Boa noite!

LOUVEIRA – 142


CAMPO LIMPO PAULISTA- 500

Sexta cidade a ter a pesquisa concluída, penúltima da Aglomeração Urbana de Jundiaí e a que teve a maior amostragem. Vários fatores favoreceram o resultado, dentre eles a rapidez e facilidade de acesso à cidade e aos bairros, e a ótima recepção dos moradores ao pesquisador. Campo Limpo teve até o momento as maiores notas neste quesito, sendo a cidade que mais recebeu notas dez. Ganhei novos leitores e amigos. Objetivo plenamente atingido, que é a coleta de dados e estreitamento das relações humanas. Pessoas para mim não significam somente números, estatística. Elas possuem rosto, nome, uma identidade completa. Faço este trabalho além do objetivo profissional de escritor. É um trabalho humano, e nos últimos meses ganhou até mensagem de consciência ambiental como poderão conferir durante o decorrer desta leitura.
Cortada pela estrada de ferro e pelo Rio Jundiaí, Campo Limpo também foi bairro de Jundiaí igualmente Várzea, sua emancipação ocorreu durante a década de 60, e possui atualmente mais de 70 mil habitantes. Os bairros mais populosos são Botujuru e o Conjunto Habitacional São José, por sinal, bairros que figuram na pesquisa com maior número de moradores ouvidos.

 

COMO FOI A PESQUISA

Os primeiros registros de campo-limpenses na pesquisa apareceram no primeiro ano, ainda com o velho formulário de sete perguntas, quando realizei o teste nas ruas, na rodoviária e no comércio em Jundiaí. Botujuru, bairro populoso, não consta nota de atendimento porque quase todos os 28 moradores que responderam, fizeram-no em Jundiaí, no comércio onde eu trabalhava. Aquela ocasião era exceção, o questionário era entregue e a pessoa respondia sozinha as questões, eu orientava no início e tirava alguma dúvida depois. Algumas vezes ocorria da pessoa entregar o questionário respondido e ir embora sem falar comigo, deixando uma ou outra questão sem responder ou respondida de forma errada. Dessa forma, cinco campo-limpenses não colocaram o nome do bairro, apenas a cidade, o que figurou na pesquisa como bairro não identificado. Outro fator que atrapalhou a exatidão da pesquisa foi algumas pessoas não citarem na folha se mora no São José I ou II e Santo Antonio I ou II. Devido a essas respostas incompletas na pesquisa no comércio, optei por juntar os dois bairros Santo Antonio em um só, embora sejam bastante distintos, ao contrário do São José, onde um é continuação do outro e possuem características idênticas. Em 2011, já com o questionário maior, outro problema que constatei com essa forma da pessoa responder sozinha; várias pessoas desconhecem a palavra “procedência”. Não entendem que a palavra, associada à pergunta de há quantos anos mora na cidade, significa onde morava antes, de onde veio. Por não entenderem o significado da palavra, entregavam sem resposta. Devido a isso, desde então deixei de entregar o questionário para as pessoas responderem sozinhas, agora todos são entrevistados por mim, e é a forma que fiz em mais de 90% da pesquisa com sucesso. Passei praticamente em todos os bairros de Campo Limpo, mesmo Botujuru, pois seu entorno é formado por bairros menores como Vila Chacrinha, Vila Constança, Parque Loja da China e outros. Cheguei até o extremo sul da cidade, Parque Santana, na divisa com Francisco Morato, um dos pontos mais altos da cidade, de onde se avista toda a cidade vizinha e até o Pico do Jaraguá na capital. De carro e a pé, subi lugares íngremes, atingindo residências encravadas nos morros pertencentes a Serra de Botujuru. Pela Estrada da Bragantina, onde antes passavam os trilhos da Estrada de Ferro Bragantina, cheguei ao também populoso São José, onde foi atingido o maior número de moradores: 67, quase que igualando a região central de Jundiaí, onde foram ouvidos 70 moradores, e superando os 62 da região do Jardim do Lago. Mais adiante, foi ouvido um rapaz que mora no quilômetro 8 da estrada (o local é identificado somente como quilômetro 8) e o bairro rural do Pau Arcado, único bairro da cidade que eu ainda não conhecia. Figueira Branca, também região de chácaras, foi o inverso, somente uma moradora respondeu porque todas as demais residências e chácaras não havia ninguém para atender ou não quiseram atender. Por outro lado, um caseiro semianalfabeto desabafou comigo, falando sobre o drama que vive com um filho dependente de álcool. Por meia-hora ouvi a experiência daquele senhor com mais de 70 anos de idade, ocasião também em que senti e compreendi o problema que atinge aquela e outras áreas rurais da região: a delinquência e criminalidade. E de fato, em nenhum bairro periférico que passei durante a pesquisa, com bocas de fumo a céu aberto, senti tanta insegurança como naquele momento na Figueira Branca, outrora um lugar pacato onde as famílias descansavam e residiam sem medo. O vaivém de motos com figuras que identifico facilmente num primeiro olhar revelava a realidade dos fatos. As áreas rurais hoje significam mais riscos à integridade física do que nos centros urbanos. As vendas espontâneas de livro durante o trabalho também superaram das demais cidades da região, o que contribuiu para o bom desempenho da pesquisa – sua continuidade até atingir o número significativo de 500 pessoas ouvidas. Cheguei até mesmo a ganhar livro, autografado para mim (não pelo autor, mas pelo doador) e também doação de quantidade para distribuir às bibliotecas comunitárias. E mais: após conhecer o trabalho de uma ONG local, passei a distribuir folhetos com endereço dos pontos de coleta de óleo usado de cozinha para cada entrevistado. Isso quando o entrevistado já não possuía um vizinho ou conhecido que recolhia para fazer sabão. Por todos esses detalhes, Campo Limpo chamou atenção pela consciência ambiental de boa parte dos moradores, além do interesse literário. Mesmo assim, no quesito ambiental constatei desrespeito às margens de córregos, como o do São José, com lixo descartado apesar da placa alertando para não jogar lixo. E no Jardim América, bairro com moradores de poder aquisitivo razoável e bom, também descarte indevido de lixo à beira de um córrego. Já no item número um da pesquisa – cultura e literatura- figuraram pessoas analfabetas e semianalfabetas. Portanto, Campo Limpo mostrou que está no caminho certo, mas ainda há muito por fazer. Inclusive da parte da prefeitura, já que boa parte dos moradores separa o lixo para reciclagem mas a coleta não está sendo feita em muitos bairros.
A pesquisa em Campo Limpo Paulista foi dividida em duas fases. A princípio ela seria encerrada em 2012 com um número entre 260 e 280 moradores ouvidos, número semelhante ao de Várzea. Mas devido ao bom andamento, resolvi estendê-la. A segunda fase foi alavancada após o período eleitoral, e por incluir bairros populosos como o São José, foi finalizada mais rápido.

