Boa noite!

LOUVEIRA – 142


CAJAMAR - 128

Oitava cidade a ter a pesquisa concluída e primeira da Região Metropolitana de São Paulo. Mais um desafio vencido, é a pesquisa entrando em lugares diferentes, distanciando do ponto de partida que foi Jundiaí.

Cajamar tem uma característica em comum com Cabreúva, que foi a sétima cidade pesquisada. Ambas possuem um centro pequeno onde residem as famílias mais antigas, tradicionais da cidade. Cabreúva tem o distrito do Jacaré, que é muito maior que o centro e concentra várias atividades comerciais e as indústrias. Cajamar é em dose dupla: possui Jordanésia e Polvilho, bairros gigantes que possuem várias vilas internas, intenso comércio e áreas industriais. Jordanésia por ser mais próxima de Jundiaí e ter a facilidade de se chegar pela excelente Rodovia Anhanguera, foi a região que mais pesquisei, além de vários moradores terem respondido o questionário no comércio em Jundiaí nos anos de 2010 e 2011.

CARACTERÍSTICAS DA CIDADE

Com uma população que beira os setenta mil habitantes, é uma cidade relativamente tranquila se comparada a muitas da região metropolitana. Seu perfil físico e cultural lembra Caieiras, Mairiporã e Embu Guaçu, por estar cercada de área verde, bairros sossegados com qualidade de vida e também uma periferia problemática na área social, porém com boa infraestrutura.

Batizada há muito tempo atrás com o nome de Água Fria, Cajamar faz limites com a Serra do Japi e Serra dos Cristais, porém pouco sobrou da mata original. Todo seu entorno é cercado por plantações de eucalipto da gigante fábrica de papel de Caieiras, a Companhia Melhoramentos. O centro da cidade possui poucas ruas, repletas de casas antigas e pouco comércio; caminhar aí faz a gente lembrar pequenas cidades interioranas de Minas Gerais. Jordanésia, localizada a beira da Anhanguera e da Rodovia Edgar Máximo Zambotto, embora não seja bairro novo, possui indústrias antigas e recentes, algumas em plena instalação. A expansão das vilas que englobam o distrito chega até a Rodovia dos Bandeirantes na divisa com Caieiras. Em sentido capital, está o distrito do Polvilho, que faz divisa com São Paulo e Santana do Parnaíba, com bairros conurbados e certa confusão na identificação dos limites das cidades. Ao contrário de Jordanésia cujo comércio é espalhado, no Polvilho todo o comércio está concentrado na Avenida Tenente Marques, que é a via de ligação com a vizinha Santana de Parnaíba. O Polvilho tem característica de bairro da própria capital, enquanto Jordanésia lembra cidades interioranas, e isso influi no comportamento das pessoas. Em Jordanésia o povo foi bem receptivo à pesquisa, enquanto no Polvilho houve mais resistência e desconfiança, que são comuns na capital.

Cajamar é conhecida no Estado de São Paulo pelo seu boiódromo, com o segundo rodeio mais famoso do interior depois de Barretos.

A cidade abriga famílias em sua maioria das camadas sociais C e D espalhadas por todas as regiões. A classe B é bem menor e está restrita aos poucos condomínios nos pontos extremos, como o Capitalville. A classe E também é pequena e localizada pontualmente em um ou outro bairro, como Calcárea que possui essencialmente a classe D, o bairro rural de São Benedito que também é essencialmente D e parte de uma favela na região central. Não existem moradores de rua em Cajamar.

COMO FOI A PESQUISA

Os primeiros números da cidade apareceram no comércio em Jundiaí, onde principalmente moradores de Jordanésia responderam ao questionário mais antigo. Como os questionários antigos eram mais simples e os pesquisados respondiam (escrevendo) muitas vezes sem minha orientação, os números de Jordanésia (12) podem incluir vilas dentro do distrito, como Jardim Penteado, Vila Abrão, Vila das Américas e outros. Jordanésia é 90% dividida em pequenas vilas e até bairros grandes, como o Parque São Roberto – que é dividido entre I e II. E mesmo estando lá posteriormente, a descrição das divisões das vilas ficou duvidosa devido aos erros comuns das placas toponímicas, que não é característica somente de Cajamar. As próprias prefeituras se confundem na demarcação de bairros e vilas, o que deixa os moradores atrapalhados. Diante dessa confusão generalizada, na descrição por bairros nos números da pesquisa em Cajamar optei por fazer com um detalhe diferente; quatro cores dividindo a cidade em quatro áreas: central, Polvilho, Jordanésia e zona rural. Assim o leitor poderá compreender mais facilmente a região da cidade pesquisada.

