Boa noite!

LOUVEIRA – 142

 

JARINU - 116

     Na quinta cidade a ter a pesquisa concluída, já é possível analisar e relacionar os novos itens incluídos nas perguntas para associar o hábito de ler ao perfil social e demais gostos do povo. O novo questionário com 15 perguntas foi utilizado em mais de 80% da cidade (somente a região central e o Jardim Bonança foram ouvidos com o questionário velho). Portanto, nos demais locais dá para fazer a associação do gosto literário com o clube de futebol, profissão e grau de instrução. A procedência, curiosamente palavra que muitas pessoas não compreendem o significado, foi item fundamental para Jarinu, cidade que abriga um número elevado de novos moradores, não só de outros estados, mas principalmente da região (Jundiaí, Atibaia e São Paulo).

A cidade

     A leste de Jundiaí, Jarinu faz divisa com o bairro jundiaiense do Caxambu, região que recebeu imigrantes italianos que ali se estabeleceram para investir na uva. Quem viaja por lá, desfruta da paisagem rural, ora dominada por remanescentes da mata atlântica, ora por sítios e chácaras com a cultura da uva. Jarinu pertence ao circuito das frutas e realiza anualmente a Festa do Morango, no entanto sua peculiaridade está relacionada ao clima, tido como um dos melhores do mundo. Tais qualidades e características levaram novos moradores para a cidade, em busca de qualidade de vida. O crescimento dos últimos anos não chegou a ser desordenado e afetar a qualidade de vida do município, no entanto a vinda da classe média trouxe – inevitavelmente – pessoas para trabalhar na construção e que ali também se estabeleceram. Dessa forma, percorrendo a cidade você nota claramente as divisões sociais; o lavrador e o empresário, o operário e o engenheiro, o pedreiro e o executivo, o pequeno e o grande comerciante. Apesar da diferença, que nos grandes centros leva aos conhecidos conflitos urbanos, Jarinu preserva uma relação amistosa entre seus moradores e a histeria por segurança ainda não é sentida. Prova disso foi a tranquilidade com que realizei a pesquisa por ruas de bairros nobres e periféricos e a recepção amistosa, que teve algumas exceções somente na área central.

Os primeiros números de Jarinu

     Jundiaí recebe moradores de Várzea Paulista, Campo Limpo Paulista, Itupeva e Cabreúva (Jacaré) em peso. São estudantes e trabalhadores que diariamente se dirigem para cá. Em menor número, moradores de Louveira, Cajamar e Jarinu. Assim, os primeiros jarinuenses a responder a pesquisa estavam de passagem por Jundiaí. Em 2009 e 2010 fiz os primeiros testes em Jarinu, ouvindo moradores da região central que inclui a Vila Rica, e também o Jardim Bonança e Pitangal. Na segunda vez, ouvi pessoas nos pontos de ônibus e rodoviária da cidade, onde figuraram bairros que não estive para a pesquisa, como o Primavera. Estas pessoas responderam os antigos questionários, com oito e doze perguntas.