 

A CIDADE QUE EXIBIU EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO

Superando todas as demais cinco cidades, inclusive Jundiaí e Várzea, a nota para Campo Limpo gira em torno de 8 e 9 no quesito educação em atendimento à pesquisa a campo. Cinco bairros receberam a nota máxima: Vila Santa Catarina, Jardim São Conrado, Marchetti, Jardim Santa Isabel e Jardim das Palmeiras. Dos 50 bairros pesquisados (incluindo o centro e a Bragantina), a maioria teve notas 8 e 9, e somente cinco tiveram nota 7: Jardim América, Jardim Paulista, Guanciale, Vila Marieta e Jardim Monte Alegre. Com exceção da Vila Marieta, bairros cuja maioria possui um poder aquisitivo maior, ou seja, em todas as cidades é fato: maior poder aquisitivo, pior o atendimento e a educação, claro, com as devidas exceções, e em Campo Limpo elas ficaram com a Vila Olímpia que recebeu nota 8 e o São Conrado que surpreendeu com a nota 10. Casos inéditos durante esta pesquisa que ouviu mais de três mil pessoas.

 

O PERFIL LITERÁRIO NA CIDADE

Campo Limpo Paulista possui moradores que se identificam bastante com a literatura, principalmente a estrangeira. Vários nomes foram citados, inclusive nomes que apareceram pela primeira vez na pesquisa. Escritores de renome nacional também foram destacados, principalmente pelo público feminino. A literatura espírita, bastante citada em Jundiaí, perde para a literatura evangélica em Campo Limpo. Tanto o público feminino como adulto citou vários nomes da literatura evangélica, tanto regional como de autores de projeção nacional, como Silas Malafaia. Das 500 pessoas ouvidas, foram citados exatamente 78 nomes de autores preferidos, um número até considerável diante das demais cidades onde passei. Eis os autores preferidos dos campo-limpenses:

NACIONAIS

PAULO COELHO – citado 19 vezes, tanto em bairros centrais como periféricos, de perfis econômicos variados.

MACHADO DE ASSIS – citado 17 vezes, também nos mais diversos bairros.

ZÍBIA GASPARETTO – citada 15 vezes, diversos bairros além do centro.

MONTEIRO LOBATO – citado 10 vezes, tanto por crianças e adultos.

AUGUSTO CURY – citado 8 vezes.

JORGE AMADO – citado 7 vezes.

MAURICIO DE SOUSA – citado 6 vezes entre o público infantil e adolescente.

JOSÉ DE ALENCAR – citado 5 vezes.

SILAS MALAFAIA – citado 5 vezes.

ESTRANGEIROS

AGATHA CHRISTIE – citada 10 vezes em diversos bairros, tanto centrais como periféricos.

SIDNEY SHELDON – citado 8 vezes.

DAN BROWN – citado 6 vezes.

CLARICE LISPECTOR – citada 5 vezes. Embora a escritora seja naturalizada brasileira, nasceu na Ucrânia, portanto classifico como escritora de origem estrangeira.

Apareceram diversos nomes da literatura estrangeira, citados de uma a quatro vezes, tanto de romancistas como a J.K. Rowling e Stephanie Meyer como de pastores evangélicos norte-americanos. O público de literatura evangélica está mais concentrado nos bairros periféricos, embora tenha aparecido com cada vez mais frequência nos bairros de classe média, sendo que nestes, a leitura é dividida entre autores nacionais e estrangeiros, enquanto nos bairros periféricos a preferência é pelos pastores-escritores brasileiros, como Silas Malafaia, Edir Macedo e R. R. Soares. Autores católicos também apareceram e figuraram vários nomes, por exemplo Padre Marcelo, Padre Jonas Abib, Padre Léo, Padre Alberto e outros.
Escritores regionais foram 28 nomes, porém nem todos é possível afirmar que sejam escritores, ou seja, que tenham livros publicados. Alguns nomes o pesquisado não soube citar por completo, como Panizza (qual o primeiro nome?), Antonio (qual o sobrenome?) e Marcos, embora este, pela descrição do entrevistado, deve ser o jundiaiense Marcos César Uvinha, que reside em Jarinu. Também apareceram uma vez cada, Heloísa, Cássia, Tio Cornélio e Adelino, que possivelmente seja Adelino Brandão. Eis os nomes regionais mais citados:

PAULO MARTINELLI e JOÃO JUSTINO

Ambos citados 8 vezes cada, são autores campo-limpenses. Interessante que estes dois autores de renome na cidade foram citados na região central e bairros circunvizinhos como Marsola, Imappe, Vila Olímpia, Jardim Solange, Jardim Paulista e Vila Cardoso. Os bairros mais distantes foram Marchetti, Parque Internacional e Vista Alegre, onde foi citado somente Paulo Martinelli.

EDSON FRANÇA

Fiquei sabendo deste escritor quando cheguei à Vila Constança, onde mora o autor. Trata-se de um senhor evangélico, que lançou um livro sobre a questão das drogas. Seu nome foi citado quatro vezes na Vila Constança, uma na Imappe e uma no Vera Regina, portanto, citado seis vezes.

SIDINEI CAETANO (TATU)

Também conheci este escritor (inclusive pessoalmente) quando estava na parte alta da Vila Constança e Colina do Pontal. Citado quatro vezes, Tatu é conhecido no bairro onde possui comércio (mercearia), portanto seu nome apareceria mais vezes na pesquisa se um número maior de moradores dos dois bairros fosse pesquisado.

MARIA SALETE

Escritora campo-limpense, foi citada três vezes.

JORGE NAVAC, escritor evangélico, e JOSUEL FRANCISCO TRINDADE foram citados duas vezes. Outros nomes regionais que foram citados uma vez:

PAULO VICENTINI – citado no Jardim São Conrado.

JOÃO CARLOS MARTINELLI (jundiaiense) – citado no centro da cidade e também como autor preferido do entrevistado.

DOUGLAS TUFANO (jundiaiense) – citado no Jardim Laura.

JOSEFINA RODRIGUES DA SILVA “Jorosil” – jundiaiense, citada no Jardim Santa Lúcia.

MARCELO BUENO

TAO SIGULDA – artista plástico, porém pesquisando não encontrei referências a obras literárias do artista.

