Boa noite!

LOUVEIRA – 142

LOUVEIRA – 142

 

     Fazendo divisa com Jundiaí pela região norte, Louveira foi a 3ª cidade a ter a pesquisa de hábito da leitura concluída por este escritor.

     Com 33 mil habitantes (segundo censo atual), Louveira faz parte das cidades do circuito das frutas, diferente de Várzea, cujo crescimento foi decorrente da vocação industrial.  Baseando-se nisso, já esperava encontrar algumas diferenças no hábito de leitura do louveirense, bem como no atendimento e cultura local, algo mais interiorano e distante da característica de vários bairros de Várzea Paulista, que em muito se assemelham aos bairros da região metropolitana de São Paulo.

     Houve, de fato, grandes diferenças, mas também semelhanças, pelo motivo de Louveira estar em crescimento, com a expansão de loteamentos e condomínios. Pode-se dizer que Louveira “divide-se em duas”; o lado de lá da Anhanguera, que tem recebido paulistanos de classe média e média-baixa fugindo dos problemas da metrópole, juntamente com jovens do interior e do nordeste, e o lado de cá da rodovia, com seus moradores antigos e também os recém-chegados da capital, ocupando bairros novos entre Louveira e Vinhedo.

    Com exceção da região leste da cidade, que fui conhecer só agora com a pesquisa, já conhecia a região central de Louveira e a região do Kebra, “o lado de lá da Anhanguera”, que já na década de 80, início de 90, enfrentava problemas com o vandalismo e as drogas. O crescimento do Bairro Santo Antônio, e o Burck, mais novo, além de outros pequenos bairros ao redor, misturando moradores regionais e outros vindos de longe, fez uma mescla de cultura e diferentes classes sociais, que vão da B a E. Devido a essa “babel”, a pesquisa foi difícil e desgastante nesses dois bairros. Apesar da maioria ter respondido a pesquisa normalmente, pairou um clima de insegurança e desconfiança o tempo todo. Pude sentir na pele, vizinhos que não topam vizinhos, que desconhecem e não querem conhecer o forasteiro, os moradores da república ali adiante. Como me falou uma senhora moradora da região central, “o problema do lado de lá são os baianos”. Depois, num sorriso amarelado, ela me perguntou “você não é baiano, né?”

     O “problema” visto pelos moradores “do lado de cá”, mais antigos, está na forma de se fazer políticas públicas em nosso país. Os tempos mudaram, mas a maneira de se administrar não mudou (bem como o preconceito também não mudou).

     O exercício da cidadania e o diálogo em associações de bairros fazem-se necessários numa situação assim, e, apesar de ter apresentado meu manual de segurança e cidadania a pelo menos 80% dos pesquisados, percebi uma certa apatia, principalmente nos moradores do Santo Antônio e Burck.  Talvez a indiferença seja uma forma de fugir ou esquecer de uma situação. Em bairros divididos, critica-se e cruzam-se os braços. No Burck, onde ouvi poucos louveirenses e muitos paulistanos, interioranos, alagoanos, ou, como afirmou a senhora do centro, “todo nordestino é baiano”, as dúvidas foram muitas. Portanto, pessoas novas e que ainda desconhecem a região e a cultura local, apenas o emprego é o objetivo.

     Após andar muito que começaram a aparecer os primeiros nomes da literatura da cidade, por moradores mais antigos e de um poder aquisitivo maior.  Santo Antônio foi mesma coisa. Já na região central, que também apresenta classes sociais diversificadas, os primeiros nomes foram citados pela classe C e famílias tradicionais da D. Mas o que me admirava era o desinteresse em conhecer os trabalhos deste escritor jundiaiense. Predominava o sim para o hábito da leitura, o conhecimento de escritores locais iam aparecendo aos poucos, mas a indiferença à pesquisa e ao escritor foi intrigante. No Jardim Niero, bairro ao lado do centro e com predominância da classe C, foi o primeiro da cidade a receber a pesquisa em 2007, sobre segurança pública, e posteriormente hábito da leitura. Várzea Paulista, que lê menos, demonstrou entusiasmo com um escritor na porta de casa; Louveira demonstrou indiferença, que só foi quebrada na Vila Bossi e nos bairros da região leste, como a Vila Pasti, onde inclusive saiu a primeira venda. Justamente pela surpresa da pouca venda, inviabilizou o prosseguimento do trabalho por demais bairros, principalmente os rurais. E a pesquisa, que pretendia atingir 200 pessoas como em Várzea Paulista, encerrei com apenas 142. Curiosamente, este resultado apontou que Louveira lê mais que Várzea, porém Várzea comprou mais livros. Mas analisando detalhadamente o resultado, constata-se que o louveirense lê mais jornais que livros, tanto que muitos moradores que citaram nomes dos escritores locais, conhecem os escritores das colunas poéticas do jornal. Poucos tem ou tiveram em mãos os livros desses escritores. Alguns moradores chegaram a dizer “conheço esta pessoa da coluna no jornal, mas se tem livro publicado não sei”.  Por fim, a antologia desses escritores louveirenses acabou chegando em minhas mãos, através de uma gentil moradora da Vila Pasti, do pastor da Igreja Batista de Louveira, e de um  escritor, Benedito Corrêa, que também respondeu a pesquisa (só não valeu colocar seu próprio nome nela).