A pesquisa percorrendo toda a cidade

     De 2010 para 2011, já com o questionário de 15 perguntas, comecei a percorrer os quatro cantos da cidade, que é conveniente de carro devido às distâncias que separam os bairros, pois o perímetro urbano é relativamente pequeno. Bairros rurais, como Campo dos Aleixos, Campo Largo, Roseiral e Maracanã são separados por um, dois, três ou mais quilômetros, o que torna inviável fazer os roteiros a pé ou de ônibus. Foi também a primeira grande experiência como pesquisador em chácaras. A preocupação inicial era com a recepção, pois casos de assaltos às chácaras da região têm aumentado nos últimos anos. No entanto a recepção foi boa, o único inconveniente foi deparar com cachorros soltos. Na região do Campo dos Aleixos Jarinu ficou fora, pois não havia placa de divisa de municípios legível aos motoristas e as chácaras onde ouvi moradores já pertenciam ao município de Atibaia. Por isso Campo dos Aleixos vai figurar na cidade de Atibaia, quando a pesquisa nesse município for concluída.
     Nova Trieste, o maior bairro da cidade, e que continua em crescimento, foi onde mais ouvi moradores. Apesar do aspecto rural, sua constituição é urbana, e seu futuro é ser um “segundo centro” de Jarinu, ou seja, concentrar todos os serviços que atualmente só se encontra na área central. Em comparação a Jundiaí, seria como o bairro da Ponte São João. Nova Trieste e Maracanã são os bairros onde mais encontrei moradores novos, vindos principalmente da capital, Jundiaí e Atibaia. Números menores de outros estados e interior paulista, recém-chegados e outros moradores de Jarinu há vinte, trinta anos. Quase todos os bairros receberam as melhores notas de recepção à pesquisa; notas dez para o Jardim Bonança e o Maracanã, nove e oito para todos os demais. Somente o centro e a Vila Rica receberam nota menor. Numa rua próxima ao centro, além da ignorância de uma jovem moradora que atendeu extremamente sem educação, um vizinho saiu para conversar com outro e deixou o portão aberto para um rotweiller sair pela calçada.
     Casos isolados de ignorância à parte, Jarinu figurou até este momento como a melhor cidade da região em simpatia, vindo em seguida Campo Limpo Paulista onde a pesquisa não está finalizada. O ponto baixo ficou no desinteresse em conhecer as publicações, as vendas de ocasião ficaram no patamar de Louveira e Itupeva, limitando por isso uma abrangência maior da pesquisa, que pretendia também passar pela região do Ipê, Primavera, Tijuco Preto e Bairro do Breu. Os números catalogados mostram que pouco mais de 50% disse sim ao hábito de ler – ou gostar de ler. Teve apenas três “nãos”, dois do sexo masculino e outro do feminino. A baixa escolaridade do público adulto em vários bairros não constitui empecilho ao hábito de ler, dois adultos com apenas estudo primário, adquiriram dois livros na ocasião. Neste caso, nem o problema de vista devido a idade deles seria justificativa para dispensar a leitura. A citação de nomes da literatura nacional também foi boa diante do número de pessoas ouvidas. Machado de Assis e Monteiro Lobato são autores preferidos citados nos bairros de Nova Trieste, Trieste, Campo Largo, Maracanã e Bonança. Os outros mais citados foram Augusto Cury (no centro, Vila Rica e Maracanã), Maurício de Sousa, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meirelles. Poucos escritores estrangeiros foram citados, o destaque ficou para Agatha Christie e Sidney Sheldon.

Escritores regionais

Marcos Uvinha foi lembrado por três pesquisados (no Nova Trieste, Trieste e Maracanã) e Silveira Bueno também por três pesquisados, um no centro e dois no Nova Trieste. Os demais foram citados uma vez, são eles:
Renato Zanoni – de Atibaia
Douglas Tufano – Jundiaí
José Renato Nalini – Jundiaí
João Carlos José Martinelli – Jundiaí
Pastor Elyseu Queiroz – Jundiaí
Ligia Claret Lorencini – Jarinu
Professor Emerson
Edgar de Jesus
Drummond

Alguns nomes convêm serem pesquisados para saber se são de fato escritores.