PADRE MURILO

PAULO REIS

EDUARDO COHEN

NOEL FERNANDES

CIRO AMÉRICO SOUZA SZABO – jovem autor residente na Vila Chacrinha, citado por sua família.

JOSUÉ BRANDÃO – autor evangélico

CÉSAR PEKAS – poeta e radialista, não foi informado em qual cidade mora.

FÁBIO GARCEZ – autor de Guarulhos.

Meu nome foi citado duas vezes na pesquisa.

Ficou evidente que os autores regionais da literatura clássica, crítica e técnica são mais conhecidos na região central, enquanto que na periferia são mais conhecidos os autores regionais evangélicos. Já o hábito de ler ficou bastante dividido. O conceito de que a periferia lê menos não é real, pelo menos foi o constatado em Campo Limpo. 34 pesquisados afirmaram não gostar de ler, um número até considerável para um total de 500 pessoas ouvidas, pois em Jundiaí, de 1270 ouvidos, 42 afirmaram não gostar de ler. Dos 34, estão moradores de bairros diversos, tanto das classes B, C como D. Eis alguns bairros e os números:

SÃO JOSÉ – 4
VILA OLÍMPIA – 3
SANTO ANTONIO – 2
JARDIM DAS PALMEIRAS – 2
JARDIM BRASÍLIA – 2
VILA IPÊ – 2
VILA FIRENZE – 1
JARDIM CALIFÓRNIA – 1
JARDIM CAMPO LIMPO – 1
CENTRO – 1
MARSOLA – 1
PARQUE SANTANA – 1

Aqui já é possível notar a variedade de bairro e perfis sociais onde moradores afirmaram não possuir hábito de ler. A justificativa, incluída no questionário maior a partir de 2011, vai desde a resposta “não gosto de ler” a falta de hábito. Outros justificaram por ter pouco estudo, fato constatado em maior número nos bairros periféricos. A surpresa maior veio mesmo da Vila Olímpia, bairro característico de classe C, com três negativas de um total de 12 moradores ouvidos, enquanto no São José, bairro periférico de predominância de classe D, quatro negativas mas de um total de 67 moradores. Foram 24 homens que disseram não gostar de ler ou não possuir o hábito e 10 mulheres. Predominância do público adulto, com três jovens e três adolescentes.
Entre o hábito e o pouco hábito ficou assim:
Em torno de 270 responderam sim ao hábito de ler
Em torno de 185 responderam possuir pouco hábito ou gostar pouco.

A justificativa mais frequente para não ler foi problema de vista, principalmente no público acima dos 40 anos de idade e mais no feminino. Ouvi várias pessoas dizendo que possuíam o hábito mas perderam o prazer da leitura devido ao problema de visão que veio com o tempo. Quase todos os bairros ficaram equilibrados neste quesito, sendo que o Jardim Paulista, pequeno bairro da área central, revelou ter os moradores que mais gostam de ler e também conhecem mais nomes da literatura nacional, estrangeira e regional, e na Vila Firenze, bairro do mesmo porte do Jardim Paulista, na região periférica da cidade, predominou o pouco hábito de ler, apenas um morador dentre os 11 que responderam afirmou gostar de ler. Vale citar que este morador, adolescente na época que passei com a pesquisa no bairro (2009), acabou tornando-se amigo meu e adquiriu livros de autores jundiaienses. No São José I e II, maior conjunto habitacional popular da cidade, a contagem era sempre três sim para o hábito, três pouco; três sim, três pouco... portanto número bastante equilibrado.

 

INTERNET

O hábito de pesquisar e se informar através da internet é crescente em todas as camadas sociais e todas as idades. Vários pesquisados afirmaram ter desabituado de ler jornais e se informam através de sites de notícias. Já baixar livros para ler ainda são poucos que fazem. Em vários bairros da periferia notei que as pessoas buscam informações, fazem pesquisas e possuem e-mail e perfil nas redes sociais, mas fazem-no através de lan-house, não possuem computador próprio.

 

PREFERÊNCIA MUSICAL

Continua o constatado nas demais cidades; o funk é o estilo preferido de jovens e adolescentes, enquanto para os adultos predomina o sertanejo e a MPB. Embora Campo Limpo seja uma cidade com características totalmente diferentes de Itupeva, Louveira e Jarinu, o estilo sertanejo, tanto raiz como universitário foi um dos mais citados em todas as regiões da cidade, não interferindo no hábito da leitura. Até então, as pessoas que possuíam mais hábito de ler tinham como preferência musical a MPB, clássica e rock; e as de menos hábito de ler citaram como estilo musical o pagode, funk, rap e sertanejo nesta ordem. Campo Limpo revelou outra perspectiva, por sinal foi a cidade que mais citou ser eclética em termos musicais. Na associação por religião, ainda os evangélicos lideram o grupo que menos lê literatura, porém os números mostraram que o público evangélico com menos de 25 anos de idade está adquirindo sim mais hábito de ler o que chamam de “livros do mundo”. A resistência é maior no público acima dos 30 anos de idade, inclusive na preferência musical. Enquanto os adultos são mais centrados na música estritamente evangélica, os mais jovens unem a música evangélica com outros estilos.

 

AUTISMO

Esta pergunta foi incluída na penúltima mudança do questionário no ano de 2010 quando a pesquisa estava para ser concluída em Itupeva. De lá para cá, o que ficou constatado tanto em Campo Limpo como Jarinu, é que o autismo é quase que totalmente desconhecido de crianças e adolescentes. Jovens a partir dos 16, 17 anos já ouviram falar ou conhecem o autismo, bem como boa parcela do público adulto. Porém, muitos afirmaram ter tomado conhecimento através de um filme ou por ter conhecido alguém com o distúrbio. Poucas pessoas tiveram conhecimento através de informações, palestras ou livros. Por isso o resultado na pesquisa ficou assim: a maioria afirmou ter apenas uma noção do que seja o autismo (assinalada opção “ouviu falar”). Em seguida ficou a resposta sim, basicamente do público adulto e uma pequena parcela de jovens. E por último a resposta “não”, pessoas que desconhecem totalmente o que seja, nunca ouviram falar na palavra autismo. Aí inclui quase que 100% do público infantil e adolescente que respondeu o questionário. As exceções foram de adolescentes que possuem um parente com o distúrbio ou um colega de escola. Curiosamente, 100% dos professores conhece o autismo, porém os estudantes, enquanto não possuem um colega autista, desconhecem totalmente. Um fato que serve para reflexão dos dirigentes das secretarias de ensino. Faltam palestras nas escolas, projetos de conscientização, não apenas sobre este distúrbio, mas vários outros, inclusive relacionados a questão de saúde e opção sexual, para evitar os constantes casos de “bullying”. Não basta o professor saber se relacionar com os casos especiais se os alunos não sabem, aí surge o conflito entre os professores e alunos. O professor se prepara para lidar com estes casos, mas não é tarefa do professor transmitir aos alunos, quem deve passar são os especialistas. Se em faculdades vários profissionais vão fazer palestras, por que não nos ensinos fundamental e médio? Tratamento diferenciado por quê?
O desconhecimento sobre a questão é tão grande que durante toda a pesquisa, somente dois entrevistados tocaram no nome síndrome de asperger, normalmente confundido com o autismo.
O autismo foi incluído no questionário pelo fato de eu ter dado início a uma nova obra com um personagem autista.