Deixando a confusão dos nomes para lá, o distrito de Jordanésia foi o que mais recebeu a visita deste escritor, seja pela facilidade e rapidez de acesso, seja pela boa receptividade. Cajamar só ficou atrás de Jarinu e Campo Limpo no item notas de receptividade, bem à frente da recepção nas cidades de Itupeva, Louveira e Várzea, tanto que Jordanésia pede bis, minha intenção era prosseguir a pesquisa principalmente no São Roberto, bairro populoso, com povo humilde e receptivo. Infelizmente devido ao tempo e compromissos alheios à minha vontade precisei encerrar a pesquisa nos 128 cajamarenses ouvidos, com apenas oito no Parque São Roberto. O Polvilho, embora menos receptivo, também possui uma ampla região com várias vilas pequenas e grandes onde poderiam ter sido ouvidos no mínimo 30 moradores. Futuramente decidirei se faço uma segunda amostragem na cidade, como fiz em Campo Limpo, onde chegou a 500 moradores ouvidos (286 na primeira fase e o restante na segunda fase). O único bairro que recebeu nota baixa foi a Vila Nova, um local carente de infraestrutura curiosamente situado atrás da prefeitura e próximo ao Acampamento Florim, um núcleo de submoradias ao lado da própria prefeitura! Além das residências onde ninguém atendeu, na maioria delas a recepção foi negativa, como se os moradores não gostassem de atender visitantes. Por isso apenas duas pessoas responderam. No centro, que inclui a Vila Branca, o atendimento foi um pouco melhor mas mesmo assim não mereceu nota maior que sete, igualmente o Polvilho e Guaturinho. O São Benedito foi um caso a parte. Encravado na Serra dos Cristais, o bairro surgiu de uma antiga fazenda, por isso mistura clima rural com uma urbanização totalmente sem critérios, caótica. As casas são de alvenaria, o lugar possui iluminação e até uma escola. Porém as ruas são totalmente irregulares e uma delas, por ser aclive, os próprios moradores improvisaram calçamento para os carros não deslizarem no barro em dias de chuva. Os moradores são humildes, porém desconfiados e alguns arredios. Uma família simplesmente não respondeu sob a alegação de que todos são analfabetos, não possuem estudo, dos mais velhos aos mais novos. Por ser uma comunidade totalmente carente, ignorada pelo poder público, os indícios da presença de uma “força paralela” me levaram a ser cauteloso no local, e aos poucos fui constatando que realmente existe um número considerável de moradores com pouca escolaridade e semialfabetizados nessa área. Tal como no bairro do lado oposto da Anhanguera, conhecido apenas como km. 43, a predominância é de bares e pequenas denominações evangélicas. Minha presença no São Benedito despertou atenção, cheguei a fazer algumas amizades, porém evitei ir adiante com a pesquisa sem antes conhecer melhor o local. No caso do Calcárea, bairro periférico na divisa com Caieiras, devido a recomendações de moradores dos arredores, não fiz a pesquisa. Mas mesmo com a ausência de moradores do Calcárea e de várias vilas da região do Polvilho, incluindo o Jardim Muriano, foi possível atingir todas as regiões de Cajamar, mais de 60% da cidade. Números pequenos em cada bairro, mas significativos e que me proporcionaram ter um parâmetro social da cidade.

O HÁBITO DE LER NA CIDADE

O sim ao hábito da leitura prevaleceu (64), mas logo atrás com 54 o pouco hábito, justificado principalmente com o fator “tempo”, falta de hábito desde a época escolar e também o problema de vista, constatado no público com mais de quarenta anos de idade. Teve inclusive uma moradora da região de Jordanésia que respondeu que sempre gostou de ler mas agora apresenta cegueira, perda paulatina da visão. Chamo a atenção das autoridades para este fato que estou verificando durante a pesquisa. É extremamente alto o número de adultos e idosos que necessitam de óculos para ler.

As pessoas que admitiram não possuir hábito de ler foram exatamente dez, três delas somente no centro da cidade, sendo que tanto destas que responderam não quanto às que alegaram ler pouco, a maioria é do sexo feminino. Algumas famílias evangélicas, principalmente da Congregação, responderam “gostar de ler somente a Bíblia”, como deixou bem claro um senhor residente no Gato Preto. Nada, nem jornal, nem internet, nenhum livro ou informação, somente a Bíblia. Por sinal, senti no público idoso da cidade certa apatia com a leitura em geral, tanto dos homens como das mulheres. Já no público infantil e adolescente notei diversidade, parte gosta de ler, outra parte “não é chegada em leitura”; alguns afirmaram “leio porque preciso ler na escola, para fazer trabalhos”. Chamou atenção também que autores clássicos da literatura infantil, seja o cartunista Mauricio de Sousa, citado várias vezes na pesquisa em outras cidades, ou Monteiro Lobato e Ruth Rocha, mal apareceram em Cajamar. As poucas citações de autores preferidos por esta faixa etária foram de nomes estrangeiros e alguns clássicos da literatura nacional; e uma grande surpresa: pela primeira vez uma adolescente cita a famosa autora Zíbia Gasparetto, que até agora figurou como preferida do público adulto.

O ranking dos autores em Cajamar ficou assim:

JOSÉ DE ALENCAR em primeiro lugar, citado como preferido cinco vezes;

MACHADO DE ASSIS e ZÍBIA GASPARETTO empatados em segundo lugar, citados quatro vezes;

PAULO COELHO e AGATHA CHRISTIE citados duas vezes.

