 8
Perfil econômico: C/D
O Bairro do Bonfim era um bairro isolado entre o Jacaré e o centro de Cabreúva, tão antigo quanto a própria cidade. Por isso é conhecido como “Bonfim velho”, pois em seu entorno surgiu o Vilarejo e o Novo Bonfim. Embora seja hoje bastante conhecido pela igreja evangélica Congregação Cristã, que atrai moradores de toda a região, os moradores tradicionais do Bonfim são católicos e possuem o hábito de ler jornais e a literatura clássica. A surpresa veio de três jovens que ouvi e afirmaram não gostar de ler nada, nem mesmo gibis.
Centro
Moradores ouvidos: 06
Nota de atendimento: 8
Perfil econômico: B/C/D
Tal como em Louveira e Itupeva, a região central concentra os moradores tradicionais e afinados com a literatura regional e nacional. Somente um morador afirmou ter pouco hábito de ler, mas tem preferência por romances e poesias. Autores de renome nacional citados no centro foram: Graciliano Ramos, Machado de Assis, Monteiro Lobato e Dan Brown.
Colina da Serra
Moradores ouvidos: 06
Nota de atendimento: 10
Perfil econômico: C
O bairro mais novo e com melhor infraestrutura e qualidade de vida da região do Jacaré é o Colina da Serra, onde das seis moradoras ouvidas na ocasião, duas responderam ter pouco hábito de ler (uma lê somente Bíblia, algumas revistas e literatura exclusivamente evangélica). E a justificativa para não ler muito foi “não conseguir se concentrar na leitura”. Dentre as quatro que possuem hábito de ler, duas citaram Nicolas Spark como autor preferido e outra citou Ágatha Christie e o Padre Fábio de Melo. Estas quatro coincidiram no time de futebol preferido: Corinthians. As outras duas responderam não torcer por nenhum time.
Cururu
Morador ouvido: 01
Uma menina (criança) respondeu ao questionário e disse gostar de romances de aventura, poesia e gibis, além de ler eventualmente algumas revistas e jornais. Sua preferência musical é o sertanejo, mas não tem preferência por autores da literatura.
Jacaré
Moradores ouvidos: 26
Perfil econômico: C/D
Dos 26 moradores que responderam ao questionário no comércio em Jundiaí, pouco mais da metade é do sexo feminino, mulheres jovens e adultas que na ocasião estavam em busca de emprego na cidade. Praticamente todas responderam ao questionário antigo, de sete, oito e doze perguntas, sendo que neste último foi possível constatar que muitos moradores do Jacaré não são naturais da cidade, vieram de outros municípios paulistas e do Nordeste. A constatação positiva foi que a maioria respondeu sim ao hábito de leitura, inclusive com vários autores citados. Lideraram Paulo Coelho, Machado de Assis, Carlos Drummond, Vinicius de Moraes e Clarice Lispector. O público masculino citou menos nomes, foram apenas Paulo Coelho, Agatha Christie, Augusto Cury, Carlos Castañeda e um citou como autor conhecido da região e preferido, o Pastor Ezequias Soares. Outros nomes citados pelo público feminino: Erico Veríssimo, Gabriel Chalita, Cecília Meirelles e Fernando Pessoa. Escritora da cidade foi citado o nome de Terezinha de Andrade, porém não consegui até o momento confirmar se é escritora ou artista-plástica.
Novo Bonfim
Moradores ouvidos: 13
Nota de atendimento: 10
Perfil econômico: D
Prevaleceu o sim ao hábito de ler, com apenas um “não”, sendo que este afirmou ler eventualmente e somente a Bíblia. Os demais que responderam pouco hábito também citaram Bíblia e jornais. E dentre a maioria que tem hábito de ler, foram destacados romances, poesia, contos, artigos, gibis e também jornais e Bíblia. Neste bairro dois moradores citaram o atual prefeito como escritor da cidade, e o jundiaiense Marcos Hungria, cujo livro a moradora entrevistada tinha conhecimento e pretendia adquirir. Dos 13 moradores ouvidos, 12 eram procedentes de outras cidades e estados. Autores de renome nacional e internacional citados no Novo Bonfim: Paulo Coelho, Agatha Christie, Monteiro Lobato, Guimarães Rosa, Pablo Neruda e Charles Chaplin.
Vilarejo
Moradores ouvidos: 12
Perfil econômico: D
Embora seja o bairro que mais tenha sido registrado o pouco hábito de leitura, foram citados vários nomes da literatura pela minoria que possui o hábito. Paulo Coelho, nome mais citado em Cabreúva, também figurou no bairro por duas vezes. Demais nomes foram; Mauricio de Sousa, Machado de Assis, Graciliano Ramos, Max Lucado e João Bidu, este conhecido pelos horóscopos nos jornais, e atualmente possui livros sobre astrologia e sonhos. Tal como no Jacaré, o Vilarejo é um bairro com grande presença de moradores de outras cidades e outros estados, muitos jovens e crianças, e considerável público evangélico.

 

Parceiros













Eu Apoio


Juliano Gaitero


Sebo O Barato da Cultura


Aloysio Roberto Letra
Escritor e Roteirista


Rock Nacional
e Internacional



Soul, Funk, Samba
Rock e Derivados


Em Defesa do Meio
Ambiente e Cidadania