RECICLAGEM

Outro assunto ligado à minha formação profissional teve uma constatação positiva no resultado de Campo Limpo, pelo menos parcialmente. Dos 500 pesquisados, pelo menos a metade possui o hábito de separar o lixo, mas muitos disseram não separar pelo fato da coleta seletiva não passar no bairro. Uma moradora chegou a dizer o seguinte: “quando eu morava em São Bernardo do Campo, lá eu separava porque a coleta não falhava. Aqui a gente não sabe se vai passar ou não. Passa uma vez, depois não passa mais...” Assim, figurou na pesquisa até o “fazia” a separação. Tanto em Jarinu como Campo Limpo, existe a coleta seletiva na área central, os bairros estão sem coleta, e os moradores foram taxativos durante a pesquisa: “se voltar a coleta eu separo sim, porque não adianta separar e acaba sendo levado pela coleta comum, misturado ao lixo orgânico”. Em poucos bairros constatei a presença de catadores, no entanto a maior parte deles só recolhe latinha, que tem maior valor. Mas a surpresa maior e boa foi a constatação da reciclagem de óleo usado de fritura. Eu mesmo estava distribuindo um folheto com endereços de pontos de coleta, no entanto muitos moradores já possuíam o endereço certo para levar ou um parente ou vizinho que recolhia no bairro para fazer sabão. Sem dúvida, um ponto positivo para a consciência ambiental dos campo-limpenses.

CURIOSIDADES DA PESQUISA

Já estava na segunda fase da pesquisa (2012 a 2013) quando surgiram as primeiras situações embaraçosas na identificação dos bairros, situação que havia ocorrido somente em Várzea Paulista. Primeiro foi com a Vila Chacrinha. Pelo que consta no mapa, eu já sabia que a Vila Chacrinha era antes de Botujuru, entre o bairro propriamente dito e o Jardim Santa Isabel, ao lado esquerdo da ferrovia sentido Botujuru. Fiz a pesquisa no Santa Isabel e desci para a Vila Chacrinha, nome confirmado pelos moradores, mas naquele exato dia estava acontecendo uma reunião na casa de um morador para realização de um plebiscito para mudança de nome da vila. Ok. Algumas semanas depois eu estava fazendo a pesquisa do outro lado da ferrovia, no Jardim das Palmeiras e Jardim Brasília, quando de repente moradores de algumas ruas que eu supunha pertencerem ao Jardim Brasília, dizem ser Vila Chacrinha. E ficaram surpresos quando eu falei que a Vila Chacrinha era do outro lado da ferrovia. “Não moço, aqui sempre foi Vila Chacrinha” – disse a moradora, convicta. Como a direção era exatamente a mesma, de ambos os lados da estrada de ferro, deduzi que a Vila Chacrinha compreende os dois lados da ferrovia, embora o mapa não aponte isso. Talvez isso seja o motivo do plebiscito dos moradores do outro lado para troca do nome. O fato gera confusão aos visitantes. Mas não para aí. A Vila Constança, também na região de Botujuru, eu havia encerrado a pesquisa em algumas residências na parte baixa dos morros que envolvem o bairro de Botujuru. Quando estive na Colina do Pontal, que como diz o nome, fica no alto de um morro, eis nova surpresa. A Vila Constança era ali também, e confirmada por placas toponímicas que exibem o nome da rua e do bairro. Tirando a dúvida com uma moradora que conversou bastante comigo, ela apontou outro drama local: a numeração das casas, totalmente bagunçadas, sem sequência. E como faltavam as placas com nome das ruas, era entregue correspondência de outro morador em sua casa. Só após ela perder horas e dias indo atrás dos órgãos públicos que conseguiu um benefício para o bairro: as placas toponímicas. Já a numeração das casas...sem expectativa de solução. Pois bem, a Colina do Pontal era realmente na ponta, no fim daquilo que entendemos como bairro urbanizado. E a Vila Constança – alta – serpenteava morro abaixo por uma rua, até a parte baixa de Botujuru, onde eu já conhecia. Rua que por todo seu trajeto, exibe numeração totalmente sem sequência, sendo preciso observar o número de cada casa de ambos os lados até encontrar o endereço que você procura. E como eu procurava o endereço de um doador de livros que me passaram, precisei fazer a “garimpagem”. Conclusão: precisaria conhecer a história da cidade, a formação dos bairros para entender e saber se existe uma lógica quando fizeram as denominações. A princípio, parece haver uma grande incoerência se levarmos em conta os aspectos geográficos e os obstáculos tanto físicos como de interferência humana.

 

NÚMEROS POR BAIRRO

Buscando novas técnicas de aperfeiçoamento de exibição dos números da pesquisa no site, os internautas, a partir desta sexta cidade, poderão localizar os bairros por ordem alfabética clicando no nome do bairro que deseja ver o desempenho da pesquisa.
Vila Tavares, Vila Tomazina e Vila Cardoso compreendem “Centro”, portanto, os 23 moradores ouvidos na região central de Campo Limpo compreendem estes três bairros. Demais bairros que o internauta procurar e não encontrar é porque não houve nenhum morador ouvido, como é o caso de Saint James, que por ser região de chácaras, torna a pesquisa extremamente difícil e arriscada, e o exemplo ocorreu no caso da Figueira Branca. No entanto, a pesquisa atingiu a totalidade de regiões da cidade; norte, sul, leste e oeste, compreendendo todos os principais bairros.
Lembrando que a descrição de classe econômica é referente a predominância. Um bairro pode ter classes C e D, mas será considerado D se houver predominância desta em relação a C. Se a descrição for C/D é por haver certo equilíbrio entre ambas. Só é citada a classe econômica se estive no bairro realizando a pesquisa. A nota de atendimento é dada quando ouvido no mínimo quatro pessoas por bairro.