Ao todo 40 autores foram citados dentre os 128 pesquisados, sendo a maioria nomes da literatura nacional. Autores católicos foram citados uma vez cada, a surpresa foi a ausência de nomes nacionais do segmento evangélico, como Silas Malafaia e Edir Macedo, que foram muito citados nas demais cidades da região. As novidades ficaram por conta de um autor chinês cristão – Watchman Nee e o alemão Erich Maria Remarque. Ainda no segmento estrangeiro, outra surpresa foi a ausência do nome da autora de Harry Potter e do clássico Senhor dos Anéis, nomes que apareceram bastante entre o público jovem nas outras cidades. Em Cajamar os nomes citados por jovens foram Rick Riordan, Stephanie Meyer, a autora britânica E.L. James, Clarice Lispector, José de Alencar, Aluísio de Azevedo e o poeta Vinicius de Moraes, este citado por uma criança.

ESCRITORES REGIONAIS

Foi citado somente o nome de Giuliano Milan da vizinha Jundiaí. Embora Cajamar tenha recebido alguns eventos culturais a nível regional, como o “Sarau da Roça” realizado no São Benedito, apenas uma moradora do Jardim Holanda se lembrou de nome de escritor de Jundiaí. Os autores comprovadamente da cidade de Cajamar que foram citados são: Célia de Paula Andrade (citada duas vezes), Alex Sandro Petrocelli (também citado duas vezes) e Gisela Santanna, esta uma jovem estudante de Publicidade e estreante no mundo literário com o livro “Memória Marte”. Foi citado também o nome de Jéssica (a pesquisada não soube informar o nome completo) e outra pesquisada citou o autor do livro “O Fantasma do Buraco”, que no caso é Joelio Araújo de Souza. Este livro se refere ao “buraco de Cajamar”, uma cratera que surgiu no centro da cidade na década de 80 e virou notícia nacional. Fátima Carvalho, piauiense de Oeiras e residente em Cajamar desde 2003, autora do livro “Vendaval de Emoções”, foi citada por uma moradora de Jordanésia. Uma criança citou o nome João Quito, um declamador de poesias conhecido na região.

CONHECIMENTO GEOGRÁFICO

Esta pergunta está entre as que foram acrescentadas aos novos questionários (com 15 questões). Trata-se de uma avaliação importante, pois analisa o grau de conhecimento dos moradores no espaço em que moram. Todo mundo ouve na mídia notícias de Estados Unidos, Japão, França...ou do Nordeste, da Amazônia, de Brasília, da capital...e normalmente existe a noção da distância e da cultura de tais lugares. Mas conhecemos o próprio lugar onde habitamos? Nossa cidade e nossos vizinhos? Quantas pessoas moram há anos num bairro, numa cidade, e se perdem ao sair de ônibus ou de carro? Mesmo para moradores novos, com menos de um ano na cidade, não seria importante saber o que há no entorno? Como são essas cidades? Turísticas ou não? Ainda que a pessoa não saiba responder, o fato de perguntar faz a pessoa refletir sobre a questão. Por isso essa pergunta será fixa enquanto durar a pesquisa. E Cajamar é a primeira cidade que mais respondeu ao questionário novo com esta pergunta, portanto já tenho um parâmetro. A maioria não conhece as cidades vizinhas e se confunde com cidade e bairro ou distrito. Tanto que não foram poucos que em Jordanésia citaram Polvilho, Perus e Morro Doce como vizinhos. São vizinhos, mas não são cidades, e isso é bem claro na pergunta: cidades que fazem divisa com o município. Para meu espanto, lembraram Perus e Morro Doce, mas estes mesmos não raciocinaram que Perus e Morro Doce são bairros de São Paulo; o próprio nome São Paulo pouco foi citado!

As cidades que fazem divisa com Cajamar são: Jundiaí, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba, São Paulo (divisa pequena, porém num ponto importante e bastante conhecido, a Rodovia Anhanguera), Caieiras e Franco da Rocha. Das 88 pessoas que responderam a esta questão, 70 citaram a cidade de Jundiaí, que foi a mais lembrada, embora 8 tenham respondido com dúvida. Neste caso, assinalo com interrogação, significando que a pessoa respondeu sem certeza. Em dois casos, as pessoas ficaram admiradas quando souberam que Jundiaí faz divisa, pois entendiam que a distância entre os perímetros urbanos entre Jordanésia e Jundiaí pela Anhanguera na Serra dos Cristais, não caracterizava a divisa entre municípios. Santana de Parnaíba foi a segunda cidade mais lembrada, com 50 citações. Em alguns questionários, citaram Santana mas não citaram Jundiaí, e Jundiaí foi citada unicamente em dois questionários. Pirapora foi a cidade menos citada, juntamente de São Paulo. Mas curiosamente Pirapora foi a única cidade citada por uma moradora da Vila das Américas. Já as cidades a leste constituem a maior dúvida de todos os cajamarenses; foram citados todos os municípios desde Várzea Paulista até Caieiras, sendo os mais citados Franco da Rocha, Caieiras, Francisco Morato e Campo Limpo. A cidade de Campo Limpo foi muito citada pelo fato da Rodovia Edgar Máximo Zambotto desembocar nesta cidade, e as placas indicativas exibirem o nome Campo Limpo. Mas Franco da Rocha está a frente, impedindo a divisa de Cajamar com Campo Limpo. Dos 88 pesquisados, APENAS UM senhor, morador do Polvilho e que possui uma banca de jornal, acertou as seis cidades que fazem divisa com Cajamar, mas demonstrou dúvida com Várzea Paulista. Como assumiu a dúvida, assinalei Várzea como a sétima cidade com uma interrogação, mas as demais seis citou com exatidão, o que todos os demais ouvidos na pesquisa erraram em uma ou mais ou lembraram com exatidão de apenas cinco. Houve caso em que apenas São Paulo foi omitida ou foi citada Campo Limpo em meio às demais corretas. Os maiores acertos foram dos adultos; jovens e adolescentes demonstraram mais desconhecimento, o que reforça a falha da grade escolar na matéria Geografia regional, que deveria ser muito bem trabalhada. Os casos mais graves foram de dois adolescentes do Parque São Roberto, que apesar de terem nascido em Cajamar, não souberam responder o nome de nenhuma cidade. Outro adolescente, do Jardim São João, também não soube citar nenhuma cidade, mas neste caso ele reside há quatro anos na cidade, sua família veio de Minas Gerais. Apenas um jovem (o da Vila União) foi o que mais se aproximou da exatidão; citou seis cidades mas no lugar de Pirapora citou Várzea Paulista. Professores e funcionários públicos que responderam a pesquisa também responderam bem mas não se lembraram de uma ou outra ou demonstraram dúvida em determinado município. Ao todo, sete pesquisados não souberam citar sequer uma cidade, sendo um do Cimiga, dois do Olaria e um do São Benedito. Outras cidades que foram citadas: Osasco, Barueri e o Condomínio Alphaville.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL

Outra questão acrescentada ao novo questionário e que já aponta grande desconhecimento do cidadão. A pergunta é se a pessoa possui o livro da CF em casa ou se já leu em algum momento, em escola ou pesquisa. A constatação é triste e vergonhosa para o país; poucas pessoas leram um trecho que seja e menos ainda possui o livro. Boa parte dos 88 que responderam o novo questionário, afirmou NÃO CONHECER o livro da Constituição Federal, sequer pegou em um. Desconhecimento total, e neste caso o número é maior nos bairros menos favorecidos. Apenas 11 responderam possuir o livro da Constituição, sendo que um disse possuir mas nunca ter lido.

RECICLAGEM

Mais uma cidade da região onde a coleta seletiva é fraca ou inexistente. A maioria dos pesquisados afirmou que separaria o lixo se houvesse coleta seletiva nos bairros. A consciência ambiental é crescente enquanto o poder público não cumpre com sua parte.

NÚMEROS POR BAIRROS

Devido a sinalização confusa e a dúvida de muitos moradores em relação a divisão dos bairros, os números da pesquisa em Cajamar levaram em conta o que os entrevistados responderam na identificação do bairro e o que constava em algumas placas toponímicas das vias, embora algumas eu tenha ignorado por não corresponderem de fato à vila ou bairro em que eu estava. Dessa forma resolvi unir os bairros em quatro regiões para facilitar a identificação e eliminar possíveis omissões.

REGIÃO CENTRAL
JORDANÉSIA
POLVILHO
ÁREA RURAL (região serrana no entorno da cidade)