 

COMO É A CIDADE PESQUISADA

 

     Fundada em 21/03/1965, a origem do nome está ligada ao seu primeiro povoador, o espanhol Gaspar de Oliveira (ou) Gaspar de Louveira. Na verdade, Louveira é nome de uma árvore, hoje extinta na região.  Está situada a 690 m de altitude, pouco abaixo da altitude média de Jundiaí. Segundo o censo de 2000, a cidade possuía 23.970 habitantes, sendo 21.962 na área urbana e 2044 na área rural. Censo mais recente aponta que Louveira hoje está com população em torno de 33 mil habitantes, ou seja, em pouco menos de 10 anos Louveira teve aumento em sua população de quase 10 mil novos moradores.

     É limítrofe com as cidades de Jundiaí, Itupeva, Itatiba e Vinhedo. Possui linha regular de ônibus urbano, operado pela Rápido Luxo Campinas. Curiosamente, não possui ônibus para São Paulo, apenas para cidades vizinhas e Campinas. A ferrovia que corta a cidade e oferecia transporte de passageiros para São Paulo e todo o interior até meados dos anos 90, hoje opera somente transporte de carga.  Há mais de 60 anos atrás existia também a estrada de ferro Itatibense, que ligava Louveira a Itatiba.  Hoje a ligação é estritamente rodoviária.

     A taxa de alfabetização gira em torno de 91,85%.

 

RESUMO DA PESQUISA E NÚMEROS

 

     Louveira demonstrou na pesquisa que predomina o hábito da leitura entre seus moradores (em torno de 20 pontos a frente do “pouco hábito da leitura”), e cinco declararam não possuir o hábito ou não gostar. Mas o hábito maior foi da leitura de jornal, vindo em seguida literatura nacional. Poucos escritores estrangeiros foram citados. Os jovens demonstraram mais interesse por leitura do que adultos e adolescentes, havendo pequenas variações de bairro para bairro. No Capivari, segundo e último bairro de característica rural onde fiz uma pequena parte, os jovens não demonstraram ter muita afinidade com leitura. No Sagrado Coração, alguns pré adolescentes admitiram gostar de ler somente gibis, e houve até recusa de um em responder, afirmando que não gosta de ler livros. E é justamente o público infantil, adolescente e jovem que desconhece os escritores locais. Os mais de 10 nomes citados foram pelo público maior de 18 anos, principalmente na faixa etária dos 30 aos 50. E isso se justifica pelo fato dos adultos lerem mais jornal que os jovens e adolescentes, já que os escritores louveirenses escrevem direto no jornal. Outro fator determinante para tal situação, a ausência dos escritores nas escolas, e isso constatei durante a pesquisa. Apesar desse porém, Louveira se saiu bem melhor que Várzea Paulista nesse item de conhecimento dos escritores regionais. Em Louveira os ouvidos foram metade dos ouvidos em Várzea (142 louveirenses, 270 varzinos). Somente 19 varzinos citaram nomes, Louveira, de 142, 30 citaram nomes. Portanto, a maior diferença entre as duas vizinhas de Jundiaí ficou justamente no hábito de leitura e conhecimento de nomes de escritores locais. Já as semelhanças ficaram por conta do gosto musical –adultos em ambas as cidades preferem o sertanejo e as crianças e adolescentes o black em primeiro lugar, seguido por funk e rap. Parte desse público, principalmente nos bairros de menor poder aquisitivo, demonstrou pouco interesse por livros. E por religião, também nas duas cidades a preferência é por literatura católica e evangélica.            