 

 

Bairro do Moinho
Moradores ouvidos: 2
Classe econômica: D
Bairro em zona rural, com casas isoladas e dificuldade de transitar de carro devido as ruas de terra e esburacadas. Foram ouvidos apenas dois moradores (um adolescente e uma mulher adulta), que responderam possuir o hábito de ler. O adolescente disse preferir poesias e revistas, e a mulher revistas, jornais e bíblia. Não citaram autores por desconhecerem nomes regionais e não lerem romances de autores de renome nacional.
Botujuru
Moradores ouvidos: 28
Classe econômica:D
Bairro antigo e populoso, cercado pelos morros da Serra de Botujuru, engloba bairros menores como Vila Chacrinha, Vila Constança e Parque Loja da China. Quase que a totalidade dos 28 moradores que responderam ao questionário fizeram-no em Jundiaí, no comércio, respondendo aos velhos questionários de sete e doze perguntas. Foram os primeiros números da cidade de Campo Limpo na pesquisa. Por eu conhecer muito bem o bairro, foi possível traçar claramente o perfil dos moradores, e a nota de atendimento se a pesquisa tivesse sido feita no bairro, seria por volta de 8. A predominância é de público evangélico com foco mais em jornais e leitura bíblica.
Campo Verde
Morador ouvido: 01
Bairro de chácaras entre Jundiaí e Jarinu. Morador respondeu o questionário no terminal de ônibus da cidade. Prevaleceu a palavra “evangélico” no questionário, tanto para literatura como preferência musical; e na pergunta se torce para algum time de futebol, ele escreveu “Jesus” e algo mais que não consegui entender devido a letra. Normalmente sou eu que faço as perguntas e preencho o questionário com as respostas dadas, mas naquela ocasião, nem me lembro do por que, passei a prancheta com o questionário a ele. Também tive que explicar depois que procedência é de onde ele veio, já que não havia respondido essa questão. O rapaz assinalou a opção de pouco hábito de ler e somente Bíblia e literatura evangélica. Não lê livros, jornais ou revistas, e também assinalou que não faz separação do lixo para reciclagem.
Centro
CENTRO Moradores ouvidos: 23
Classe econômica: B/C/D
Nota de atendimento: 8
Após o primeiro teste da cidade no Jardim América, o centro e o entorno foram o alvo, onde constatei que ele é praticamente dividido entre Vila Tavares, Vila Tomazina e Vila Cardoso. Público bastante diversificado na faixa etária respondeu o questionário na região central, desde criança até idosos. Escritores regionais sempre são citados no centro das cidades, em Campo Limpo não foi diferente, onde João Justino e João Carlos Martinelli figuraram no questionário. Autores de renome nacional e estrangeiro como Zíbia Gasparetto, Paulo Coelho, Machado de Assis e Stephen King foram citados na preferência destes leitores
Colina do Pontal
Moradores ouvidos: 07
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 9
Colina do Pontal e alto da Vila Constança foram os últimos bairros para concluir a pesquisa em Campo Limpo. Dos sete moradores ouvidos, um adulto afirmou não possuir o hábito de ler, e os demais ficaram divididos entre o sim ao hábito de ler e o pouco hábito. Uma jovem citou como autor preferido Nicholas Sparks, e outro morador citou Sidney Sheldon e Og Mandino. Tanto na Vila Constança como na Colina do Pontal o autor regional citado foi Sidinei Caetano (Tatu).
Estância São Paulo
Morador ouvido: 01
Apenas uma moradora da Estância São Paulo respondeu o questionário no comércio em Jundiaí, confirmando o hábito de ler romances, poesia, jornais, revistas e literatura evangélica. Não citou autores preferidos e também não conhece nomes da literatura regional.
Fazenda Marajoara
Morador ouvido: 01
Moradora jovem citou Zíbia Gasparetto como autora preferida.
Figueira Branca
Morador ouvido: 01
Classe econômica: C/D
Residências fechadas e moradores que sequer atenderam. Foi assim minha passagem pelo extenso bairro da Figueira Branca, local de chácaras e grandes distâncias para percorrer a pé, o que inviabilizou a continuidade. Apenas uma moradora respondeu ao questionário, confirmando o hábito de ler, com preferência a jornais, artigos, gibis e literatura de autoajuda.
Jardim América
Moradores ouvidos: 11
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 7
Primeiro bairro da cidade onde estive a campo para realizar a pesquisa, com o questionário de sete perguntas. Quase todos que me atenderam foram mulheres, de idades variadas, e preferência por clássicos da literatura e literatura religiosa, tanto espírita como evangélica. Dos autores clássicos foram citados Monteiro Lobato e Agatha Christie por uma moradora e Zíbia Gasparetto por outra. O estilo poético, que tem sido cada vez menos citado durante a pesquisa de três anos para cá, foi confirmado por cinco moradoras.
Jardim Brasília
Moradores ouvidos: 09
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 8
Dos nove moradores ouvidos, a minoria disse sim ao hábito de ler, sendo dois “não” e o restante pouco hábito. Um dos dois “não” foi dito por um adolescente, cursando o primeiro ano do segundo grau, que afirmou não gostar de ler nada mesmo. Já outro adolescente que respondeu sim, disse preferir mangás e anime. E um jovem disse ter preferência por gibis e romances de ação e suspense, sendo que citou como autores preferidos Mauricio de Sousa e Chico Buarque.
Jardim Califórnia
JARDIM CALIFÓRNIA Moradores ouvidos: 18
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 8
Clássicos da literatura nacional e estrangeira foram pouco citados pelos 18 moradores ouvidos, a maioria respondeu não ter preferência por autores, ou preferem autores específicos, da literatura evangélica ou católica, como Padre Marcelo citado por um casal. Dos demais nomes citados, constam Mauricio de Sousa por um adolescente, Jorge Amado citado por uma moradora, e outra moradora citou três nomes: Zibia Gasparetto, Sidney Sheldon e Agatha Christie. O público masculino demonstrou preferência por jornais.
Jardim Campo Limpo
JARDIM CAMPO LIMPO Moradores ouvidos: 10
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 8
Números equilibrados entre o sim e o pouco hábito de ler, com um “não” ao hábito. Apenas uma moradora citou autores preferidos: José de Alencar e Machado de Assis.
Jardim Corcovado
Moradores ouvidos: 10
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 9