CAPITALVILLE
Classe: B
Morador ouvido: 01
O Condomínio Capitalville está localizado na Serra dos Cristais, na divisa de Cajamar e Jundiaí. Por se tratar de condomínio, é dificultado o acesso de pesquisadores. O morador local que respondeu a pesquisa estava na ocasião em Jundiaí. Trata-se de um adulto que respondeu o questionário mais antigo; afirmou ser leitor de romances, poesias, autoajuda, jornais, revistas e a Bíblia. Não tem preferência por autores e gosta tanto de literatura nacional como estrangeira.
CENTRO e VILA BRANCA
Classe: C e D
Moradores ouvidos: 18
Nota de atendimento: 7
O centro de Cajamar é composto em sua maioria por moradores antigos, mas também existem moradores novos, vindos tanto de outras cidades da região metropolitana, como interior e outros estados. Embora possua um aspecto tranquilo, característico de pequenas cidades, a insegurança hoje faz parte de seu cotidiano. Em minha última passagem pelo centro, vindo da pesquisa no Cimiga, me deparei com indivíduos se escondendo da polícia por terem cometido furto na área. Mesmo assim, Cajamar está distante da realidade crítica de vários municípios da região metropolitana, por isso a cidade continua sendo procurada por muitas pessoas para fixar residência. Dos 18 moradores ouvidos, chamou a atenção duas mulheres adultas e um homem adulto terem afirmado não gostar de ler nada, nem mesmo jornal ou Bíblia. Já em conhecimento de autores da cidade ou regionais, como tenho constatado nas demais cidades onde encerrei a pesquisa, é nas regiões centrais onde mais aparecem os nomes. Em Cajamar não foi diferente, apareceram os nomes de Alex Sandro Petrocelli, Gisela Santanna e a Jéssica. Dentre autores preferidos, foram citados Gilberto Freyre, Vinicius de Moraes, Roberto Shinyashiki e Catherine Gaskin.
CIMIGA II
Classe: D
Moradores ouvidos: 04
Nota de atendimento: 9
Desconhecia a existência deste bairro, que na ocasião em que cheguei com a pesquisa, suas ruas estavam sendo asfaltadas. Apesar de ser próximo ao centro, era uma comunidade esquecida pelo poder público. Não houve tempo de localizar o Cimiga I, próximo deste. Das quatro pessoas que responderam, foram todas do sexo feminino (duas jovens e duas adultas), sendo que uma adulta e uma jovem responderam possuir pouco hábito de ler. Ninguém citou nomes de autores. Houve também uma mulher adulta que não contabilizei, pois ela não se interessou em responder a pesquisa e alegou ser analfabeta, residente há 30 anos em Cajamar.
COLINA VERDE
Classe: C
Moradores ouvidos: 03
Nota de atendimento: 8
Este bairro, vizinho ao Residencial Maria Luiza, seria a princípio um condomínio, mas estava aberto e não tive restrições para ouvir alguns moradores; o inconveniente foi encontrar muitas residências fechadas, o que resultou num número baixo de pessoas ouvidas na pesquisa no bairro. Aqui, um jovem e um adulto responderam sim ao hábito de ler, e uma mulher adulta respondeu possuir pouco hábito de ler, embora tenha afirmado gostar de vários tipos de romance, poesia e leitura da Bíblia, além de usar com frequência a internet.
CONJUNTO MARIA LUIZA
Classe: C e D
Moradores ouvidos: 04
Nota de atendimento: 10
O Residencial Maria Luiza é um dos maiores conjuntos habitacionais do município, e por se tratar de prédios (embora sejam baixos), dificulta em parte a pesquisa. Por isso ouvi alguns moradores que trabalhavam nas áreas comerciais do bairro, porém muitos não eram moradores do residencial. Dessa forma apenas quatro moradores do residencial responderam ao questionário, sendo três mulheres e um homem. Os quatro não citaram escritores nem estilos literários, somente jornais, revistas e Bíblia.
GATO PRETO
Classe: D
Moradores ouvidos: 05
Gato Preto é uma antiga vila às margens da Rodovia Anhanguera. Uma adolescente e uma mulher adulta, um jovem e um homem adulto responderam o antigo questionário em Jundiaí cerca de três anos atrás, sendo que elas responderam sim ao hábito de ler e eles afirmaram ter pouco hábito de leitura. Já o quinto morador ouvido no bairro, é um senhor evangélico que respondeu gostar de ler somente a Bíblia. Não se importa nem mesmo em assistir ou ler jornais, como ele próprio afirmou.
GUATURINHO
Classe: C e D
Moradores ouvidos: 05
Nota de atendimento: 7
Este bairro está localizado no caminho entre o centro da cidade e o Polvilho, e alterna áreas residenciais com industriais. O primeiro morador do bairro que respondeu foi em Jundiaí, uma jovem que afirmou ter o hábito de ler romances, jornais e revistas, sendo sua autora preferida Clarice Lispector. Outro autor citado foi Augusto Cury, por uma mulher adulta; os demais foram homens adultos, com dois sim ao hábito de ler e outro afirmou ter pouco hábito de leitura.
JARDIM HOLANDA
Classe: C e D
Moradores ouvidos: 05
Nota de atendimento: 8
Jardim Holanda e Jardim Nosso Recanto são denominações que passam despercebidas dentro de Jordanésia, compreendem pequenas ruas estritamente residenciais. Apesar de apenas cinco moradores terem sido ouvidos, quatro citaram preferência pelos seguintes autores nacionais: Machado de Assis (duas vezes), Zíbia Gasparetto (duas vezes), José de Alencar e Paulo Coelho.
JARDIM NOSSO RECANTO
Classe: C e D
Morador ouvido: 01
O tal Jardim Nosso Recanto era identificado por apenas uma rua, onde ouvi um morador, que disse gostar de ler romances, poesias, revistas e Bíblia. Citou como autor preferido José Lins do Rego.
JARDIM PENTEADO / JORDANÉSIA
Classe: C e D
Moradores ouvidos: 02
Nota de atendimento: 8
O Jardim Penteado está localizado ao lado da Anhanguera, praticamente na região central de Jordanésia. Ouvi dois moradores em ruas com placa denominando Jardim Penteado, mas é possível que existam outros que responderam ao questionário e residam neste bairro. Uma mulher e um homem adultos afirmaram possuir pouco hábito de leitura, sendo que ele citou Sidney Sheldon como escritor preferido.
JARDIM SÃO JOÃO
Classe: C
Moradores ouvidos: 06
Nota de atendimento: 7
O Jardim São João é a área nobre de Jordanésia, com ruas de pouco movimento e muitas residências com interfone, o que não aceito para a pesquisa. A recusa por interfone é um dos critérios para se tirar nota do bairro, bem como se o morador insistir em responder pelo aparelho. O escritor presente nos bairros faz o corpo a corpo, e corpo a corpo é entrevista cara a cara. Neste bairro foram citados os nomes de Clarice Lispector e Paulo Coelho por duas moradoras, sendo jovem a que citou Clarice e adulta a que citou Paulo Coelho. Somente um adulto afirmou possuir hábito de ler com frequência, os demais pesquisados admitiram ler pouco por falta de tempo, falta de hábito, preguiça e problema de vista, este relatado por uma senhora com mais de 60 anos de idade. Outra moradora (não contabilizada na pesquisa), de uma das melhores residências da rua onde passei, não quis atender e apenas respondeu da janela: “não leio mais por falta de tempo”. Curta e grossa.