Associação do hábito de ler ao time de futebol

     É a primeira vez que faço a associação dentro da conclusão da pesquisa numa cidade. Futebol não é minha praia, mas achei bastante curioso o resultado. Primeiro pela quantidade de são-paulinos na cidade, especialmente nos bairros do Maracanã e Nicola Tafarello. Os números finais apontaram 24 são-paulinos ouvidos, dos quais 10 responderam sim ao hábito da leitura, 12 pouco ou eventualmente, e 2 não. Corintianos vêm em seguida, com 15 ouvidos. Responderam sim ao hábito 9 corintianos, e 6 responderam pouco. Palmeiras representa a “terceira torcida” em números; 9 ao todo. Sete declararam possuir o hábito de ler e dois pouco. Seis santistas responderam a pesquisa, quatro declararam não possuir muito o hábito de ler e apenas dois possuem o hábito. Finalmente, dois flamenguistas também responderam, um possui o hábito e outro não possui muito o hábito. Fugindo um pouco da literatura, surge aqui o debate; o ambiente social influi na formação de torcidas de clubes de futebol? Esplanada do Carmo, bairro classes B e C, apesar de apenas três moradores terem respondido à pesquisa, dois declararam ser são-paulinos. Nova Trieste, bairro misto porém com predominância da classe D, o número de corintianos superou o de são-paulinos, e Nicola Tafarello, conjunto habitacional com toda a infraestrutura necessária e misto das classes C e D, com leve predominância para C, todos os que responderam pertencem à torcida do São Paulo. O andamento da pesquisa com esta pergunta talvez ajude a reforçar aquilo que a voz do povo já afirma.

Analfabetismo

     Além das 116 pessoas que responderam ao questionário, três mulheres se declararam analfabetas, e duas semianalfabetas. As semianalfabetas residem no Bonança e Nova Trieste, e as não alfabetizadas no Campo Largo, Maracanã e Nicola Tafarello. O trabalho na roça durante infância e juventude foi o motivo apontado por todas elas por não terem estudado; as semianalfabetas responderam ter cursado apenas o primeiro ano.
Lembro aos internautas que os contatos concretizados incluem estes casos excepcionais (portanto 121 contatos), mas para efeito da pesquisa, considero o questionário respondido, que foram 116 pessoas.

Autismo

     A pergunta também foi incluída no novo questionário pelo fato de ter iniciado um romance com um personagem com esse distúrbio. O questionário com o resultado de Jarinu e o resultado parcial de Campo Limpo, mostra detalhes interessantes: todos os professores que responderam o questionário conhecem o distúrbio, mas curiosamente, estudantes do ensino fundamental (até oitava série) desconhecem o que é o autismo. Achei realmente estranho, pois se os professores estão preparados para receber um aluno autista, por que os alunos não estariam? Como tratar um colega de classe sem preconceito se a maior parte da classe não sabe o que é o autismo ou a síndrome de Asperger? Dependendo do grau do distúrbio, autistas podem (e deveriam) frequentar escolas públicas ou particulares como todos os demais alunos.
     Cidadãos com demais ocupações ficaram divididos em relação ao conhecimento; mais de 50% apenas ouviu falar, desconhece as características do autismo. Teve ainda uma minoria que associou o autismo à síndrome de Down, ou seja, faz confusão.

Consciência ambiental

     A pergunta número 15 é referente ao hábito de fazer separação do lixo para reciclagem (papel, plástico e vidro do lixo orgânico). Além do interesse técnico na questão (sou formado em Meio Ambiente), a consciência ambiental da reciclagem está relacionada ao hábito de ler, pois é através de informações escritas, textos educativos, que é formada essa consciência no cidadão. Como apenas parte dos moradores recebeu o novo questionário com a pergunta, a pequena amostragem revelou que os moradores estão divididos entre separar ou não separar pelo fato da coleta seletiva não ir aos bairros. Soube que está um impasse na questão de terceirizar ou não o serviço, enquanto isso muitos moradores colocam tudo na coleta comum...e o pior, um morador da região do Campo Largo disse que determinado lixo ele joga num terreno. Apesar da coleta seletiva ser feita somente na área central e no bairro nobre Esplanada do Carmo (onde os três pesquisados afirmaram separar o lixo), muitos moradores de bairro disseram que possuem o hábito de separar – 35 separam, contra 39 que não separam. Ou seja, se a coleta seletiva estivesse presente nos bairros, com certeza o número de moradores que separam seria muito maior. Uma moradora disse que onde morava, São Bernardo do Campo, ela possuía o hábito de separar porque o caminhão passava toda semana recolhendo. Mas como no bairro de Jarinu a coleta seletiva não passa, ela não separa mais. Outros moradores afirmaram separar só determinado tipo de material; um separa só latinhas, outro só plástico.
     Fica o recado para as autoridades da cidade resolverem o mais rápido possível essa questão, pois reciclagem do lixo interfere na qualidade de vida das pessoas.