Ficção, contos, aventuras, fábulas, esoterismo, psicologia, culinária, esporte e atualidades foram os temas preferidos citados pelos dez moradores do Jardim Corcovado. Dos autores de renome nacional, apareceram Paulo Coelho, Jorge Amado e Ana Beatriz Barbosa dentre outros. Mesmo com os temas e autores citados, metade disse ter pouco hábito de leitura por questão de tempo. Somente uma moradora afirmou que perdeu o hábito de ler livros, jornais e revistas, e desde então só lê se for gibi.
Jardim das Palmeiras
Moradores ouvidos: 12
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 10
Predominou o “sim” ao hábito da leitura no Jardim das Palmeiras, e dois “não” da parte de dois moradores adultos, sendo um evangélico, que disse ler apenas alguns versículos bíblicos. A principal justificativa para não possuir o hábito de ler foi a pouca escolaridade e a necessidade de precisar se dedicar ao trabalho durante a vida toda, deixando de lado o estudo. Mario Puzo e Alexandre Dumas Filho foram citados como autores preferidos por uma moradora, José de Alencar por outra e uma terceira citou preferência por autores infantis. Do público masculino Carlos Drummond de Andrade foi citado duas vezes.
Jardim Europa
Moradores ouvidos: 10
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 9
O autor regional Drummond, da cidade de Jarinu, foi citado no Jardim Europa, juntamente com a Maria Salete. Dentre escritores clássicos citados, aparecem Paulo Coelho, Stephanie Meyer e Agatha Christie, citados por um jovem que gosta de escrever; Rick Riordan citado por um adolescente, e Zibia Gasparetto por uma mulher adulta. Além do jovem que gosta de ler e escrever, também respondeu ao questionário uma senhora que tem mais hábito de escrever do que ler.
Jardim Fritz
Morador ouvido: 01
Romances, revistas e literatura católica foram assinalados como preferência de uma moradora que afirmou possuir pouco hábito de leitura.
Jardim Guanciale
Moradores ouvidos: 09
Classe econômica: C
Nota de atendimento: 7
Citados Zíbia Gasparetto, Shakespeare e Mauricio de Sousa duas vezes (por uma criança e um adulto). Um morador evangélico citou Daniel Macedo como autor preferido, mais um nome que fiquei de pesquisar, já que conheço apenas os livros de Edir Macedo.
Jardim Laura
Moradores ouvidos: 14
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 9
Das 14 pessoas que responderam no próprio bairro, metade público feminino (F), metade masculino (M), sendo uma jovem, um adolescente e os demais adultos. Foram 9 sim ao hábito de ler e um “não”. Autores preferidos citados uma vez cada: Chico Xavier (F), José de Alencar (F), Augusto Cury (M) e Dan Brown (M). Apenas dois moradores são de Campo Limpo, os demais vieram de cidades variadas, como Várzea, Jundiaí, São Paulo, Caçapava e outros estados. Curiosamente, o que citou nome de um escritor regional (Douglas Tufano) foi um procedente do Paraná e residente há 35 anos em Campo Limpo. Outro fato interessante, dos 14, seis afirmaram não gostar de futebol ou não torcer por nenhum time, caso inédito na pesquisa desde que foi incluída a pergunta sobre futebol.
Jardim Marchetti
Moradores ouvidos: 08
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 10
Números equilibrados entre o sim e o pouco ao hábito de ler. Não foram citados nomes de autores preferidos, e da literatura regional somente Paulo Martinelli foi mencionado. Um morador (adulto) afirmou ler de tudo, de livros a jornais e revistas.
Jardim Monte Alegre
Moradores ouvidos: 11
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 7
Prevaleceu o pouco hábito de ler dentre os 11 moradores ouvidos, alegados pela pura falta de hábito ou falta de tempo. Mesmo assim quatro moradores citaram como autores preferidos: Monteiro Lobato e Luis Fernando Verissimo (F), Zibia Gasparetto, Paulo Coelho e Agatha Christie (F), Alexandre Dumas (M – adolescente) e Chico Xavier (F). Durante a pesquisa, em todos os municípios da região, ficou constatado que Chico Xavier é mais lido pelo público feminino que masculino.
Jardim Paulista
Moradores ouvidos: 04
Classe econômica: C
Nota de atendimento: 7
O Jardim Paulista se resume a três ruas próximas a região central, com predominância da classe C e talvez até B, por isso parte das residências estavam fechadas na ocasião em que passei ou a única forma de comunicação era via interfone, e não realizo pesquisas por interfone. As quatro pessoas que responderam à pesquisa demonstraram bom conhecimento literário, tanto dos autores regionais como de renome nacional e internacional.
Jardim Santa Isabel
Moradores ouvidos: 04
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 10
Outro bairro pequeno quase na metade do caminho entre Botujuru e o Jardim Europa, onde seria complicado chegar se não fosse de carro. Neste bairro as quatro pessoas entrevistadas, do sexo feminino, desconhecem nomes regionais de escritores; uma citou ler apenas publicações da Torre de Vigia (Testemunhas de Jeová), outras duas sem preferência por autores, e uma citou Érico Veríssimo e Paulo Coelho como escritores marcantes, embora seu foco seja o livro técnico, na área de exatas e química.
Jardim Santa Lúcia
Moradores ouvidos: 27
Classe econômica: C
Nota de atendimento: 8
Número igualmente equilibrado de moradores que responderam sim e pouco hábito de ler tal como no São José. Também teve um “não” ao hábito de ler. João Justino foi o nome da cidade citado no bairro, além da jundiaiense Josefina Rodrigues da Silva (in memorian), conhecida como “jorosil”. Também foi citado o nome de Paulo Reis, que não conheço. Pelo número de moradores ouvidos – 27 – número relativamente alto para a amostragem que faço nos bairros, foram citados poucos autores preferidos, sendo eles: Chico Xavier, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meirelles.
Jardim Santa Maria
Moradores ouvidos: 05
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 8
O Santa Maria é um bairro periférico na região do São José onde ouvi poucas pessoas, mas deu para notar que se trata de um público misto para leitura, há pessoas que possuem o hábito e leem clássicos, e também um número considerável de pessoas que leem somente a Bíblia ou literatura evangélica. Tal como no São José, há muitos moradores que vieram da capital.
Jardim Santhiago
Moradores ouvidos: 02
Dois jovens responderam (fora do bairro). O do sexo masculino admitiu não gostar muito de ler, e a jovem disse gostar de ler e tem Monteiro Lobato como autor preferido.
Jardim Santo Antônio I / II
Moradores ouvidos: 17
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 8