JORDANÉSIA / JARDIM PENTEADO
Classe: C e D
Moradores ouvidos: 12
Nota de atendimento: 8
Os moradores que responderam o questionário em Jundiaí (em torno da metade) alegaram morar em Jordanésia, mas pode ser numa das várias vilas que compreendem o distrito, inclusive o Jardim Penteado. Foram oito entrevistados do sexo feminino e quatro do masculino, com oito sim ao hábito de ler, três pouco e um não, este de uma mulher adulta, que embora tenha dito “não”, citou Augusto Cury como seu autor preferido. A mesma também citou o nome de Fátima de Carvalho como escritora regional. Já o estilo literário citado pelos demais foi bastante diversificado, aparecendo inclusive a poesia, que vem cada vez mais sendo menos citada na pesquisa.
OLARIA
Classe: D
Moradores ouvidos: 04
Nota de atendimento: 8
Bairro antigo situado entre avenidas que ligam o centro a Jordanésia e Ponunduva. Aqui também apareceu um não ao hábito de ler (mulher adulta) e os demais três pesquisados afirmaram ter pouco hábito de ler. Os quatro não são naturais da cidade, a mulher que afirmou não ter hábito de ler é pernambucana, outra piauiense, uma de Itapevi e o único homem que respondeu é procedente do Maranhão. Os quatro não citaram nomes de autores.
PARQUE RESIDENCIAL JORDANÉSIA
Classe: C e D
Moradores ouvidos: 12
Nota de atendimento: 10
Neste bairro houve um excelente atendimento, tirando as residências fechadas, praticamente em todas que bati os moradores responderam ao questionário. A pesquisa foi realizada na parte alta do bairro, na parte baixa não houve tempo suficiente para realizá-la. Cinco moradores responderam possuir o hábito de ler com frequência e outros cinco pouco hábito, sendo que uma moradora respondeu não possuir o hábito de ler nada. Finalmente, outro morador (adulto) afirmou que lia, mas atualmente se dedica somente a leitura relacionada à sua profissão e eventualmente a Bíblia, além de usar com frequência a internet. Neste bairro uma moradora respondeu ter preferência pela literatura espírita e sua autora de destaque é Zíbia Gasparetto. Outro autor citado por uma moradora jovem foi Idalberto Chiavenato.
PARQUE SÃO ROBERTO I e II
Classe: C e D
Moradores ouvidos: 08
Nota de atendimento: 9
Estes dois bairros “abocanham” uma boa fatia do distrito de Jordanésia em seu lado leste, e em determinados pontos suas ruas lembram os morros do Rio de Janeiro. As residências são espalhadas entre inúmeros pontos comerciais de médio e pequeno porte, inclusive salões de beleza e cabeleireiros (as). As ruas são movimentadas e o povo bastante cordial, aparentemente num bom convívio entre as camadas sociais C e D. A recepção à pesquisa foi boa, tanto da parte dos jovens como dos adultos. O interesse pelos meus livros foi grande, e se não fosse o período inadequado, época da Copa do Brasil e ainda não estar com Marvin II publicado, a pesquisa teria se prolongado por mais algumas semanas no bairro, fazendo a maior amostragem na cidade. Dos oito moradores ouvidos, quatro foram adolescentes (três meninos e uma menina), sendo que somente a menina respondeu gostar de ler romances da Zíbia Gasparetto. Os meninos afirmaram não possuir muito o hábito de ler devido ao tempo (trabalho). Um deles na ocasião da pesquisa trabalhava numa oficina de consertos de bicicleta. Outro adolescente, embora tenha afirmado ler pouco devido trabalhar, citou Rick Riordan como autor predileto e citou o nome de Alex Sandro Petrocelli, autor da cidade. Uma mulher com mais de 60 anos de idade e mineira, declarou ser analfabeta.
POLVILHO e JARDIM SANTANA
Classe: C e D
Moradores ouvidos: 07
Nota de atendimento: 7
Mesmo caso de Jordanésia, o Polvilho é dividido em várias vilas, e dentre os sete que responderam o questionário, dois são residentes no Jardim Santana, onde estive com a pesquisa. Em várias residências não houve atendimento, e em algumas houve recusa em responder por vários motivos, uma característica de vários bairros da capital. A proximidade com São Paulo influencia no comportamento das pessoas, fato já constatado. Prevaleceu entre os sete moradores pesquisados o sim ao hábito da leitura e uma boa diversidade de estilos literários citados por todos eles. Um jovem citou ter interesse quase que exclusivo por assuntos relacionados ao mundo virtual e sua literatura preferida é tudo que esteja relacionado a Bill Gates.
PONUNDUVA
Classe: C e D
Morador ouvido: 01
Ponunduva compreende uma extensa área rural na Serra do Japi, chegando próximo ao limite com o município de Pirapora do Bom Jesus. Para realizar a pesquisa nas chácaras existentes nesse bairro seria necessário um período inteiro pela manhã ou tarde, mesmo estando de carro, extremamente necessário devido a distância entre as chácaras. Na ocasião em que cheguei lá, parei em duas, e atendimento houve em uma apenas. Apesar da moradora ter atendido bem, ficou claro a preocupação dos moradores com a segurança. No mês em que percorri a cidade de Cajamar, a população estava abalada com um crime ocorrido decorrente de um sequestro, justamente na região de Ponunduva. Era um momento inadequado para a realização da pesquisa. Por esse e outros motivos relacionados ao tempo em que eu dispunha para a pesquisa, deixei de percorrer essa extensa área rural do município. A mulher que respondeu o questionário afirmou gostar de ler, porém citou somente a Bíblia.
RECANTO PITORESCO
Classe: C e D
Moradores ouvidos: 02
Nota de atendimento: 8
Outra divisão de Jordanésia, encravada entre a Vila Abrão e o Parque São Roberto. Sua denominação aparece tanto na parte alta como na parte baixa, onde existem placas conflitantes com as denominações Jordanésia e Parque São Roberto. Aqui, uma mulher adulta respondeu não ter muito o hábito de ler por falta de tempo e prendas domésticas, e quando pega algo para ler é referente à literatura Católica ou a Bíblia. Já o homem adulto respondeu possuir hábito de ler somente jornais e revistas, preferencialmente assuntos relacionados a esporte.
SANTA TEREZINHA
Classe: C
Moradores ouvidos: 02