Números por bairro

CENTRO
Pessoas ouvidas: 05
Nota de atendimento:7
Padrão social: C/D
O centro em si é a área comercial, e muitas residências, inclusive na Vila Rica, estavam fechadas no momento em que passei, por isso foram ouvidos poucos moradores da área central, além dos que se recusaram a responder por este ou aquele motivo. Pelo número de escritores regionais e de renome nacional citados pelos dez moradores do centro e Vila Rica, deduzo que não difere dos demais bairros. Mesmo os autores de estilo espírita ou autoajuda, preferidos por moradores das áreas centrais e bairros nobres conforme a pesquisa constatou nas outras cidades, as citações destes nos bairros de Jarinu aponta que este tipo de literatura está crescendo nos bairros, inclusive nos de padrão social D.

VILA RICA
Pessoas ouvidas: 05
Nota de atendimento: 7
Padrão social: C
Tanto na Vila Rica como Esplanada do Carmo, muitas residências fechadas na ocasião não permitiram ouvir um número maior de moradores.

ESPLANADA DO CARMO
Pessoas ouvidas: 03
Nota de atendimento: 8
Padrão social: B/C

JARDIM BONANÇA
Pessoas ouvidas: 14
Nota de atendimento: 10
Padrão social: C/D
Desde o início da pesquisa em Jundiaí, este bairro jarinuense foi o primeiro a receber a nota dez. Em Jundiaí, a nota máxima de atendimento foi 9. No final da pesquisa neste mês de outubro, mais um bairro de Jarinu também recebeu 10, o Maracanã, passando à frente de Campo Limpo Paulista, que até este momento teve apenas um bairro que recebeu 10.

PITANGAL
Pessoas ouvidas: 03
Nota de atendimento: 9
Padrão social: D

PARQUE ANTONIO AFONSO PEREIRA
Pessoas ouvidas: 01

TRIESTE
Pessoas ouvidas: 02
Padrão social: D

NOVA TRIESTE
Pessoas ouvidas: 34
Nota de atendimento: 9
Padrão social: D

PRIMAVERA
Pessoas ouvidas: 01

MARACANÃ
Pessoas ouvidas: 15
Nota de atendimento: 10
Padrão social: C/D

ROSEIRAL
Pessoas ouvidas: 13
Nota de atendimento: 9
Padrão social: D

CAMPO LARGO
Pessoas ouvidas: 11
Nota de atendimento: 9
Padrão social: D

PEDRA BRANCA
Pessoas ouvidas: 01

CAIOÇARA
Pessoas ouvidas: 01

BAIRRO SOARES
Pessoas ouvidas: 01

NICOLA TAFARELLO
Pessoas ouvidas: 06
Nota de atendimento: 8
Padrão social: C/D

Conclusão do escritor

Jarinu não demonstrou grandes diferenças para as demais cidades da região de Jundiaí:
Atendimento melhor nos bairros de classe D sendo que o pior atendimento continua sendo da parte do sexo feminino.
As mulheres leem mais literatura estrangeira que os homens (continuam sendo citados Sidney Sheldon e Agatha Christie).
As crianças e jovens possuem mais hábito de ler que os adultos, sendo que até a adolescência os escritores preferidos são Mauricio de Sousa e Monteiro Lobato (este citado também por adultos).
Escritores evangélicos de Jundiaí são conhecidos nas cidades da região, em determinados bairros são mais conhecidos que os poetas, romancistas e autores jurídicos e didáticos.
O analfabetismo está presente em todas as cidades e atinge mais mulheres que homens, com idade acima dos quarenta anos.
Jornais são mais lidos que livros, em ambos os sexos, dentre o público adulto.
Dentre os gêneros literários, romance e autoajuda são os preferidos.
Mulheres leem mais literatura espírita que os homens.

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