Parte dos pesquisados, de ambos os bairros, que responderam ao questionário no comércio em Jundiaí, não especificaram se é Santo Antônio I ou II, por isso não foi possível descrever separadamente o resultado aqui no site. Para evitar que isto ocorra novamente, desde 2012 as pessoas não respondem mais o questionário diretamente na folha, as perguntas são feitas por mim preferencialmente nos bairros. Desde o final de 2011 também as pessoas não são mais pesquisadas no comércio. Um morador do sexo feminino e outro do masculino (ambos adultos) afirmaram não ter o hábito de ler. Os demais ficaram divididos entre sim e pouco hábito de leitura. Dos bairros com mais de dez moradores ouvidos, tanto o Santo Antônio I como o II figuraram entre os que menos foram citados nomes de autores preferidos. Nome nacional apareceu Augusto Cury e Stephanie Meyer como estrangeiro.
Jardim São Conrado
Moradores ouvidos: 12
Classe econômica: C
Nota de atendimento: 10
Primeiro bairro com predominância da classe C a receber a nota dez em atendimento. Hábito de leitura dividido entre o “sim” e o “pouco”. Paulo Vicentini foi o nome regional citado por um morador, e dos clássicos, foram citados Jorge Amado, Machado de Assis, Paulo Coelho e Agatha Christie.
Jardim São Domingos
Moradores ouvidos: 02
Classe econômica: C/D
No Jardim São Domingos foram citados Monteiro Lobato e Clarice Lispector como autores preferidos por uma moradora, bem como foram citados pela mesma os seguintes nomes regionais: Paulo Martinelli, Eduardo Cohen e Cássia. A outra moradora disse ler somente jornais, algumas revistas e a Bíblia.
Jardim Solange
Morador ouvido: 01
Classe econômica: C/D
Bairro pequeno e com poucas residências, onde encontrei apenas um morador na ocasião para responder. Foi citado o escritor da cidade, João Justino.
Jardim Vista Alegre
Moradores ouvidos: 03
Skinner e Waslon, nomes inéditos de autores citados na pesquisa, por uma moradora do bairro que estuda Psicologia. A mesma moradora citou o nome do escritor campo-limpense Paulo Martinelli. Já outra moradora disse apenas ler jornais, revistas e a Bíblia, e o terceiro pesquisado, que também afirmou ler somente jornais, revistas, Bíblia e mais documentários, citou Gil Gomes como autor preferido. Fiquei de pesquisar se Gil Gomes possui algum livro publicado. Os três moradores deste bairro responderam ao questionário no comércio em Jundiaí, portanto não foi possível descrever a classe econômica no Vista Alegre.
Jardim Vitória
Moradores ouvidos: 12
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 8
Resultado semelhante ao do Vera Regina, com números semelhantes entre o sim e o pouco hábito de ler. Ficou entre os bairros com menos nomes de autores preferidos onde foram ouvidos mais de dez moradores; o destaque ficou para o pastor Jorge Navac, citado por dois moradores, sendo que um classificou-o como autor regional. Um morador, alegando possuir pouco estudo, disse não possuir o hábito de ler.
KM. 8
Morador ouvido: 01
Um adolescente residente no Km. 8 da Bragantina respondeu ao questionário no São José. Possui o hábito de ler estórias que envolvam ação, principalmente gibis. Seu estilo musical é o rap gospel. Natural de Campo Limpo, estudante da 5ª série, corintiano, e afirmou que a família não possui hábito de separar o lixo para reciclagem, prática mais comum nos bairros afastados e rurais. Outra constatação da pesquisa: crianças e adolescentes desconhecem o distúrbio do autismo.
Lagoa Branca
Moradores ouvidos: 02
Classe econômica: D
Dois adultos do sexo masculino responderam neste pequeno bairro ao lado da marginal do Rio Jundiaí, ambos motoristas de caminhão. Um afirmou possuir o hábito de ler e o outro pouco, em ambos os casos, mais jornal e Bíblia. Um faz separação de lixo para reciclagem, o outro separa apenas alguns tipos de material, como vidro e latinhas.
Marsola
Moradores ouvidos: 16
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 8
Bairro com bom índice de leitura entre os moradores, destacando a literatura espírita e evangélica, além da estrangeira. Foi citado o nome do evangélico Max Lucado, Caio Fábio e autores estrangeiros como Agatha Christie, Stephanie Meyer e Shiniti Yamamoto.
Parque Internacional
Moradores ouvidos: 12
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 8
Bairro de característica topográfica e urbanística complicada para percorrer a pé; parte dos ouvidos respondeu ao questionário no comércio em Jundiaí e outra parte respondeu na única vez que estive no bairro para realizar a pesquisa. O hábito é diversificado, tal como na Vila Santa Catarina, com leve inclinação para a literatura evangélica. Paulo Martinelli foi o único autor da cidade citado no bairro. Manuel Bandeira, da literatura clássica, também figurou uma só vez na pesquisa em Campo Limpo, neste bairro.
Parque Loja da China
Moradores ouvidos: 07
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 8
Praticamente metade dos que responderam o questionário foram adolescentes, que conhecem títulos de obras mas desconhecem ou não se lembram de nomes de autores. Em outros bairros também ocorreu o mesmo, principalmente com o clássico estrangeiro Harry Potter. Poucos sabem ou se lembram do nome da autora. Dentre os adultos que responderam, somente um de nacionalidade paraguaia citou autor preferido (Professor Felipe Aquino).
Parque Santana
Moradores ouvidos: 14
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 8
Primeiro bairro periférico aonde cheguei com a pesquisa, a partir de amizades que possuo no local. Dali parti para o entorno; Vila Ipê, Vila Firenze e Vila Marieta. O problema maior no Parque Santana não foi encarar alguns olheiros de ditas “biqueiras” ou delinquentes cismados, pois sei lidar com esse povo; o problema foi definir onde fica a divisão territorial de Campo Limpo e Francisco Morato. Uma determinada rua, metade dela fica numa cidade, metade em outra, sendo que não existe uma linha reta, a divisão é toda sinuosa. Alguns moradores mesmo se diziam confusos. O hábito de leitura no Parque Santana é misto e mostrou-se dividido entre o sim e o pouco. Também existem pessoas analfabetas e semianalfabetas, e figurou um morador que admitiu não gostar de ler. Machado de Assis, Vinicius de Moraes e Lygia Bojunga foram citados como autores preferidos por adolescentes e crianças do local.
Pau Arcado
Moradores ouvidos: 11
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 9
Hábito diversificado e dividido neste bairro de característica rural. Uma moradora respondeu que não tem hábito de ler e somente notícias e informações interessam a ela. Alguns nomes da literatura nacional foram citados por aqueles que possuem o hábito: Augusto Cury e Carlos Drummond de Andrade. Também foi citada Clarice Lispector e a autora de Harry Potter, cujo pesquisado não lembrava o nome.