Santa Terezinha divide com o Parque São Roberto as partes mais altas do distrito de Jordanésia. É um bairro extremamente agradável, que quase ficou fora da pesquisa. Um morador (jovem) respondeu a pesquisa em Jundiaí e outro no bairro, onde consegui contatar uma residência no final da tarde depois de passar pelas vilas vizinhas. Este morador pesquisado em sua residência afirmou se interessar por romances de ação / ficção, além de ler com frequência jornais e revistas, principalmente acompanhar o cenário político. Já o jovem respondeu gostar de literatura de autoajuda e ler também jornais e revistas.
SÃO BENEDITO
Classe: D e E
Moradores ouvidos: 04
Nota de atendimento: 8
Um dos poucos bairros da cidade que eu ainda não conhecia, ou melhor, sequer sabia de sua existência. Entre os kms. 42 e 43 da Anhanguera existem várias casas no sopé da Serra dos Cristais. Essa comunidade, identificada pelo quilômetro da rodovia, estava em meus planos para levar a pesquisa mas acabei não passando por lá. Do outro lado da rodovia, na mesma altura, ingressei com o carro por uma estrada de terra e acabei descobrindo o Jardim São Benedito, uma comunidade pobre surgida dentro da antiga fazenda. Nos primeiros contatos fui recebido com receio, por isso precisei usar o jogo de cintura que possuo para conversar em bairros periféricos, sendo aos poucos aceito por alguns moradores e surgindo amizade, a ponto de vender dois livros no local. No entanto apenas quatro pessoas responderam ao questionário, incluindo dois “turistas”. Constatei baixa escolaridade entre os adultos nas conversas que obtive à parte da pesquisa e vários jovens ociosos, estes os mais desconfiados com pessoas de fora no local, e não é preciso dizer o porquê. Já a hospitalidade dos adultos mais idosos revelou aquela cordialidade típica do interior, da roça. A primeira moradora a responder o questionário, como a maioria dos moradores do local, não é natural da cidade, está há doze anos em Cajamar, é baiana e tem como autor preferido Jorge Amado, embora tenha dito que atualmente lê apenas a Bíblia. O segundo a responder foi um mineiro que está há dez anos na cidade e gosta bastante de ler, preferencialmente poesias e temas políticos e religiosos, que em sua opinião são muito importantes. Lê também com frequência jornais e revistas. Os outros dois que responderam nessa comunidade não residem propriamente no local mas com frequência estão lá; um morador do km. 42 que é vizinho ao São Benedito e citou Chico Anysio como autor preferido; e um jovem que alterna sua residência entre esta comunidade e a Vila Abrão, que também afirmou gostar de ler principalmente romances de aventura, além da Bíblia e gibis, e hábito de pesquisar na internet.
VALE DAS FLORES
Classe: C e D
Moradores ouvidos: 02
Bairro novo, com muitos terrenos vazios, casas em construção e poucas prontas. Parte delas estava vazia e encontrei moradores em apenas duas. Um morador adulto e outra moradora adulta confirmaram o hábito de ler, sendo que ele citou os nomes até agora inéditos na pesquisa; Erich Maria Remarque e Watchman Nee, além do brasileiro Guimarães Rosa. Por estar residindo há apenas oito anos em Cajamar, este pesquisado citou o nome de um escritor da cidade onde morava (Lorena SP), o professor Walter N. Freitas. Já a pesquisada não citou nomes preferidos, disse apenas gostar do estilo drama e suspense, e leitura de jornais, revistas e Bíblia, além de usar a internet para pesquisas.
VILA ABRÃO
Classe: C e D
Moradores ouvidos: 04
Nota de atendimento: 9
Abrange várias ruas de Jordanésia, entre a Vila Penteado, a Vila do DER, o Jardim São João e o Recanto Pitoresco. Quatro adultos, sendo dois com mais de 60 anos de idade, responderam ao questionário. Não contabilizei o atendimento de uma idosa que se declarou semialfabetizada e não possui interesse em aprender a ler por problema de vista. Um senhor sexagenário citou livros do Padre Marcelo Rossi e o outro se dedica somente à leitura da Bíblia (Católica). Uma mulher afirmou se interessar somente por revistas e assuntos referentes à culinária.
VILA DAS AMÉRICAS
Classe: C e D
Moradores ouvidos: 12
Nota de atendimento: 8
O segundo maior bairro do distrito de Jordanésia possui um aspecto agradável e abriga a Biblioteca de Jordanésia, onde também estive com a pesquisa. Nas residências o atendimento foi relativamente bom, mais da parte dos homens. Alguns atendimentos da parte do sexo feminino deixaram a desejar, reforçando um fato já constatado na pesquisa em outras cidades. Aqui prevaleceu o pouco hábito de ler (oito) e um não. Os motivos mais alegados foram tempo e a pura falta de hábito. Os oito que pouco leem são: um do sexo masculino e os demais do sexo feminino, sendo que o não foi do sexo masculino, porém este afirmou eventualmente ler jornais e pesquisar com frequência na internet. A Vila das Américas foi o bairro onde mais se citou a internet dentro do hábito de leitura.
VILA DO DER
Classe: C e D
Morador ouvido: 01
A Vila do DER abrange duas ou três ruas na “região central” de Jordanésia. Porém em quase todas as casas não houve atendimento à pesquisa, ou por estarem vazias na ocasião ou por algum motivo os moradores não quiseram atender. A única mulher ouvida no bairro afirmou ter pouco hábito de ler por questão de “tempo”, resumindo-se a leitura a jornais e Bíblia. Possui hábito de fazer palavras cruzadas.
VILA NOVA
Classe: D
Moradores ouvidos: 02
Nota de atendimento: 6
Esta pequena vila situada na região central foi problemática para este escritor e pesquisador. Além das ruas em péssimo estado, o atendimento das pessoas foi o pior da cidade, além das várias residências onde havia moradores mas se recusaram a atender. Somente duas pessoas responderam ao questionário nesta comunidade, ambas do sexo feminino. Uma delas, com mais de 60 anos de idade, afirmou gostar de ler porém passou a ler pouco por causa de problema de vista. Esta citou como preferência literária a autoajuda e literatura espírita. Já a outra disse possuir pouco hábito de ler, restrito a jornais, revistas e Bíblia. Ambas gostam de fazer palavras cruzadas (nova questão acrescida ao questionário novo).
VILA UNIÃO
Morador ouvido: 01
Por falta de tempo e por desconhecer o acesso a este bairro, somente um morador foi ouvido na Vila das Américas. É um jovem que respondeu ter preferência por romances de aventura, crônicas e revistas, além de usar com frequência a internet. Citou José de Alencar como escritor preferido.