     No caso de escritores preferidos, foram citados poucos nomes e essencialmente nacionais; Monteiro Lobato ganhou disparado, citado 10 vezes; Machado de Assis e Paulo Coelho 4, seguidos por Jorge Amado, Ziraldo, Augusto Cury com 3 citações, igualmente Stephanie Meyer, a única escritora estrangeira que foi citada 3 vezes. Demais nomes já bastante conhecidos da pesquisa, como Zíbia Gasparetto, Mauricio de Sousa, Sidney Sheldon, dentre outros, foram citados apenas uma ou duas vezes. Os nomes que apareceram pela primeira vez na pesquisa foram citados por uma jovem do Bairro da Estiva: Julio Emilio Braz e Lygia Bojunga.

     Dos escritores de Louveira, José Ademir Tasso e Clovis Mazalli foram os mais citados (5 vezes), vindo em seguida Benedito Corrêa (4 vezes) e Jorge Lemos (3 vezes). Citados duas vezes, Samuel Moscoski e a missionária Dionísia Santos, da Assembléia de Deus. Outros escritores citados: Jorge Navac, Pastor Wilson, Zé Zechin (de Vinhedo), Ubirajara Tavares, Adélia Diacui Pagotti e Andréa Pelegrinelli. Segundo Benedito Corrêa, o poeta que conversei pessoalmente, são em torno de 25 escritores na cidade. De Jundiaí, somente Yole Antiqueira foi citada por uma louveirense.

     Durante a pesquisa também foi constatada a presença de muitas pessoas com problemas de vista e algumas analfabetas (adultos).

 

NÚMEROS POR BAIRRO

 

     2 a 4% responderam a pesquisa em Jundiaí (comércio e principalmente na rodoviária); tal como Várzea Paulista, muitos moradores de Louveira trabalham ou estudam em Jundiaí e se deslocam para cá quase que diariamente.

 

CENTRO / JD. NIERO / JD. VERA CRUZ (7)

Na região central, onde passei inclusive a pesquisa sobre segurança pública, surgiram os primeiros nomes de escritores louveirenses.  O atendimento foi razoável e mereceu nota sete.

Classes: B, C, D

Pessoas ouvidas: 11

 

BAIRRO SANTO ANTÔNIO (KEBRA) (6)

Classes: B, C, D

Pessoas ouvidas: 14

 

RESIDENCIAL BURCK (6)

Neste bairro misto, predominou o sim ao hábito da leitura (27), mas dos cinco “não” da cidade, dois foram de lá.  Bairro Santo Antônio e Burck formam a grande região da cidade onde os escritores locais são menos conhecidos.

Devido a facilidade e rapidez de acesso desse bairro à Jundiaí, foi a região de Louveira onde mais ouvi moradores.

Classes: B, C, D, E

Pessoas ouvidas: 42

 

VILA PASTI (9)

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 18

 

JARDIM 21 DE MARÇO (8)

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 13

 

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS (8)

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 10

 

BAIRRO DO LEITÃO (9)

Bairro rural, com presença de moradores antigos e também moradores novos vindos do nordeste.

Classes: D,E

Pessoas ouvidas: 4

 

MONTEREY

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 1

 

BAIRRO DA ABADIA

Pessoas ouvidas: 1

 

VILA NOVA

Pessoas ouvidas: 1

 

TERRA NOBRE

Pessoas ouvidas: 2

 

BAIRRO DA ESTIVA (9)

Classes: C,D,E

Pessoas ouvidas: 4

 

BAIRRO RAINHA

Pessoas ouvidas: 1

 

PARQUE DOS ESTADOS (8)

Classes: C,D

Pessoas ouvidas: 6

 

PARQUE DO SABIÁ

Pessoas ouvidas: 1

 

VILA BOSSI / JD. BANDEIRANTE (8)

Classes: B,C,D

Pessoas ouvidas: 8

 

BAIRRO CAPIVARI (9)

Classes: D,E

Pessoas ouvidas: 5

 

Parceiros













Eu Apoio


Juliano Gaitero


Sebo O Barato da Cultura


Aloysio Roberto Letra
Escritor e Roteirista


Rock Nacional
e Internacional



Soul, Funk, Samba
Rock e Derivados


Em Defesa do Meio
Ambiente e Cidadania