São José I / II
Moradores ouvidos: 67
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 8
O bairro que mais respondeu à pesquisa foi o conjunto habitacional São José, incluindo I e II, com número equilibrado entre ambos (em torno de 30 pessoas em cada um). O perfil literário é diversificado, embora tenha predominado a leitura de jornais e Bíblia, vários autores preferidos foram citados; Monteiro Lobato, Mauricio de Sousa, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Graciliano Ramos, Agatha Christie, Paulo Coelho, Padre Marcelo, Silas Malafaia, Edir Macedo, Zibia Gasparetto, Shakespeare. Apesar de haver vários moradores naturais da cidade, o número maior é de pessoas procedentes da região, principalmente Várzea, Jundiaí e a capital. Em seguida em número menor porém significativo, pessoas do interior; Minas Gerais, Paraná e Nordeste. O desconhecimento de nomes da literatura regional ficou evidente, os dois nomes citados deixaram dúvida: Adelino e Panizza. Por ter sido o bairro que mais respondeu o questionário novo, deu para traçar também o perfil dos fãs de futebol: prevaleceram os corintianos, em maior número no bairro, e que possuem o hábito de ler. Em segundo lugar os são-paulinos, com menos hábito e dos quatro que responderam “não”, três foram são-paulinos. Três declararam ser palmeirenses, dois possuem o hábito de ler e um respondeu pouco. Um santista, um flamenguista e um torcedor do Guarani também responderam possuir pouco hábito de leitura, e um cruzeirense disse possuir o hábito. Portanto, os são- paulinos decepcionaram quanto ao hábito de ler no São José!
Vera Regina
Moradores ouvidos: 08
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 8
Quatro “sim” e quatro “pouco” ao hábito de ler. Machado de Assis citado duas vezes como autor preferido (M e F) e Sidney Sheldon. Também foi citada a Astrologia como leitura preferida de uma moradora, primeira vez que o tema aparece na pesquisa.
Vila Chacrinha
Moradores ouvidos: 05
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 8
Saindo do Jardim Santa Isabel de carro, parei no próximo bairro, quase um quilômetro a frente, a Vila Chacrinha. Foram citados mais nomes preferidos da literatura nacional e estrangeira pelos cinco moradores ouvidos. Monteiro Lobato, Paulo Coelho, Silas Malafaia (duas vezes), Agatha Christie, Sidney Sheldon, Benny Hinn e Mike Murdock, provando mais uma vez que os nomes da literatura evangélica predominam na região de Botujuru. Ciro Américo Szabo, morador do bairro, foi citado pelos seus parentes como escritor novato. Uma moradora da Vila Chacrinha do lado oposto da estrada de ferro foi a que citou Sidney Sheldon e Paulo Coelho como escritores preferidos.
Vila Constança
Moradores ouvidos: 16
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 9
Os escritores regionais citados foram Sidinei Caetano (Tatu) e Edson França, este o autor evangélico de um livro que trata da questão das drogas. Por sinal, a literatura evangélica foi mais citada que a católica no bairro. O hábito de leitura de clássicos ficou resumido mesmo a apenas dois moradores; um do sexo masculino, que tem hábito de adquirir livros em sebo, e citou Machado de Assis e James Hilton como autores preferidos, e uma adolescente que afirmou gostar de poesia, contos, gibis e comédia.
Vila Firenze
Moradores ouvidos: 11
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 9
A Vila Firenze é considerada apenas uma rua dentro da Vila Ipê, onde 11 moradores responderam e apenas um afirmou ser apaixonado pela literatura.
Vila Imappe
Moradores ouvidos: 16
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 8
Para mim estaria iniciando a pesquisa no Jardim Marsola, mas para surpresa era Vila Imappe, nome que desconhecia por não constar no mapa. Entretanto pertence à região do Marsola, local de aspecto agradável e ruas boas para caminhada. Muitos moradores antigos, que conhecem tanto a história da cidade como seus escritores. João Justino, Maria Salete, Edson França e Noel Fernandes foram citados por moradores da Imappe, e Paulo Martinelli no Marsola. Autores de renome nacional e internacional preferidos também foram vários, dentre eles Paulo Coelho (duas vezes), Zíbia Gasparetto, Augusto Cury, Agatha Christie, Sidney Sheldon, Daniele Still e os padres Léo e Jonas Abib. Estes nomes foram mais citados pelo público feminino do que o masculino. Os nomes coincidem bastante com os citados no centro da cidade.
Vila Ipê
Moradores ouvidos: 04
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 8
Dos quatro moradores ouvidos, dois disseram não possuir o hábito de ler, um possui pouco hábito e outro respondeu sim, citando como autora preferida J.K. Rowling (um dos raros entrevistados que lembrou o nome da autora de Harry Potter)
Vila Marieta
Moradores ouvidos: 10
Classe econômica: D
Nota de atendimento: 7
Um dos poucos bairros de Campo Limpo onde a recepção à pesquisa não foi tão boa, foi com insistência e persistência que consegui atingir dez moradores. As respostas ficaram equilibradas entre o sim e o pouco hábito de ler, igualmente os autores preferidos citados, que foram Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes e Zíbia citados por uma moradora, e Paulo Coelho, Agatha Christie e o pastor Pelegrino da Assembleia de Deus citados por outros moradores.
Vila Olímpia
Moradores ouvidos: 12
Classe econômica: C
Nota de atendimento: 8
Maior parte foi de adultos ouvidos, alguns da chamada terceira idade, sendo que constatei perda do hábito de ler devido a problema de vista. Mas as três negativas ao hábito de ler não correspondem somente a esse fator, teve também pessoa que afirmou nunca ter tido o hábito mesmo. Poucos nomes de autores preferidos foram citados; Machado de Assis e Edgar Alan Poe por uma moradora e Augusto Cury e John Maxwell por um jovem. Também foi citado o nome do campo-limpense Paulo Martinelli.
Vila Santa Catarina
Moradores ouvidos: 12
Classe econômica: C/D
Nota de atendimento: 10
A primeira nota dez de atendimento em Campo Limpo, e segunda da pesquisa (a primeira foi no Jardim Bonança em Jarinu). Os estilos preferidos de literatura neste bairro são variados, passando pelos clássicos nacionais e estrangeiros aos religiosos. No entanto os mais citados foram os nacionais, como Augusto Cury, Zibia Gasparetto, Jorge Amado e Ruth Rocha

 

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