CURIOSIDADES DA PESQUISA

Com raras exceções, o atendimento ao escritor e pesquisador foi muito bom e exatamente o oposto do que ocorreu em Itupeva. Nestas amostragens nas cidades da região, sempre ocorrem vendas de meus livros e surgem novas amizades e contatos. Itupeva foi a única cidade onde passei e não houve contatos posteriores, consequentemente nenhuma amizade ficou decorrente da pesquisa. Foram 130 pesquisados em Itupeva, praticamente o mesmo número de Cajamar (128). No geral, Itupeva mostrou indiferença à presença do escritor, enquanto em Cajamar minha presença despertou interesse na maioria dos contatados; surgiram contatos posteriores, amizades e vendas de livros. Até mesmo a possibilidade de vir a realizar o lançamento do próximo livro na cidade está sendo cogitado. Em suma, a pesquisa em Cajamar não passou “em brancas nuvens”.

Cajamar, mais que outras cidades, revelou um grande número de pessoas que se restringem somente a leitura religiosa, tanto católica como evangélica. Poucos afirmaram comungar livros religiosos com literatura não religiosa. A presença católica foi mais sentida na área central de Jordanésia (Vila Abrão, Recanto Pitoresco e Jardim São João), e a presença evangélica nos extremos da cidade, como o São Benedito.

Outra curiosidade foi o grande número de pessoas do sexo feminino afirmando não torcer por nenhum time ou não gostar de futebol; destas a maior parte evangélica. Resta descobrir se isto é uma tendência, ou é devido ao ano da Copa e o consequente excesso do assunto na mídia.

CONSTATAÇÃO FINAL

O resultado de Cajamar ficou dentro daquilo que eu imaginava. Crianças bastante estimuladas à leitura, adolescentes e jovens desinteressados, e adultos divididos, muitos porque não tiveram oportunidade de estudo ou por problemas de vista. O acesso à leitura na internet é cada vez maior, mas nos bairros melhores em urbanismo, infraestrutura e renda. Nos bairros pobres o uso de internet é raro, as crianças e jovens acessam na escola ou lan houses. Adultos de algumas denominações evangélicas não leem nada fora do que é determinado a eles lerem. E o conhecimento de escritores regionais continua abaixo do esperado (ou aceitável). Se os municípios não derem o devido valor aos seus artistas, independente da condição econômica ou postura ideológica, continuarão perdendo seus cidadãos para outras cidades, estados ou países que reconheçam os seus trabalhos.

 

 

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